A.I. Art – Meus Experimentos com o Incrível ‘Stable Diffusion’

Se você não está prestando atenção ao que está acontecendo com o súbito aparecimento da Difusão Estável, você está perdendo um momento realmente interessante na história da tecnologia.

Imagem: Pexels.com

Tudo começou quando há dez dias, em 22 de agosto, a start-up Stability.ai abriu o código-fonte de sua plataforma de síntese de imagem chamada Stable Diffusion – uma arquitetura de difusão latente semelhante ao DALL-E 2 do OpenAI e ao Imagen do Google, treinada com milhões de imagens extraídas da web. Desde então a tecnologia tem desfrutado uma contínua explosão de interesse.

Ao contrário do conteúdo deepfake baseado em autoencoder, ou das recriações da figura humana que podem ser alcançadas por Neural Radiance Fields (NeRF) e Generative Adversarial Networks (GANs), os sistemas baseados em difusão aprendem a gerar novas imagens adicionando ruído às imagens usadas como fontes. A reiteração desse processo ensina o sistema como fazer imagens plausíveis – e até foto-realistas – a partir apenas desse ruído.

Modelos baseados em difusão aprendem a reconstruir fotos adicionando ruído a imagens “não contaminadas” e observando a relação elas e a imagem “contaminada” à medida que mais ruído é adicionado. Imagem: Google

Com a repetição do processo, o modelo começa a entender as “relações latentes” entre fontes altamente difusas e suas versões nítidas e de maior resolução. Depois de bem treinado, um modelo de difusão latente do tipo “texto-para-imagem” pode então “recuperar” imagens, separando-as do ruído de base usando prompts de texto como guias para quais elementos recuperar.

Em apenas alguns dias, houve uma explosão de inovação em torno deste processo. As coisas que as pessoas estão criando são absolutamente surpreendentes.

Tenho acompanhado o subreddit r/StableDiffusion e seguido o fundador da Stability, Emad Mostaque, no Twitter.

Minhas experiências

No início desta semana eu comecei a fazer experimentos com a tecnologia. O mínimo que posso dizer é que gerar imagens a partir de texto é um jogo totalmente novo.

Com os modelos “texto-para-imagem”, as habilidades linguísticas adquirem muita importância, à medida que a precisão conceitual na composição do chamado “prompt” vai determinar o resultado final do trabalho. No estágio atual da tecnologia, o prompt deve ser composto em inglês. Eu suponho que uma interface em português vai surgir em algum momento – farei minha contribuição na medida do possível.

Minhas explorações mostradas aqui foram feitas na plataforma online beta.dreamstudio.ai (atualmente grátis). A conta no site permite a geração de 200 imagens, antes de começar a monetizar. Já existem muitos outros sites parecidos, e novos aparecem todo dia.

Canalizei meu Roger Dean interior e comecei a esboçar algumas coisas. Depois de uma manhã eu já tinha uma pequena coleção para curtir e mostrar:

  • Um Sonho de São Paulo

Eu gosto do estilo matte paint, e minha primeira ideia foi investigar como São Paulo apareceria como um cenário a la Blade Runner.

Um sonho de São Paulo
Prompt usado: A dream of Sao Paulo city, Caspar David Friedrich, matte painting, artstation HQ

No prompt eu estabeleço alguns parâmetros/atributos que eu gostaria que a imagem tivesse:

Dream, indicando uma atmosfera onírica; São Paulo city, o objeto central, Caspar Friedrich, replicando o estilo do artista homólogo, Matte painting, para dar a textura, Artstation HQ, para invocar o estilo do studio Artstation [games, mídia].

  • São Paulo Dream

Neste ponto o leitor já percebeu que eu gosto de São Paulo e curto uma atmosfera onírica, com elementos pós-apocalípticos.

    Prompt Usado: A dream of Sao Paulo, a distant galaxy, Caspar David Friedrich, matte painting, trending on artstation HQ
    • Nave Alien Gigante
    Prompt usado: gigantic extraterrestrial futuristic alien ship in brand new condition, not ruins, hyper-detailed, artstation trending, world renowned artists, antique renewal, good contrast, realistic color, cgsociety, greg rutkowski, gustave dore, Deviantart
    • Roma Alienígena
    Prompt usado: Julius Caesar, alien roman historic works, ruins, hyper-detailed, world renowned artists, historic artworks society, good contrast, realistic color, cgsociety, Greg Rutkowski, Deviantart
    • Um Rio de Janeiro de Sonho
    Prompt usado: Rio de Janeiro, fuzzy, dreamy, world renowned artists, good contrast, pastel color, Greg Rutkowski, Deviantart
    • Rio Hipgnosis

    Aqui eu tentei replicar o estilo do já citado Roger Dean, e do estúdio Hipgnosis, famoso pelas capas de discos das grande bandas de rock nos anos setenta, como Yes, Pink Floyd, Led Zeppelin, e muitos outros. Note a silhueta do Pão de Açúcar, quase imperceptível. Definitivamente Lisérgico.

