Estamos Vivendo em Uma Realidade Simulada?

Dezenas de posts e artigos parecidos com este abundam na Internet brasileira. Mas a qualidade é, em geral, duvidosa para dizer o mínimo. Muito do material disponível é entremeado de pseudo-ciência e verborragia da Nova Era. Meu blog nasceu para ajudar no combate à superstição e ao pensamento mágico. Ele não estaria completo sem uma versão caseira dessa discussão, feita à minha maneira. De qualquer forma, o debate sobre esse tópico não avançou muito desde 2003, e todos, no fim, ainda falam praticamente a mesma coisa. Fica como meu registro particular.

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Estamos vivendo em uma simulação? Embora tenha havido uma boa quantidade de reflexões secundárias e propostas mal elaboradas em torno da hipótese, há na verdade um grupo significativo de respeitáveis ​​filósofos e físicos contemporâneos que estão considerando seriamente a ideia e suas implicações.

O argumento como o conhecemos hoje apareceu pela primeira vez em um artigo do filósofo sueco Nick Bostrom, em 2003, que se posicionou tanto a favor quanto contra a proposição de um universo simulado e então explorou uma série de consequências que resultam da proposição. Os pontos principais aparecem no início do argumento, no qual Bostrom afirma que pelo menos uma das seguintes premissas é verdadeira:

  • É muito provável que a espécie humana extinga-se antes de atingir um estágio “pós-humano”.
  • É extremamente improvável que qualquer civilização pós-humana execute um número significativo de simulações de sua história evolutiva (ou variações dela).
  • Quase certamente estamos vivendo em uma simulação de computador.

Bostrom chama isso de trilema. Estaremos revisitando esses pontos à medida que exploramos os argumentos.

O Trilema de Bostrom

Bostrom é indeciso sobre a validade da hipótese da simulação, embora seja o propositor original e um dos seus principais defensores. Ele acredita que há uma chance significativa de que um dia haja entidades pós-humanas, talvez nossos descendentes, capazes de criar uma simulação de seus ancestrais – implicando que isso já pode ter acontecido e somos nós a simulação.

Bostrom aceita o argumento, mas rejeita a hipótese da simulação. Ele afirma:

“Pessoalmente, atribuo menos de 50 por cento de probabilidade à hipótese de simulação – algo em torno de 20 por cento, talvez. No entanto, esta estimativa é uma opinião pessoal subjetiva e não faz parte do argumento da simulação. Meu raciocínio é que não temos evidências fortes a favor ou contra qualquer um dos três disjuntos (1) a (3). Portanto faz sentido atribuir a cada um deles uma probabilidade significativa. “

Ele prossegue dizendo que embora alguns filósofos aceitem o argumento da simulação, as razões deles para isso diferem de várias maneiras. Bostrom é rápido em apontar que esta não é uma variante do famoso experimento mental do cérebro-em-uma-cuba de Descartes.

… o argumento da simulação é fundamentalmente diferente desses argumentos filosóficos tradicionais … O propósito do argumento da simulação é diferente: não é estabelecer um problema cético como um desafio às teorias epistemológicas e ao senso comum [como fez Descartes], mas sim argumentar que temos razões empíricas para acreditar que uma certa afirmação disjuntiva sobre o mundo é verdadeira.

Seu argumento da simulação depende de capacidades tecnológicas hipotéticas e de seu emprego na criação de um universo – e um mundo – perfeitamente simulado, que incluiria nossas mentes e as experiências do que consideramos “realidade”.

Descobrimos as Leis da Simulação?

Em uma discussão abrangente e elucidativa, alguns anos atrás, Max Tegmark, cosmologista do MIT, apresentou alguns argumentos sobre a natureza da simulação, comparando-a a um videogame.

Se eu fosse um personagem de um jogo de computador, eu também acabaria descobrindo em algum momento que as regras a que eu estivesse submetido pareceriam completamente rígidas e matemáticas. Isso refletiria o código de computador em que o jogo foi escrito.

O seu ponto é que as leis fundamentais da física acabarão nos concedendo a capacidade de criar computadores cada vez mais poderosos, muito além de nossa capacidade atual. Essas estruturas poderão ser do tamanho de sistemas solares, talvez até de galáxias. Com tanto poder de computação, poderíamos facilmente simular mentes – se de fato isso já não acontece.

