Bitcoin: nem Moeda, nem Investimento

Nesta postagem, espero argumentar com os leitores sobre como o bitcoin não pode fazer o que o dinheiro normal faz e que, como um investimento, é mais parecido com um esquema de pirâmide, não sendo, portanto, a salvação do mundo. Tentarei explicar o que os bitcoins são – ou não são, na esperança de que os leitores possam tomar uma decisão informada se quiserem participar dessa nova corrida do ouro.

Imagem: iStock

Moeda digital ingênua

Vamos começar com um experimento mental. Quero fundar uma nova moeda, mas não quero ter o incômodo de realmente cunhar moedas ou imprimir notas. Então, o que eu faço é pegar pedaços de papel comum e escrever números neles, digamos de 0 a 30 milhões, e digo ao mundo que esses números são dinheiro. Vou chamá-lo de Bitcoin.

Se as pessoas acreditarem em mim, o esquema funcionará e você poderá fazer pagamentos com esses pedaços de papel. Curiosamente, nem precisamos dos pedaços de papel: é o próprio número que é o dinheiro. Isso também torna muito fácil fazer pagamentos online – sem necessidade de enviar papel e sem nenhum banco envolvido. Em vez de manter grandes pilhas de papel para provar que temos dinheiro, apenas armazenamos os números em um arquivo em algum lugar [se você excluir o arquivo, perderá seu dinheiro].

Muito bem. O problema agora é que nada impede que as pessoas gastem esse dinheiro duas ou mais vezes. Então, pego meu bitcoin número 40001 e uso-o para comprar pão e, ao mesmo tempo, encomendar algumas roupas online com ele.

Claramente, usar números como dinheiro pode funcionar em teoria, mas logo a moeda entra em colapso, pois todo mundo tem uma cópia de cada número. As pessoas podem simplesmente continuar a gastar seus números repetidamente, e logo ninguém os quer mais.

Mantendo o controle para evitar crédito em dobro

No bitcoin, todas as transações são registradas. Portanto, se você gastar um bitcoin [o 40001, já apresentado], essa transação será transmitida e armazenada na rede. Se eu tentar gastar o mesmo bitcoin novamente, descobrirei que a rede se recusa a registrar essa nova transação – porque agora já existe uma cadeia de transação mais longa registrada, atualizada para incluir o novo proprietário do crédito 40001. Assim, evita-se o reuso da transação.

No entanto, isso significa duas coisas:

  • Cada transação é registrada. Portanto, se você receber seu salário em bitcoins e gastá-lo no fornecedor local de drogas, essa transação será registrada para sempre. Isso pode voltar para assombrá-lo em um estágio posterior da vida [agora seu empregador sabe onde você gasta seu dinheiro]
  • Gravar e verificar a transação leva tempo. Como a rede de bitcoin [chamada Blockchain] é totalmente distribuída e não tem um ponto central confiável, as transações só são consideradas efetivamente registradas se partes suficientes da rede as tiverem verificado. Isso leva cerca de 10 minutos e, para certeza absoluta, recomenda-se uma espera de uma hora. Portanto, esqueça as compras rápidas usando bitcoins

Adicionando privacidade

Essa estória de registrar a transação não agrada a ninguém e, na verdade, constitui uma falha de privacidade evidente. Uma “solução” foi encontrada, no entanto. Quando alguém deseja enviar dinheiro para outra pessoa, cria-se uma nova identidade para essa transação.

Ao trocar essas identidades personalizadas, cada transação individual ganha um ar de anonimato. Contudo, se você quiser de fato gastar suas moedas, você vai ter que vinculá-las à sua identidade na transação de saída de qualquer maneira, anulando assim o anonimato inicial.

A oferta de dinheiro

De onde vêm os bitcoins? Em uma moeda normal, um banco central cria dinheiro, geralmente em linha com o crescimento (esperado ou pretendido) da economia. Como o bitcoin não tem banco central, foram encontrados meios para permitir que as pessoas “minerem” novas moedas a uma frequência predeterminada – e constante.

Há um suprimento constante de novos bitcoins, definido em 150 bitcoins/hora até 2017, ponto no qual isso diminuiu para 75 bitcoins/hora. No fim de tudo, haverá os 30 milhões planejados inicialmente, e nada mais além disso.

Isso torna impossível olhar para bitcoins como “dinheiro”. Economias inteiras foram destruídas pela calibragem errada da taxa de criação de dinheiro (muito baixa em 1710 na França, causando deflação, muito alta com quase todas as outras moedas, resultando em inflação). Embora possamos nos exasperar ao ver que os bancos centrais ainda não conseguiram eliminar os desequilíbrios das moedas tradicionais, os bitcoins têm apenas um ritmo único de criação de dinheiro, e esse ritmo não tem flexibilidade para se ajustar às oscilações da economia.

Resumindo, a economia pode crescer, mas o número de bitcoins em circulação pode não corresponder a esse crescimento. Na medida em que o interesse em bitcoins cresce mais rápido do que a sua taxa de criação – como é o caso atualmente – o bitcoin começa a mostrar um pesado comportamento deflacionário. Cada bitcoin individual passa a valer cada vez mais ‘dinheiro normal’. Isso desestimula o gasto das criptomoedas.

Sob condições deflacionárias, em termos nominais, as coisas vão ficando sempre cada vez mais baratas. Por que comprar um carro agora, quando você tem certeza de que será mais barato na próxima semana? Essas condições já destruíram economias inteiras.

