Dois Cenários de Singularidade: Acelerados no Digital ou um Retorno Naturalista?

À medida que a era digital avança, o papel das redes sociais na formação da nossa realidade coletiva se torna cada vez mais evidente.

Esqueleto usando óculos de realidade aumentada.
Imagem: pexels.com

Os efeitos da conectividade constante começam a aparecer, e parece que estamos diante de um ponto de inflexão. Dois futuros divergentes parecem cada vez mais prováveis: um futuro dominado por realidades virtuais e inteligência artificial hiperaceleradas ou, por outro lado, uma retirada tecnológica em massa em direção a uma contra-cultura naturalista. Ambos os cenários refletem as forças tecnológicas e culturais que estão rapidamente remodelando o mundo, e vale a pena refletir sobre as implicações de cada um.

O Cenário Aceleracionista Landiano-Stephensiano: Tornando-se Viciados em VR Afinados por AGI

O primeiro cenário é uma extensão da visão aceleracionista defendida por figuras como Nick Land e Raymond Stephens. Ele imagina um futuro onde a tecnologia avança sem restrições, acelerando a humanidade para uma nova forma de existência. Nesse cenário, a maioria da população urbana se tornaria profundamente imersa em realidades aumentadas e virtuais, interagindo principalmente por meio de espaços digitais imersivos.

As redes sociais, em sua forma atual, já criam um senso de desconexão, mas seu potencial futuro pode amplificar essa fragmentação. As dinâmicas sociais que vemos hoje — onde os usuários estão cada vez mais isolados em câmaras de eco, onde identidades virtuais são tão importantes (ou mais) que as físicas — provavelmente se intensificarão. À medida que a tecnologia evolui, a realidade aumentada (AR) e a realidade virtual (VR) estão prestes a se tornar mais imersivas, talvez até permitindo que os usuários se ajustem completamente a versões personalizadas de inteligência artificial (AGI) dentro de espaços virtuais.

Neste mundo, o físico se torna secundário. Viciados em VR não estão mais fugindo de suas realidades, mas vivendo em existências paralelas e digitalmente aprimoradas. As massas urbanas, já conectadas aos dispositivos digitais, provavelmente experimentarão uma fusão ainda mais pronunciada do virtual e físico. A sobrecarga sensorial do estímulo constante, juntamente com os avanços da IA, pode resultar em uma sociedade onde a realidade não é mais uma experiência compartilhada, mas uma paisagem personalizada e regulada por algoritmos.

Neste futuro potencial, os seres humanos podem parar de buscar engajamento significativo com o mundo físico. Em vez disso, eles escolheriam existir em espaços onde as experiências são moldadas de acordo com suas necessidades e desejos, um espaço governado não pelas limitações da biologia, mas pelas infinitas possibilidades oferecidas pela IA. Nesse mundo, a singularidade não se refere apenas ao surgimento da inteligência das máquinas, mas ao desaparecimento completo da conexão humana física em favor de uma existência inteiramente digital e aumentada.

A Contra-Cultura Naturalista: Retrocedendo o Relógio

Mulher jovem correndo por um campo de flores.
Imagem: pexels.com

Em um contraste marcante, há uma possibilidade crescente de que as pessoas comecem a rejeitar a tecnologia que se enraizou tão profundamente em suas vidas. A saturação dos espaços digitais, a pressão esmagadora de se “performar” online e a desconexão causada pelas redes sociais poderiam catalisar um movimento de contra-cultura naturalista. Essa visão alternativa não se trata apenas da rejeição das tecnologias modernas, mas do retorno a uma existência mais simples e conectada à natureza.

À medida que o controle das redes sociais sobre nossos estados mentais se intensifica, pode surgir uma reação significativa. Afinal, a busca por significado em um mundo dominado pela tecnologia pode ser uma empreitada exaustiva e alienante. Se o futuro aceleracionista é aquele onde mergulhamos mais profundamente em nossos avatares digitais, o movimento contra-cultural nos levaria a dar um passo atrás para um passado analógico — talvez não literalmente, mas em termos de valores e estilo de vida.

Imagine um mundo onde as massas, particularmente no Ocidente urbanizado, se afastam de estilos de vida movidos pela tecnologia. Esse movimento poderia ver as pessoas renunciando ao digital em favor do tátil: jardinagem, trabalhos manuais, movimentos de alimentação lenta, pequenas comunidades e até mesmo desurbanização. A ideia de experienciar a vida diretamente — sem mediação através de telas ou algoritmos — teria um apelo profundo para aqueles que buscam autenticidade e uma conexão genuína com o mundo ao seu redor.