Sob a suposição de que estamos em um sistema supercomplexo que roda em computadores do tamanho de uma galáxia, alguns detratores da hipótese argumentam que deveríamos, então, ser capazes de detectar algumas “falhas na Matriz”, como os riscos e manchas que vemos em um filme.

Bostrom é rápido em apontar que qualquer falha que viéssemos a encontrar poderia ser atribuída a perturbações de nossa mente. Isso inclui alucinações, ilusões e outros tipos de eventos psiquiátricos. Se qualquer tipo de falha ocorresse, o que é esperado em um sistema de computação, Bostrom acredita que os simuladores – vastamente inteligentes – seriam capazes de contornar o problema:

… ter a capacidade de impedir que as criaturas simuladas percebam anomalias na simulação. Isso poderia ser feito evitando por completo a ocorrência de anomalias, ou impedindo que as anomalias tivessem ramificações macroscópicas perceptíveis, ou ainda editando retrospectivamente os estados cerebrais dos observadores que testemunhassem algo suspeito. Se os simuladores não quiserem que saibamos que estamos sendo simulados, eles poderão facilmente nos impedir de descobrir.

Bostrom passa a considerar que ter essa capacidade de editar a realidade percebida não é uma coisa tão absurda, visto que nossos cérebros orgânicos já fazem isso: quando estamos no meio de um sonho fantástico, geralmente não percebemos que estamos sonhando e esse truque simples é realizado por nosso cérebro sem nenhuma ajuda tecnológica.

Testando Experimentalmente a Hipótese da Simulação

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Zohreh Davoudi, física da Universidade de Maryland, acredita que podemos testar empiricamente se estamos ou não em uma simulação.

“Se considerarmos que uma simulação subjacente do universo tem o mesmo problema de recursos computacionais finitos que nós temos, então as leis da física desse universo devem ser comprimidas em um conjunto finito de pontos dentro de um volume também finito. Daí então, fazemos experimentos e tentamos verificar se as assinaturas que detectamos nos revelam se estamos ou não inseridos em um espaço-tempo não contínuo.”

A evidência que provaria que estamos vivendo em uma simulação poderia vir de uma distribuição incomum de raios cósmicos atingindo a Terra, sugerindo que o espaço-tempo não é contínuo, mas sim feito de pontos discretos – embora o problema de provar que você está em simulação implique que qualquer evidência encontrada também pode ser simulada.

Davoudi traz à tona um antigo ponto teológico com uma premissa atualizada e moderna.

… O que é chamado de simulação são apenas parâmetros iniciais que você insere em um modelo e o universo, a natureza e as leis da física emergem naturalmente, como resultado. Você não tenta fazer parecer que algo está acontecendo. Você não interfere com o que você criou. Você apenas insere algo bem fundamental e deixa a coisa evoluir – exatamente como nosso universo.

Outros comentaristas observaram que essa conceitualização é semelhante ao teísmo, a ideia de que “deus” foi a causa primeira que colocou o universo em movimento, mas não interferiu nele depois. Da simplicidade dessas leis da física emergem processos complexos que parecem ter continuado a crescer e evoluir à medida que o universo envelhece.

Argumentos Contra a Hipótese da Simulação

A física teórica Sabine Hossenfelder, da Goethe University Frankfurt, está no grupo que acredita que a hipótese da simulação é simplesmente uma bobagem. Hossenfelder também tem problemas com a natureza do argumento e a maneira como a teoria é apresentada. Ela diz:

Proclamar que ‘o supremo programador fez’ não apenas não explica nada; isso nos remete de volta à era da mitologia. A hipótese da simulação me incomoda porque se intromete no terreno dos físicos. É uma afirmação ousada sobre as leis da natureza que, no entanto, não se submete ao que sabemos sobre as leis da natureza.

Hossenfelder acredita que há uma maneira trivial de dizer que o argumento da simulação está, sim, correto:

“Você poderia simplesmente interpretar as teorias atualmente aceitas como significando que nosso universo ‘calcula’ as leis da natureza. Logo, é tautologicamente verdade que vivemos em uma simulação de computador. É também uma afirmação totalmente sem consequência.”

Saindo do reino da lógica linguística e entrando na matemática e nos fundamentos da física, Hossenfelder continua a explicar que um universo quântico como o nosso não pode ser construído com bits clássicos. É também preciso levar em consideração a relatividade especial, que ninguém que tenha testado qualquer tipo de hipótese experimental foi capaz de contornar.