Os problemas em resumo:

  • As transações de Bitcoin são (muito) mais lentas do que as transações normais de dinheiro (10 minutos a 1 hora)
  • Cada transação de bitcoin deixa um rastro publicamente visível que só pode ser obscurecido, mas nunca apagado
  • Como a taxa de criação de bitcoins é fixa, o valor monetário regular dos bitcoins irá flutuar muito, tornando-os inadequados para funcionar como moeda normal

Muitos adeptos do bitcoin concordarão com os pontos acima e oferecerão duas respostas:

  • Bitcoin não é uma moeda normal, mas um investimento
  • A maioria dos problemas pode ser resolvida calculando o valor do bitcoin de uma transação em relação às taxas de conversão para dinheiro normal – uma espécie de ‘câmbio’.

Esse raciocínio não se sustenta. Se olharmos para os bitcoins como um investimento, isso só funcionará se pudermos convencer as pessoas a participar e, assim, aumentar o ecossistema dos bitcoins. Mas por que as pessoas participariam? Ora, porque o valor da moeda continua aumentando! Isso é normalmente conhecido como ‘esquema de pirâmide’, onde as pessoas que entram primeiro levam o dinheiro daqueles que entram no jogo depois. Estes, por sua vez, só ganham dinheiro se atraírem ainda mais pessoas a participar.

Se olharmos para os bitcoins como moeda, mas admitirmos que ainda precisamos do dinheiro tradicional como referência de valor, então qual é a vantagem do bitcoin? Qualquer uma das supostas vantagens dos bitcoins desaparece se ele precisar da moeda normal como um adjunto para ser útil.

Finalmente

Portanto, antes de entrar no movimento dos bitcoins, perceba, pelo descrito acima, que, como moeda, os bitcoins são cheios de falhas. Como investimento, você já está atrasado para o jogo e está apenas financiando as pessoas que entraram antes. E antes mesmo que você perceba, você se verá entusiasmado falando sobre bitcoins em festas de aniversário, porque agora você faz parte da pirâmide!

Este texto tem um sabor de frustração, porque vejo pessoas que eu considerava mais espertas do que eu dedicando enormes quantidades de energia a projetos relacionados ao bitcoin e não contribuindo de fato para o seu próprio bem-estar ou para o bem-estar da sociedade.

Um segundo título deste discurso retórico poderia ser: Bitcoin – cale a boca e faça as contas.

Finanças Descentralizadas: Oportunidades e Riscos

Por Kevin Werbach, University of Pennsylvania em The Conversation

Defensores fervorosos das criptomoedas [e das blockchains sobre as quais elas funcionam] fizeram um mundo de promessas nos últimos anos. Para eles, essas tecnologias representam a oportunidade de libertação do poder corporativo na Internet, das intrusões do governo na liberdade, da pobreza e de praticamente tudo o mais que aflige a sociedade.

Bitcoin finalmente poderá servir para algo mais que especulação e botões de paletó – AP Photo/Frank Jordans

Mas, até agora, o único resultado tangível dessas altas aspirações foram os diversos episódios de especulação financeira com criptomoedas populares como bitcoin e dogecoin, que disparam e despencam sem controle, com uma regularidade alarmante.

Então, para que servem as criptomoedas e a blockchain?

Como especialista em tecnologias emergentes, acredito que finanças descentralizadas, conhecidas como DeFi [Decentralized Finance], são a primeira resposta sólida a essa pergunta. DeFi se refere a serviços financeiros que operam inteiramente em redes de blockchain, ao invés de intermediários como bancos.

Mas a DeFi também traz uma série de riscos que os desenvolvedores e reguladores precisarão abordar antes que ela se torne popular.

O que é DeFi?

Tradicionalmente, se você deseja emprestar R$ 10.000, primeiro precisa de alguns ativos ou dinheiro que já tem [de preferência no banco] como garantia.

Um funcionário do banco revisa suas finanças e define uma taxa de juros para o reembolso do empréstimo. O banco dá a você o dinheiro de seu pool de depósitos, cobra seu pagamento de juros e pode apreender sua garantia se você não pagar.

Tudo depende do banco: ele fica no meio do processo e controla seu dinheiro.

O mesmo se aplica à negociação de ações, gestão de ativos, seguros e basicamente todas as formas de serviços financeiros hoje. Mesmo quando um aplicativo de tecnologia financeira como Chime, Affirm ou Robinhood automatiza o processo, os bancos ainda desempenham a mesma função de intermediário. Isso aumenta o custo do crédito e limita a flexibilidade do tomador.

DeFi vira esse arranjo de cabeça para baixo ao reconceber os serviços financeiros como aplicativos de software descentralizados, que operam sem nunca assumir a custódia dos fundos do usuário.

Quer um empréstimo? Você pode obter um instantaneamente, simplesmente colocando a criptomoeda como garantia. Isso cria um “contrato inteligente” no qual o dinheiro vem de outras pessoas que o disponibilizaram em um pool de fundos na blockchain. Nenhum representante do banco é necessário.

Tudo é executado nas chamadas stablecoins, que são tokens semelhantes a moedas – normalmente indexados ao dólar americano para evitar a volatilidade do bitcoin e de outras criptomoedas. E as transações são liquidadas automaticamente em uma blockchain – essencialmente um livro-razão digital de transações que é distribuído por uma rede de computadores – em vez de por meio de um banco ou outro intermediário que ganha uma comissão.

Bitcoin pode ser usado como garantia em empréstimos usando DeFi – AP Photo/Charles Krupa

As Oportunidades

As transações feitas dessa forma podem ser mais eficientes, flexíveis, seguras e automatizadas do que nas finanças tradicionais.

