Alguns ex-funcionários da equipe de suporte do OnlyFans ainda continuavam com acesso aos dados dos usuários – incluindo informações pessoais e financeiras confidenciais, mesmo depois de serem demitidos da empresa – usada por profissionais do sexo para vender nus e vídeos pornôs.
De acordo com um ex-funcionário do OnlyFans – que pediu para permanecer anônimo por temer retaliação, alguns ex-funcionários ainda tinham acesso ao Zendesk, um software de atendimento ao cliente usado por muitas empresas, incluindo o OnlyFans, para rastrear e responder a tíquetes de suporte ao cliente, muito tempo depois de sair da empresa. OnlyFans usa o Zendesk para se relacionar tanto com os usuários que postam conteúdo quanto com os usuários pagantes, consumidores de conteúdo. A revista Motherboard conseguiu confirmar essas informações com mais de um ex-funcionário.
De acordo com a fonte e os usuários do OnlyFans que falaram com a Motherboard, dependendo do assunto para o qual o usuário abre o chamado de suporte, os tíquetes podem conter informações de cartão de crédito, carteiras de motorista, passaportes, nomes completos, endereços, extratos bancários, quanto eles ganharam ou gastaram no OnlyFans, selfies do serviço Know Your Customer (KYC), em que o performer fotografa uma carteira de identificação ao lado do rosto para verificação, além de formulários de licenciamento do material produzido.
Nossa fonte demonstrou à Motherboard como eles faziam para acessar as informações muito depois de terem parado de trabalhar para o OnlyFans.
Em 1947, Albert Einstein, escrevendo na The Atlantic, propôs a criação de um governo mundial único para proteger a humanidade da ameaça da bomba atômica. Sua ideia utópica não se realizou, obviamente, mas hoje, um outro visionário tenta construir um simulacro de cosmocracia.
Mark Zuckerberg, ao contrário de Einstein, não inventou o Facebook por um senso de dever moral ou zelo pela paz mundial. Neste verão setentrional, a população do regime supranacional de Zuckerberg atingiu 2.9 bilhões de usuários ativos mensais, mais seres humanos do que nas duas nações mais populosas do mundo – China e Índia – juntas.
Para Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, eles são cidadãos da Facebookland. Já há muito tempo, ele começou a chamá-los de “pessoas” em vez de “usuários”, embora eles não deixem de ser “cogs” em uma imensa “matrix” social, pedaços carnosos de dados para satisfazer o apetite dos anunciantes, que despejaram US$ 54 bilhões no Facebook apenas no primeiro semestre de 2021 – uma soma que supera o produto interno bruto da maioria das nações da Terra.
O PIB é uma comparação reveladora, não apenas porque aponta para o poder extraordinário do Facebook, mas porque nos ajuda a ver o Facebook como ele realmente é. O Facebook não é apenas um site, ou uma plataforma, ou um editor, ou uma rede social, ou um diretório online, ou uma empresa, ou um utilitário. Ele é todas essas coisas. O Facebook também é, efetivamente, uma potência estrangeira hostil.
Isso é fácil de ver por seu foco estreito em sua própria expansão; sua imunidade a qualquer senso de obrigação cívica; seu histórico de facilitar o enfraquecimento de eleições; sua antipatia pela imprensa livre; a insensibilidade e arrogância de seus executivos; e sua indiferença à resistência da democracia.
Alguns dos maiores críticos do Facebook pressionam por regulamentação antitruste e pela auditoria de suas aquisições – qualquer coisa que possa desacelerar seu poder crescente. Mas se você pensar no Facebook como um estado-nação – uma entidade engajada em uma guerra fria com os Estados Unidos e outras democracias – você verá que ele requer uma postura de defesa civil além da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários.
Hillary Clinton disse no ano passado que sempre sentiu um cheiro de autoritarismo em Zuckerberg. “Sinto que às vezes você está negociando com uma potência estrangeira”, disse ela. “Ele é imensamente poderoso.” Um de seus primeiros mantras no Facebook, de acordo com Sheera Frenkel e Cecilia Kang em seu livro, An Ugly Truth: Inside Facebook’s Battle for Domination, era “a empresa acima do país”. Quando essa empresa tem todo o poder de um país, a frase ganha um significado mais sombrio.
Os componentes básicos da nacionalidade são mais ou menos assim: você precisa de terra, moeda, uma filosofia de governança e pessoas. Quando você é um imperialista no metaverso, não precisa se preocupar tanto com a dimensão física – embora Zuckerberg possua 1.300 acres em Kauai, uma das ilhas menos povoadas do Havaí. Quanto ao restante dos componentes da lista, o Facebook tem todos.