Impossível Distinguir um Universo Simulado

Lisa Randall, uma física teórica da Universidade de Harvard, se diz perplexa em saber o quanto este tópico é levado a sério. Sua lógica opera sob a premissa de que essa ideia nunca poderá ser testada cientificamente e é apenas uma mera armadilha linguística para os cientistas.

“Na verdade, estou muito interessada em saber por que tantas pessoas acham que essa é uma questão interessante”, diz ela sobre o assunto.

Sua previsão é que as chances de que o argumento esteja correto são efetivamente zero. Não há nenhuma evidência concebível de que estamos vivendo em uma simulação. Isso funciona em paralelo com o conceito ancestral de um deus criador. A única diferença é que, na simulação, um sistema computacional assume o lugar do antigo arquiteto, Jeová.

Para realmente distinguir uma simulação, é preciso detectar claramente uma quebra na nossa noção das leis da física ou em algumas das propriedades fundamentais subjacentes. Para simular o universo, você precisa do poder computacional do universo inteiro.

Ninguém Lê Este Blog

A ‘Voz do Leão’ (o rugido) neste momento está soando mais como um murmúrio famélico no deserto. O que é uma pena, pois um esforço absurdo é investido em sua pesquisa e edição. A salvação do projeto, e o que nos estimula a continuar, é o seleto grupo de amigos(as), e os co-irmãos e irmãs bloguistas que nos seguem com sua amável presença, atenção e inteligência. Fico a pensar sobre se posso estar lavorando em erro (mas qual erro?), ou se realmente sou tão inepto neste métier (talvez seja).

Onde estão todos? – iStock

Observo no dia-a-dia que as pessoas estão com a atenção cada vez mais curta, fragmentada, e com os interesses cada vez mais rasos. A decisão de fazer um blog sobre tecnologia e ciência como este, em ‘forma longa’ e em português, pode ter sido uma decisão equivocada no Brasil do analfabetismo funcional, em pleno ‘anno terribilis’ de 2021.

Então lembrei-me que ainda há Portugal, e sua inteligência, que volta e meia estou a celebrar; a evitar o presente contínuo. E há todas as outras nações lusófonas – como Angola que vejo agora no painel de estatísticas. Deve bastar para minha satisfação pessoal e para o sucesso deste blog.

Resolvi, portanto, fazer um check-list das características que, segundo a literatura e os ‘pundits’, tornam um blog bem sucedido, e tentar medir o quanto este blog está em ‘compliance’ com essas características. E quais seriam elas? Minhas leituras e minha experiência sugerem que sete itens-chave devem ser checados por bloggers que, como eu, acham que “fazem tudo certo” e mesmo assim são um completo fracasso.

É interessante notar neste ponto que criar conteúdo top notch não é suficiente. O blog continua não sendo notado. É aí que as coisas começam a ficar realmente frustrantes para pessoas como eu – você faz todas as coisas certas no que diz respeito à produção de conteúdo, mas ainda assim nada acontece.

Deprimente.

Então, o que podemos fazer quanto a isso?

Se ninguém estiver lendo nosso blog com conteúdo tão sensacional, pode haver apenas duas explicações:

1) Uma aliança entre os Illuminati, os Elders de Sião e a Opus Dei já designou os vencedores da vida e da Internet, e está conspirando contra nós, reles não-designados, para nos manter no opóbrio eterno.

2) Existem no blog algumas falhas de implementação que nós não consideramos.

A começar pelo item 2, o único que podemos explorar, aqui estão alguns elementos que não são necessariamente relacionados a uma boa escrita, mas que nos ajudarão a fazer a leitura [trocadilho intencional] do problema. Vou alternar entre pronomes, por que esse é um problema meu, teu, nosso.

Verificar a velocidade de carregamento

O principal motivo de eu clicar no botão Voltar é quando um site não carrega rápido o suficiente. As estatísticas sempre parecem diferentes, mas o número geralmente aceito é que você perderá 20% dos visitantes para cada segundo que seu site leva para carregar acima de 1,5 segundos.

Boa prática: para um blog rápido é preciso servidor rápido e poucos objetos a serem carregados na página. Use imagens já formatadas no tamanho definitivo. Não redimensione imagens dinamicamente no navegador.