Além disso, o DeFi elimina a distinção entre clientes comuns e indivíduos ricos ou instituições – que normalmente têm acesso a muito mais produtos financeiros. Qualquer um pode ingressar em um pool de empréstimos DeFi e emprestar dinheiro a outras pessoas. O risco é maior do que com um fundo de títulos ou CDBs, mas também são grandes os potenciais retornos.

E isso é apenas o começo. Como os serviços DeFi são executados em software de código aberto, eles podem ser combinados e modificados de maneiras quase infinitas. Por exemplo, eles podem alternar automaticamente seus fundos entre diferentes pools de garantias com base nos quais oferecem naquele momento os melhores retornos para o seu perfil de investimento. Como resultado, a rápida inovação observada no comércio eletrônico e nas mídias sociais pode se tornar a norma nos – tradicionalmente conservadores – serviços financeiros.

Esses benefícios ajudam a explicar por que o crescimento de DeFi tem sido meteórico. No recente pico do mercado em maio de 2021, mais de US$ 80 bilhões em criptomoedas estavam represados em contratos DeFi, comparados a menos de US$ 1 bilhão no ano anterior. O valor total do mercado era de US$ 69 bilhões em 3 de agosto de 2021.

Isso é apenas uma gota no balde de US$ 20 trilhões do setor financeiro global, o que sugere que há muito espaço para crescimento.

No momento, os usuários são, em sua maioria, negociantes de criptomoeda experientes – ainda não há espaço para os investidores novatos que migraram para plataformas como o Robinhood. Mesmo entre os detentores de criptomoedas, apenas cerca de 1% já experimentou o DeFi.

A Secretária do Tesouro americano e outros formuladores de políticas estão considerando maneiras de regulamentar as finanças descentralizadas – AP Photo/Charles Krupa

Os Riscos

Embora eu acredite que o potencial do DeFi seja empolgante, também existem sérios motivos de preocupação.

As blockchains não podem eliminar os riscos inerentes ao investimento, que são o corolário necessário do potencial de retorno. Nesse caso, o DeFi pode ampliar a já alta volatilidade das criptomoedas. Muitos serviços DeFi facilitam a alavancagem, na qual os investidores essencialmente tomam dinheiro emprestado para ampliar seus ganhos, mas enfrentam maior risco de perdas.

Além disso, não há nenhum banqueiro ou regulador que possa devolver os fundos transferidos in erro. Nem há necessariamente alguém para indenizar os investidores caso os hackers descubram uma vulnerabilidade nos contratos inteligentes ou em outros aspectos de um serviço DeFi. Quase US$ 300 milhões foram roubados nos últimos dois anos. A única proteção contra perdas inesperadas é o aviso “investidores, cuidado!” – o que nunca se mostrou suficiente em finanças.

Nos Estados Unidos e outras jurisdições, alguns serviços DeFi parecem violar obrigações regulamentares, como não impedir transações por terroristas ou permitir que qualquer membro do público em geral invista em ativos restritos, como derivativos. Não está claro como alguns desses requisitos poderiam ser aplicados no DeFi sem os intermediários tradicionais.

Mesmo os mercados financeiros tradicionais altamente maduros e regulados experimentam ocasionalmente choques e quedas por causa de riscos ocultos, como o mundo viu em 2008, quando a economia global quase derreteu por causa de um canto obscuro de Wall Street. A descentralização financeira torna mais fácil do que nunca criar interconexões ocultas com potencial para explodir espetacularmente.

Reguladores nos EUA e em outros lugares estão, cada vez mais, falando sobre como controlar esses riscos. Por exemplo, eles estão começando a obrigar os serviços DeFi a cumprir os requisitos de combate à lavagem de dinheiro e considerando regulamentar as stablecoins.

Mas até agora eles apenas começaram a arranhar a superfície do que pode ser necessário fazer.

De agentes de viagens a vendedores de automóveis, a Internet solapou repetidamente o poder de estrangulamento dos intermediários. Descentralização Financeira é outro exemplo de como o software baseado em padrões abertos pode potencialmente mudar o jogo de forma dramática. No entanto, tanto os desenvolvedores quanto os reguladores precisarão aumentar seu próprio desempenho para perceber e acompanhar o potencial desse novo ecossistema financeiro.

Adaptado por Bravo MarquesDistribuído sob a licença Creative Commons

Tokens Não Fungíveis e a Propriedade Real

A Blockchain, para além do mundo das criptomoedas, é cheia de casos de uso em potencial que supostamente seriam game-changers. Mencionei isso, um tanto obliquamente, em minha última postagem, com um exemplo de sistema eleitoral. Mas as propostas de casos de uso vão muito além disso. Nesta postagem vamos propositalmente considerar um cenário pessimista para a adoção da Blockchain.

Não se limitando ao universo da logística, muitas startups tentam implementar um caso de uso da Blockchain em torno do registro e transferência de propriedade de alguma coisa. Afinal, se é possível para as criptomoedas, então por que não podemos usá-la para tudo? A esse respeito, um exemplo que temos visto frequentemente, e que também foi alvo de um post neste blog, é registrar na Blockchain propriedade de arte ou bens de luxo – através dos chamados NFTs.