O Facebook está desenvolvendo seu próprio dinheiro, um sistema de pagamento baseado em blockchain conhecido como Diem (antigo Libra) que os reguladores financeiros e os bancos temem que possa vir a derrubar a economia global e dizimar o dólar.
Os reguladores estão de olho no Facebook por um bom motivo, mas a ameaça que a empresa representa é muito mais do que seu monopólio de tecnologia emergente. A ascensão do Facebook é parte de um movimento autocrático maior, que está corroendo a democracia em todo o mundo, à medida que líderes autoritários definem um novo tom para a governança global.
Considere como o Facebook refere-se a si mesmo como um contrapeso a uma superpotência como a China. Os executivos da empresa alertaram que as tentativas de interferir no crescimento desenfreado do Facebook – por meio da regulamentação da moeda que ele está desenvolvendo, por exemplo – seriam um presente para a China, que quer que sua própria criptomoeda seja dominante. Em outras palavras, o Facebook está competindo com a China da mesma forma que uma nação faria.
Seria possível reunir um número suficiente de pessoas para derrubar esse império? Provavelmente não. Mesmo que o Facebook perdesse 1 bilhão de usuários, sobrariam mais 2 bilhões. Mas precisamos reconhecer o perigo que corremos. Precisamos nos livrar da noção de que o Facebook é uma empresa normal ou de que sua hegemonia é inevitável.
Talvez um dia o mundo se una como um só, em paz – como sonhou Einstein, indivisível pelas forças que lançaram guerras e desmoronaram civilizações desde a antiguidade. Mas se isso acontecer, se conseguirmos nos salvar, certamente não será graças ao Facebook. Será apesar dele.
A estimativa de projetos é uma arte hermética, em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que no desenvolvimento de sistemas computacionais. Certa vez, ouvi falar de uma misteriosa confraria de numerólogos, que multiplicavam suas estimativas de tempo por π. A prática supostamente dava a eles uma margem de segurança suficiente para definir novos requisitos, testes, iteração e outras mudanças aleatórias no escopo do projeto.
Isso me pareceu curioso e arbitrário, mas fiquei intrigado. Depois de refletir um tanto, pude colocar a conjectura da estimativa circular (CEC) em bases matemáticas sólidas.
Alguém – um designer, seu líder, o produtor executivo, um amigo, sua mãe – pede que você faça algo. Você pensa um pouco, faz algumas anotações, considera o que é necessário e apresenta um projeto e uma estimativa de tempo para a conclusão.
Mas as coisas mudam. Acontece que havia algumas coisas que seu designer/ líder/produtor/ amigo/mãe esqueceu de mencionar e, à medida que você fazia o trabalho, sugiram algumas ideias para estender o projeto um pouco mais. Seu escopo cresceu.
E é claro que nem tudo correu bem. Sua primeira tentativa foi um fracasso [instrutivo]. Então você focou na segunda tentativa e acabou criando uma serie de problemas que demoraram um tanto mais para serem ajustados. Você gastou dois dias extras para encontrar uma solução alternativa. Em suma, você seguiu um caminho positivamente tortuoso até seu objetivo.
Quanto tempo demorou a sua jornada em comparação com o plano original? Parece que os numerólogos estavam certos…
E aí está – não importa o que você pense quando começa um projeto. Depois de passar pela pesquisa, design, discussões, protótipos, falhas, testes, rotatividade de requisitos e todos os outros caprichos do processo criativo, você certamente terá gasto π vezes o tempo que você planejou originalmente.
Alguns podem questionar meu rigor matemático e até mesmo contestar o que acredito ser a conclusão incontestável. Alguém poderá alegar que o multiplicador correto não é de fato π – mas 2, ou √2, ou e, ou a razão áurea φ. No entanto, não conheço ninguém que chegue a alegar que o multiplicador seja < 1.
Independentemente de quaisquer inclinações numerológicas, o argumento é que você se permita admitir que no início de um projeto você a) não tem o panorama completo, b) você não sabe como as coisas vão se encaminhar, e c) há trabalho pela frente sobre coisas que você ainda não tem ideia.
Nenhuma quantidade de planejamento e análise de tarefas pode mudar isso, então não tente. Em vez disso, dê a si mesmo uma reserva de tempo plausível e então mergulhe no trabalho.
