Hey, Zuck, conserte o Facebook antes de fugir para o Metaverso (please?)

Os tediosos conflitos do Facebook. Não importa o assunto. Quaisquer que sejam eles, são de uma monotonia atroz. Com emojis – essa simbologia infantil de representação de um rosto genérico – e “compartilhamentos”, o Facebook [e seus semelhantes] nos reduziu ao que somos na essência – ou nos expôs em nossa nudez e nosso vazio, como sempre fomos.

Foto por Pixabay em Pexels.com

A erosão de nosso senso de nós mesmos como uma espécie evoluída e dotada de valores mais elevados tem sido constante. Falando apenas por mim – talvez eu esteja sozinho, mas duvido – o que os algoritmos conseguiram acima de tudo foi me tornar menos interessado nas pessoas. Minha opinião sobre considerar as pessoas como entidades dignas de interesse despencou.

Essa desilusão é um sentimento novo para mim: sempre fui o tipo de idiota que acha nossa espécie fascinante. Eu gosto de conversar com as pessoas e ouvir o que elas pensam – e, francamente, analisá-las. Gosto de tentar descobrir como elas raciocinam. Gosto de como suas histórias pessoais informam sua abordagem a um problema ou a alguma questão. Antes, eu tinha a ideia – talvez ingênua – de que se eu conversasse com alguém por tempo suficiente, poderia descobrir de onde elas vêm, o que as moldou e por que suas vidas as levaram para onde elas estão agora – e se seu esforço valeu a pena.

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Hoje em dia, tenho a impressão de que eu não preciso falar com alguém por mais que 20 minutos para saber tudo o que ele ou ela assiste ou consome e qual o alcance de sua vida cultural. Eu também seria capaz dar um palpite bastante decente sobre que outras coisas que ele ou ela provavelmente acredita. Tamanha simplificação da vida ocorrida nos últimos 15 anos parece indicar que o problema humano está resolvido e tem muito menos a ver com a história ou com a diversidade entre os indivíduos do que se suspeitava.

Essa afirmações podem parecer um exagero, eu reconheço, mas o sucesso que o Facebook teve até hoje demonstra que conhecer o intimo de uma pessoas não é muito difícil como parecia em um passado um pouco mais distante. Desvendar as pessoas é basicamente o que algoritmos fazem. Eles provaram que o panopticon é totalmente possível.

Mas nem o Facebook ou o YouTube se contentam em apenas conhecer as pessoas “para sua melhor conveniência”; eles ativamente segregam as pessoas em perfis, padrões e grupos. O resultado final, como sabemos agora, é catastrófico. Parece seguro dizer agora que os grupos constroem sua própria dinâmica e tornam as pessoas mais bajuladoras ao líder autoritário, ou chatas, ou furiosas. A expressão “Câmara de eco” nem chega perto de descrever o empobrecimento da experiência humana no ambiente do Facebook.

O Facebook diz valorizar a conexão entre as pessoas. Mas acontece que não há nada intrinsecamente bom na conexão online entre as pessoas. Na internet, a exposição a pessoas diferentes muitas vezes nos faz odiá-las, e esse ódio estrutura cada vez mais nossa política. A corrosão social causada pelo Facebook e outras plataformas não é um efeito colateral de más decisões de gerenciamento e design. É algo que está embutido na própria natureza da mídia social.

Há muitos motivos pelos quais o Facebook e as empresas de mídia social que vieram depois dele estão implicados no colapso democrático, na violência comunitária em todo o mundo e na guerra civil [ainda fria, mas que fica cada vez mais quente] em lugares como os Estados Unidos e mesmo o Brasil. Esses sistemas em redes centralizadas, com interação entre os membros mediadas fora da ordem cronológica, são motores de foguete para espalhar desinformação e combustível de jato para teorias da conspiração. Eles recompensam as pessoas por expressarem raiva e desprezo pelo “outro”, sequestrando e usando os mesmos circuitos mentais que injetam dopamina na circulação quando você ganha jogando caça-níqueis.