Vamos conjecturar sobre isso, empregando o método de Einstein, o experimento mental [gedanken experiment] – como fizemos no último post. Suponha que temos um blockchain aceito globalmente que registra todas as transações de arte. O mundo inteiro passou por um processo de rigoroso de compliance; todas as transações anteriores foram registradas e as chaves foram emitidas para todos os legítimos proprietários. O estado espanhol agora tem uma chave privada com a qual pode provar que é o proprietário de Guernica e também gregistrou na blockchain que a peça está atualmente em exibição no Museu do Prado. Guernica se tornou um token não fungível.

Então, o governo espanhol tem um protocolo de segurança de primeiríssima linha para proteger a chave privada ligada à propriedade de Guernica. Mas, espere, acabou de haver um golpe militar apoiado por franquistas. Na mudança de governo alguns altos burocratas se corromperam. São eles que têm acesso às chaves, e as usam para transferir Guernica para um de seus comparsas, Juan El-Loco.

Guernica, de Pablo Picasso

O que acontece agora? De acordo com a blockchain, Juan El-Loco é o legítimo proprietário. Pode ele simplesmente impor essa propriedade contra a vontade do governo espanhol e forçar o Prado a levar Guernica para a casa de praia dele em Isla Margarita? Bem, o governo espanhol tem certamente meios para forçá-lo a reverter a transação. Mas e se ele for inesperadamente astuto e destruir a chave privada? Transferir a propriedade torna-se agora virtualmente impossível.

Este é um exemplo extremo e acho que ninguém neste momento [posso estar errado] argumentaria a favor de uma explosão no uso de blockchain na arte. Mas este experimento mental destaca o problema central de usar blockchain para ancorar o mundo real. Para cada transferência de propriedade, você tem duas operações. Elas precisam estar sincronizadas o tempo todo para funcionar corretamente. Em Ciência da Computação, isso é chamado de “transação atômica”. A transação atômica ou se completa totalmente ou falha totalmente. Ou você executa todas as operações ou nenhuma delas. Isso já é difícil em transações concorrentes efetuadas em um único banco de dados; quase impossível em dois sistemas e é essencialmente impossível na complexidade desestruturada do mundo real.

A única maneira de contornar esse problema no mundo real é definir um dos sistemas como “fonte da verdade”. Os entusiastas da blockchain adorariam que a blockchain fosse a fonte da verdade para muitas atividades humanas, mas é exatamente aqui que deparamos com problemas inesperados, como descrevi há pouco (essencialmente, o estado espanhol tendo que abrir mão da propriedade de Guernica porque a blockchain atesta isso).

Na realidade, a “fonte da verdade”, muito provavelmente, seriam os tribunais do mundo. E isso já acontece. A menos que o estado espanhol concorde em desistir da propriedade de Guernica (o que certamente passaria por um processo político-legal complicado), ela nunca mudará de proprietário. E se isso acontecer, seria o que chamamos de roubo e o Estado espanhol tem um mandato legal para retomar a propriedade.

Para concluir o experimento: quando sua fonte de verdade é o sistema legal, não há absolutamente nenhuma necessidade de uma blockchain para arbitrar.

Meu take de entusiasta da Blockchain: para escapar desse aparente dilema, e preciso considerar que a Blockchain não é a solução de todos os problemas do mundo. A Blockchain apenas fornece um livro-razão público para rastrear a linhagem das transações. Ela não impõe propriedade. O sistema legal é o ator que impõe a propriedade. Blockchain apenas torna o trabalho do tribunal mais fácil. Com o blockchain, podemos saber que Guernica foi ilegalmente transferida para o funcionário corrupto e saber quem ele é.

Blockchain e o Voto

De vez em quando sou questionado sobre ideias envolvendo sistemas de votação eletrônicos, remotos e blockchains. Este post fala sobre as propriedades mínimas de segurança que um sistema de votação precisa ter, e sobre onde as blockchains ajudam e onde não ajudam. Usamos como exemplo o sistema criptografado de votação STAR-vote. Pode ser um pouco árido para os usuários não técnicos, mas também pode ser interessante para quem gosta de se envolver mais profundamente no tema.

Uma interface digital abstrata, mostrando pastas com chave pública e dados de hash escritos em código.

A comunidade de computação concorda que sistemas votação rodando em máquinas de votar modernas têm ao seu dispor processadores muito rápidos e uma quantidade enorme de armazenamento. Esse hardware moderno torna menos árdua a tarefa de implementar redes que exigem computação de alta-performance, como a Blockchain. Vamos então usar esse dado estrutural para um experimento mental:

Usando o work-flow da Blockchain, vamos colocar as máquinas de votação em rede, dentro da Blockchain. Assim, voilà, temos uma estrutura descentralizada, com uma cópia de cada voto em cada máquina de votação; podemos até usar o emaranhamento da linha do tempo, para que o histórico de cada máquina seja protegido por hashes armazenados em todas as outras máquinas. O problema da votação eletrônica está resolvido.

Em um sistema eleitoral implementado na Blockchain, todas as máquinas do sistema possuem todos os registros de votos, tornando impossível a fraude. É o mesmo esquema que legitima transações financeiras. Neste caso, a transação é o voto.

Mas qual é o ponto forte de uma blockchain? No aspecto mais fundamental, trata-se de ter um registro histórico inviolável sobre eventos. No contexto de um sistema de votação, significa que uma blockchain é um lugar perfeito para armazenar cédulas e proteger sua integridade. O STAR-Vote e muitos outros sistemas de votação criptografados “ponta a ponta” adota o conceito de “quadro público de avisos” para onde os votos criptografados são enviados para armazenagem até a contagem. Blockchain é a maneira óbvia de implementar o quadro público de avisos.