Ah, e aquela lista de tarefas que você fez no fim de semana passado? Não é por acaso que você conseguiu concluir apenas cerca de um terço dos itens da lista. ;-)
Dia de distanciamento voluntário por conta do spike na Covid. Sem o tradicional encontro dos sábados pelos bares da vida. Aproveitando para colocar em ordem coisas e ideias, me dou conta que posso me entregar ao luxo de ter some fun. Hoje vou poupar os prezados leitores das longas arengas tecnológicas e mostrar algo diferente.
Sim, este é um blog de tecnologia, mas a Constituição deste blog prevê espaço para a discussão de tópicos musicais, de quando em vez. Nunca aproveitei essa prerrogativa, mas hoje é um bom dia para fazê-lo.
Apresento uma música gravada com minha banda, a Stage(*), no começo do século. Se esta experiência der certo, outros sábados musicais virão. Para hoje escolhi um pop-folk [ou folk-pop] de minha autoria, “The Motion” [with lyrics], que trata da vontade estar em movimento, “cruzando as estrelas à velocidade da luz… movendo coisas no meu quarto só com o poder da mente… me movendo no ritmo da noite”. Vem muito a propósito deste desastre interminável que é a Covid.
Without further ado, ladies and gentlemen, sing along with STAGE! (clap, clap, clap…) >>>>
* * *
The Motion(E. Bernardo)
I'm in motion
I am moving on the ground
On the ocean, on that open field so green
I'm moving on the paper I trace a swaying line I draw her features, I draw her eyes On the ballet of the pen
Now I cross the stars at the speed of light I feel emotion I'm moving on the paper
I'm moving in silence
Like a division of tanks
In search of the prey,
I go smashing the way
Outraging the defense
I'm moving on her body
I'm moving on the street
Only with the power of my mind
I move things across my room
Now I know the force That can push the "start" That sets me in motion Is concentrated in her fingers
I'm moving on the rhythm of the night I feel emotion (repeat)
(*) Banda Stage:
Rogério Trevisan – Bateria Valmir Marques – Guitarras João Grandini – Baixo elétrico Eraldo Bernardo (moi!) – Vocais
Em minhas interações diárias com a Internet geralmente frequento grupos de desenvolvedores de software, de veneráveis pesquisadores de segurança e de fundadores de startups. Não é surpresa que eu, portanto, às vezes tenha a sorte de conhecer coisas em primeira mão. Foi o que aconteceu na semana passada ao conhecer othoughts.page, um site para ‘microblogging’ muito ágil e inovador.
Ilustração: Vox Leone
À primeira vista ele parece um blog com um tema gráfico muito simples, como os blogs de forma longa, comuns em serviços como Medium e Substack – assim como muitos no WordPress. Desfeita a primeira impressão visual, emerge então um site muito parecido com o Twitter.
Mas sem limites estritos de caracteres. Também sem títulos de postagens. Sem comentários, sem respostas nem @menções. Sem foto de perfil ou avatar. Sem notificações. Com interface apenas em inglês. Fácil de descobrir na plataforma. Fácil de se inscrever. Rápido para ler. Pensamentos controversos permitidos, mas protegidos pela própria arquitetura do sistema, tanto contra ataques dos haters quanto contra o abuso de bots e propaganda. Monetização não suportada. Sem algoritmo, sem cancelamentos.
Para coroar o inusitado, a rigor não é uma plataforma grátis. O preço proposto é de US$ 5 mensais para quem ganha mais de US$ 40,000 por ano [não sei como eles vão verificar – presumo que para os brasileiros será eternamente grátis]. Essa é a grande novidade do Thoughts, que se contrapõe à regra quase universal dos serviços “grátis”, que são oferecidos ao usuário em troca de seus dados comportamentais na rede – o que se tornou a fonte de todos os males na web.
Como há apenas a versão Web, para acessá-lo é necessário usar o “protocolo do dedo”, como nos primeiros dias da web: “aqui está o endereço dos meus status/pensamentos/sentimentos – digite em seu navegador e adicione aos seus favoritos”. Para divulgar o site é preciso propagar o link entre os seus contatos. Ou esperar que ele entre no índice do Google e outros.
No que diz respeito à segurança e privacidade, observo que, pelas suas características, ele é menos propenso a ‘stalking’ ou ‘bullying’ do que Twitter, Instagram, FB, etc. É uma forma de comunicação um-para-muitos sem as interações tóxicas.
Ilustração: Vox Leone
O fato de a plataforma não ter um feed RSS aumenta o nível de esforço necessário para seguir alguém. Mas tem suas compensações. Eu não uso o Twitter, mas há um punhado de pessoas que ocasionalmente checo usando o velho Firefox para ver sua página [que favoritei]. Isso tem a vantagem de manter o número de pessoas que eu sigo a um mínimo absoluto e limitar a frequência com que leio seus tweets, independentemente da frequência com que me lembro de verificar se elas disseram algo novo.