    Prompt usado: Rio de Janeiro, sketchy, dreamy, world renowned artists, good contrast, pastel color, Roger Dean, Hipgnosis
    • Transilvania

    Aqui eu recebi o valoroso input de minha mulher, ligada ao mundo das bruxas e das brumas, que sempre me apoia em minhas desventuras digitais. A ideia era fazer Drácula aparecer no cenário, mas vejo que será preciso maior empenho na engenharia do prompt.

    Prompt usado (composto por Marília Gião): Dracula castle on a mountain, at dusk, matte paint, Transylvania dream, David Friedrich, chariots with horses, hyper detailed, deviantart

    É mesmo uma coisa incrível. Imagine ter um artista conceitual multi habilidoso ao seu dispor, cujo único propósito na existência é interagir com você e materializar suas fantasias visuais mais loucas. Tudo a um custo muito baixo.

    Você pode executar a difusão estável em seu próprio computador, em um ambiente virtual python, se tiver as inclinações técnicas para configurá-lo [é preciso placa gráfica compatível com CUDA – tipicamente Nvidia] . Posso dar algumas indicações nos comentários, se alguém tiver interesse. Em serviços online como Replicate ou Hugging Face você pode ainda usar a biblioteca “imagem-para-imagem” – que está chegando também à interface do DreamStudio que usamos aqui.

    Há muito mais acontecendo. A melhor descrição que vi até agora de um processo iterativo para construir uma imagem usando Stable Diffusion vem de Andy Salerno: 4.2 Gigabytes, ou: Como desenhar qualquer coisa. Nestes experimentos eu usei partes dos prompts de Andy.

    E há muito mais por vir.

    As inescapáveis questões éticas

    As questões éticas levantadas por esses sistemas precisam ser enfrentadas e resolvidas. São questões difíceis.

    A difusão estável foi treinada com milhões de imagens extraídas da web. Essas imagens são protegidas por direitos autorais. Não estou qualificado para falar sobre a legalidade disso. Pessoalmente, estou mais preocupado com a moralidade.

    O Stable Diffusion v1 Model Card tem todos os detalhes de especificação, mas para resumir, ele usa um conjunto de dados LAION-5B (5,85 bilhões de pares de imagem-texto) e seu subconjunto Laion-aesthetics v2 5+ (um conjunto de aproximadamente 600 Milhões de pares). Essas imagens foram retiradas da web.

    O modelo final tem cerca de 4,2 GB de dados – um blob binário de “floating points”. O fato de se poder comprimir uma quantidade tão grande de informação visual em um volume tão pequeno é, em si, um feito fascinante. Contudo, de novo, as pessoas que criaram essas imagens não foram consultadas sobre seu consentimento.

    Para além disso, como já como discutimos no blog em outra postagem [link], o modelo pode ser visto como uma ameaça direta ao meio de subsistência de milhões de profissionais pelo mundo afora. Eu mesmo fui um desenhista ilustrador em meu primeiro emprego. Hoje eu não teria chance de começar. O vídeo e o áudio seguirão o mesmo caminho. Ninguém esperava que as IAs criativas viessem tão rapidamente para ceifar os empregos dos artistas, mas aqui estamos!

    Há também implicações [negativas] para o mercado de arte — e, em breve, do fonográfico, além do cinema.

    Nasce uma Nova profissão: a Engenharia de Prompt

    Como tentei mostrar, e como você mesma(o) pode verificar se resolver praticar a técnica no link que forneci, o background pessoal influenciará muito no sucesso. As pessoas que vão exercer essa atividade em um nível profissional elevado nas agências de criação terão que se aprofundar na observação e no estudo da linguagem.