Envolver pessoas nas imagens do blog

Fotos costumam ser a primeira coisa que alguém nota em um blog. Os humanos evoluíram para reconhecer rostos e isso também se aplica às nossas vidas online. Isso significa que é preciso tratar com muito cuidado as imagens usadas no blog e certificar-se de que todas sejam profissionais e de boa qualidade. Faça pouco uso clip-art ou fotos de bancos de imagens baratos.

Boa prática: tirar suas próprias fotos geralmente é a melhor opção. Nos dá a propriedade total dos direitos e é outra amostra de conteúdo original a ser indexado pelas máquinas de pesquisa. Em material de terceiros verifique o número de downloads da imagem antes de usá-la. Se foi usada em muitas instâncias, é considerada ‘conteúdo duplicado’ pelos Gugols da vida.

Um design responsivo para dispositivos móveis

Chegará um momento em que não será mais necessário continuar recomendando isso aos bloguistas. Mas, infelizmente, esse dia ainda não chegou. Muitos dos sites que visito ainda têm design não compatível com dispositivos móveis. Isso não é apenas ruim para a experiência do usuário; agora é um fator negativo de classificação para SEO. Certifique-se de que o template “se ajusta” de forma que o conteúdo fique no primeiro plano e não em menus, barras laterais e outras distrações.

Boa prática: Um blog WordPress. Existem centenas de temas responsivos gratuitos para dispositivos móveis, que são lindamente simples e relativamente fáceis de personalizar.

Link para fora, sem medo

Muitos bloguistas acreditam que criar links para outros sites fará com que o site perca o page rank. Essa crença me parece infundada. Minha experiência pessoal mostra que quanto mais você ‘linka’ a outros blogs de qualidade, mais valor você adiciona para usufruto de seus leitores. Além disso, os sites e blogs para os quais você cria um link irão notá-lo e, frequentemente, te citarão ou ajudarão a promover a postagem.

Boa prática: em uma postagem de 1.000 palavras, é preciso ter pelo menos cinco links para outros sites. Tente imaginar que você está procurando um emprego e precisa dar referências de qualidade.

O tamanho da fonte

Recentemente, atualizei a fonte aqui no Vox Leone para um tamanho maior e uma cor menos áspera. Também testei uma fonte do Google em vez de uma auto-hospedada e percebi melhorias significativas na velocidade. Todos os estudos mostram que fontes maiores são importantes quando há uma audiência mais sênior. Esse é o caso deste blog, diga-se. Haverá, por certo, muitas pessoas maduras lendo o tipo de conteúdo que eu tenho para oferecer (e muitas pessoas lendo em telefones pequenos e muitas pessoas maduras lendo em telefones pequenos!). Uma fonte grande e bem espaçada faz uma grande diferença na aparência da escrita.

Boa prática: verifique se a fonte corresponde ao estilo da sua marca. Tente usar fontes que sejam familiares às pessoas, para que pareçam menos conflitantes para os novos leitores.

Conhecer a audiência

Não importa o quão bons os artigos sejam, se eles forem apresentados e promovidos para uma audiência totalmente errada. É preciso saber o que o público deseja, quais problemas eles estão enfrentando e onde alcançá-los da melhor maneira. É também valioso saber o que seus concorrentes estão fazendo e como melhorar.

Boa prática: Ampliar o escopo de conteúdo do site, evitando especialização excessiva. Descobrir as publicações de maior sucesso nos sites dos principais concorrentes. Descubra de onde eles conseguiram seus links e compartilhamentos e tente imitá-los com um artigo ou recurso melhor ou mais interessante.

Concentrar no alcance, não na lealdade

Isso é algo que muitas pessoas consideram desagradável dizer [neste contexto isso não é tão feio quanto parece], mas é importante para os negócios. Realmente me ajudou a crescer muito nos últimos dois meses e é uma ideia que desejo que mais pessoas entendam. É preciso se apresentar para mais pessoas, não tentar fisgar seus leitores pela lealdade. Isso não é bom para nenhuma das partes. A busca da lealdade pode levar à complacência e inibir a naturalidade. No fim, pode representar um desserviço aos leitores. A lealdade saudável deve surgir naturalmente como um subproduto do alcance do conteúdo. Então, a premissa é que se o site gerar mais tráfego, de mais qualidade, consequentemente vai conquistar leitores mais leais.