Difícil de descobrir
Com o Thoughts é mais difícil seguir um número muito grande de pessoas [mas esse parece ser o ponto!]. Depois de criado seu blog se torna um subdomínio da plataforma, como por exemplo, leone.thoughts.page. Na prática, não é diferente de visitar um site por meio de um item favorito do navegador [eu com certeza visitaria uma página de pensamentos de uma banda local, de um comediante ou qualquer outra pessoa que tivesse ideias interessantes]. O Twitter começou recentemente a desencorajar esse tipo de visualização passiva [sem login]. Apenas navegar para o perfil do Twitter de alguém [Ex: https://twitter.com/mr-nice-guy] agora resulta em um pop-up me pedindo para fazer o login, e tentar seguir qualquer link resulta em um pop-up semelhante que não pode ser fechado.
Isso pode representar uma oportunidade para esta nova plataforma. Os ventos da web estão para mudar, com a Web 2.0 mostrando sinais de fadiga. A princípio parece que sua configuração que não permite que as pessoas enviem mensagens ou sigam umas às outras (e na qual você não precisa usar seu nome verdadeiro) não pode ser usada para interações sociais. Mas em um segundo pensamento lembro que o mundo está repleto de comunicações unidirecionais [ou bi ou multi-unidirecionais] e portanto sempre haverá casos de uso computacionais para elas. Dois efeitos colaterais positivos dessas comunicações são que, no mínimo, esse esquema neutraliza as interações nocivas e o efeito “bolha de opinião”.
Ilustração: Vox Leone
Eu me pergunto se a falta de ferramentas de interação entre os pares fará com que os eventuais usuários do Thoughts tentem criar soluções alternativas para interagir de outras maneiras. Por exemplo, no início do Twitter as pessoas usavam RT e outras técnicas para divulgar e/ou responder a tweets, embora a própria plataforma não tivesse essas funções. Eu pessoalmente adoraria ver um concorrente para o Twitter [o que é a própria motivação deste post]. Será interessante observar.
Para um leitor, Thoughts desarticula a ideia de ir a um único site específico [como o Twitter], escolher um tópico e ver imediatamente nele um fluxo de pensamentos de muitas pessoas diferentes. Para um escritor, porém, acredito que um micro blog como esse pode ser combinado a um full blog WordPress para complementar e estender pensamentos iniciados nos grandes blogposts e criar uma retroalimentação positiva para ambos os sites.
Como tudo na vida, é preciso conhecer sua audiência. Quem é o público para seus pensamentos? Presumivelmente, não o seu círculo de amigos – que têm suas próprias vidas e não vão atualizar sua página várias vezes ao dia para te ver. As únicas possibilidades que vejo para quem pretende usar a plataforma como um fim em si mesmo são a) que nenhuma outra alma jamais chegue a ler seus escritos lá – caso em que você pode muito bem escrever suas ideias em um arquivo de texto em seu disco rígido, ou b) que atraia a atenção de um tipo que você prefere não receber: um seguidor obsessivo com assustadoramente muito tempo livre em suas mãos ou então enxames de robôs russos visando os vulneráveis e os propensos a compartilhar demais suas emoções.
Mas se você tem uma visão estratégica do que pretende atingir, como blogger ou no relacionamento com clientes, Thoughts parece ser uma grande ferramenta para complementar seu Blog ou para fazer backlinks para aumentar o pagerank de seu(s) site(s). Os seguidores do seu blog principal provavelmente sempre darão uma olhada em seu micro blog.
Ilustração: Vox Leone
E se você é do tipo social ou ‘early adopter’ também sabe que é sempre bom reservar seu nome ou marca em uma nova plataforma que surge [ok, não precisa me agradecer]. A propósito, criei uma conta, e meus pensamentos estão [ou estarão] em leone.thoughts.page [ainda testando]. Salve entre seus favoritos, please. :)
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Termo de Isenção de Responsabilidade:
Não tenho nenhum tipo de relação com esse site/domínio. Conheci a ferramenta durante a exposição que seu fundador fez no site Hacker News.
É bem possível que em breve eu me arrependa de ter postado isto, se o serviço não decolar.
E como evangelista da Segurança digital, aproveito para avisar do risco sempre existente de ataques do tipo Cross-Site Scripting neste tipo de site [como é corriqueiro no FB, Twitter et al]. Sempre navegue com consciência.