O Que é Preciso Saber Sobre SSDs

Muito longo, não vou ler:

SSDs tornaram-se bastante baratos e têm um desempenho muito alto. Por exemplo, um SSD de servidor Samsung PM1733 custa cerca de US$ 200 por TB e promete cerca de 7 GB/s de leitura e 4 GB/s de largura de banda de gravação. Para alcançar esse alto desempenho, é necessário saber como funcionam os SSDs e esta postagem procura descrever os mecanismos subjacentes mais importantes dos SSDs flash.

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Os SSDs, menores e com maior capacidade de armazenamento, permitiram uma geração de dispositivos ‘slim’ – Imagem: iStock

Solid-State Drives (SSDs) baseados em flash têm substituído amplamente os discos magnéticos rígidos como meio de armazenamento padrão. Do ponto de vista de um programador, SSDs e discos rígidos são muito semelhantes: ambos são persistentes, permitem o acesso baseado em página por meio de sistemas de arquivos e chamadas de sistema, e têm grande capacidade.
Há por outro lado diferenças importantes, que se tornam decisivas quando se deseja otimizar o desempenho de um SSD.

Como veremos, os SSDs são mais complicados e seu comportamento no desempenho pode parecer bastante intrigante se pensarmos neles apenas como “discos rápidos”. O objetivo desta postagem é fornecer uma compreensão do por quê os SSDs se comportam dessa maneira – conhecimento que pode ajudar a criar programas mais adequados para explorá-los. (Observe que eu discuto o flash NAND, não uma memória como a Intel Optane, que tem características diferentes.)

Disco não. Unidade é o nome

Os SSDs costumam ser chamados de “discos”. Isso é enganoso, porque eles de fato armazenam dados em semicondutores em vez de em um disco mecânico. Para ler ou gravar em um bloco aleatório, um disco deve mover mecanicamente sua cabeça para o ponto correto, o que leva cerca de 10 ms [milissegundos]. Em contraste, uma leitura aleatória de um SSD leva cerca de 100 us [microssegundos] – 100 vezes mais rápido. Essa baixa latência de leitura é a razão pela qual a inicialização de um SSD é muito mais rápida do que a inicialização de um disco.

As Paralelas

Outra diferença importante entre discos e SSDs é que os discos têm um cabeçote para leitura/escrita e funcionam bem apenas para acessos sequenciais. Os SSDs, em contraste, consistem em dezenas, ou mesmo centenas, de chips flash (“unidades paralelas”), que podem ser acessados ​​simultaneamente.

Os SSDs distribuem os arquivos maiores de forma transparente pelos chips flash na granularidade da página, e um hardware pré-buscador garante que as varreduras sequenciais explorem todos os chips flash disponíveis. No entanto, no nível do flash não há muita diferença entre leituras sequenciais e aleatórias. Na verdade, para a maioria dos SSDs, também é possível usar quase toda a largura de banda disponível com leituras de página aleatórias. Para fazer isso, é necessário agendar simultaneamente centenas de solicitações aleatórias de entrada e saída para manter todos os chips flash ocupados. Isso pode ser feito iniciando muitos threads ou usando interfaces assíncronas de entrada e saída.

Gravando

As coisas ficam ainda mais interessantes com as gravações. Por exemplo, se olharmos com atenção para a latência de gravação, podemos medir resultados tão baixos quanto 10us – 10 vezes mais rápido do que uma leitura. No entanto, a latência só parece baixa porque os SSDs estão armazenando gravações em cache na RAM volátil. A latência real de gravação do flash NAND é de cerca de 1 ms – 10 vezes mais lenta do que uma leitura. Em SSDs de consumidor, isso pode ser medido emitindo um comando sync/flush após a gravação, para garantir que os dados persistam no flash. Na maioria dos SSDs de alta performance [data center/servidor], a latência de gravação não pode ser medida diretamente: a sincronização/liberação será concluída imediatamente porque uma ‘bateria’ garante a persistência do cache de gravação, mesmo em caso de perda de energia.