    Além da precisão linguística, os parâmetros envolvidos na composição do prompt, para um resultado artístico perfeitamente controlado, exigem conhecimento técnico, senso de estilo e conhecimento histórico. Quanto mais palavras-chave relacionadas estiverem envolvidas na composição maior será o controle do artista sobre o resultado final. Exemplo: o prompt

    Uma cidade futurista distante, cheia de prédios altos dentro de uma enorme cúpula de vidro transparente, No meio de um deserto árido cheio de grandes dunas, Raios de sol, Artstation, Céu escuro cheio de estrelas com um sol brilhante, Escala maciça, Neblina, Muito detalhado, Cinematográfico, Colorido

    é mais sofisticado do que simplesmente

    Uma cidade cheia de prédios altos dentro de uma enorme cúpula de vidro transparente

    Note que a densidade conceitual, portanto a qualidade, do prompt depende muito do background cultural e linguístico da pessoa que faz a composição. De fato, um prompt de qualidade se assemelha muito a uma cena de cinema descrita em um roteiro/storyboard [a propósito, lá se vão os Production Designers, junto com os concept artists, graphic designers, set designers, costume designers, lighting designers…].

    Na tentativa de monetizar os frutos da nova tecnologia, os empreendedores da Internet serão forçados pela mão invisível do mercado de trabalho a se aprofundar nos conhecimentos linguísticos. Será um efeito colateral benigno, penso eu, considerando estado atual da Internet. Talvez isso leve a uma melhor articulação das ideias no ambiente da rede.

    Assim como influenciadores do YouTube têm talento para lidar com os aspectos visuais das interações humanas, os aspirantes à engenharia de prompt terão que se destacar em farejar as nuances da expressão humana. Eles têm grande potencial para ser os novos profissionais descolados da economia digital, assim como foram os web designers, e depois os influencers — que, com o fim das redes sociais, agora tendem a perder relevância.

    Para se diferenciar, os engenheiros de prompt terão que ser ávidos leitores e praticantes de semiótica/semiologia.

    Umberto Eco e os estruturalistas poderão voltar à moda.

    Indistinguível da magia

    Apenas alguns meses atrás, se eu tivesse visto alguém criar essas imagens em um programa de TV, ou em um vídeo do YouTube, eu teria resmungado sobre essas mistificações, grosseiras mesmo para padrões da TV e da Internet (sorry).

    A ficção científica é real agora. Modelos generativos de aprendizagem de máquina estão aqui, e a taxa com que eles estão melhorando é absolutamente irreal. Eu digo isso tendo um histórico de ceticismo quanto ao “hype” e às possibilidades dessa modalidade de AI. Vale a pena prestar atenção ao que eles são capazes de fazer, como estão se desenvolvendo, e ao impacto que eles terão na sociedade.

    Leitura recomendada

    https://arxiv.org/abs/2112.10752

    https://github.com/CompVis/stable-diffusion


    Reativei minha conta para twitar sobre essas coisas para o meu único seguidor. Siga @VoxLeone no Twitter e me ajude a conquistar o Brasil!

    Também fiz conta no Reddit, onde meu Karma é exatamente = 1. Siga u/VoxLeone!

    ‘Inteligência Artificial’ e o Futuro das Artes Digitais

    Eu leio os jornais. Eu vejo o ritmo do ‘progresso’. Eu entendo como esses novos modelos de aprendizado de máquina funcionam em um nível técnico e estou impressionado com a rapidez com que eles estão se desenvolvendo.

    artista-digital
    Imagem: Pexels.com

    Francamente, eu não espero que a arte digital feita por humanos (imagens, vídeos, filmes, música, texto) sobreviva mais uma década. O que espero é que pouca ou nenhuma arte digital seja vendida com lucro por artistas humanos daqui a dez anos, e a única razão pela qual não estendo esse raciocínio para mídias físicas como escultura ou arte de rua é que eu não sei se teremos robôs hábeis o suficiente para fazê-las – embora seja inevitável que robôs habilidosos surjam em algum momento, na duvidosa hipótese de que a civilização sobreviva.

    As pessoas frequentemente vão buscar o exemplo da pintura e da fotografia para defender a ideia de que inteligência artificial (IA) não vai realmente acabar com o mercado de arte, mas eu simplesmente não vejo esse exemplo como válido. A fotografia e a pintura sobreviveram porque são fundamentalmente diferentes e podem ser facilmente distinguidas, desde que seus respectivos criadores optem por se diferenciar.

    A arte da IA é diferente, porque seu propósito específico é replicar. Não importa o que os artistas humanos façam com a mídia digital, a IA sempre vai estar lá para engolir as mudanças de qualquer nova onda e aprender a replicá-las.

