A Era da Domótica – Também Chamada ‘Automação Doméstica’

A cada vez mais popular tecnologia que permite a ‘computadorização’ das casas – por enquanto da parcela mais afluente da população – tem um nome raramente evocado, seja em fala ou escrita: Domótica. Segundo a corrente principal, o termo ‘domótica’ é uma composição entre a palavra latina “domus” (casa, lar) e as palavras “robótica” ou “eletrônica”. Outros dizem que é simplesmente uma contração da expressão “robótica doméstica” [‘domotics’, em inglês]. De qualquer forma, os proponentes da automação doméstica querem encher seu espaço de vida com tecnologias ‘espertas’.

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Em uma casa esperta, todos os sistemas e utensílios são auxiliados por computador e controlados remotamente. Isso permite, por exemplo, programar as luzes e o aquecimento para que se ativem ou desliguem sozinhos. É possivel fazer com que as luzes diminuam ao se aproximar a hora de dormir, ou programar utensílios para trabalhar em horários específicos. A imaginação é o limite.

A domótica também inclui dispositivos como campainhas ‘inteligentes’, fechamento/travamento automático de portas e gerenciamento de sistemas de alarme.

As razões do crescimento

Os casos de uso da automação residencial se enquadram em três categorias principais: conforto, eficiência e segurança. O público geral parece ter a percepção de que a domótica adiciona muito valor a esses aspectos-chave do ambiente doméstico. A seguir, alguns exemplos:

  • Conforto (e conveniência)

A automação residencial alivia sobremaneira o peso das tarefas domésticas. É possível configurar o aspirador para trabalhar por você. Não é preciso se lembrar de desligar a máquina de lavar quando a secadora estiver pela metade com a última carga – ela pode fazer isso sozinha.

A domótica também significa ter o controle remoto da tecnologia que roda em sua casa. Você pode desligar ou ligar as luzes sem ir até o interruptor [ou sem estar em casa]. Você pode configurar sua máquina de café para começar o preparo enquanto você fica na cama por mais uns minutos. As possibilidades são inúmeras.

  • Eficiência

Além do conforto, a domótica também propõe aumentar a eficiência da sua casa.

Uma casa ‘inteligente’ é uma grande aliada no controle do uso de itens como eletricidade, aquecimento e água. Quando sua casa pode desligar automaticamente as luzes e o aquecimento, você reduz substancialmente o desperdício de energia. Isso se traduz em economia de dinheiro e um ambiente mais sustentável.

  • Segurança

A automação residencial inclui tecnologias de segurança, como sistemas de alarme e campainhas inteligentes. É possível, por exemplo, definir o alarme remotamente. Se ele disparar por algum motivo, você tem um alerta automático imediato.

Como outro exemplo, sua casa pode gerenciar a iluminação de forma a parecer que você está em casa durante um feriado. Em vez de se preocupar por ter deixado o ferro de passar ligado, você pode relaxar sabendo que sua casa inteligente o desligou.

Há também os recursos que ajudam a proteger o patrimônio. Por exemplo, sensores de vazamento de água e detectores de fumaça/monóxido de carbono. É possível ser alertado sobre os problemas antes que eles causem danos irreversíveis.

As vulnerabilidades da domótica

Como acontece com qualquer tecnologia, também existem desvantagens a serem consideradas.

A primeira preocupação é a vulnerabilidade potencial a hackers e falhas técnicas. O que acontece se a porta da frente apresentar mau funcionamento e você ficar preso; ou se um ator mal-intencionado desativar seus alarmes? Essa preocupação é (parcialmente) mitigada através de uma maior educação/conscientização sobre segurança cibernética em geral – complementada por boas práticas. A instalação de atualizações regulares do ‘firmware’ é também de suma importância, assim como o uso de senhas fortes, com mais de 20 caracteres – este post de março se relaciona ao assunto.

A segunda preocupação gira em torno da privacidade e da proteção de dados. O uso da domótica gera dados e metadados de todos os tipos – dados sobre quando você está em casa, o que faz em casa e como usa seus eletrodomésticos [que, por serem ‘inteligentes’, são totalmente integrados ao sistema]. Esses dados são valiosos para todos os tipos de atores: anunciantes, cibercriminosos, corporações e o estado-nação [sim, todos nós temos algo a esconder]. Ao convidar a ‘Internet das Coisas’ (‘Internet of Things’ – IoT) para sua casa, você também convida novas camadas de vigilância e garimpagem de dados – inofensivas ou não.

Em terceiro lugar vêm as questões de integração e custos. Diferentes ferramentas de tecnologia doméstica nem sempre funcionam bem umas com as outras. Isso pode resultar em um gerenciamento complicado de muitos recursos. Ou em um compromisso involuntário de longo prazo com apenas uma ou duas marcas que funcionam integradas.

Imagine um mundo onde o trabalho doméstico não-criativo não mais existe. Sua casa se administra sozinha e você tem o controle, não importa onde esteja. Suas tarefas são executadas pela automação e seu tempo vai para os seus projetos, lazer e estar com a família/amigos. Em última análise, a domótica propõe economizar dinheiro, tempo e energia, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade de vida.

Como toda tecnologia, ela traz vantagens e oportunidades, mas também novos problemas e desafios. Para que adicione real valor e não se transforme em uma grande superfície a ser explorada para ataques ao bem-estar e ao patrimônio, ela demanda consciência nas ações e completa alfabetização digital. Voltaremos sempre a este assunto.