Para alcançar alta largura de banda de gravação, apesar da latência relativamente alta, os SSDs usam o mesmo truque das leituras: eles acessam vários chips flash simultaneamente. Como o cache de gravação pode gravar páginas de maneira assíncrona, não é necessário agendar muitas gravações simultaneamente para obter um bom desempenho de gravação. No entanto, a latência de gravação nem sempre pode ser completamente oculta: por exemplo, como uma gravação ocupa um chip flash 10 vezes mais do que uma leitura, as gravações causam latências de cauda significativas para leituras no mesmo chip flash.

Gravações fora-do-local

Nosso entendimento está ignorando um fato importante: as páginas flash NAND não podem ser substituídas. As gravações de página só podem ser executadas sequencialmente nos blocos que foram apagados anteriormente. Esses blocos de apagamento têm um tamanho de vários MB e, portanto, consistem em centenas de páginas. Em um SSD novo, todos os blocos estão apagados e é possível começar a anexar novos dados diretamente.

Atualizar páginas, no entanto, não é tão fácil. Seria muito “overhead” apagar o bloco inteiro apenas para sobrescrever uma única página no local. Portanto, os SSDs executam atualizações de página gravando a nova versão da página em um novo local. Isso significa que os endereços lógico e físico das páginas são separados. Uma tabela de mapeamento, que é armazenada no SSD, converte endereços lógicos (software) em locais físicos (flash). Esse componente também é chamado de Flash Translation Layer (FTL).

Por exemplo, vamos supor que temos um SSD (hipotético) com 3 blocos de apagamento, cada um com 4 páginas. Uma sequência de gravações nas páginas P1, P2, P0, P3, P5, P1 pode resultar no seguinte estado físico do SSD:

Bloco 0 P1 (antigo) P2 P0 P3
Bloco 1 P5 P1 →
Bloco 2

Coleta de lixo

Usando a tabela de mapeamento e gravação fora-de-local, tudo vai bem até que o SSD fique sem blocos livres. A versão antiga das páginas sobrescritas deve, no fim de tudo, ser recuperada. Se continuarmos nosso exemplo acima, escrevendo para as páginas P3, P4, P7, P1, P6, P2, teremos a seguinte situação:

Bloco 0 P1 (antigo) P2 (antigo) P0 P3 (antigo)
Bloco 1 P5 P1 (antigo) P3 P4
Bloco 2 P7 P1 P6 P2

Neste ponto, não temos mais blocos de apagamento livres (embora, lógicamente, ainda deva haver espaço). Antes que alguém possa escrever outra página, o SSD primeiro deve apagar um bloco. No nosso exemplo, pode ser melhor para o coletor de lixo apagar o bloco 0, porque apenas uma de suas páginas ainda está em uso. Depois de apagar o bloco 0, liberamos espaço para 3 gravações e nosso SSD fica assim:

Bloco 0 P0 →
Bloco 1 P5 P1 (antigo) P3 P4
Bloco 2 P7 P1 P6 P2

Amplificação de gravação e excesso de provisionamento

Para o bloco de coleta de lixo 0, tivemos que mover fisicamente a página P0, embora logicamente essa página não tenha sido envolvida em nenhum processo. Em outras palavras, com SSDs flash, o número de gravações físicas (flash) é geralmente maior do que o número de gravações lógicas (software). A proporção entre os dois números é chamada de ‘’amplificação de gravação. Em nosso exemplo, para abrir espaço para 3 novas páginas no bloco 0, tivemos que mover 1 página. Assim, temos 4 gravações físicas para 3 gravações lógicas, ou seja, uma amplificação de gravação de 1,33.

A alta amplificação de gravação diminui o desempenho e reduz a vida útil do flash. O tamanho da amplificação de gravação depende do padrão de acesso e de quão preenchido está o SSD. Grandes gravações sequenciais têm baixa amplificação de gravação, enquanto gravações aleatórias são o pior caso.