Foto por Eugene Capon em Pexels.com

Metaverso

Mesmo recentemente, até alguns anos atrás, havia ainda espaço para resistir a esse aspecto horrível da maleabilidade humana. Os experimentos de aprisionamento de Stanford haviam sido desmistificados e parecia que nossas piores noções a respeito da humanidade haviam desaparecido. “Todo mundo é um idiota online, mas as pessoas não são suas performances digitais”, alguém disse. Ou talvez as pessoas sejam mais complicadas do que parece.

Vou ser cuidadoso aqui e dizer que, claro, não é apenas o Facebook que trilha a senda da infâmia. Mas como sou um falível humano [embora fazer parte da humanidade tenha um quê de rebaixamento existencial no momento], vou recorrer à minha própria subjetividade [basicamente não algorítmica]: O Facebook é obviamente o pior ofensor entre todos – pelo menos quando se trata de manipular a lamentável previsibilidade dos afetos humanos.

Nas próximas semanas [e meses] espero ser capaz de absorver as implicações da mudança [do nome da holding co. da rede para Meta] para minha esfera pessoal, como também os efeitos de larga escala, desde a política até a democracia, passando pela saúde pública, à medida que mais fatos forem sendo conhecidos [ainda estou digerindo os Facebook Papers].

Eu adoraria prognosticar que a reformulação da marca visando ocupar o Metaverso será um fracasso e que os humanos enxergarão a verdade através da enorme cortina de relações públicas e propaganda. É deprimente que uma empresa que provou infligir tantos danos à sociedade tenha decidido não fazer uma mínima auto crítica sobre seu passado, não consertar nada e, de fato, expandir suas operações para usurpar ainda mais a vida das pessoas.

Eu gostaria de acreditar que o Metaverso não vai funcionar, e que o convite ridículo de Mark Zuckerberg para que as pessoas “se conectem nos espaços ilimitados da realidade virtual” – onde peixes nadam entre as árvores, e Lucy voa no céu com diamantes – não atrairá ninguém. Mas vamos encarar a verdade: antes de todos nós começarmos a usá-los, eu também achava que os rostinhos de emoji eram a suprema idiotia. Veja onde estamos agora… :)

* * *

Nota: Se este post for compartilhado no Facebook, o que é muito bem vindo [engajar com o adversário em seu próprio campo], claro que eu vou apreciar por demais a ironia. ká ká ká.

Facebook Muda de Nome Rumo ao Metaverso

O Facebook costumava ser visto de forma positiva pelos usuários, pois conectava o mundo e aproximava as pessoas. Isso não é mais o caso. Tem havido escândalos após escândalos e os usuários agora associam o Facebook a todas as coisas negativas que o Facebook dizia combater.

Imagem: Pexels

Neste ponto da história, o Facebook não pode mais vencer a guerra para ganhar os corações e mentes das pessoas a respeito uma série de questões. Então, em vez disso, ele precisa construir “uma nova narrativa”. A empresa está, assim, abandonando o nome e a marca Facebook e se concentrando em uma nova visão em torno do chamado Metaverso.

Não importa se essa visão é possível ou não, ou se a realidade virtual (RV) vai ou não se tornar o próximo paradigma de interação social. O importante é que trata-se de um segmento novo e interessante para construir uma nova marca e Mark Zuckerberg não quer perder a oportunidade.

O metaverso em minha opinião, sempre foi um grande embaraço. O Second Life existe há 20 anos e ainda é uma novidade divertida. O que o Facebook quer é adicionar publicidade e conteúdos de marca e fazer um second-life mais caro devido aos requisitos de hardware de última geração [além de torná-lo mais lento, com uma interface mais difícil – porque é RV].

Ninguém descobriu ainda uma maneira de proporcionar uma boa experiência de usuário em sistemas de realidade virtual, e também nenhum “caso de uso matador”. Não acho que o Facebook seja particularmente capaz de lançar algo que possa competir com qualquer coisa que a Microsoft ou a Apple possam lançar. Todos os CEOs que compram essa ideia de metaverso só falam sobre o universo de possibilidades, mas sinto que a única possibilidade que estão eles perseguindo é construir um Wal-Mart na Times Square.