A reação contra a hiperdigitalização provavelmente resultaria em uma renascença cultural, uma tentativa de reconectar-se com a terra e os ritmos naturais da vida que a tecnologia moderna tem obscurecido. Seria uma visão de pessoas escolhendo experiências emocionais e sensoriais em vez do mundo constantemente curado, filtrado e, muitas vezes, desconectado das redes sociais.

Essa contra-cultura naturalista poderia resultar em um retrocesso tecnológico em grande escala — não apenas evitando redes sociais, mas também limitando ou reduzindo outras tecnologias, como automação ou inteligência artificial, em favor de alternativas mais simples e lentas. Essencialmente, as pessoas poderiam escolher retomar uma maneira de viver mais simples, não por coerção, mas como reação a uma existência saturada e hipermediada.

Qual Futuro Escolheremos?

Ambos os futuros representam respostas à trajetória atual da tecnologia e seus efeitos em nossas vidas. O caminho aceleracionista promete o crescimento e a dominação da IA e de ambientes virtuais, nos levando mais fundo em existências imersivas. A contra-cultura naturalista, por outro lado, busca resistir a isso ao retornar a experiências humanas analógicas, uma espécie de rejeição em massa da hiper-tecnologia em favor de estilos de vida mais simples e sustentáveis.

Nas próximas décadas, é possível que vejamos os dois futuros emergirem, seja como movimentos concorrentes, seja como adaptações diferentes em regiões distintas do mundo. Se abraçarmos a singularidade por meio de uma existência mais integrada à tecnologia ou voltarmos para uma rejeição naturalista da cultura digital, isso dependerá de como indivíduos e sociedades reagirão à crescente influência das redes sociais e do mundo digital.

No final das contas, ambos os futuros levantam questões sobre a natureza da humanidade, o equilíbrio entre progresso e tradição, e nossa luta para encontrar significado em um mundo moldado por mudanças tecnológicas sem precedentes.


Em inglês no meu outro blog >> Digesto

Vida Plena Saiu do Grupo

Sabe aquele momento em que você está no grupo do WhatsApp e, de repente, você começa a sentir que ninguém te responde?

Imagem: pexels.com

O medo de ser deixado de fora bate, e parece que o mundo inteiro está girando em torno de uma conversa da qual você não faz parte.

Os outros trocando mensagens freneticamente nos inevitáveis sub-grupos que se formam dentro dos grupos, mas nada para você. E de repente, em algum ponto entre o “ei, cara, isso não é nada” e o “eu preciso entender que merda está acontecendo agora!”, surge a sensação de que a sua vida social está desabando. Lúgubre, como se o próprio céu estivesse desabando sobre sua cabeça. Aquele clique de querer entender o que aconteceu, por que não foi incluído, por que não se sentiu chamado a fazer parte, por que, por que…

E se, por alguma razão, a pessoa certa não responder ou não mandar a resposta certa no momento certo, sua brave face começa a derreter. Você se sente como Lúcifer expulso do céu, um ser sem espaço, sem lugar. A mente começa a formular hipóteses e soluções, tentando desesperadamente se encaixar, mesmo que isso signifique perder a compostura.

A verdade? No fundo, parece que conseguimos inventar uma maneira completamente nova de ser infeliz. Ou, quem sabe, de nos conectar a uma maneira muito antiga de ser infeliz: o ciclo doloroso de querer pertencer, mas, ao mesmo tempo, temer ser deixado de fora.

Amizades, ou falta de

A dor de ser excluído é uma das mais humanas que existem, mas também é uma das mais difíceis de se lidar. Como gerenciar o que sentimos quando, por alguma razão, não estamos sendo incluídos naquele grupo de amigos, naquela conversa ou naquele evento? A pergunta que fica é: como podemos evitar que a solidão se transforme em um monstro assustador?

A resposta não é simples, e pode até ser um pouco amarga. Pode ser que você só precise chegar a termos com esse sentimento de criança triste e deixá-lo passar. Nem sempre temos controle sobre os outros, mas podemos aprender a aceitar as nossas próprias reações. Porque, no fim das contas, tudo passa, mesmo que demore.

Soluções?

Pensando nisso, há uma solução simples que talvez ajude: reimaginar as nossas amizades. Já pensou em ver os seus amigos como indivíduos em vez de uma massa ou grupo único? Porque, afinal, os grupos, por mais que sejam fontes de alegria, também têm suas falhas — como deixar alguém para trás. A verdade é que os grupos, por mais que tentem, estão sempre deixando alguém de fora, seja por um segundo ou por um motivo mais profundo. Eles não conseguem evitar. E, na verdade, é isso que torna os grupos, bem, grupos.