    O advento da fotografia nunca teve a intenção de matar a indústria da pintura. Contrariamente, esses algoritmos de IA, gestados nas grandes corporações de tecnologia, têm como objetivo manifesto matar a indústria da imagem.

    Sobre a Excelência na técnica

    Leonardo da Vinci não apenas pegou um pincel, compôs a Mona Lisa e se proclamou mestre. Ele construiu suas habilidades como aprendiz em oficinas, fazendo obras acessórias, figuras de fundo e encomendas menores. É esse trabalho que cria a oportunidade para que obras-primas aconteçam. Se esse ambiente desaparecer, o topo da elite artística será afetado. Existe algo único no equilíbrio entre ser ousado o suficiente para se destacar da multidão, mas ao mesmo tempo acessível o suficiente para um apelo mais amplo.

    No momento, os modelos de aprendizado de máquina ainda são fracos, mas já são fortes o suficiente para tirar 90% dos artistas digitais do mercado. Com o custo próximo de zero, as pessoas não vão mais reutilizar nada. Vão gerar algo novo para cada coisa que fizerem. Não tenho certeza se há algo que possa ser feito para evitar esse futuro. Penso que devemos começar reconhecer que muita coisa vai se perder nessa revolução. Também duvido que artifícios sociais como bolsas de estudo e programas de residência possam deter o avanço das máquinas simplesmente jogando dinheiro no problema.

    Otimistas

    Há um lado otimista nesta questão. Seus lugares-tenentes sustentam que não precisamos temer a arte da IA. Na verdade, os artistas podem até querer agradecer.

    Segundo os otimistas, há muito tempo os artistas sentem uma espécie de tédio por causa da falta de um caminho claro para a inovação ou para criação de algo “novo” e inspirador. As coisas tornaram-se obsoletas e excessivamente mercantilizadas, com músicos, fotógrafos, pintores, etc. muitas vezes confessando que o que eles criam não passa de recauchutagem de ideias desgastadas – admito que qualquer artista ligado na cena vai mesmo dizer que não há mais muita arte inspiradora.

    A IA essencialmente reorganiza motivos antigos de novas maneiras. É um dispositivo de permutação que mostra o estado da arte atual (na qual é baseado o treinamento dos modelos) aplicado a situações arbitrárias. Os artistas podem usá-lo como ferramenta para encontrar um espaço onde uma nova exploração seja possível e, finalmente, começar a criar arte inspiradora novamente.

    este-cara-nao-existe
    Imagem gerada no popular serviço Esta Pessoa Não Existe. É uma imagem criada com o uso de redes GAN – Generational Adversarial Network.

    Os otimistas ainda consideram que o que está sendo banalizado agora é apenas a transformação das obras mesmas em espaços de ideias digitalmente definíveis: crie uma nova ideia em arte, dê a uma máquina representações suficientes e ela pode gerar infinitamente novos trabalhos dentro desse espaço.

    A corrente otimista argumenta que certas coisas vão escapar à banalização. O que ainda não pode ser banalizado seria:

    1) Novos espaços de ideias. A IA é incapaz de gerar algo que possa ser definido como um novo movimento artístico.

    2) Novas mídias. Algo como Dall-E [ver nota no final] vai aparecer, mais cedo ou mais tarde, para gerar arquivos CAD. Contudo, há muitas expressões artísticas que não serão fisicamente reproduzíveis por um computador. As obras nessas mídias permanecerão valiosas ou até aumentarão de valor. E embora a IA possa gerar novas ideias nesses espaços, será necessário que haja pessoas que decidam se esforçar para executá-las.

    3) Curadoria. Decidir quais ideias (geradas por IA ou não) merecem atenção.

    Take final

    Comecei a investigar este assunto na década passada, e as evidências me sugerem que começaremos a ver todas as atividades humanas enfrentando um declínio salarial anual de 6 a 12% a partir de agora. Uma máquina já pode fazer trabalho humano bem o suficiente para substituí-lo ou substituir mais de 90% das pessoas no trabalho que elas fazem, deixando o resto brigando por migalhas.

    A parte criativa e sensível do seu trabalho, que uma máquina não pode fazer, pode parecer muito importante para você, mas o chefe do chefe do seu chefe provavelmente não se importa com isso, já que a mediocridade escalável é mais lucrativa do que qualquer “extra” que um humano possa oferecer.