Fundação Linux Lança Projeto para o Ecossistema Agrícola Global

Na quarta-feira passada, a Linux Foundation, a organização sem fins lucrativos que busca promover a inovação em massa por meio de tecnologias de código aberto, anunciou o lançamento da Fundação AgStack, o primeiro projeto de infraestrutura digital de código aberto desenhado especificamente para o ecossistema agrícola global.

A Fundação AgStack vai melhorar a eficiência da agricultura global por meio da criação, manutenção e aprimoramento de uma infraestrutura digital gratuita, reutilizável, aberta e especializada, para dados e aplicativos agrícolas.

Os membros fundadores e contribuintes incluem líderes das indústrias de tecnologia e agricultura, abrangendo diversos setores e geografias. Membros e parceiros incluem Agralogics, Call for Code, Centricity Global, Digital Green, Farm Foundation, farmOS, HPE, IBM, Mixing Bowl & Better Food Ventures, NIAB, OpenTeam, Our Sci, Produce Marketing Association, Purdue University / OATS & Agricultural Informatics Laboratório, a Universidade da Califórnia em Agricultura e Recursos Naturais (UC-ANR) e o Projeto SmartFarm da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

“O ecossistema da agricultura global precisa desesperadamente de uma reforma digital. Há muita perda de produtividade e inovação devido à ausência de ferramentas e dados reutilizáveis. Estou animado para liderar esta comunidade de líderes, colaboradores e membros – de vários setores e países – para ajudar a construir este recurso comum e reutilizável – AgStack – que ajudará todas as partes interessadas na agricultura global com ferramentas e dados digitais abertos, ” Disse Sumer Johal, Diretor Executivo da AgStack.

A Linux Foundation observou que 33 por cento de todos os alimentos produzidos são desperdiçados, enquanto nove por cento das pessoas no mundo estão com fome ou desnutridas. Esses dados sociais são combinados com sistemas antigos que são muito lentos e ineficientes e não podem funcionar em toda a crescente e complexa cadeia de abastecimento agrícola. A AgStack usará colaboração e software de código aberto para construir uma infraestrutura digital do século 21 que, segundo ela, será um catalisador para a inovação em novos aplicativos, eficiência e escala.

“A explosão de inovações em agrotecnologia de grandes empresas a startups, governos e organizações sem fins lucrativos representa uma virada de jogo para os agricultores do Sul e do Norte Global”, disse Rikin Gandhi, co-fundador e diretor executivo do parceiro da AgStack Digital Green. “Ao mesmo tempo, é fundamental construirmos uma infraestrutura digital que garanta que o impacto dessas mudanças possibilite a inclusão e aumento da resiliência dos produtores mais marginalizados, especialmente em meio às mudanças climáticas.”

AgStack consiste em um repositório aberto para criar e publicar modelos, acesso fácil e gratuito a dados públicos, estruturas interoperáveis ​​para uso em projetos cruzados, extensões, e caixas de ferramentas baseadas em tópicos específicos. Ele irá alavancar tecnologias existentes, como padrões agrícolas (AgGateway, UN-FAO, CAFA, USDA e NASA-AR); dados públicos (Landsat, Sentinel, NOAA e Soilgrids; modelos (UC-ANR IPM) e projetos de código aberto como Hyperledger, Kubernetes, Open Horizon, Postgres, Django e muito mais.

“Temos o prazer de fornecer o ambiente para o AgStack existir e crescer”, disse Mike Dolan, gerente geral e vice-presidente sênior de projetos da Linux Foundation. “É claro que, ao usar software de código aberto para padronizar a infraestrutura digital para a agricultura, a AgStack pode reduzir custos, acelerar a integração e permitir a inovação. É incrível ver um setor como a agricultura usar princípios de código aberto para inovar.”

Precision AI

O anúncio da AgStack segue nesta semana com outras notícias importantes sobre financiamento no espaço agtech. Na terça-feira passada, a empresa canadense de robótica agrícola Precision AI anunciou que fechou com sucesso uma rodada de negociações de US$ 20 milhões, liderada pelo cofundador do GoogleX, Tom Chi’s At One Ventures, junto com o Fundo de Inovação Industrial da BDC Capital, Fulcrum Global Capital e Golden Opportunities Fund.

Os fundos serão usados ​​para apoiar o avanço da plataforma disruptiva de agricultura de precisão, a Precision AI, que gerencia enxames de drones para reduzir drasticamente o uso de herbicidas na agricultura de cultivo em linha.

De acordo com o Precision AI, a pulverização de herbicidas é uma das atividades agrícolas menos eficientes, com mais de 80% desperdiçada em solo descoberto. Embora os concorrentes tenham se concentrado em safras de alto valor e pequena área, a Precision AI diz que sua tecnologia pode ser aplicada a grandes lavouras a um custo muito mais baixo do que as grandes máquinas agrícolas tradicionais, reduzindo potencialmente o uso de pesticidas em até 95%, mantendo o rendimento da colheita e proporcionando economia de até US$ 52 por acre por safra.

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No ano passado escrevi uma monografia sobre Agricultura de Precisão. Pretendo disponibilizá-la em breve, com novas adições ao blog.