A maioria desses CEOs aponta com aprovação o execrável [filme] “Jogador 1” como exemplo de uma visão a ser realizada. Eu sinto muito, mas penso que um garoto excitado de 15 anos raspando os pêlos do corpo para ser mais aerodinâmico na RV, enquanto se envolve em extensos monólogos de autocongratulação sobre como ele é um cara legal por não sentir repulsa por sua namorada “rubenesca”, enquanto recita versos de Ghostbusters em uma série de vinhetas incoerentes do tipo “lembra disso?”, não é uma visão para o futuro.

É uma pena porque acho que há obviamente usos legítimos para a telepresença via RV. Ela pode ser a próxima fronteira da videochamada, o que parece estar de acordo com a missão declarada do Facebook de conectar o mundo. Mas, suspeito que na realidade tudo o que nós teremos será um videogame extremamente ruim em vez disso – será que eles também terão NFTs?.

Posso ver como pode ser frustrante administrar uma empresa cheia de esforços diferentes, alguns dos quais pretendem ser novidadeiros ou pelo menos representar uma mudança de direção. Mas, debalde todos os esforços, ainda assim não deixam de ser percebidos e lembrados como mais uma coisa azul.

Espero que essa jogada permita que Zuckerberg permaneça tecnologicamente relevante, ocupando o lugar ao qual seus dons pessoais o levaram, em vez de ficar atolado em questões sobre os padrões éticos [ou falta de] em suas plataformas usadas por adolescentes e crianças.

Idealmente, uma plataforma ética também poderia ser cultivada por meio de algum tipo de transferência de parte do poder tecnológico acumulado pelas Big Techs à comunidade, de alguma forma. Um dos maiores desafios para o futuro é, em minha opinião, permitir que tais sistemas éticos se desenvolvam de forma padronizada, mas de maneira diversa. Em um mundo ideal, cada nova comunidade ou grupo deve ter sua própria dinâmica psicológica e merece a oportunidade de existir sem ser arrastada para a mesmice da(s) plataforma(s) por um conjunto agressivo, irritado ou tóxico de usuários.

Sinceramente, me deprime que esse revival do termo metaverso esteja sendo levado a sério e que provavelmente irá grudar no vocabulário como o desprezível termo “nuvem” e, pior, que o desenvolvimento dessas tecnologias esteja sendo conduzido por uma empresa como o Facebook.

Pessoalmente não estou interessado na visão particular de Mark Zuckerberg sobre o metaverso. Em vez disso, tenho medo de quantos mais caminhos errados podemos tomar no modo como desenvolvemos nossa tecnologia da informação e a aplicamos na sociedade. A visão FOSS [Free Open-Source Software – software livre] da computação, em que o progresso do software é compartilhado e atua como um equalizador, e onde as pessoas controlam o comportamento do seu software é o que precisamos, e não um lixo novo e melhor de vigilância-vigilância-propaganda-usuário-hostil [Agora em 3D!]

Voltaremos ao tema, certamente.

Tempo de Revisitar o Método Científico

É como se eu estivesse lançando ao mar uma mensagem dentro de uma garrafa – um gesto talvez desesperado – na tentativa de salvar um fragmento precioso do conhecimento humano da fúria dos bárbaros. Assim me sinto, em 2021, ao escrever estas linhas.

Imagem: Pexels

Estupefato e, francamente, um tanto abalado em minha condição de cidadão, depois de testemunhar (e sobreviver a) o assalto à razão perpetrado nos últimos quase dois anos pelo governo e por parte dos brasileiros, vejo-me a refletir sobre o que poderia explicar tamanho desprezo pela lógica, pela ética e pela própria razão durante esta desditosa pandemia.