Cada eleitor do STAR-Vote sai do local de votação com um “recibo” que é apenas o hash de sua cédula criptografada, que por sua vez tem o hash da cédula do eleitor anterior. Em outras palavras, todos os eleitores do STAR-Vote deixam o local de votação com um ponteiro para a blockchain que pode ser verificado de forma independente.

Acontece que mesmo os sistemas de votação baseados em blockchain precisam de muitas propriedades de segurança adicionais antes que possam ser efetivamente confiáveis. Aqui está uma lista simplificada, empregando algum vocabulário típico desta área de estudos para referenciar essas propriedades.

Propriedade “Votado como pretendido”.

Um eleitor está olhando para uma tela de algum tipo e escolhe em um botão: “Alice para presidente”. A máquina de votação prontamente indica isso com um pop-up, ou algum texto destacado, ou sons. Contudo, é totalmente possível que algum malware dentro da máquina possa registrar silenciosamente o voto como “Bernie para presidente”. Portanto, qualquer sistema de votação precisa de um mecanismo para derrotar malware que ameace comprometer a integridade da votação.

Nota: Uma abordagem interessante aqui [e já consagrada pelo costume americano] é ter cédulas de papel impressas (e/ou cédulas de papel marcadas à mão) que podem ser comparadas estatisticamente às cédulas eletrônicas. Outra abordagem é ter um processo pelo qual a máquina pode ser “desafiada” a provar que criptografou corretamente a cédula.

Propriedade “Votado em privacidade”.

É importante que não seja possível identificar um eleitor em particular pela forma como ele votou. A votação moderna deve garantir que os votos sejam secretos, com várias medidas tomadas para tornar difícil ou impossível para os eleitores violarem esse sigilo.

Quando se deseja manter a propriedade de privacidade eleitoral nas máquinas da votação, significa que deve-se evitar que a máquina retenha o estado interno (ou seja, mantenha em seus circuitos uma lista dos votos em texto aberto, na ordem de votação) e também deve garantir que o texto cifrado dos votos, publicado na blockchain, não está vazando silenciosamente, por meio de canais subliminares, informações sobre o texto aberto que o gerou.

Propriedade “Contado como votado”.

Se temos eleitores levando para casa um recibo de algum tipo que identifica seu voto de texto cifrado na blockchain, então eles também podem querer ter algum tipo de prova criptográfica de que a contagem final do voto inclui seu voto específico. Isso acaba sendo uma aplicação direta de primitivos criptográficas homomórficos.

Se olharmos para essas três propriedades, é possível notar que a blockchain não ajuda muito com as duas primeiras, embora seja muito útil para a terceira.

Atingir a propriedade “votado como pretendido” requer uma variedade de mecanismos que vão de cédulas de papel a desafios pontuais para máquinas. A blockchain protege a integridade do voto registrado, mas nada tem a dizer sobre sua fidelidade à intenção do eleitor.

Para alcançar uma propriedade “votado em privacidade”, é necessário bloquear o software na plataforma de votação e, nesse caso, bloquear a máquina de votar. E como essa propriedade de bloqueio pode ser verificada? Precisamos de garantias fortes que possam ser verificadas de forma independente. Também precisamos garantir que o usuário não possa ser enganado e levado a executar um aplicativo de votação falso. Podemos conseguir isso no contexto das urnas eletrônicas comuns, que são utilizadas exclusivamente para fins de votação. Podemos implantar centralmente uma infraestrutura de chave criptográfica e colocar controles físicos sobre o movimento das máquinas.

Mas, se estendermos este experimento mental para incluir o voto pela Internet, um desejo comumente expresso pelo público de alguns países [que talvez aconteça], veremos que não temos infraestrutura hoje para fazer isso usando telefones celulares e computadores pessoais – e provavelmente não a teremos nos próximos anos. O voto remoto [em casa, no escritório, na rua] também torna excepcionalmente fácil para um cônjuge, um chefe ou um vizinho vigiar por cima do seu ombro e “ajudá-lo” a votar da maneira que eles querem que você vote.

As blockchains acabam sendo incrivelmente úteis para verificar a propriedade “contado como votado”, porque obriga todas as máquinas do sistema a concordar com o conjunto exato de cédulas que está sendo tabulado. Se um funcionário eleitoral precisar desqualificar uma cédula por qualquer motivo, esse fato precisa ser público e todos precisam saber que uma cédula específica, ali na blockchain, precisa ser descontada, caso contrário, a matemática criptográfica não vai fechar.

Concluindo, é fácil ver como as blockchains fornecem elementos primitivos excepcionalmente úteis, que podem ajudar a construir sistemas de votação em que a contagem final é consistente com os registros de votos lançados. No entanto, um bom sistema de votação precisa satisfazer muitas propriedades adicionais que uma blockchain não pode fornecer. Embora haja uma certa sedução intelectual em fingir que votar não é diferente do que mover criptomoedas em uma blockchain, a realidade do problema é um pouco mais complicada.

Citando o Meio Ambiente, Tesla Adia Planos para o Bitcoin

O preço do Bitcoin despencou depois que Elon Musk disse que a Tesla não aceitaria mais a criptomoeda como método de pagamento. O anúncio foi feito pelo CEO em um comunicado no Twitter na noite de quarta-feira (12/5). Musk levantou preocupações sobre o impacto climático da mineração de Bitcoin.

Musk, que esteve sob os holofotes recentemente por manipular o preço das criptomoedas por meio de tweets, citou como o raciocínio por trás da reviravolta da Tesla a enorme quantidade de energia elétrica necessária para manter o Bitcoin rodando – e os impactos ambientais decorrentes.