Vamos supor que nosso SSD está 50% preenchido e que executamos gravações aleatórias. No estado estacionário, sempre que apagamos um bloco cerca de metade das páginas desse bloco, em média, ainda estão em uso e devem ser copiadas. Assim, a amplificação de gravação para um fator de preenchimento de 50% é 2. Em geral, a amplificação de gravação de pior caso para um fator de preenchimento f é 1/(1-f):

f 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 0,95 0,99
WA 1,11 1,25 1,43 1,67 2,00 2,50 3,33 5 10 20 100

Como a amplificação de gravação torna-se excessivamente alta para fatores de preenchimento próximos a 1, a maioria dos SSDs tem uma capacidade ociosa oculta. Esse super provisionamento é normalmente de 10 a 20% da capacidade total. Obviamente, também é fácil adicionar mais provisionamento em excesso, criando uma partição vazia e nunca gravar nela.

Espero ter sido bem sucedido nesta tentativa de explicação. Tentei também manter este post curto, o que significa que eu tive que simplificar as coisas.

História (1978): Podemos nos Libertar do Estilo de von Neumann?

Anos 70, quando os mainframes e as linguagens procedurais FORTRAN e COBOL reinavam. A complexidade nos negócios aumentava e o mundo da computação parecia estar em um beco sem saída, quando o artigo abaixo foi publicado. Era preciso um novo paradigma e os questionamentos emergiam de todos os lados. Uma nova concepção de software surgiria em 1979, com a linguagem C e o paradigma de Orientação a Objetos. Mas nunca nos libertamos da Máquina de von Neumann. Isso virá um dia com a computação quântica, que ainda dá seus primeiros passos.

Uma máquina de von Neumann, projetada pelo físico e matemático John von Neumann (1903–1957) é um projeto teórico para um computador de uso geral. Uma máquina de von Neumann consiste em um processador central (dir.) com uma unidade lógica/aritmética (ULA), uma unidade de controle e uma memória (esq.).

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A programação pode se libertar do estilo de von Neumann? Um estilo funcional e sua álgebra de programas

Resumo

As linguagens de programação convencionais estão ficando cada vez maiores, mas não mais fortes. Defeitos inerentes ao seu nível mais básico as tornam inchadas e fracas: seu estilo primitivo de programação ‘palavra-por-vez’ herdado de seu ancestral comum – o computador de von Neumann; seu acoplamento íntimo da semântica a transições de estado; sua divisão da programação em um mundo de expressões e um mundo de declarações; sua incapacidade de usar eficazmente formas combinantes poderosas para construir novos programas a partir dos existentes; e sua falta de propriedades matemáticas úteis para raciocinar sobre programas.

Um estilo funcional alternativo de programação baseia-se no uso de formas combinantes para a criação de programas. Os programas funcionais lidam com dados estruturados, são frequentemente não repetitivos e não recursivos, são construídos hierarquicamente, não nomeiam seus argumentos e não exigem que o mecanismo complexo de declarações de procedimento se torne aplicável de forma geral. Formas combinantes podem usar programas de alto nível para construir outros programas de nível ainda mais alto, em um estilo não possível em linguagens convencionais.

Uma álgebra de programas cujas variáveis ​​abarcam todo um programa e cujas operações são formas combinantes é relacionadas ao estilo funcional de programação. Essa álgebra pode ser usada para transformar programas e resolver equações cujas “incógnitas” são também programas como as transformações de equações na álgebra do ensino médio. Essas transformações são dadas por leis algébricas e são executadas na mesma linguagem em que os programas são escritos. As formas combinantes são escolhidas não apenas por seu poder de programação, mas também pelo poder das leis algébricas associadas a elas. Teoremas gerais dessa álgebra fornecem o comportamento detalhado e as condições de término [halting conditions] para grandes classes de programas.

Uma nova classe de sistemas de computação usa o estilo de programação funcional tanto em sua linguagem de programação quanto em suas regras de transição de estado. Ao contrário das linguagens de von Neumann, esses sistemas têm semântica fracamente acoplada a estados – apenas uma transição de estado ocorre por computação principal.

Ver transcrição do artigo original em Association for Computing Machinery.

Sexta de Leão: Aventuras no Jardim Murado

Poucos meses atrás, enquanto eu desenvolvia um pequeno aplicativo desktop [um trabalho acadêmico] para Windows, Mac e Linux, em algum momento do desenvolvimento tive que testá-lo em todas as três plataformas. Para tornar o teste mais fácil, decidi instalar todos os três sistemas operacionais no mesmo computador, por meio de uma máquina virtual. As coisas corriam bem, até que cheguei ao MacOs.