Agora, antes que nos percamos nesse turbilhão de pensamentos e sentimentos, talvez seja o momento de dar um passo atrás. E refletir: o que realmente importa na amizade? São os momentos compartilhados, a experiência vivida, os olhares trocados, ou é o sentimento de pertencimento? As respostas estão dentro de nós. E, por mais que a dor da exclusão seja real, ela também é passageira. O segredo está em encontrar a paz no meio disso tudo.

E, se tudo mais falhar, talvez a solução seja simples: ter um celular flip. Um aparelho que não avisa, não notifica e não nos conecta de forma frenética à expectativa do grupo. Afinal, a tranquilidade de não ser escravo da hiperconexão pode ser o primeiro passo para sermos mais felizes e menos dependentes dessa complexa rede social que muitas vezes nos impede de ser quem realmente somos.

Escrevendo este texto para mim mesmo.


Parece que este é o último post do ano. Desejo a todas (as mulheres são maioria) e todos que me honraram — e me alegraram — com sua atenção um Feliz Natal e/ou festas, e um 2025 de paz, realizações e sucesso. Até Janeiro!

Triforma, meu novo emprego

É com satisfação (e alívio) que anuncio o lançamento do triforma.com.br.

Captura de tela da página principal do site triforma.com.br
Imagem: Triforma – CC

Esse site é o resultado de um trabalho iniciado há oito anos, quando começei a desenvolver meu projeto de AI, e que se consolida em uma mistura de serviços, aparentemente desconexos, mas que faz todo sentido depois da análise superficial.

Inovar sempre

Com o triforma.com.br, apresentamos uma plataforma que queremos inovadora, que reúna conteúdos relevantes e soluções surpreendentes para problemas outrora intratáveis. O site foi desenvolvido com o framework Hugo e tem um blog com quatro categorias, que vai receber toda a minha atenção.

Nosso projeto de visão computacional na web: a análise de imagens com IA

Uma coisa bastante nova, e que eu pessoalmente nunca vi pela web em português, vai ser nosso projeto de visão computacional, para trazer análise avançada de imagens com o uso de IA diretamente para o seu navegador da web. Com apenas alguns cliques, os usuários podem subir imagens e executar uma ampla gama de tarefas de visão computacional.

Nossa plataforma usa os modelos YOLO (You Only Look Once), que são conhecidos no ramo por seus recursos de detecção de objetos em tempo real. Um dos recursos de destaque do nosso serviço é o COWNT – um aplicativo exclusivo projetado especificamente para rastrear e analisar gado zebu usando nosso conjunto de dados exclusivo.

Gado zebu alongado, detectado com modelo e datasets desenvolvidos com know-how próprio. O gado zebu é notoriamente dificil de ser corretamente identificado com o uso de datasets onde o gado zebu é sub representado, como o COCo. Toque/clique para ler artigo explicativo.

Além de contar animais, o utilitário no site será capaz de várias funções avançadas, incluindo:

  • Detecção de características: detecte pontos-chave e objetos em imagens.
  • Contagem e rastreamento de pessoas: rastreie os indivíduos e conte-os com precisão.
  • Estimativa de velocidade: estime a velocidade de objetos em movimento em tempo real.
  • Rastreamento de objetos personalizados: rastreie objetos específicos, como veículos, animais ou até mesmo pessoas em ambientes dinâmicos.

Nossa interface vai fácil de usar e vai permitir interação perfeita com esses modelos, ajudando o usuário a resolver problemas complexos de análise de imagem sem precisar de nenhuma experiência técnica anterior.

Seja você uma pesquisadora, um agricultor, comerciante ou simplesmente interessado no poder da IA, nossa plataforma torna a visão computacional acessível e utilizável para todos, e acredito que será muito divertida.


Agradecemos a todos os parceiros, colaboradores e profissionais que contribuíram de alguma forma para a concretização deste projeto. Estamos confiantes no sucesso.

O Efeito Trump: O ‘Surto’ do Bitcoin e a Nova Era das Criptomoedas

Com a eleição americana já decidida, o Bitcoin volta a ocupar o centro das atenções, impulsionado por uma onda de entusiasmo que fez seu valor se aproximar dos US$ 100.000 por unidade.