Grandes aglomerados de CPUs, em grandes datacenters, são usados para minar Bitcoin, através de um processo chamado ‘prova de trabalho’. A prova de trabalho é computacionalmente complexa, exigindo o cálculo de chaves criptográficas em tempo integral. A complexidade da computação tem uma relação linear com o consumo de energia: mais computação –> mais energia.

“Estamos preocupados com o rápido e crescente uso de combustíveis fósseis para mineração e transações de Bitcoin, especialmente o carvão, que tem as piores emissões de qualquer combustível”, disse o comunicado. Embora a criptomoeda seja uma “boa ideia em muitos níveis”, ela tem um “grande custo para o meio ambiente”, disse Musk.

O preço do Bitcoin caiu quase 13% após o anúncio da Tesla, de acordo com a Coin Metrics. O site de criptomoedas Coindesk mostrou que o valor em dólares do Bitcoin caiu para uma 24-hour low, pouco acima de US$ 46.000, antes de se recuperar ligeiramente para flutuar em torno de US$ 50.000.

Envolvimento Tesla-Bitcoin

A Tesla provocou uma explosão do Bitcoin em fevereiro, após anunciar que investiria cerca de US$ 1,5 bilhão na criptomoeda, com a intenção de permitir que os clientes a usassem para comprar seus carros eletricos.

O valor de mercado total da carteira de Bitcoin da Tesla no final de março era de US$ 2,48 bilhões, como mostraram os registros de títulos. Apesar da movimentação, a Tesla disse que não planeja vender suas participações em Bitcoin.

“A Tesla não venderá nenhum Bitcoin e pretendemos usá-lo para transações tão logo o processo de mineração faça a transição para um modal de energia mais sustentável”, disse o comunicado. A empresa também procura outras opções de criptomoeda, sem os impactos ambientais do Bitcoin, complementa.

Alguns observadores também se refiriram ao recente anúncio de que governos nacionais dariam início a um “enquadramento” da estrutura das criptomoedas para explicar a decisão.

Impacto no meio ambiente

Um estudo realizado em 2019 por pesquisadores da Universidade Técnica de Munique e do MIT descobriu que as emissões de CO2 para toda a rede Bitcoin chegaram a 22,9 milhões de toneladas em 2018. Nessa taxa, a curva de emissões de carbono atribuíveis ao Bitcoin se assemelha à de uma grande cidade de um país rico ou de todo um país em desenvolvimento como o Sri Lanka.

Musk tem mostrado um grande entusiasmo em popularizar o uso de carros elétricos, como os produzidos pela Tesla, atraindo motoristas para longe dos veículos com os motores de combustão interna, que respondem por uma boa parte das mudanças climáticas.

Mineradora Canadense de Bitcoin Escolhe a Argentina para ‘Fábrica’

Quando se sabe que a mineração de bitcoin é muito intensiva no uso da energia elétrica [que alguns economistas alegam ser a âncora de facto da moeda], a nota que captamos neste domingo sonolento [e certamente mortal, como saberei nos jornais da noite], revela alguns desenvolvimentos interessantes no campo das criptomoedas.

Milhares de CPUs em um datacenter

Um report do Mercopress dá conta de que a mineradora de bitcoin canadense Bitfarms anunciou planos de iniciar operações na Argentina no início de 2022, com um total de 55.000 máquinas. O país surgiu como uma escolha lógica devido aos custos relativamente baixos em pesos locais, com todos os lucros sendo em bitcoin, disseram analistas.

A empresa celebrou um contrato ‘significativamente aprimorado’ de compra de energia com um produtor privado da Argentina, segundo o qual a Bitfarms tem o direito de extrair até 210 MW de eletricidade a seu critério.

A duração inicial do contrato é de oito anos. Durante os primeiros quatro anos, o custo efetivo da eletricidade será de US$ 0,022 por kWh”, disse a empresa, fundada em 2017, em comunicado.

Traduzido em números, 210 MW é suficiente para instalar 55.000 máquinas de mineração e gerar cerca de US$ 650 milhões de receita ou 11.774 bitcoins, com base nos “níveis de dificuldade atuais” da prova de trabalho e em um preço de criptomoeda de US$ 55.000 por unidade.

Ver nota no Mercopress

Governos Preparam Blitz Contra as Criptomoedas

Jess Powell, CEO da Kraken, a quarta maior negociadora de criptomoedas do mundo, adverte que governos pelo planeta afora podem estar preparando uma grande blitz contra o uso de Bitcoin e outras criptomoedas. CNBC reporta:

“Acho que pode haver alguma repressão”, disse Jesse Powell em uma entrevista à CNBC. As criptomoedas dispararam em valor ultimamente, com o Bitcoin alcançando um recorde de mais de US$ 61.000 no mês passado. A moeda digital mais valiosa do mundo tem sido negociada ultimamente em torno de US$ 60.105. […] O chefe da Kraken acha que a incerteza regulatória em torno das Criptos não vai dissipar tão cedo. Uma regra contra a lavagem de dinheiro proposta pelo governo dos EUA recentemente exige que as pessoas que mantêm Criptos em uma carteira digital privada passem por verificação de identidade se fizerem transações acima de US$ 3.000. “Algo assim poderia realmente ferir as Criptos e matar o caso de uso original, que era apenas tornar os serviços financeiros acessíveis a todos”, disse Powell.

