Conceito: Bijuteria Ativa Contra Contaminação

Hoje falo sobre uma ideia para uma classe de dispositivos que pretende evitar a contaminação da face [e daí mucosas] pelas mãos. Tendo em vista o processo kafkiano-bizantino ao qual um pedido de patente industrial é submetido nestes trópicos esquecidos por Deus (além dos recursos envolvidos), optei por usar este blog para transformar a ideia em “prior art”, de forma que ela, sendo pública, não possa mais ser patenteada por ninguém. Ela agora é open-source e pode ser implementada por quem assim desejar.

E se a bijuteria de uso diário pudesse ajudar na prevenção à contaminação da face pelas mãos? – Imagem`iStock

No início da pandemia de Covid houve uma grande corrida em busca de todos os métodos de prevenção imagináveis. Muitos achavam que a tecnologia digital viesse rapidamente ao socorro com suas maravilhas. Falou-se muito em variados tipos de sensores e atuadores que pudessem ajudar com o problema da exposição e contaminação, e algumas idéias chegaram a flutuar no espaço cognitivo global. A explosão da pandemia e a necessidade de tratar de temas mais prementes tiraram o foco da busca por soluções tecnológicas “duras” para concentrar os esforços nas vacinas.

Quanto à contaminação por Covid (assim como de outras doenças, como a gripe), os especialistas constantemente ressaltam que – para além da transmissão aérea – o grande ponto vulnerável no que se refere à fisicalidade da transmissão/contato é o ‘sistema’ face-mão. Levamos as mãos à face inúmeras vezes durante o dia. Levamos as mãos aos olhos, nariz e boca. Ao ouvido e ao topo da cabeça. Quase nunca percebemos. É um ato de segunda natureza, que executamos através do sistema límbico, não envolvendo a consciência no processo.

Seria então interessante se pudéssemos, diante de uma ameaça tão conspícua, imprevisível e traiçoeira como a Covid, nos abster de muita atividade descontrolada entre a face e a mão. Poderíamos usar a tecnologia para ajudar nessa tarefa, uma vez que nosso equipamento inato de controle mental e atenção é tão sujeito a falhas?

Entra minha ideia

Após considerar a questão por um tempo, percebi que a solução poderia ser implementada com o uso da lei de Lorentz, que descreve a interação entre campos magnéticos. Portanto, esse problema particular tem uma solução, e uma solução relativamente barata: um detector de metais que vamos elevar à glória, tornando-o um item de moda.

Caso de uso: alertar o indivíduo quando sua mão começa a se movimentar em direção ao rosto.

Ação pretendida: emitir um sinal – tátil ou sonoro – que possa fazer o usuário interromper o gesto e focar sua atenção nas ações corporais sendo executadas.

É facil perceber que a mão precisa atravessar o nível da base do pescoço para tocar a face. Portanto, se pudermos detectar a mão cruzando a linha da base do pescoço – ou, melhor ainda, detectar o início do movimento ascendente em direção à face, podemos emitir um discreto alerta – tátil ou sonoro – com antecedência de vários décimos de segundo, para quebrar a ação inconsciente do usuário.

Implementação

Um colar ou gargantilha, contendo a unidade de carga útil (chip sensor de campos magnéticos, bateria, processador, transmissor) atuando em conjunto com anéis ornamentais de compostos ferromagnéticos [talvez hematita ferrosa? magnetita? Deixo aos engenheiros de materiais decidir], que funcionarão passivamente nas mãos do usuário.

Funcionamento

Porque usar análogo à hematita: um anel de hematita ferrosa, por exemplo, tem duas vantagens:

Os vetores correspondentes à densidade de força magnética que o chip-sensor (em laranja, acondicionado dentro do pingente do colar) mede enquanto o campo magnético do anel se move relativamente a ele. Essa correlação de forças pode ser usada por um processador como limiar para ativação de disparo de um alerta.- Imagem por Maschen – Own work, CC0

1. É um adorno esteticamente agradável, conhecido e usado pelas diversas culturas humanas por séculos. O conjunto colar-anel pode ser integrado de várias maneiras, deixando amplo espaço de criação para designers.

