Facebook Não Planeja Notificar os Afetados por Vazamentos

Facebook Inc não notificou os mais de 530 milhões de usuários quando detalhes pessoais foram obtidos por crackers antes de 2019 através do uso indevido de um recurso. Esses dados foram recentemente tornados públicos, e novamente Facebook não tem planos para qualquer notificação, disse um porta-voz da empresa na quarta-feira, 7 de abril.

A revista Business Insider relatou na semana passada que números de telefone e outros detalhes dos perfis de usuários estavam disponíveis em um banco de dados público. Facebook disse em um post de blog na terça-feira que “atores maliciosos” obtiveram os dados antes de setembro de 2019 pelo método da “raspagem” (scraping) de perfis, usando uma vulnerabilidade na ferramenta nativa da plataforma para sincronização de contatos.

Essa justificativa é idêntica à dada em 2018, quando foi revelado que o Facebook havia liberado à Cambridge Analytica os dados de 87 milhões de usuários para uso em anúncios políticos, sem sua permissão. Facebook continua explicando que as pessoas que coletaram esses dados – desculpe, “rasparam” esses dados – o fizeram abusando um recurso projetado para ajudar novos usuários a encontrar amigos na plataforma.

Ver post relacionado no blog.

Será Que Fui Facebookado?

O que aconteceu?

Em abril de 2021, um enorme conjunto de dados pessoais que inclui detalhes de mais de 500 milhões de usuários foi publicado on-line. Os hackers provavelmente estiveram em posse dos dados por alguns meses, mas aparentemente só decidiram publicar suas descobertas agora. As maiores ameaças, caso seus dados estejam neste lote: phishing e assédio pessoal.

Quais dados foram vazados?

Junto com números de telefone, os seguintes dados foram vazados:

  • ID da conta do Facebook
  • Nome completo
  • Gênero
  • Status de relacionamento
  • Endereço residencial e localização de nascimento
  • Ambiente de trabalho

O Facebook ainda é seguro para usar?

No momento ainda não se sabe se o Facebook corrigiu a vulnerabilidade, uma vez que a empresa não divulgou nenhuma declaração sobre o vazamento.

Todas essas informações sobre sua conta podem ser checadas no site:

https://haveibeenfacebooked.com/

Escolha o código de país e entre com o número de seu telefone.

NOTA:
Recomendamos, como sempre, extrema cautela ao usar a referida rede social. Nós, por princípio, não recomendamos o uso de redes centralizadas como o Facebook e similares.

O site que linkamos é de autoria de Marco Aceti e Fumax (dados disponíveis no GitHub). Neste post, adaptamos o conteúdo para o português usando a licença MIT, que reproduzimos abaixo, conforme requerido.

MIT License

Copyright (c) 2021 Marco Aceti

Permission is hereby granted, free of charge, to any person obtaining a copy
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Funcionalidade de VPN usando Túnel SSH

Este não é um blog novidadeiro ou de breaking news. Também não é um site de dicas. Meu compromisso é ter um canto na Web para discussão, em formato longo, de assuntos que não são contemplados em outras mídias e sites de língua portuguesa, mas que são importantes no debate internacional no campo da Tecnologia da Informação (de acordo com o que eu vejo). Assim, sempre haverá lugar aqui para sugestão de algumas técnicas rápidas e diretas, principalmente quando ligadas à Segurança e Privacidade Se este texto parece uma dica, que assim seja.

Alguns recursos na Internet podem ser acessados apenas a partir de clientes [*clientes são programas que rodam em seu computador local] com endereços IP específicos. Por exemplo, suponha que você queira baixar um documento da sua universidade publicado em uma revista científica. Nesse caso, normalmente você precisa se conectar ao site da revista a partir de um computador com um endereço IP que pertença à sua universidade. Se você estiver trabalhando em casa, é possível se conectar à VPN da universidade, de forma a que seu endereço IP de casa seja disfarçado como endereço IP do campus.