Boa prática: foco na lealdade não é tão importante quanto todos pensam. Todo profissional de marketing digital precisa saber disso.

Estou muito atento a esses pontos e realmente acho, considerando o check-list acima, que este blog pode estar falhando em alguns itens. De saída já percebo que podemos estar usando o template visual errado. Eu mesmo tenho dificuldade em ler. Estamos fazendo testes visando a mudança do padrão visual. De resto, é um trabalho constante a adequação aos outros itens do check-list, que vamos continuar perseguindo.

É preciso dar a cara e espalhar a mensagem. Convencer os leitores a compartilhar o post em outros canais da web [isso é muito importante!]. Convidar blogs, comentar em outros blogs, curtir outros blogs, abordar jornais, comprar anúncios, etc. E depois experimentar diferentes formatos e até mesmo diferentes redatores. Experimentar vídeos. Experimentar podcasting. Agregar valor e resolver problemas de maneiras diferentes.

Enfim, continuar tentando. Os pundits dizem que o sucesso para um bom blog criado a partir do zero vem depois de seis meses a dois anos de trabalho constante. Paciência e afinco são, portanto, fundamentais.

Duas palavras finais

Não, não será fácil [blogar]. Em algum momento, garanto que você vai querer parar. Eu garanto que as pessoas vão tratá-lo como se você fosse louco. Eu garanto que você vai chorar até a hora de ir pra cama, se perguntando se você cometeu um erro terrível.

Mas nunca pare de acreditar em si mesmo. O mundo está cheio de pessimistas, todos ansiosos para te boicotar ao menor indício de que você pode transcender a mediocridade. Mas o maior pecado que você pode cometer é tornar-se um deles. Nosso trabalho não é se juntar a esse grupo, mas silenciá-lo, para realizar coisas tão grandes e inimagináveis que seus membros ficarão atordoados demais para falar.

(*) Algo que li na Internet

Sugestões e feedback em geral serão extremamente bem vindos.

Conceito: Bijuteria Ativa Contra Contaminação

Hoje falo sobre uma ideia para uma classe de dispositivos que pretende evitar a contaminação da face [e daí mucosas] pelas mãos. Tendo em vista o processo kafkiano-bizantino ao qual um pedido de patente industrial é submetido nestes trópicos esquecidos por Deus (além dos recursos envolvidos), optei por usar este blog para transformar a ideia em “prior art”, de forma que ela, sendo pública, não possa mais ser patenteada por ninguém. Ela agora é open-source e pode ser implementada por quem assim desejar.

E se a bijuteria de uso diário pudesse ajudar na prevenção à contaminação da face pelas mãos? – Imagem`iStock

No início da pandemia de Covid houve uma grande corrida em busca de todos os métodos de prevenção imagináveis. Muitos achavam que a tecnologia digital viesse rapidamente ao socorro com suas maravilhas. Falou-se muito em variados tipos de sensores e atuadores que pudessem ajudar com o problema da exposição e contaminação, e algumas idéias chegaram a flutuar no espaço cognitivo global. A explosão da pandemia e a necessidade de tratar de temas mais prementes tiraram o foco da busca por soluções tecnológicas “duras” para concentrar os esforços nas vacinas.

Quanto à contaminação por Covid (assim como de outras doenças, como a gripe), os especialistas constantemente ressaltam que – para além da transmissão aérea – o grande ponto vulnerável no que se refere à fisicalidade da transmissão/contato é o ‘sistema’ face-mão. Levamos as mãos à face inúmeras vezes durante o dia. Levamos as mãos aos olhos, nariz e boca. Ao ouvido e ao topo da cabeça. Quase nunca percebemos. É um ato de segunda natureza, que executamos através do sistema límbico, não envolvendo a consciência no processo.

Seria então interessante se pudéssemos, diante de uma ameaça tão conspícua, imprevisível e traiçoeira como a Covid, nos abster de muita atividade descontrolada entre a face e a mão. Poderíamos usar a tecnologia para ajudar nessa tarefa, uma vez que nosso equipamento inato de controle mental e atenção é tão sujeito a falhas?