2. A vantagem principal que determina a escolha do material: Os anéis de hematita [ou análogo] enriquecida, por possuirem propriedades ferromagnéticas, podem ter seu movimento [i.e., o deslocamento de seu campo magnético] detectado pelo chip-sensor embutido no pingente do colar ou gargantilha. A mudança nos parâmetros do campo magnético (Lei de Lorentz), provocada pelo deslocamento do anel – medida rápida e precisamente pelo chip-sensor – causará o disparo de um alerta sonoro ou tátil. O alerta pretende quebrar o automatismo do movimento do usuário, tornando consciente o gesto físico, idealmente fazendo com que o usuário interrompa, cancele o movimento, ou pense conscientemente sobre o estado das mãos, antes de prosseguir com o toque da face.

Para Concluir

Claro que esse é um esboço muito cru do conceito. Muitos parâmetros não são considerados e terão que ser descobertos em campo. Suspeito que talvez não se aplique universalmente, por ser uma peça ornamental, ou por outras questões whatever. Contudo ele descreve todos os elementos essenciais necessários. Cabe aos designers e aos profissionais de marketing fazer acontecer.

Essa é a típica atividade ‘hacker’. O termo – barbaramente incompreendido em várias línguas – se refere às pessoas que gostavam de desmontar (e depois montar) rádios, relógios, motores (e criar geringonças) na adolescência. Será que as pessoas ainda gostam? Este é um blog para pessoas com recursos intelectuais e hackers autênticos. Deixo então os detalhes da implementação para esses leitores imaginarem. Se alguém construir um, por favor mostre pra gente. Se alguém detectou alguma impropriedade na ideia, peço que nos oriente nos comentários.

Morte à Economia de Vigilância!

Neste exato momento, enquanto você lê este post, algoritmos estão tomando decisões sobre sua vida, com base em seus dados, sem o seu conhecimento e sem o seu consentimento. Algoritmos que muitas vezes não foram testados completamente, muito menos auditados periodicamente. Talvez você seja um dos milhões de negros americanos visados ​​pela Cambridge Analytica na tentativa de impedi-los de votar nas eleições de 2016. Talvez tenham negado a você um empréstimo, um emprego ou um apartamento recentemente.

Imagem: iStock

Se isso aconteceu, é quase certo que seus dados tenham algo a ver com isso. Esses dados pessoais na maioria das vezes são imprecisos, mas você não pode corrigi-los porque não tem acesso a eles. Você pode perder seu emprego devido a um algoritmo com defeito. E como disse o Cardeal Richelieu, “dê-me seis linhas escritas pelo mais honesto dos homens e eu encontarei nelas um motivo para mandá-lo para a forca”.

À medida que as empresas de tecnologia moldam nossas percepções, o preconceito e a discriminação – tão miseravelmente humanos – são incorporados naturalmente a seus produtos e serviços em vários níveis e de várias formas.

A economia de vigilância afronta a igualdade e a justiça. Você e seu vizinho não são mais tratados como cidadãos iguais. Você não tem oportunidades iguais a ele porque é tratado de maneira diferente com base em seus dados. Os anúncios e o conteúdo a que você tem acesso, os preços que paga pelos mesmos serviços e até o tempo que você espera no telefone para falar com o serviço de atendimento ao cliente dependem dos seus dados e de seu “score”.

Somos muito mais competentes para coletar dados pessoais do que para mantê-los seguros. Os dados pessoais são uma ameaça séria e não deveríamos coletá-los se não somos capazes de mantê-los seguros. Usando dados de localização de smartphones adquiridos de um “corretor de dados”, é possível rastrear oficiais militares com acesso a dados sigilosos, advogados poderosos e seus clientes, e até mesmo o presidente de um país (através do telefone de alguém que se considera e é pago para ser um agente do serviço secreto).

Nossa atual economia de dados é baseada na coleta de tantos dados pessoais quanto possível, armazenando-os indefinidamente e vendendo-os a quem pagar mais. Ter tantos dados confidenciais circulando livremente é, no mínimo, imprudente. Ao projetar nossa economia em torno da vigilância, estamos construindo uma perigosa estrutura de controle social, estrutura essa que está em conflito aberto com a liberdade. Na sociedade de vigilância que estamos construindo, não existe nada invisível ao radar. Não deveria ser nossa responsabilidade, como querem as grandes companhias, optar pela não coleta de dados nos navegadores. A não-coleta deveria vir como padrão em todo e qualquer software dedicado à comunicação na Internet.