De acordo com a política da Apple, você não tem permissão para instalar MacOs em um hardware que não seja da própria Apple. Então, como faço para testar meu software se não sou proprietário de um Mac?

O que eu podia fazer:

  • Comprar um Mac (onde o mais barato no momento custa mais de US$ 1000)
  • Pegar um Mac emprestado de alguém
  • Instalar um Hackintosh em uma máquina virtual e violar a política da Apple.

Comprar um Mac. Se você está desenvolvendo um produto que pode trazer uma receita razoável dos usuários de Mac, então a necessidade de comprar um Mac é indiscutível. Se esse não é o caso, então despejar algumas centenas de dólares no negócio só “porque sim” é algo injustificável.

Sua segunda opção é pegar emprestado o Mac de alguém que você conhece. Considerando o quão pequenos são os discos rígidos do Macbook, o proprietário não ficará feliz por você instalar um ambiente de desenvolvimento completo na máquina dele – e possivelmente deixar gigabytes de material instalado para trás. Você também teria que se adaptar à rotina de uso e tempo do proprietário, o que poderia ser bastante irritante [como assim “sua filha precisa escrever um trabalho esta noite?”].

E, por último, você pode mandar a Lei às favas e instalar um MacOs em uma máquina virtual. Uma rápida pesquisa revela centenas de tutoriais e postagens de blog sobre a instalação de MacOs. Todos instalando imagens ISO piratas tiradas do Google Drive de alguém – e agindo como se tivessem acabado de descobrir o fogo.

Obviamente escolhi a terceira opção, pois parecia a melhor de todas as escolhas ruins possíveis. Depois de passar alguns dias remexendo na ISO “ilegal” do Mac e não conseguir passar da tela de boot, era hora de refletir sobre o que estava acontecendo.

Imagem: iStock

Escrever um aplicativo desktop multiplataforma é uma tarefa muito mais difícil do que escrever um aplicativo para a web, já que o conjunto de ferramentas para esta última não é tão polido. Isso explica por que os aplicativos para web estão em todo lugar e o software para desktop está lentamente desaparecendo.

Além dos problemas gerais que o desenvolvimento de aplicativos traz, também existem inúmeras tarefas que são específicos de certas plataformas, apesar de os frameworks serem multiplataforma. É preciso por exemplo:

  • Criar soluções alternativas para todos os bugs da plataforma específica da interface de usuário (IU) escolhida. A estrutura pode estar funcionando bem em uma plataforma e se comportando de maneira extremamente estranha em outra.
  • Configurar uma máquina/ambiente de compilação para cada plataforma que você está oferecendo. A compilação cruzada de aplicativos desktop infelizmente ainda não é uma opção disponível em 2021.
  • Criar um instalador para cada sistema operacional e descobrir – depois – as especificações de instalação de cada um.
  • Descobrir que certas plataformas gritam com seus usuários quando eles tentam instalar um software que não possui um instalador assinado.

Você logo percebe que assinar um instalador em cada plataforma existente não é barato [e de fato é um aborrecimento que não leva a nada]. No Windows, você tem o prazer adicional de lidar com ‘revendedores’ duvidosos de certificados. Dê uma olhada em um dos sites deles [ou melhor não – eles são fraudes e podem roubar suas informações de cartão de crédito].

Eu me senti sujo depois de visitá-los. Você poderia, como alternativa, usar lojas online credenciadas que supostamente não têm esses problemas, mas a esta altura você realmente tem ainda vontade de fazer isso? Você dá o melhor de si para uma empresa que pode um dia simplesmente decidir que o seu aplicativo não está mais de acordo com a nova política e removê-lo de sua loja sem a menor cerimônia. Você também tem que passar pelo complicado processo de verificação de “malware” no software que você criou, o que pode, em alguns casos, levar semanas e, no fim, rejeitar seu trabalho sem nenhuma explicação. Existem dezenas de histórias de horror sobre isso na Internet. Reserve um tempo para conhecê-las antes de decidir seguir por este caminho.