Eu pessoalmente suspeito que o motivo seja um item [ou mais] da lista abaixo:

  • A maioria das pessoas não conhece a ciência, e mesmo quando sabem “sobre” a ciência, muitas vezes têm a impressão errada dela.
  • Eles usam a palavra “coronavírus” como se houvesse apenas uma variante. Não estão cientes que um vírus que pode sofrer mutações facilmente.
  • Eles não conhecem o sistema de “revisão pelos pares”, e têm medo de que os cientistas estejam mentindo para eles.
  • Eles dizem a si mesmos que é o Sol que está tornando a Terra mais quente, “porque é óbvio”.
  • Eles não querem conhecer a ciência, porque sabem que isso significa ler, estudar, e todas as dificuldades envolvidas em aprender qualquer coisa nova. Mas não gostam da implicação de que as pessoas educadas “sabem mais do que eles” sobre qualquer coisa.
  • Eles não querem aceitar a ciência, porque são profundamente supersticiosos e/ou porque eles têm fé em algo que eles acham que a ciência contradiz.

Quaisquer que sejam as inclinações deste nosso extraordinário povo, tento aqui resgatar um pouco da sanidade perdida ou, ao menos, preservar a minha. Textos como este se multiplicam pela internet aos milhares (ainda que raramente em português). Mas, independentemente de quantas vezes já tenha sido dito, o tema exige hoje a minha versão pessoal – talvez mais necessária para mim do que para qualquer outra pessoa.

O que é o método científico?

O método científico é um processo de investigação usado para explorar observações e responder perguntas. Isso não significa que todos os cientistas sigam exatamente o mesmo processo. Algumas áreas da ciência podem ser testadas mais facilmente do que outras. Por exemplo, os cientistas que estudam a evolução das estrelas ou a fisiologia dos dinossauros não podem acelerar a vida de uma estrela em um milhão de anos ou fazer exames médicos nos dinossauros para testar suas hipóteses.

Quando a experimentação direta não é possível, os cientistas adaptam o método científico, dentro dos limites da lógica. Essa plasticidade permite quase tantas versões do método científico quanto existem cientistas. Mas mesmo quando modificado, o objetivo do método permanece o mesmo: descobrir relações de causa e efeito fazendo perguntas, reunindo e examinando cuidadosamente as evidências e verificando se todas as informações disponíveis podem ser combinadas em uma resposta lógica.

Quem inventou o método científico?

O método científico não foi inventado por nenhuma pessoa, mas é o resultado de séculos de debate sobre a melhor forma de descobrir como o mundo natural funciona. O antigo filósofo grego Aristóteles foi um dos primeiros a promover a noção de que a observação e o raciocínio lógico são os instrumentos mais adequados para desvendar o funcionamento da natureza. O matemático árabe Hasan Ibn al-Haytham é frequentemente citado como a primeira pessoa a escrever sobre a importância da experimentação. Assim, temos, através do legado desses filósofos, os princípios científicos basilares da observação, do raciocínio lógico e da experimentação.

Desde então, um grande número de filósofos/cientistas escreveu sobre como a ciência deveria idealmente ser conduzida. Entre eles os eminentes Roger Bacon, Tomás de Aquino, Galileu Galilei, Francis Bacon, René Descartes, Isaac Newton, John Hume e John Stuart Mill. Os cientistas hoje continuam a evoluir e refinar o método científico à medida que exploram novas técnicas e novas áreas da ciência.

Os cientistas realmente usam o método científico?

Os cientistas sempre usam o método científico, mas nem sempre exatamente conforme estabelecido nas etapas ensinadas em sala de aula. Assim como um chef pode fazer algumas alterações em uma receita para se adaptar aos ingredientes disponíveis, um cientista igualmente pode adaptar o método científico alternando etapas, saltando para frente e para trás entre as etapas ou repetindo um subconjunto das etapas – porque ele ou ela está lidando com as condições imperfeitas do mundo real.

Mas é importante salientar que os cientistas sempre se esforçam para manter os princípios básicos do método científico usando observações, experimentos e dados, para confirmar ou rejeitar explicações de como um fenômeno funciona.