Foto por Worldspectrum em Pexels.com

As criptomoedas como o Bitcoin têm sido frequentemente associadas a atividades ilícitas devido ao fato de que as pessoas que transacionam com ela são pseudônimas – você pode ver para onde os fundos estão sendo enviados, mas não quem os enviou ou os recebeu. “Espero que agências reguladoras americanas e internacionais não tenham uma visão muito estreita sobre o assunto”, disse Powell. “Outros países, a China especialmente, estão levando Cripto muito a sério e assumindo uma postura de muito longo prazo”.

O CEO de Kraken disse sentir que os EUA são mais “suscetíveis” às pressões de negócios tradicionais em extinção – em outras palavras, os bancos – que “vão perder se as Criptos se tornarem normalizadas”. “Eu acho também que já pode ser tarde demais”, acrescentou Powell. “Talvez o gênio já esteja fora da garrafa e tentar bani-las neste momento só vai torná-las mais atraentes. Certamente enviaria uma mensagem de que o governo as vê como uma alternativa superior à sua própria moeda.”

Link para CNBC (English)

Monetize Sua Imagem – De Olhos Bem Abertos

À primeira vista, o BitClout parece um cruzamento primitivo entre o Twitter e o Robinhood, incluindo um feed de mensagens e botões para “curtir” ou compartilhar o que outras pessoas postam. Qualquer pessoa pode criar um perfil e começar a participar da rede fornecendo um número de telefone. Mas o interessante é que, em pouco tempo, o BitClout já criou 15.000 perfis com base em personalidades populares do Twitter, incluindo Elon Musk e outros influenciadores do mundo das cripto-moedas – todos sem pedir a devida permissão. Diamondhands [o homem por trás do Bitclout, que se manifesta sob anonimato, embora sua identidade real seja bem conhecida] alega que o BitClout criou os perfis de famosos para evitar que impostores criassem contas falsas e se apropriassem das personalidades dessas celebridades.

Cada conta do BitClout também é ligada a uma “moeda” que sobe e cai de valor, dependendo de quantas pessoas a usam. Qualquer pessoa pode seguir uma determinada conta – como no Twitter ou no Instagram – mas a existência da moeda significa que elas também podem possuir um ativo ligado à reputação pública do dono da conta sendo seguida. “O que você começa a fazer é se automonetizar”, diz Diamondhands. “Todas as coisas positivas que você coloca no mundo vão fazer com que as pessoas gostem de você e comprem sua moeda. Assim, você pode monetizar o entusiasmo por sua imagem, e deixar os fãs viajarem na sua nave.”

Os usuários normais do BitClout que se sentirem à vontade para serem comprados e vendidos desta maneira podem criar um perfil para ganhar uma parte das moedas associadas à sua imagem. No caso das personalidades do Twitter, que foram adicionadas à plataforma “à força”, elas podem reivindicar seu perfil no BitClout (e uma parte das moedas associadas a ele) simplesmente twitando que eles se juntaram à rede – um requisito que convenientemente fornece marketing gratuito para o BitClout. Já até apareceu um site de rastreamento chamado BitClout Pulse para rastrear o valor das moedas mais populares.

Esse cavalo-de-pau incomum do BitClout no conceito de redes sociais se estende além da adição de pessoas sem sua permissão. O projeto também se destaca por suas operações técnicas, que dependem de dezenas de nós de blockchain autônomos espalhados pelo mundo – uma arquitetura muito diferente do Instagram ou Twitter, que se baseiam em servidores centralizados para manter suas redes em execução. Cada mensagem ou transação é registrada na blockchain do BitClout – que Diamondhands descreve vagamente como “software desenvolvido de forma personalizada, semelhante ao Bitcoin, mas com maior funcionalidade de rede social”.

Ele diz que o código do BitClout é aberto e que a equipe vai publicá-lo em breve. Tudo isso, diz Diamondhands, eventualmente levará empresas de marca a hospedar seus próprios nós do BitClout, que exibirão feeds direcionados a vários interesses segmentados. Por exemplo, a ESPN poderia manter um nó exibindo um feed recheado com atrações esportivas, enquanto a Bloomberg pode fazer o mesmo com foco no mercado de ações. Mas a estrutura em nó do BitClout também significa que ele não terá políticas de moderação centralizadas, como as encontradas em plataformas como Twitter ou Instagram. Isso representa outro conjunto de problemas que precisa de respostas adequadas.

Descentralização das redes é o futuro, mas este caso demonstra que ainda é preciso cuidado e profissionalismo na adoção dessas novas tecnologias e na seleção dos atores com quem vamos hospedar nossa infraestrutura e estabelecer nossas parcerias.

Editado para incluir:

No jargão das criptomoedas, qualquer moeda cuja oferta pode ser aumentada com facilidade é chamada shitcoin – o que não é o caso de moedas como Ouro e Bitcoin, que são baseadas no clássico princípio da escassez.

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Tokens Não Fungíveis e a Nova Economia Real

(*) Este não é um tutorial, e assume que o(a) leitor(a) tem alguma informação prévia sobre o assunto.

Em termos simples, um token não fungível (TNF) é um ativo digital exclusivo. Nenhum token não fungível é igual a outro. Colocando de outra forma, quando enviamos 1 Bitcoin (BTC) para um usuário e recebemos 1 BTC, de volta, nada muda em nossa perspectiva. Isso é porque cada Bitcoin é idêntico ao outro, tornando-o um ativo digital fungível [i.e., pode ser negociado em espécie]

Em oposição, um TNF é como a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Ele é único e é isso que o torna valioso. Cada TNF armazena alguma forma de metadados que faz dele um registro único na blockchain (note que até mesmo os TNFs em blocos similares da mesma blockchain não são intercambiáveis).