É hora de acabar com a economia de vigilância. Não permitimos a compra e venda de votos (porque isso prejudica a democracia). Por que então devemos permitir a comercialização de dados pessoais? Não devemos permitir anúncios personalizados. Se os anúncios fossem transparentes sobre o que sabem sobre nós, talvez não fôssemos tão indiferentes ao modo como somos direcionados. As vantagens dos anúncios personalizados para os usuários são mínimas, na melhor das hipóteses, e podem ser alcançadas por meio de publicidade contextualizada. Por exemplo, exibir anúncios de equipamentos esportivos apenas quando o usuário procura equipamentos esportivos.

Precisamos ter certeza de que os algoritmos que afetam nossas vidas são confiáveis. Precisamos saber como os algoritmos estão nos julgando e com base em quais dados. Devemos implementar deveres de depositário fiel de dados: qualquer pessoa que deseje coletar ou gerenciar seus dados pessoais deve se comprometer legalmente a usá-los apenas em seu benefício e nunca contra você. Quem gerencia dados pessoais de terceiros é responsável ​​por eles. Temos que melhorar muito nossos padrões de segurança cibernética, através de lei. E é necessário também excluir periodicamente os dados de que não precisamos mais.

Enquanto a solução definitiva não aparece, escolha produtos compatíveis com a privacidade. Por exemplo, ao invés de usar a pesquisa do Google, use DuckDuckGo; em vez de usar o WhatsApp, use o Telegram; no lugar do Gmail, use ProtonMail. Essas escolhas simples podem ter um impacto muito significativo em nossas vidas. Ao escolher produtos éticos sinalizamos às empresas de Internet que nos preocupamos com a nossa privacidade.

Acabar com a economia de dados pode parecer uma proposta radical. Contudo, é ainda mais extremo ter um modelo de negócios cuja existência depende da violação de nosso direito à privacidade em grande escala.

Na verdade, isso é inaceitável.

Sexta de Leão: The Outstanding Blogger Award

O post de hoje é para honrar algo que já é uma tradição na comunidade WordPress, e para agradecer o que agora me toca: minha indicação – pela Tati do BlogDasTatianices – ao The Outstanding Blogger Award [Prêmio Bloguista de Destaque do Ano]. Esse galardão é, como já disseram muitos, uma espécie de TAG. Ela foi criada para estimular a troca entre os criativos que são membros deste celeiro de autores. É um dos raros prêmios ao qual você é indicado ao chegar [como no meu caso]. Na verdade é um gesto de carinho para com aqueles que compartilham suas visões e ideias [e às vezes suas inquietações e medos] nesta rede [frequentemente de forma muito brilhante].

Imagem: iStock

Os blogs são a ante-sala da informação de qualidade na web, em contraposição às nefastas [sorry] redes sociais. Ter um blog é ter opinião genuína. Esta indicação também é uma medida da admiração e respeito mútuos, que nos permite indicar também alguns dos blogs que seguimos e admiramos. O mais importante sobre o Outstanding Blogger Award: nunca se levar a sério.

Regras da TAG

  1. Forneça o link para a postagem do prêmio original do criador Colton Beckwith RCP.
  2. Responda às perguntas exclusivas.
  3. Indique 10 blogueiros. Certifique-se de que eles estão cientes de suas nomeações.

(*) Nem o criador do prêmio do blog, nem o blogueiro que te indicou podem ser indicados

(**) No final de 2021 todos os blogs que enviarem um ping-back da postagem original do criador estarão inscritos para ganhar o prêmio 2021 Outstanding Blogger.

Link para a postagem original de Beckwith: aqui

Perguntas da Tati e minhas respostas:

Como nasceu o seu blog?

Uma vontade de longo tempo. Pude realizar agora, na medida em que tenho maior controle do meu tempo. O blog é a fundação, o primeiro item do site que abrigará minha interface com clientes de nosso escritório de desenvolvimento de sistemas e consultoria.

Existe uma rotina de posts ou você posta quando dá/tem inspiração?

Existe uma rotina auto-imposta, que eu chamo de missão. A missão do blog é apresentar conteúdo de qualidade em língua portuguesa, nas áreas de tecnologia digital e ciências em geral, em formato médio-longo, com assuntos que por um motivo ou outro não recebem atenção da grande mídia. Tudo isso com atualização diária ou a cada dois dias. É um compromisso de fôlego. Espero ter forças.

O que você mais gosta de fazer na vida?

O que eu menos faço: viajar

Uma pessoa que te inspira.

Albert Einstein

Um livro que você adoraria indicar para as pessoas

Considerando o espírito de nossa época, “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, de Carl Sagan.

Que país você gostaria de conhecer?

Mongolia

Se pudesse ter um super poder, qual gostaria de ter?