Como você pode ver, desenvolver um aplicativo para desktop não envolve apenas programar a IU. O resto da subida da montanha é lidar com problemas que nem deveriam estar presentes. E se, no final, testar o software em uma determinada plataforma for muito trabalhoso, essa plataforma simplesmente não terá suporte. Este parece ser o caso recentemente, já que nem me lembro da última vez que vi um aplicativo multiplataforma. Eles são sempre vinculados a uma plataforma específica ou baseados na web.

Imagem: iStock

No final, todo mundo perde com a política do jardim murado:

  • Os usuários vão perder seu software favorito, que só existe em uma determinada plataforma.
  • Os desenvolvedores vão perder as vendas que a outra plataforma pode trazer.
  • As lojas online vão perder o percentual de sua receita, pois o desenvolvedor muitas vezes simplesmente não tem interesse em lidar com processos complicados. As plataformas deveriam tornar sua vida mais simples; em vez disso, apenas adicionam camadas de burocracia.

Laissez faire!

A Microsoft tem ouvido um monte de merda sobre seu último Windows 10. Ele tem seu próprio conjunto de problemas, como a telemetria intrusiva e a grande quantidade de ‘crapware’ aleatório – que ninguém pediu – instalado por padrão. Mas pelo menos a Microsoft faz alguma média com os desenvolvedores. Você pode instalar o Windows como quiser – seja no metal nú ou em uma máquina virtual [e ele ainda funciona em um computador com 10 anos de idade!].

A Apple, por outro lado, está erguendo muralhas cada vez maiores em torno de sua plataforma. Sua última manobra foi impedir os usuários de executar qualquer aplicativo que não tenha sido certificado. O que significa basicamente “se não tiver nossa benção a cada passo, você não vai poder usar sua máquina”. É como a mílícia que vai confiscar a sua casa se você não pagar a proteção.

Os usuários, que pagaram o dobro do que custaria um PC, agora também têm que lutar contra um ecossistema que absurdamente os impede de usar seu próprio computador. Quem diria que instalar um editor de texto é uma coisa tão perigosa? Isso vindo de uma empresa que afirma que o uso de seus produtos irá ajudá-lo a “liberar a criatividade” – e um monte de outras bobagens corporativas.

Então solução é a seguinte para os fãs da Apple: se quiserem ter programas em sua amada plataforma, vocês terão que torná-la amigável para os desenvolvedores. Nota: os desenvolvedores são aqueles que escrevem os aplicativos, publicando-os em suas ‘stores’. Se eles não puderem usar sua plataforma de trabalho preferida (que, surpresa-surpresa, pode não ser o Mac), isso significa que eles simplesmente não publicarão o software para sua plataforma.

Quanto à Apple, ela pode continuar com a muralha de pedra cercando o seu jardim, se assim quiser. Ela pode continuar cobrando a entrada, se há um número suficiente de pessoas dispostas a pagar. E se você gosta da Apple, seja feliz dizendo a todos como é lindo seu jardim.

Mas eu pessoalmente não gosto do jardim da Apple. Não gosto da maneira ‘Apple’ de fazer as coisas, dizendo às pessoas que elas estão usando seus produtos de maneira errada. Eu não gosto de como a Apple é arrogante e não joga com o resto do mundo. E, francamente, nunca gostei de Steve Jobs.

Existem jardins de mente mais aberta, onde você é responsável por administrar seu canto como quiser. Um jardim onde derrubar uma parede para dar mais espaço para as suas coisas é algo perfeitamente possível e não desaprovado. Enfim, que a Apple não rejeite aqueles que fazem valer a pena visitar seu jardim.

Conceito: Bijuteria Ativa Contra Contaminação

Hoje falo sobre uma ideia para uma classe de dispositivos que pretende evitar a contaminação da face [e daí mucosas] pelas mãos. Tendo em vista o processo kafkiano-bizantino ao qual um pedido de patente industrial é submetido nestes trópicos esquecidos por Deus (além dos recursos envolvidos), optei por usar este blog para transformar a ideia em “prior art”, de forma que ela, sendo pública, não possa mais ser patenteada por ninguém. Ela agora é open-source e pode ser implementada por quem assim desejar.