    Na verdade, a já envelhecida queixa das empresas de que “existe-trabalho-mas-ninguém-está-qualificado” é uma grande balela. Os mesmos executivos que dizem isso estão espremendo seus gerentes de linha, ao não deixá-los contratar auxílio e forçá-los ao trabalho cada vez mais pesado.

    A tendência de longo prazo dos salários é de queda. Os mercados de trabalho não parecem mais se comportar como o da oferta e procura de bens. Nesse mercado as curvas não mais encontram equilíbrio. Elas divergem.

    Não se trata apenas de AI Art, e outras macaquices digitais. Estamos muito provavelmente caminhando para um colapso salarial generalizado e de base ampla em todo o mundo, e esse tipo de situação provavelmente resultará em um conflito global entre pessoas e capital, no qual a) todo um sistema socioeconômico é derrubado, ou b) a humanidade é lançada na escravidão da qual é improvável que se recupere.


    Nota: DALL·E é uma versão do GPT-3 [Generative Pre-trained Transformer – Transformador Generativo Pré- treinado] com bilhões de parâmetros, treinada para gerar imagens a partir de descrições de texto [ex: “ovelha a tocar piano em um navio”], usando um conjunto de dados de pares de texto-imagem. Ele tem um conjunto diversificado de recursos, incluindo a criação de versões antropomorfizadas de animais e objetos, combinando conceitos não relacionados de maneiras plausíveis, renderizando texto e aplicando transformações a imagens existentes.

    Leitura recomendadada

    https://arxiv.org/abs/2005.14165

    https://openai.com/blog/dall-e/

    Facebook Recua na TikTokização

    No último post [27/07] nós discutimos – com a contribuição de estimados leitores – a transformação ora empreendida pelo Facebook(*) no sentido de imitar o TikTok, o que vem a significar o fim das redes sociais como as conhecemos.

    Imagem: Pexels.com

    Aconteceu, porém, um evento inesperado ontem [28/07], em que a holding Meta anunciou algumas pedaladas para trás em suas metas [trocadilho infame pero inevitable]. Reproduzo abaixo, destacando em cor diferente, a abordagem do site The Verge:

    O Instagram vai recuar em algumas mudanças recentes no produto após uma semana de críticas intensas, disse a empresa hoje [28/07] . A versão de teste do aplicativo – que abre em tela cheia para fotos e vídeos – será desativada nas próximas duas semanas. O Instagram também reduzirá o número de postagens recomendadas, à medida que trabalha para melhorar seus algoritmos.

    “Estou feliz por termos arriscado – se não falharmos de vez em quando, não estamos pensando grande o suficiente ou sendo ousados o suficiente”, disse o chefe do Instagram, Adam Mosseri, em entrevista. “Mas nós definitivamente precisamos dar um grande passo para trás e nos reagrupar. Quando aprendermos melhor, então voltaremos com alguma nova ideia ou iteração. Vamos trabalhar nisso.”

    As mudanças ocorrem em meio à crescente frustração do usuário com uma série de mudanças projetadas no Instagram para ajudá-lo a competir melhor com o TikTok e navegar na mudança mais ampla verificada no comportamento do usuário, para mais longe da fotografia, voltando a sua atenção aos vídeos. Esse tipo de redesenho geralmente provoca a ira de usuários resistentes à mudança. Todavia, neste caso, a insatisfação notável foi confirmada pelos próprios dados internos do Instagram, disse Mosseri. A tendência de os usuários assistirem a mais vídeos é real e veio antes do TikTok, disse ele.

    Mas é claro que as pessoas realmente não gostaram das mudanças de design do Instagram. “As pessoas estão frustradas com as recentes modificações no design e o feedback trazido pelos dados não é bom”, disse ele. “Então, acho que precisamos dar um grande passo para trás, reagrupar e descobrir como vamos querer seguir em frente”.

    A empresa também planeja mostrar aos usuários menos recomendações de algoritmo. Na quarta-feira [27/07], o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que postagens e contas recomendadas atualmente representam cerca de 15% do que você vê quando navega no Facebook, com uma porcentagem maior no Instagram.

    Até o final de 2023, esse número será de cerca de 30%, disse Zuckerberg. Mas o Instagram reduzirá temporariamente a quantidade de postagens recomendadas, enquanto trabalha para melhorar suas ferramentas de personalização. Mosseri deixou claro que o recuo anunciado hoje não é permanente.