Como o token não fungível dá poder ao seu proprietário?

Um TNF é uma estrutura de dados que vem equipada com um mecanismo para armazenar metadados abrangentes que vão além do mero token; ele armazena os detalhes tanto do bem negociado (o ativo) como do proprietário. Consequentemente, os envolvidos na transação ficam garantidos quanto à procedência do ítem.

Os TNFs têm algum valor?

Para responder isso, vejamos uma linha de tempo. As tentativas de criar TNFs na Blockchain começaram em 2013 quando a ColorCoin foi construída no Bitcoin. No entanto, o primeiro padrão técnico organizando os TNFs apareceu em 2017. Seu nome foi Ethereum Request for Comments 721 [em tradução livre significa Requisição da Etherium para Comentar – “comentar”, aqui, no sentido de propor padrões] .

Essa especificação é um bocado diferente da ERC20 [especificação técnica usada para smart contracts na blockchain da Ethereum, que implementa tokens]. Isso porque a ERC721 rastreia tanto a propriedade em sí mesma quanto os movimentos de tokens individuais. E é essa capacidade que faz um token não fungível algo único e valioso.

Cryptokitties, um jogo de simulação com o tema /objetivo “criar gatos”, foi a primeira implementação bem sucedida da ERC721. Sendo assim, cada ERC721 representava um gatinho digital único. Um evento notável aconteceu em 2017, quando um gatinho digital cryptokitty foi negociado por US $ 172.625 – 600 ETH na época, o mais caro até então. Foi quando gigantes como o Google Ventures perceberam o poder dos TNFs.

Recentemente, uma start-up de Blockchain, Enjin, entrou em uma parceria com a Microsoft para criar uma linha de colecionáveis chamada Azure Heroes. Vou usá-la adiante como um exemplo ligeiro para abordar como os TNFs funcionam no mundo real.

Proposição de valor

No mundo real, os TNFs têm alguns casos de uso com grande potencial nas artes plásticas, na música, antiguidades, certificados de propriedade e muito mais. A industria de games está na vanguarda do processo. Existem algumas razões pelas quais a industria de jogos competitivos e/ou de simulação foi a primeira a implementar TNFs. Entre outros fatores, foi porque a ideia estava ao alcance do braço em uma industria que flerta com o imaterial, e porque os gamers já estavam familiarizados desde sempre com o conceito de colecionáveis ​​digitais.

As iterações futuras dos TNFs provavelmente ligarão ativos físicos a esses tokens para transferências sem confiança no mundo real. Para ficar em apenas um exemplo de uma grande industria, os certificados de identificação e as licenças de software podem ser negociados como TNFs.

Muitos projetos já estão propondo melhoramentos nas especificações de TNFs como as ERC115, ERC875 e ERC998.

Características de um token não fungível

  • Eles são exclusivos do proprietário;
  • Eles não são intercambiáveis ​​com outros TNF idênticos;
  • Cada TNF tem características únicas;
  • Cada TNF representa propriedade, direitos e privilégios;
  • TNFs não são divisíveis.

Como funcionam e como adquiri-los?

Há muitas maneiras pelas quais os TNFs podem funcionar. Como este é um blog de tecnologia, vamos usar como exemplo os últimos colecionáveis ​​digitais introduzidos pela Microsoft.

Naturalmente, muitos desenvolvedores de software trabalham na plataforma Microsoft Azure. Agora eles estão recebendo colecionáveis digitais como estímulo financeiro adicional. Um total de cinco distintivos (Badges) baseados na blockchain foram desenvolvido pela Enjin.

Os cinco distintivos da Microsoft: Lider da Inclusão, Herói do Conteúdo, Herói da Comunidade, Mentor e Maker

Cada distintivo está disponível em número limitado e será concedido à pessoa que fizer contribuições significativas para a plataforma Azure. Cada distintivo é basicamente um token ERC-721 que pode ser armazenado na carteira Enjin e negociado como qualquer ativo digital. Cada distintivo é único devido à sua definição de propriedade e é isso que define seu valor atual e futuro.

Para o desenvolvedor Azure receber um distintivo do token, é necessário enviar uma candidatura pessoal, além de fazer uma contribuição valiosa no trabalho para a plataforma. Quando a equipe da Microsoft faz a revisão e a avaliação positiva do trabalho, o desenvolvedor recebe o distintivo digital, que pode então ser reivindicado digitalizando um código QR. À primeira vista não parece sério, mas esses prêmios são muito cobiçados. É nessas ocasiões que lembramos que no capitalismo a noção de valor pode ser, às vezes, contraintuitiva.

Fica implícito que para ter acesso aos mercados de TNFs é preciso possuir uma carteira de blockchain – que pode ser baixada em muitos sites. Aqui apresentamos o site da Enjin (que foi citada no texto), onde também pode ser baixada. Não temos nenhuma relação com eles e este link não constitui aprovação da empresa.

Conclusão

As moedas fungíveis de criptografia já provam diariamente sua importância no ecossistema de ativos digitais. Os tokens não-fungíveis, por outro lado, representam uma oportunidade em potencial para tokenizar os ativos físicos mantendo uma linhagem tecnológica única [Blockchain –> QualquerCoin –> TNF] . Tudo somado, os TNFs ampliarão o escopo da blockchain no mundo real e levarão a experiência humana de comércio a novas dimensões.

Certamente voltaremos ao assunto.