E se a bijuteria de uso diário pudesse ajudar na prevenção à contaminação da face pelas mãos? – Imagem`iStock

No início da pandemia de Covid houve uma grande corrida em busca de todos os métodos de prevenção imagináveis. Muitos achavam que a tecnologia digital viesse rapidamente ao socorro com suas maravilhas. Falou-se muito em variados tipos de sensores e atuadores que pudessem ajudar com o problema da exposição e contaminação, e algumas idéias chegaram a flutuar no espaço cognitivo global. A explosão da pandemia e a necessidade de tratar de temas mais prementes tiraram o foco da busca por soluções tecnológicas “duras” para concentrar os esforços nas vacinas.

Quanto à contaminação por Covid (assim como de outras doenças, como a gripe), os especialistas constantemente ressaltam que – para além da transmissão aérea – o grande ponto vulnerável no que se refere à fisicalidade da transmissão/contato é o ‘sistema’ face-mão. Levamos as mãos à face inúmeras vezes durante o dia. Levamos as mãos aos olhos, nariz e boca. Ao ouvido e ao topo da cabeça. Quase nunca percebemos. É um ato de segunda natureza, que executamos através do sistema límbico, não envolvendo a consciência no processo.

Seria então interessante se pudéssemos, diante de uma ameaça tão conspícua, imprevisível e traiçoeira como a Covid, nos abster de muita atividade descontrolada entre a face e a mão. Poderíamos usar a tecnologia para ajudar nessa tarefa, uma vez que nosso equipamento inato de controle mental e atenção é tão sujeito a falhas?

Entra minha ideia

Após considerar a questão por um tempo, percebi que a solução poderia ser implementada com o uso da lei de Lorentz, que descreve a interação entre campos magnéticos. Portanto, esse problema particular tem uma solução, e uma solução relativamente barata: um detector de metais que vamos elevar à glória, tornando-o um item de moda.

Caso de uso: alertar o indivíduo quando sua mão começa a se movimentar em direção ao rosto.

Ação pretendida: emitir um sinal – tátil ou sonoro – que possa fazer o usuário interromper o gesto e focar sua atenção nas ações corporais sendo executadas.

É facil perceber que a mão precisa atravessar o nível da base do pescoço para tocar a face. Portanto, se pudermos detectar a mão cruzando a linha da base do pescoço – ou, melhor ainda, detectar o início do movimento ascendente em direção à face, podemos emitir um discreto alerta – tátil ou sonoro – com antecedência de vários décimos de segundo, para quebrar a ação inconsciente do usuário.

Implementação

Um colar ou gargantilha, contendo a unidade de carga útil (chip sensor de campos magnéticos, bateria, processador, transmissor) atuando em conjunto com anéis ornamentais de compostos ferromagnéticos [talvez hematita ferrosa? magnetita? Deixo aos engenheiros de materiais decidir], que funcionarão passivamente nas mãos do usuário.

Funcionamento

Porque usar análogo à hematita: um anel de hematita ferrosa, por exemplo, tem duas vantagens:

Os vetores correspondentes à densidade de força magnética que o chip-sensor (em laranja, acondicionado dentro do pingente do colar) mede enquanto o campo magnético do anel se move relativamente a ele. Essa correlação de forças pode ser usada por um processador como limiar para ativação de disparo de um alerta.- Imagem por Maschen – Own work, CC0

1. É um adorno esteticamente agradável, conhecido e usado pelas diversas culturas humanas por séculos. O conjunto colar-anel pode ser integrado de várias maneiras, deixando amplo espaço de criação para designers.

2. A vantagem principal que determina a escolha do material: Os anéis de hematita [ou análogo] enriquecida, por possuirem propriedades ferromagnéticas, podem ter seu movimento [i.e., o deslocamento de seu campo magnético] detectado pelo chip-sensor embutido no pingente do colar ou gargantilha. A mudança nos parâmetros do campo magnético (Lei de Lorentz), provocada pelo deslocamento do anel – medida rápida e precisamente pelo chip-sensor – causará o disparo de um alerta sonoro ou tátil. O alerta pretende quebrar o automatismo do movimento do usuário, tornando consciente o gesto físico, idealmente fazendo com que o usuário interrompa, cancele o movimento, ou pense conscientemente sobre o estado das mãos, antes de prosseguir com o toque da face.