Entra minha ideia

Após considerar a questão por um tempo, percebi que a solução poderia ser implementada com o uso da lei de Lorentz, que descreve a interação entre campos magnéticos. Portanto, esse problema particular tem uma solução, e uma solução relativamente barata: um detector de metais que vamos elevar à glória, tornando-o um item de moda.

Caso de uso: alertar o indivíduo quando sua mão começa a se movimentar em direção ao rosto.

Ação pretendida: emitir um sinal – tátil ou sonoro – que possa fazer o usuário interromper o gesto e focar sua atenção nas ações corporais sendo executadas.

É facil perceber que a mão precisa atravessar o nível da base do pescoço para tocar a face. Portanto, se pudermos detectar a mão cruzando a linha da base do pescoço – ou, melhor ainda, detectar o início do movimento ascendente em direção à face, podemos emitir um discreto alerta – tátil ou sonoro – com antecedência de vários décimos de segundo, para quebrar a ação inconsciente do usuário.

Implementação

Um colar ou gargantilha, contendo a unidade de carga útil (chip sensor de campos magnéticos, bateria, processador, transmissor) atuando em conjunto com anéis ornamentais de compostos ferromagnéticos [talvez hematita ferrosa? magnetita? Deixo aos engenheiros de materiais decidir], que funcionarão passivamente nas mãos do usuário.

Funcionamento

Porque usar análogo à hematita: um anel de hematita ferrosa, por exemplo, tem duas vantagens:

Os vetores correspondentes à densidade de força magnética que o chip-sensor (em laranja, acondicionado dentro do pingente do colar) mede enquanto o campo magnético do anel se move relativamente a ele. Essa correlação de forças pode ser usada por um processador como limiar para ativação de disparo de um alerta.- Imagem por Maschen – Own work, CC0

1. É um adorno esteticamente agradável, conhecido e usado pelas diversas culturas humanas por séculos. O conjunto colar-anel pode ser integrado de várias maneiras, deixando amplo espaço de criação para designers.

2. A vantagem principal que determina a escolha do material: Os anéis de hematita [ou análogo] enriquecida, por possuirem propriedades ferromagnéticas, podem ter seu movimento [i.e., o deslocamento de seu campo magnético] detectado pelo chip-sensor embutido no pingente do colar ou gargantilha. A mudança nos parâmetros do campo magnético (Lei de Lorentz), provocada pelo deslocamento do anel – medida rápida e precisamente pelo chip-sensor – causará o disparo de um alerta sonoro ou tátil. O alerta pretende quebrar o automatismo do movimento do usuário, tornando consciente o gesto físico, idealmente fazendo com que o usuário interrompa, cancele o movimento, ou pense conscientemente sobre o estado das mãos, antes de prosseguir com o toque da face.

Para Concluir

Claro que esse é um esboço muito cru do conceito. Muitos parâmetros não são considerados e terão que ser descobertos em campo. Suspeito que talvez não se aplique universalmente, por ser uma peça ornamental, ou por outras questões whatever. Contudo ele descreve todos os elementos essenciais necessários. Cabe aos designers e aos profissionais de marketing fazer acontecer.

Essa é a típica atividade ‘hacker’. O termo – barbaramente incompreendido em várias línguas – se refere às pessoas que gostavam de desmontar (e depois montar) rádios, relógios, motores (e criar geringonças) na adolescência. Será que as pessoas ainda gostam? Este é um blog para pessoas com recursos intelectuais e hackers autênticos. Deixo então os detalhes da implementação para esses leitores imaginarem. Se alguém construir um, por favor mostre pra gente. Se alguém detectou alguma impropriedade na ideia, peço que nos oriente nos comentários.

Morte à Economia de Vigilância!

Neste exato momento, enquanto você lê este post, algoritmos estão tomando decisões sobre sua vida, com base em seus dados, sem o seu conhecimento e sem o seu consentimento. Algoritmos que muitas vezes não foram testados completamente, muito menos auditados periodicamente. Talvez você seja um dos milhões de negros americanos visados ​​pela Cambridge Analytica na tentativa de impedi-los de votar nas eleições de 2016. Talvez tenham negado a você um empréstimo, um emprego ou um apartamento recentemente.

Imagem: iStock

Se isso aconteceu, é quase certo que seus dados tenham algo a ver com isso. Esses dados pessoais na maioria das vezes são imprecisos, mas você não pode corrigi-los porque não tem acesso a eles. Você pode perder seu emprego devido a um algoritmo com defeito. E como disse o Cardeal Richelieu, “dê-me seis linhas escritas pelo mais honesto dos homens e eu encontarei nelas um motivo para mandá-lo para a forca”.