O método científico: etapas e exemplos

Mesmo que o método científico se apresente como uma série progressiva de etapas, é preciso ter em mente que novas informações ou pensamentos sobre o problema em foco podem obrigar o pesquisador a recuar e repetir as etapas a qualquer momento durante o processo. Um processo como o método científico que envolve backup e repetição é chamado de processo iterativo.

Esteja você desenvolvendo um projeto de feira de ciências, uma atividade científica em sala de aula, uma pesquisa independente ou qualquer outra investigação científica prática, a compreensão das etapas do método científico o ajudará a focar sua pergunta e trabalhar usando as observações e os dados objetivos, para responder à hipótese da maneira mais rigorosa possível.

Fluxograma do método científico

O Método Científico começa com uma pergunta. Uma pesquisa de base é então conduzida para tentar responder a essa pergunta. Se você deseja encontrar evidências para uma resposta à questão, você elabora uma hipótese e testa essa hipótese em um experimento. Se o experimento funcionar e os dados forem analisados, você pode provar ou refutar sua hipótese. Se sua hipótese for refutada, você pode voltar com as novas informações obtidas e criar uma nova hipótese para reiniciar o processo científico. – Diagrama: Vox Leone

Etapas do Método Científico

  1. Fazer uma pergunta

O método científico começa quando o pesquisador [que pode ser qualquer pessoa que busque a verdade, independente de sua escolaridade] faz uma pergunta sobre algo que observa:

Ex: Será que a Cloroquina funciona contra a COVID-19?

  1. Pesquisa de base

Em vez de começar do zero, o cientista rigoroso elabora um plano para responder à sua pergunta, e usa bibliotecas, pesquisas em campo e na Internet para se aprofundar no conhecimento do domínio em estudo.

  1. Elaborar uma hipótese

Uma hipótese é um palpite sobre como as coisas funcionam. É uma tentativa de responder à pergunta original com uma afirmação que pode ser testada. A hipótese deve ser declarada junto com a previsão resultante:

Ex: Se Alice tomar Cloroquina ela não vai se infectar com COVID-19.

  1. Testar a hipótese fazendo um experimento

O experimento então testa se a previsão é precisa e, portanto, se a hipótese é suportada ou não. O experimento científico obedece a um método próprio, para garantir condições controladas – para que seja um teste justo. Em um teste justo o pesquisador certifica-se de alterar apenas um fator de cada vez, mantendo todas as outras condições iguais.

É normal um estudo repetir os experimentos várias vezes para ter certeza de que os primeiros resultados não foram acidentais.

Ex: Tratar um grupo de 100 pacientes com Cloroquina e um outro grupo de controle de 100 pacientes com um medicamento inócuo [placebo].

  1. Análise dos dados e conclusão

Uma vez que o experimento esteja completo, o pesquisador coleta suas medições e as analisa para ver se elas confirmam a hipótese ou não.

Ex: de 100 pacientes tratados com Cloroquina, 90 foram infectados com COVID-19. O número de infectados foi igual no grupo de controle, que tomou placebo. Conclui-se que a hipótese de que a Cloroquina evita a infecção por COVID-19 é FALSA.

Em suas atividades diárias os cientistas profissionais rotineiramente concluem – às vezes com decepção – que suas previsões não foram precisas e suas hipóteses não foram confirmadas. Mesmo decepcionados eles comunicarão os resultados negativos de seu experimento. Em seguida, voltarão a elaborar uma nova hipótese com base nas novas informações que aprenderam durante o experimento. Isso inicia uma nova iteração do processo do método científico.

  1. Comunicação dos resultados

Para concluir o estudo o pesquisador comunicará seus resultados a outras pessoas em um relatório final. Cientistas profissionais em geral publicam seu relatório final em uma revista científica ou apresentam seus resultados em um pôster ou em uma palestra em um encontro científico.