Contudo, nem sempre é possível usar a VPN fornecida pela sua universidade. Por exemplo, algumas VPNs requerem um software cliente especial, que pode não suportar certos sistemas operacionais, como o Linux. Existiria então alguma solução alternativa simples para VPN? A resposta é sim, se você puder estabelecer uma conexão SSH para um servidor com o endereço IP de sua universidade – por exemplo, para a estação de trabalho em execução no seu departamento. Essa conexão é chamada Túnel SSH e é implementada através de protoclos como o Socks.

Socks Proxy

Para contornar/resolver o problema do acesso à revista científica , podemos executar o seguinte comando, que cria uma listagem do servidor Socks na porta 12345 do seu localhost.


A opção -D especifica um encaminhamento “dinâmico” de porta em nível de aplicativo local. Isso funciona alocando opcionalmente um soquete para ouvir a porta no lado local. Sempre que uma conexão for feita a esta porta, a conexão é encaminhada sobre o canal seguro e o protocolo do aplicativo é então usado para determinar onde se conectar a partir da máquina remota. Atualmente, os protocolos Socks4 e Socks5 são suportados; o SSH atuará como um servidor Socks.

Se você quiser pará-lo, basta pressionar [Control] – [C]

Firefox via Socks proxy

A próxima etapa é a configuração de proxy no seu navegador. Usarei o Firefox como exemplo. A configuração está em preferências> Configuração de rede> Configurações …

Configuração de um Socks proxy no Firefox

Depois de fazer isso, você pode logar, procurar os papers que precisa e começar a baixá-los.

Para testar essa funcionalidade VPN improvisada, pesquise “Qual é o meu IP” no duckduckgo.com (ou Google) usando o navegador com proxy. Você vai reparar que ele exibe agora o IP de ssh_remote_host_ip em vez do IP de sua máquina local.

Ransomware: Cada Vez Pior

Poucas coisas provocam um calafrio tão desconfortável quanto logar em um computador e visualizar uma mensagem dando conta de que todos os seus arquivos e dados estão bloqueados e indisponíveis para acessar. No entanto, como a sociedade depende cada vez mais da tecnologia digital, esse é um cenário cada vez mais comum. Ransomware, uma aplicação que criptografa os dados para que os cibercriminosos possam extrair um pagamento pelo seu retorno seguro, tornou-se cada vez mais comum – e caro. Um relatório de 2019 da empresa de segurança Emisoft projetou o custo anual de ransomware em mais de US $ 7,5 bilhões, apenas nos EUA.

Uma pop up de ransomware

“Indivíduos, empresas, hospitais, universidades e governo, todos já caíram vítimas de ataques”, diz Chris Hinkley, chefe da equipe de pesquisa da unidade de resistência a ameaças (TRU) da firma de segurança Armour. Em um cenário de pior caso, os resgates exigidos podem ser da ordem de dezenas de milhões de dólares, capazes de fechar inteiramente as operações de uma organização. Ransomware já forçou hospitais a redirecionar pacientes a outras instalações, interrompeu serviços de emergência e destruiu negócios.

O problema só vai piorar, apesar do desenvolvimento de novas e mais avançadas maneiras de combatê-lo, incluindo o uso de análise comportamental e inteligência artificial. “As Cybergangs usam diferentes algoritmos criptográficos e distribuem software notavelmente sofisticado e difícil de detectar”, diz Hinkley. “Hoje, quase não há barreiras para a entrada no negócio de ramsonware, e o dano infligido é enorme”.

Na íntegra em Comunication of the ACM (em inglês).

Tesla Motors Mostra um Caminho para a Privacidade Online

Em meio às intrusões de privacidade da vida digital moderna, poucas são tão onipresentes e alarmantes quanto as perpetradas pelos profissionais de marketing. A economia de toda uma indústria é construída com ferramentas obtidas nos cantos sombrios da Internet e nos espreita com olhos de aço enquanto nos envolvemos com informação, produtos, amigos e até amantes online, coletando dados em todos os lugares nos quais nossos celulares e navegadores ousarem estar.