À medida que as empresas de tecnologia moldam nossas percepções, o preconceito e a discriminação – tão miseravelmente humanos – são incorporados naturalmente a seus produtos e serviços em vários níveis e de várias formas.

A economia de vigilância afronta a igualdade e a justiça. Você e seu vizinho não são mais tratados como cidadãos iguais. Você não tem oportunidades iguais a ele porque é tratado de maneira diferente com base em seus dados. Os anúncios e o conteúdo a que você tem acesso, os preços que paga pelos mesmos serviços e até o tempo que você espera no telefone para falar com o serviço de atendimento ao cliente dependem dos seus dados e de seu “score”.

Somos muito mais competentes para coletar dados pessoais do que para mantê-los seguros. Os dados pessoais são uma ameaça séria e não deveríamos coletá-los se não somos capazes de mantê-los seguros. Usando dados de localização de smartphones adquiridos de um “corretor de dados”, é possível rastrear oficiais militares com acesso a dados sigilosos, advogados poderosos e seus clientes, e até mesmo o presidente de um país (através do telefone de alguém que se considera e é pago para ser um agente do serviço secreto).

Nossa atual economia de dados é baseada na coleta de tantos dados pessoais quanto possível, armazenando-os indefinidamente e vendendo-os a quem pagar mais. Ter tantos dados confidenciais circulando livremente é, no mínimo, imprudente. Ao projetar nossa economia em torno da vigilância, estamos construindo uma perigosa estrutura de controle social, estrutura essa que está em conflito aberto com a liberdade. Na sociedade de vigilância que estamos construindo, não existe nada invisível ao radar. Não deveria ser nossa responsabilidade, como querem as grandes companhias, optar pela não coleta de dados nos navegadores. A não-coleta deveria vir como padrão em todo e qualquer software dedicado à comunicação na Internet.

É hora de acabar com a economia de vigilância. Não permitimos a compra e venda de votos (porque isso prejudica a democracia). Por que então devemos permitir a comercialização de dados pessoais? Não devemos permitir anúncios personalizados. Se os anúncios fossem transparentes sobre o que sabem sobre nós, talvez não fôssemos tão indiferentes ao modo como somos direcionados. As vantagens dos anúncios personalizados para os usuários são mínimas, na melhor das hipóteses, e podem ser alcançadas por meio de publicidade contextualizada. Por exemplo, exibir anúncios de equipamentos esportivos apenas quando o usuário procura equipamentos esportivos.

Precisamos ter certeza de que os algoritmos que afetam nossas vidas são confiáveis. Precisamos saber como os algoritmos estão nos julgando e com base em quais dados. Devemos implementar deveres de depositário fiel de dados: qualquer pessoa que deseje coletar ou gerenciar seus dados pessoais deve se comprometer legalmente a usá-los apenas em seu benefício e nunca contra você. Quem gerencia dados pessoais de terceiros é responsável ​​por eles. Temos que melhorar muito nossos padrões de segurança cibernética, através de lei. E é necessário também excluir periodicamente os dados de que não precisamos mais.

Enquanto a solução definitiva não aparece, escolha produtos compatíveis com a privacidade. Por exemplo, ao invés de usar a pesquisa do Google, use DuckDuckGo; em vez de usar o WhatsApp, use o Telegram; no lugar do Gmail, use ProtonMail. Essas escolhas simples podem ter um impacto muito significativo em nossas vidas. Ao escolher produtos éticos sinalizamos às empresas de Internet que nos preocupamos com a nossa privacidade.

Acabar com a economia de dados pode parecer uma proposta radical. Contudo, é ainda mais extremo ter um modelo de negócios cuja existência depende da violação de nosso direito à privacidade em grande escala.

Na verdade, isso é inaceitável.

Sexta de Leão: The Outstanding Blogger Award

O post de hoje é para honrar algo que já é uma tradição na comunidade WordPress, e para agradecer o que agora me toca: minha indicação – pela Tati do BlogDasTatianices – ao The Outstanding Blogger Award [Prêmio Bloguista de Destaque do Ano]. Esse galardão é, como já disseram muitos, uma espécie de TAG. Ela foi criada para estimular a troca entre os criativos que são membros deste celeiro de autores. É um dos raros prêmios ao qual você é indicado ao chegar [como no meu caso]. Na verdade é um gesto de carinho para com aqueles que compartilham suas visões e ideias [e às vezes suas inquietações e medos] nesta rede [frequentemente de forma muito brilhante].