Em suma, a verdade científica revelada pelo método é a correspondência com a realidade objetiva. As hipóteses podem ou não corresponder à realidade. Quando uma hipótese corresponde à realidade, ela é confirmada como verdadeira. Quando uma hipótese descreve uma realidade diferente do que ela propõe, essa hipótese é falsa. A maneira como descobrimos se uma dada crença é verdadeira ou falsa é através do uso das evidências empíricas e lógicas requeridas pelo método científico.


Referências:

Karl Popper: Conjectures and Refutations
https://www.academia.edu/38681885/Karl_Popper_Conjectures_and_Refutations

What Is Empirical Testing?
http://www.strevens.org/research/episteme/Empirica.pdf

Democracy of Incomplete Victories: State, Civil Society, and the Scientific Method
https://philpapers.org/archive/KASDOI.pdf

Sobre os Problemas com o Facebook & Cia

Um usuário [ramenporn], dizendo ser da equipe de recuperação de desastre do Facebook, postou esta nota no Reddit, hoje mais cedo:

Imagem: iStock

Como muitos de vocês sabem, o DNS para serviços FB foi afetado e isso é provavelmente um sintoma do problema real, que é o peering de BGP com roteadores do Facebook caiu, muito provavelmente devido a uma mudança de configuração que entrou em vigor pouco antes de as interrupções acontecerem (começaram por volta das 15h40 UTC). Há pessoas agora tentando obter acesso aos roteadores de peering para implementar correções, mas as pessoas com acesso físico estão sem contato com as pessoas que têm conhecimento de como realmente autenticar nos sistemas e das pessoas que sabem o que realmente fazer. Então agora há um desafio logístico para unificar todo esse conhecimento. Parte disso também se deve ao menor número de funcionários nos centros de dados devido às medidas contra a pandemia.

Portanto, o problema básico parece ser “BGP peering“, que é o pareamento entre os DNS dos serviços do Facebook, em explicação simples (ver Aspectos Técnicos, abaixo, para uma explicação mais técnica), além da distribuição física das equipes por muitos locais separados.

O post foi em seguida apagado, assim como diversas contas desse usuário em outros sites e canais.

Eu imagino que ele não foi autorizado a postar essas informações. Espero que ele não perca o emprego.

Do que o FB tem medo? Penso que desde que essas pessoas não estejam compartilhando informações internas/proprietárias da empresa, esse assunto não é particularmente sensível. Além disso, ter alguma transparência sobre o problema é bom para todos.

Quem gostaria de trabalhar para uma empresa que pode tomar medidas disciplinares drásticas porque um engenheiro postou um comentário no Reddit basicamente para dizer “BGP’s down lol” – Se eu estivesse no comando, daria a ele um modesto bônus, por ajudar a alcançar de forma direta o usuário e a comunidade em geral.

Por outro lado…

Compartilhar o status de um evento em andamento pode complicar a recuperação. Tais relatórios públicos em tempo real podem atrapalhar o fluxo de informação entre as equipes.

Conclusão

Tenho certeza de que acionistas e outros líderes de negócios da empresa ficarão muito mais confortáveis em relatar isso como uma série de falhas técnicas infelizes (que alegarão fazer parte do negócio), em vez de uma falha organizacional de toda a empresa. O fato de não poderem identificar fisicamente as pessoas que conhecem a configuração do roteador mostra uma organização que ainda não pensou em todos os seus modos de falha. Muita gente não vai gostar disso. Não é incomum ter técnicos de datacenter com acesso ao sistema e o pessoal de software real sendo barrado. Contudo, sendo esse o motivo pelo qual um dos serviços mais populares do mundo está desativado por quase 5 horas agora, levantará muitos questionamentos..

Pessoalmente eu também espero que isso não prejudique as perspectivas de aumento no trabalho remoto. Se eles tiverem problemas em colocar na sala de comando alguém que conheça a configuração, porque todos moram a uma viagem de avião dos datacenters, eu posso ver no futuro próximo gerentes de muitos ramos de atividade relutando em ter uma equipe completamente remota.