Invisibilidade

* * *

Meus Indicados [em uma lista completamente desordenada]

Culturalizando Blog

Atualização frequente; inteligente; informativo

Another Eco Blog

Pavel, um cara legal; ecologia; sustentabilidade

Guilherme Angra

Psicanalista; bom estilo

Vida em Sociedade

Portugal; bom estilo; conexão com as raízes

O Reblogador

Muito útil; bom serviço

Notícias de Tecnologia

Because…

Valor Adicionado

Noticias, comentários; finanças

Estudos do Lazer

Time de autores; boa forma escrita

Ceticismo

Cogito, ergo sum

O Ponto Dentro do Círculo

Tenho amigos ‘pedreiros’ e quero ter assunto com eles

* * *

Minhas perguntas

1. O Brasil tem jeito?

2. Qual é a derivada de uma função linear?

3. Já deixou de escrever algo por receio da opinião alheia?

4. Qual sua opinião sobre as mudanças climáticas?

5. Você acredita que o planeta Terra é geometricamente um esferóide oblato?

6. Seu blog correponde(u) às suas expectativas?

7. Você acredita em um futuro melhor?

Meus agradecimentos à querida Tati do Blog das Tatianices pela minha indicação, totalmente imerecida. Saiba que seu blog é de responsa, Tati. Palmas a ti. :) Faço uma exortação para os leitores que sigam o excelente blog da Tati [resenhas literárias, dicas interessantes sobre língua Italiana e comentários em geral]

Aos meus indicados, espero que vocês tenham o savoir-faire para curtir a brincadeira. Eu também gostaria de poder indicar mais pessoas. Minha mensagem a todos é para que não desanimem. Pelo que depreendo de meus estudos, o sucesso de um blog depende de três ingredientes: conteúdo, conteúdo e conteúdo. Às vezes é solitário, e sempre é compensador. Saúde e paz a todos!

Uma Nova Luz: Vacina Inoculada por Adesivo

Assistindo estarrecido à marcha da Covid, em um país que aparentemente desistiu de tudo, eis que entra no meu radar um novo estudo clínico vacinal, publicado em pré-print no site BioRxiv, no último dia 31/05. O trabalho dá conta de uma nova e promissora maneira de inocular o imunizante, via adesivo sobre a pele. Lembrando que este é um blog dedicado à ciência e à tecnologia, traduzimos abaixo o Resumo, com um link para o trabalho original. Antes, porém, algumas considerações.

Este adesivo tem 1 cm de diâmetro. Imagem apenas para ilustração – iStock

Ao longo de dezesseis meses [em minha contabilidade], o inventário de rumores relacionados ao contágio conseguiu transcender fronteiras. Criativas e fúteis, essas histórias se multiplicam à medida que a pandemia se recusa a ceder. Embora nos primeiros dias a maioria das conversas girassem em torno de indagações sobre potência do vírus e de como tratar o surto, o problema lentamente evoluiu para o negacionismo catastrófico, e inacraditavelmente casual, que observamos. A aparente casualidade vai contra a análise dos fatos, visto que a consciência sobre a doença é imensa e os brasileiros que viveram os tempos difíceis desde o ano passado estão muito cientes de seus efeitos fatais.

A humanidade em muitos momentos da história deixou o medo se transformar em pânico ou negação, obliterando todos os vestígios de racionalidade. O feedback em torno do gerenciamento e da responsabilidade sobre a atual pandemia também parece irracional. Assim como a teoria da cura pelo CO2 proposta por um motorista de Nova Delhi, mais teorias desse tipo abundam nos botecos, mercados e feiras do Brasil, de Manaus a Porto Alegre, que vão desde a ingestão de grandes quantidades de álcool, vermífugos e anti-malariais, até a interrupção do consumo de certas frutas e legumes [como também aumento no consumo de outros], além de apelos à superstição. A lista é interminável, e cada país, estado, cidade e localidade acrescenta seu próprio “tour de force” a essas histórias.

O desafio para as pessoas que trabalham na linha de frente é filtrar os rumores e transmitir verdades básicas sobre a pandemia e suas causas. No entanto, à medida que vemos mais complacência no horizonte, fica como um exercício para estados e municípios tentar lidar com o medo e o cansaço subjacentes às comunidades que sofrem. Para compor o problema, existe a infeliz disseminação do estigma da doença; uma doença incomum (mas não incontrolável).