Imagem: iStock

Os blogs são a ante-sala da informação de qualidade na web, em contraposição às nefastas [sorry] redes sociais. Ter um blog é ter opinião genuína. Esta indicação também é uma medida da admiração e respeito mútuos, que nos permite indicar também alguns dos blogs que seguimos e admiramos. O mais importante sobre o Outstanding Blogger Award: nunca se levar a sério.

Regras da TAG

  1. Forneça o link para a postagem do prêmio original do criador Colton Beckwith RCP.
  2. Responda às perguntas exclusivas.
  3. Indique 10 blogueiros. Certifique-se de que eles estão cientes de suas nomeações.

(*) Nem o criador do prêmio do blog, nem o blogueiro que te indicou podem ser indicados

(**) No final de 2021 todos os blogs que enviarem um ping-back da postagem original do criador estarão inscritos para ganhar o prêmio 2021 Outstanding Blogger.

Link para a postagem original de Beckwith: aqui

Perguntas da Tati e minhas respostas:

Como nasceu o seu blog?

Uma vontade de longo tempo. Pude realizar agora, na medida em que tenho maior controle do meu tempo. O blog é a fundação, o primeiro item do site que abrigará minha interface com clientes de nosso escritório de desenvolvimento de sistemas e consultoria.

Existe uma rotina de posts ou você posta quando dá/tem inspiração?

Existe uma rotina auto-imposta, que eu chamo de missão. A missão do blog é apresentar conteúdo de qualidade em língua portuguesa, nas áreas de tecnologia digital e ciências em geral, em formato médio-longo, com assuntos que por um motivo ou outro não recebem atenção da grande mídia. Tudo isso com atualização diária ou a cada dois dias. É um compromisso de fôlego. Espero ter forças.

O que você mais gosta de fazer na vida?

O que eu menos faço: viajar

Uma pessoa que te inspira.

Albert Einstein

Um livro que você adoraria indicar para as pessoas

Considerando o espírito de nossa época, “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, de Carl Sagan.

Que país você gostaria de conhecer?

Mongolia

Se pudesse ter um super poder, qual gostaria de ter?

Invisibilidade

* * *

Meus Indicados [em uma lista completamente desordenada]

Culturalizando Blog

Atualização frequente; inteligente; informativo

Another Eco Blog

Pavel, um cara legal; ecologia; sustentabilidade

Guilherme Angra

Psicanalista; bom estilo

Vida em Sociedade

Portugal; bom estilo; conexão com as raízes

O Reblogador

Muito útil; bom serviço

Notícias de Tecnologia

Because…

Valor Adicionado

Noticias, comentários; finanças

Estudos do Lazer

Time de autores; boa forma escrita

Ceticismo

Cogito, ergo sum

O Ponto Dentro do Círculo

Tenho amigos ‘pedreiros’ e quero ter assunto com eles

* * *

Minhas perguntas

1. O Brasil tem jeito?

2. Qual é a derivada de uma função linear?

3. Já deixou de escrever algo por receio da opinião alheia?

4. Qual sua opinião sobre as mudanças climáticas?

5. Você acredita que o planeta Terra é geometricamente um esferóide oblato?

6. Seu blog correponde(u) às suas expectativas?

7. Você acredita em um futuro melhor?

Meus agradecimentos à querida Tati do Blog das Tatianices pela minha indicação, totalmente imerecida. Saiba que seu blog é de responsa, Tati. Palmas a ti. :) Faço uma exortação para os leitores que sigam o excelente blog da Tati [resenhas literárias, dicas interessantes sobre língua Italiana e comentários em geral]

Aos meus indicados, espero que vocês tenham o savoir-faire para curtir a brincadeira. Eu também gostaria de poder indicar mais pessoas. Minha mensagem a todos é para que não desanimem. Pelo que depreendo de meus estudos, o sucesso de um blog depende de três ingredientes: conteúdo, conteúdo e conteúdo. Às vezes é solitário, e sempre é compensador. Saúde e paz a todos!