Photo by Craig Adderley on Pexels.com

Esse modelo de marketing digital – desenvolvido há três décadas e premissado na ideia de que é ok para terceiros reunir nossos dados privados e usá-los de qualquer maneira que quiserem – vai crescer ao status de uma indústria de US $ 77 bilhões nos EUA este ano, de acordo com a Research Forrester.

Nuvens de tempestade estão se formando em torno do setor, no entanto, e há novas questões sendo levantadas sobre a viabilidade da coleta de dados sub-reptícios como modelo de negócios sustentável. Dois fatores são tipicamente citados: a) os reguladores na Europa já começaram, e b) aqueles nos EUA também estão prontos para começar a cercar as mais intrusivas dessas práticas de marketing. Adicionalmente, o crescimento da Internet móvel e a dependência em aplicativos em vez de navegadores (para 85% da nossa atividade on-line), tornaram mais difícil coletar dados do usuário.

E há, então, a Tesla Motors e seu modelo de marketing avesso à publicidade, que não usa dados de terceiros para aumentar a conscientização e o interesse por sua marca, impulsionar o desejo por seus produtos ou estimular ações por seus clientes. Em vez disso, a montadora elétrica depende do “cultural branding” para fazer o trabalho pesado de marketing que levou a marca ao topo do mercado de veículos elétricos. E embora a Tesla não seja a única marca se engajando na cultura digital da multidão e evitando a coleta de dados de terceiros, seu sucesso está causando a maior consternação dentro das fileiras dos marqueteiros de intrusão.

Os formuladores de políticas na Europa e nos EUA, procurando responder à preocupação do setor de que a regulamentação da privacidade sufocaria o marketing digital, deveriam observar o recente sucesso da Tesla no marketing de seu modelo 3. O veículo, que pretende ser um primo do luxuoso Tesla S para as massas , atraiu 500.000 clientes nas semanas após sua apresentação em 2016. Cada um daqueles clientes fez um depósito de US $ 1.000 para garantir um lugar na fila para adquirir um carro em algum momento nos próximos 24 meses.

Para atingir este triunfo de marketing, a Tesla não comprou anúncios digitais de mercados on-line que usam dados de terceiros para identificar clientes em potencial. Ela não se intrometeu, de nenhuma forma aparente, na privacidade de seus potenciais clientes, coletando sub-repticiamente informações sobre suas atividades on-line. O que ela fez foi demonstrar persuasivamente que as marcas podem alcançar um grande sucesso sem usar métodos abusivos ao cliente na coleta de dados.

Modelos de marketing baseados em dados de terceiros, utilizam informações detalhadas sobre clientes em potencial para direcionar a sua futura publicidade online. Esse conceito de mercado foi aprimorado pelo Google em 2008, quando comprou a DoubleClick e combinou a tecnologia de anúncios da empresa com seu próprio conhecimento do comportamento online do consumidor. Outros grandes “players”, como o OpenX, o Microsoft AD Exchange e o Netketplace AppNEXUS, também usam informações profundas e temporâneas sobre as atividades online dos usuários para vender anúncios digitais para marcas. O Facebook também adaptou esse modelo dentro de seu ambiente cativo. Neste momento, o Google e o Facebook controlam 64% dos dólares publicitários digitais gastos nos EUA.

Em contraste, o modelo de cultura digital das multidões não requer resposta a anúncios on-line em forma de click. Ele absorve energia não do acúmulo de dados digitais privados, mas sim da autenticidade das informações recebidas de membros confiáveis ​​da multidão digital, em forma de cultura (como este blog).

Uma marca que atinge sucesso dessa maneira tem o potencial para criar um fenômeno cultural poderoso e democrático e tem também o direito adicional de se gabar por ser um cidadão corporativo responsável que não viola a privacidade do cliente.