A necessidade do momento é pressionar agressivamente por uma campanha de esclarecimento que envolva todas as partes interessadas [we, the people], no rádio, televisão e em tantos canais criativos quanto possível. Uma miríade de outras pequenas atividades de comunicação, como pôsteres, adesivos, banners, pinturas de parede, murais, teatro de rua, músicas, quadros, anúncios em locais de culto, também seria bem vinda,

Conforme aprendemos com esta crise, é oportuno lembrar que os registros da literatura têm sido companheiros constantes da humanidade em períodos de incerteza. E os registros informam que no passado, quando uma pandemia atingia a humanidade, não havia muito que pudesse ser feito como o tanto que podemos fazer agora, e que desgraçadamente nos recusamos a fazer como povo.

A única medida efetiva nos tempos idos era o que hoje se conhece como distanciamento social e a quarentena dos enfermos que, segundo Procópio, o principal historiador bizantino, eram feitos voluntariamente pelos indivíduos. Na era atual, só nos resta lutar contra os golpes e as flechadas da fortuna adversa, já que as luzes da razão [e do bom senso] se apagaram para grande parte da humanidade [a influência das redes sociais foi instrumental para o estabelecimento dessa indústria anti-ciência que apenas começa a mostrar sua cara. Falaremos mais sobre isso neste blog].

Temos que nos empenhar para estar um passo à frente, promover o distanciamento social, usar máscaras e garantir a higiene, coisas que não eram possíveis para todos nos tempos antigos.

O Papel da Mídia

A mídia também deve ter consciencia de sua responsabilidade pública ao reportar sobre a Covid. Em vez de jornalismo e reportagem responsável, grande parte da imprensa tem reportado vazamentos, especulações e insinuações com grande velocidade e sem verificação de fatos. As agendas individuais de cada meio de comunicação mudaram das páginas editoriais para as de notícias, levando à confusão de fatos e opiniões.

Infelizmente, a mídia (nem falemos do governo) está relatando as mortes apenas em termos de números áridos, em oposição ao impacto real da doença no país. Já perdemos quase 500.000 brasileiros, cada um deles uma pessoa importante e única. Diga-nos seus nomes, mostre-nos seus rostos, conte-nos algo sobre eles e use seu desaparecimento como inspiração para não despediçar outro cidadão útil e querido. Precisamos sentir a perda; não contar um número sem significado.

* * *

Proteção Completa por Vacina de Espículas de SARS-CoV-2 Inoculada por Adesivo de Pele

Resumo

O SARS-CoV-2 infectou mais de 160 milhões de pessoas, resultou em mais de 3,3 milhões de mortes, e ainda coloca muitos desafios na distribuição de vacinas. Neste estudo, usamos um adesivo de micro-matriz de alta densidade para aplicar uma vacina contendo subunidades da espícula do
SARS-CoV-2 diretamente na pele.

Mostramos que a vacina, revestindo o adesivo a seco, é termoestável, e a entrega das espículas via HD-MAP induziu maiores respostas imunológicas em celulas e anticorpos, com soro capaz de neutralizar potentemente partículas isoladas clinicamente relevantes, incluindo das linhagens B.1.1.7 e B .1.35.

Finalmente, uma única dose de espículas administrada por HD-MAP forneceu proteção completa contra o desafio letal do vírus, demonstrando que a administração de uma vacina SARS-CoV-2 por HD-MAP é superior à vacinação tradicional com agulha e seringa e tem potencial para provocar um grande impacto na pandemia de COVID-19 em curso.

Link para o trabalho original

A Era da Domótica

A cada vez mais popular tecnologia que permite a ‘computadorização’ das casas – por enquanto da parcela mais afluente da população – tem um nome raramente evocado, seja em fala ou escrita: Domótica. Segundo a corrente principal, o termo ‘domótica’ é uma composição entre a palavra latina “domus” (casa, lar) e as palavras “robótica” ou “eletrônica”. Outros dizem que é simplesmente uma contração da expressão “robótica doméstica” [‘domotics’, em inglês]. De qualquer forma, os proponentes da automação doméstica querem encher seu espaço de vida com tecnologias ‘espertas’.

Imagem: iStock

Em uma casa esperta, todos os sistemas e utensílios são auxiliados por computador e controlados remotamente. Isso permite, por exemplo, programar as luzes e o aquecimento para que se ativem ou desliguem sozinhos. É possivel fazer com que as luzes diminuam ao se aproximar a hora de dormir, ou programar utensílios para trabalhar em horários específicos. A imaginação é o limite.