Para Concluir

Claro que esse é um esboço muito cru do conceito. Muitos parâmetros não são considerados e terão que ser descobertos em campo. Suspeito que talvez não se aplique universalmente, por ser uma peça ornamental, ou por outras questões whatever. Contudo ele descreve todos os elementos essenciais necessários. Cabe aos designers e aos profissionais de marketing fazer acontecer.

Essa é a típica atividade ‘hacker’. O termo – barbaramente incompreendido em várias línguas – se refere às pessoas que gostavam de desmontar (e depois montar) rádios, relógios, motores (e criar geringonças) na adolescência. Será que as pessoas ainda gostam? Este é um blog para pessoas com recursos intelectuais e hackers autênticos. Deixo então os detalhes da implementação para esses leitores imaginarem. Se alguém construir um, por favor mostre pra gente. Se alguém detectou alguma impropriedade na ideia, peço que nos oriente nos comentários.

A Escassez de Chips e o Preço do Seu Smartphone

A Intel anunciou ontem (31/05) que pode levar vários anos para que a escassez global de semicondutores seja resolvida, um problema que já provocou o fechamento de várias linhas de produção de automóveis e que também está sendo sentido em outras áreas, incluindo produtos eletrônicos de consumo.

iStock

O CEO Pat Gelsinger disse, em uma sessão virtual da feira Computex em Taipé, que a necessidade de atividades remotas na pandemia levou a um surto de crescimento explosivo na indústria de semicondutores, o que colocou uma grande pressão nas cadeias de suprimento globais.

“Embora a indústria tenha tomado medidas para absorver os efeitos das restrições no curto-prazo, ainda pode levar alguns anos para o que o ecossistema supere a escassez de capacidade de fundição, substratos e componentes.”

Gelsinger havia dito ao The Washington Post, em uma entrevista em meados de abril do ano passado, que a escassez levaria “alguns anos” para se resolver e que planejava começar a produzir chips domesticamente, dentro de seis a nove meses, para resolver a escassez nas fábricas de automóveis dos EUA.

A Intel anunciou um plano de US $ 20 bilhões em março passado para expandir sua capacidade de fabricação, construindo duas fábricas no Arizona.

Planejamos expandir para outros locais nos EUA e na Europa, garantindo ao mundo uma cadeia de fornecimento de semicondutores sustentável e segura

Os planos da Intel desafiam diretamente as duas outras empresas no mundo capazes de fazer chips avançados – A Taiwan Semiconductor Manufacturing e a Samsung Electronics, da Coréia do Sul.

As duas passaram a dominar o negócio de fabricação de semicondutores, com o deslocamento de seu centro de gravidade dos Estados Unidos, onde grande parte da tecnologia foi inventada, para a Ásia, onde atualmente são fabricados mais de dois terços dos chips avançados.

Tendência vem para durar

Essa tendência de aumento dos preços dos produtos eletrônicos não vai parar. Os fabricantes por certo não estão dispostos a dar seus smartphones no prejuízo.

O déficit do mercado também contribui para essa inflação do preço. A alta vai continuar e, já a partir do segundo semestre deste ano, teremos que começar a nos acostumar com os novos patamares de preços dos smartphones, alertou o vice-presidente da fabricante indiana Realme, Xu Qi.

Ele disse que a escassez aguda de chips 5G – entre os quais as plataformas Snapdragon 870 e Snapdragon 888 – começou a ser sentida no início do ano. Também havia escassez de processadores 4G. Além disso, o executivo da Realme observou que houve um aumento nos preços de memória, componentes para carregadores e outras peças. Esses itens adicionaram cerca de 10% aos preços.

Tudo isso afetará inevitavelmente o custo dos produtos finais. Usuários em vários países já começaram a migração ativa para os dispositivos com suporte para redes de quinta geração. O crescimento da demanda por esses modelos também forçará seu preço para cima.

(*) O texto foi editado em 01/06 para correções tipográficas