Boné vermelho com os dizeres 'make bitcoin great again'
Imagem modificada por AI

Até mesmo os críticos mais ferrenhos das criptomoedas — como eu, que há tempos alerto sobre seus riscos — precisam reconhecer que o cenário mudou drasticamente. Sob a presidência de Donald Trump, antes cético e agora um defensor das moedas digitais, o ambiente está preparado para uma nova rodada de alta nas criptomoedas.

Os fatores que impulsionam esse movimento são, em grande parte, políticos e baseados em um crescente hype, em vez de uma mudança fundamental no valor das criptomoedas. Afinal, a realidade permanece: essas moedas digitais têm pouco valor intrínseco. O Bitcoin e suas contrapartes digitais não oferecem um produto ou serviço tangível. Mesmo assim, estão se tornando rapidamente uma referência no sistema financeiro global, principalmente devido a um afrouxamento na regulação e ao apoio de um número crescente de influenciadores nas mídias sociais.

Essa transformação deve-se em grande parte à abordagem de Trump em relação à regulação. Espera-se que seu governo reduza consideravelmente a supervisão sobre as criptomoedas, criando um ambiente mais favorável ao crescimento desse mercado. A perspectiva de um cenário regulatório mais flexível deve incentivar os apoiadores da indústria, permitindo um novo ciclo especulativo que remonta ao espírito do Velho Oeste nos mercados financeiros.

Apesar de anos de promessas e hype, as criptomoedas ainda carecem de usos práticos no cotidiano. Defensores das moedas digitais podem argumentar que elas servem como proteção contra a inflação, reserva de valor ou uma alternativa melhor para remessas internacionais, mas nenhuma dessas afirmações foi realmente comprovada. Como um observador comentou de forma direta: “Ninguém encontrou um uso real para o Bitcoin além de possuir Bitcoin.”

No entanto, há áreas em que as criptomoedas, especialmente o Bitcoin, têm um valor claro: transações financeiras ilícitas. Seja para atividades criminosas, terrorismo ou lavagem de dinheiro, o Bitcoin tem se mostrado uma ferramenta eficaz. Um exemplo notório disso é o uso crescente de criptomoedas por investidores chineses, que buscam contornar as restrições do governo para a movimentação de capitais para o exterior. Embora as implicações legais e éticas sejam complexas, é inegável que as criptomoedas se firmaram como uma ferramenta nesse tipo de transação.

Nos Estados Unidos, a negociação de criptomoedas tem sido dificultada por entraves regulatórios, especialmente sob a liderança de Gary Gensler na Securities and Exchange Commission (SEC). Gensler se opôs veementemente ao setor, tratando muitas das ofertas de criptomoedas como valores mobiliários não registrados. Com a volta de Trump, esse cenário pode mudar. Sob uma nova gestão da SEC, as criptomoedas poderiam ser tratadas mais como commodities — como o ouro ou a soja — do que como ações ou títulos. Os reguladores de commodities tendem a se concentrar mais em fraudes do que na proteção ao investidor, o que daria aos emissores de criptomoedas uma liberdade maior.

Mudança nas diretrizes

A mudança de postura de Trump em relação às criptomoedas parece ser movida por uma razão clara: dinheiro. Somente este ano, os entusiastas das criptomoedas investiram mais de US$ 135 milhões em apoio a candidatos que defendem políticas favoráveis a esses ativos digitais. Trump também entrou no jogo, lançando o World Liberty Financial, uma nova iniciativa voltada para o mercado de criptomoedas, embora ainda não tenha alcançado seus objetivos de arrecadação. Além disso, Trump se cercou de figuras de destaque do setor, como Howard Lutnick, presidente da Cantor Fitzgerald, que agora deve comandar o Departamento de Comércio.

Entre as propostas mais curiosas que Trump e seus aliados defenderam está a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin — uma ideia absurda que sugere que os Estados Unidos deveriam acumular um ativo de valor questionável. No entanto, é interessante notar que o governo dos EUA já possui uma quantidade significativa de Bitcoin, principalmente apreendido em casos criminais.

Essa confluência de influência política e apoio financeiro resultou no que podemos chamar de um “impacto Trump” nas criptomoedas. O Bitcoin subiu de cerca de US$ 40.000 no início do ano para quase US$ 94.000 atualmente. As ações da Coinbase, maior bolsa de criptomoedas, também tiveram um aumento de quase 44%. Caso a administração de Trump consiga reduzir a supervisão regulatória, a demanda por criptomoedas deve crescer ainda mais.