A domótica também inclui dispositivos como campainhas ‘inteligentes’, fechamento/travamento automático de portas e gerenciamento de sistemas de alarme.

As razões do crescimento

Os casos de uso da automação residencial se enquadram em três categorias principais: conforto, eficiência e segurança. O público geral parece ter a percepção de que a domótica adiciona muito valor a esses aspectos-chave do ambiente doméstico. A seguir, alguns exemplos:

  • Conforto (e conveniência)

A automação residencial alivia sobremaneira o peso das tarefas domésticas. É possível configurar o aspirador para trabalhar por você. Não é preciso se lembrar de desligar a máquina de lavar quando a secadora estiver pela metade com a última carga – ela pode fazer isso sozinha.

A domótica também significa ter o controle remoto da tecnologia que roda em sua casa. Você pode desligar ou ligar as luzes sem ir até o interruptor [ou sem estar em casa]. Você pode configurar sua máquina de café para começar o preparo enquanto você fica na cama por mais uns minutos. As possibilidades são inúmeras.

  • Eficiência

Além do conforto, a domótica também propõe aumentar a eficiência da sua casa.

Uma casa ‘inteligente’ é uma grande aliada no controle do uso de itens como eletricidade, aquecimento e água. Quando sua casa pode desligar automaticamente as luzes e o aquecimento, você reduz substancialmente o desperdício de energia. Isso se traduz em economia de dinheiro e um ambiente mais sustentável.

  • Segurança

A automação residencial inclui tecnologias de segurança, como sistemas de alarme e campainhas inteligentes. É possível, por exemplo, definir o alarme remotamente. Se ele disparar por algum motivo, você tem um alerta automático imediato.

Como outro exemplo, sua casa pode gerenciar a iluminação de forma a parecer que você está em casa durante um feriado. Em vez de se preocupar por ter deixado o ferro de passar ligado, você pode relaxar sabendo que sua casa inteligente o desligou.

Há também os recursos que ajudam a proteger o patrimônio. Por exemplo, sensores de vazamento de água e detectores de fumaça/monóxido de carbono. É possível ser alertado sobre os problemas antes que eles causem danos irreversíveis.

As vulnerabilidades da domótica

Como acontece com qualquer tecnologia, também existem desvantagens a serem consideradas.

A primeira preocupação é a vulnerabilidade potencial a hackers e falhas técnicas. O que acontece se a porta da frente apresentar mau funcionamento e você ficar preso; ou se um ator mal-intencionado desativar seus alarmes? Essa preocupação é (parcialmente) mitigada através de uma maior educação/conscientização sobre segurança cibernética em geral – complementada por boas práticas. A instalação de atualizações regulares do ‘firmware’ é também de suma importância, assim como o uso de senhas fortes, com mais de 20 caracteres – este post de março se relaciona ao assunto.

A segunda preocupação gira em torno da privacidade e da proteção de dados. O uso da domótica gera dados e metadados de todos os tipos – dados sobre quando você está em casa, o que faz em casa e como usa seus eletrodomésticos [que, por serem ‘inteligentes’, são totalmente integrados ao sistema]. Esses dados são valiosos para todos os tipos de atores: anunciantes, cibercriminosos, corporações e o estado-nação [sim, todos nós temos algo a esconder]. Ao convidar a ‘Internet das Coisas’ (‘Internet of Things’ – IoT) para sua casa, você também convida novas camadas de vigilância e garimpagem de dados – inofensivas ou não.

Em terceiro lugar vêm as questões de integração e custos. Diferentes ferramentas de tecnologia doméstica nem sempre funcionam bem umas com as outras. Isso pode resultar em um gerenciamento complicado de muitos recursos. Ou em um compromisso involuntário de longo prazo com apenas uma ou duas marcas que funcionam integradas.

Imagine um mundo onde o trabalho doméstico não-criativo não mais existe. Sua casa se administra sozinha e você tem o controle, não importa onde esteja. Suas tarefas são executadas pela automação e seu tempo vai para os seus projetos, lazer e estar com a família/amigos. Em última análise, a domótica propõe economizar dinheiro, tempo e energia, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade de vida.

Como toda tecnologia, ela traz vantagens e oportunidades, mas também novos problemas e desafios. Para que adicione real valor e não se transforme em uma grande superfície a ser explorada para ataques ao bem-estar e ao patrimônio, ela demanda consciência nas ações e completa alfabetização digital. Voltaremos sempre a este assunto.