Fica a lição para os empreendedores, que ficaram reféns de um serviço sobre o qual eles não têm controle. Eu nunca perco a oportunidade de salientar o quanto é importante controlar seus próprios dados e os dados de sua empresa. Faça um site dedicado ao seu negócio em seu próprio domínio. Fale com seus clientes e parceiros através de blogs como este. Consulte uma empresa de sistemas [como a Vox Leone] para ver onde seu negócio pode melhorar. O custo-benefício é altamente compensador. Nunca se esqueça que a tal “nuvem” é apenas o computador de outra pessoa. Use as redes sociais apenas para o que elas foram criadas: falar com papai, mamãe e titia.

Aspectos Técnicos: Sobre o BGP

Como reportou ramenporn, no centro deste apagão está a tecnologia Border Gateway Protocol (BGP), que é o serviço postal da Internet. Quando alguém coloca uma carta no correio, o serviço postal processa a correspondência e escolhe um caminho rápido e eficiente para entregar a carta ao destinatário. Da mesma forma, quando alguém envia dados pela Internet, o BGP é responsável por examinar todos os caminhos disponíveis que os dados podem percorrer e escolher a melhor rota, o que geralmente significa pular entre sistemas autônomos.

BGP é o protocolo que faz a Internet funcionar. Ele faz isso habilitando o roteamento de dados. Quando um usuário em Cingapura acessa um site hospedado na Argentina, o BGP é o protocolo que permite que a comunicação aconteça de forma rápida e eficiente.


Abaixo um traceroute do meio da tarde, mostrando os serviços Facebook em downtime

> traceroute a.ns.facebook.com
      traceroute to a.ns.facebook.com (129.134.30.12), 30 hops max, 60 byte packets
      1  service.local.net (192.168.1.254)  0.484 ms  0.474 ms  0.422 ms
      2  107-131-124-1.lightspeed.sntcca.sbcglobal.net (107.131.124.1)  1.592 ms  1.657 ms  1.607 ms 
      3  71.148.149.196 (71.148.149.196)  1.676 ms  1.697 ms  1.705 ms
      4  12.242.105.110 (12.242.105.110)  11.446 ms  11.482 ms  11.328 ms
      5  12.122.163.34 (12.122.163.34)  7.641 ms  7.668 ms  11.438 ms
      6  cr83.sj2ca.ip.att.net (12.122.158.9)  4.025 ms  3.368 ms  3.394 ms
      7  * * *
      ...

OnlyFans: ex-Empregados Mantinham Acesso às Informações de Usuários

Alguns ex-funcionários da equipe de suporte do OnlyFans ainda continuavam com acesso aos dados dos usuários – incluindo informações pessoais e financeiras confidenciais, mesmo depois de serem demitidos da empresa – usada por profissionais do sexo para vender nus e vídeos pornôs.

Photo by Valeria Boltneva from Pexels

De acordo com um ex-funcionário do OnlyFans – que pediu para permanecer anônimo por temer retaliação, alguns ex-funcionários ainda tinham acesso ao Zendesk, um software de atendimento ao cliente usado por muitas empresas, incluindo o OnlyFans, para rastrear e responder a tíquetes de suporte ao cliente, muito tempo depois de sair da empresa. OnlyFans usa o Zendesk para se relacionar tanto com os usuários que postam conteúdo quanto com os usuários pagantes, consumidores de conteúdo. A revista Motherboard conseguiu confirmar essas informações com mais de um ex-funcionário.

De acordo com a fonte e os usuários do OnlyFans que falaram com a Motherboard, dependendo do assunto para o qual o usuário abre o chamado de suporte, os tíquetes podem conter informações de cartão de crédito, carteiras de motorista, passaportes, nomes completos, endereços, extratos bancários, quanto eles ganharam ou gastaram no OnlyFans, selfies do serviço Know Your Customer (KYC), em que o performer fotografa uma carteira de identificação ao lado do rosto para verificação, além de formulários de licenciamento do material produzido.

Nossa fonte demonstrou à Motherboard como eles faziam para acessar as informações muito depois de terem parado de trabalhar para o OnlyFans.

Em profundidade em motherboard.vice.com