Porém, não nos deixemos enganar: essa alta não significa que as criptomoedas se tornaram mais seguras. Na realidade, com a redução das barreiras regulatórias, esses ativos digitais provavelmente se tornarão ainda mais voláteis. Os mercados de criptomoedas são conhecidos por suas flutuações de preço, que são impulsionadas mais pela especulação e pela emoção do que por fundamentos sólidos. Essa volatilidade é um reflexo de uma tendência maior no mundo dos investimentos modernos, onde a psicologia do mercado muitas vezes dita os preços dos ativos.

Warren Buffett, em sua carta anual, lamentou recentemente que o mercado de investimentos tenha se tornado cada vez mais “semelhante a um cassino”. E as criptomoedas são talvez o exemplo mais claro dessa realidade. Com menos proteção regulatória, esse “cassino” atrairá ainda mais especuladores, e, no segundo mandato de Trump, a indústria de criptomoedas será uma das principais promotoras desse frenesi.

A nova era das criptomoedas — movida por ambição política e especulação desenfreada — chegou. Se ela se consolidará como um mercado sustentável ou se tornará um grande alerta, o tempo dirá. O certo é que, sob Trump, o Bitcoin se prepara para um futuro tudo, menos previsível.

Aqui não tem AI…nda

Ando em um frenesi de postagens, o que pode levantar suspeitas quanto ao meu uso de AI. O que quero me apressar em negar e esclarecer.

Imagem do teclado e tela iluminada de  um laptop à noite.
Imagem: pexels.com

Começo esclarecendo que esta nota deve ser entendida em tom de blague e que não tenho nenhum tipo de preconceito contra seu uso. De fato eu uso AI pessoalmente em meu trabalho de desenvolvimento de sistemas e não poderia estar mais satisfeito. Ela diminuiu para duas semanas o que eu levaria quatro meses para fazer; me livrou, talvez para sempre, de ter que fazer o ‘boilerplate’, que geralmente é a dor hemorroidal de todo desenvolvedor. Me ajuda no design e produção de grafismos diversos.

Diminuiu também, em muito, minha necessidade contratar três ou quatro pessoas com diploma universitário.

Mas ainda não a emprego em tarefas criativas de base. Para este blog, do qual andei desalentado por meses, embora nunca tenha deixado de postar pelo menos um artigo por mês, exceto em dezembro passado – eu tenho muito material. Se você procurar nos arquivos verá que, no início, quando entrei com tudo, eu postava todo dia. Hoje, quando quero variar meu tempero eu sempre busco traduzir algum material interessante, de uma língua que eu conheça, e é óbvio que eu uso translation para adiantar o trabalho. Mas o resultado final, passado a limpo, continua sendo pessoal e único, e minha alma está ali sempre.

Sei que meus assuntos são chatos, mas vivemos da e para a tecnologia, e alguém tem que falar sobre eles no Brasil, do jeito que eu falo; um jeito que respeita a inteligência de quem lê; um jeito não contaminado pelo estilo industrial fake-firula-mamãe-quero-bolo do complexo das redes sociais e da velha mídia, cada vez mais surreal e fora de contexto.

Eu também já disse que, no início, o que motivou a manter um blog foi a possibilidade de ter este tipo de informação que eu trago, que mistura aspectos técnicos com questões de princípios.

O que me traz ao assunto paralelo de que, cansado de apanhar, estou pensando em reorientar o estilo e escrever um material um pouco mais curto e mais frequente. Pretendo explorar também a possibilidade de tornar a escrita mais intimista, no estilo “fluxo de consciência”. Isso não é uma certeza. Vamos ver…

Para ser bem franco este blog tem sido um fracasso e o que faço é em respeito aos poucos que ocasionalmente me dão sua atenção. Com este blog me sinto falando para o vazio, como o personagem (o correto é dizer “a” personagem) de Will Smith em “Eu Sou a Lenda”. Ao me aventurar no bloguismo, depois de uma vida curtindo — de fora — a blogosfera anglófona, não pensei que a Internet pt_BR estivesse tão rarefeita de inteligência.

Em outra nota, estou lançando o site de minha seara empreendedora [o post específico será depois, mas por favor, sejam minhas convidadas e convidados >> triforma.com.br] nesta semana e planejo fazer um blog lá também. Tenho certeza de que será um sucesso – diferente de wordpress.com, lá eu tenho controle do meu servidor e do domínio canônico [onde wordpress.com nos trai a todos, o que pode ser tema de futuro post]. Terei muito material para comentar e compartilhar aqui com o vazio.

Vox Leone in the blind

End of transmission