    ~o~

    (*) No post de quarta-feira eu não mencionei especificamente o Instagram, assim como não o fiz no título de hoje, em parte porque eu estou acostumado a me referir ao grupo Meta genericamente como “Facebook”. De fato é o Instagram que está a atrair uma maior barragem de fogo no momento, principalmente nos mercados avançados.

    As redes da Meta compartilham a árvore decisória e a orientação tecnológica, o que significa que os nomes das duas redes são um tanto quanto intercambiáveis quando o assunto é o uso algoritmos para recomendação de conteúdo.

    Uma rápida análise final

    Parece haver uma obsessão envolvida em todo esse negócio de o Facebook tentar perseguir o mesmo mercado que o TikTok – os jovens.

    Dado que nos países mais ricos – e no Brasil também – a demografia mostra claramente que há uma forte tendência ao envelhecimento da população, a estratégia do Facebook faz pouco sentido. Você acaba alienando os dois campos, tentando ser o que você não é. De um ponto de vista racional, ele deveria ter continuado com foco na realidade do mercado que tem.

    A juventude e a moda sempre foram inconstantes e a marcas Facebook e Instagram hoje em dia são efetivamente um veneno para os jovens, desprezadas, ridicularizadas. Isso não vai mudar tentando torná-lo um outro TikTok. É simplesmente tarde demais.

    Tentando esconder o elefante-na-sala

    Zuckerberg diz que apenas 15% do conteúdo do Facebook/Instagram é originário de recomendação de algoritmos, e que o objetivo é chegar a 30% no fim do ano que vem. Isso é claramente uma falsidade, uma vez que obviamente não inclui a contribuição de terceiras partes para as recomendações de conteúdo – e nem o que é medido por observadores independentes. Lembro que para ser igual ao TikTok – e pode apostar que Zuckerberg quer ser – é necessário 100% de conteúdo recomendado e 0% de conteúdo social.

    Final

    A Meta não vai simplesmente desistir das mudanças anunciadas para Facebook/Instagram. A Corporação vai agora retomar a implementação das mudanças em um tom menos estridente, com um pouco mais de vagar, a conta-gotas – como sempre fez.

    Já passamos do ponto onde a Meta poderia escolher sua estratégia. Agora o único caminho a seguir é ir em frente com as mudanças. Parar agora significa colapso total do negócio.

    Eu ando particularmente contente com a possibilidade da restauração dos princípios originais das redes sociais [don’t be evil!], com a saída/eliminação do grande monopolista e a chance de participação de novas empresas, ideias e visões.

    O que foi dito no post de quarta-feira, continua válido, e deverá ser implantado em um perfil temporal mais longo. Não terei que esperar muito — não estou ficando mais jovem. Com base na experiência anterior posso dizer que, se tiver recursos, no final de 2023 a Meta estará fazendo exatamente o que planejou fazer.

    TikTokização do Facebook Marca o Fim da Era das Redes Sociais

    A quinta-feira passada [21/07] poderá entrar para os anais da história como o início do fim da era das redes sociais, que deram o tom para o crescimento da internet desde o início do século. A estreia do ‘redesign’ do Facebook para ficar mais parecido com o TikTok deixa para trás a ênfase da rede no aspecto social.

    Imagem: Pexels.com

    A explosão do modelo das redes sociais foi uma decorrência do aparecimento e adoção quase universal do smartphone. No início, manter contato com amigos e compartilhar experiências era o centro de tudo o que as pessoas queriam fazer online.

    No novo cenário que se desenha, a experiência online tiktokizada vai passar a girar em torno do que milhões de estranhos ao redor do mundo desejam e aprovam – completamente mediada por algoritmos. Com esse movimento a maior rede social sinaliza que quer se transformar em uma uma empresa de mídia digital de massa, em que a seleção do conteúdo é baseada nas reações de multidões de “usuários” anônimos processadas por aprendizado de máquina/redes neurais [t.c.c. “inteligência artificial”].

    O Facebook chama esse processo de “Discovery Engine” [Máquina de Descobertas], porque o algoritmo expele recomendações muito confiáveis sobre qualquer coisa que possa prender a atenção do espectador. O que teremos nesta nova tendência é algo parecido com uma TV que muda de forma o tempo todo, com um número enorme de canais sem contexto, que aparecem e desaparecem refletindo o humor geral da rede em um determinado momento.

    Doravante passa a ser muito improvável que você veja alguma coisa do conteúdo de seus amigos.

    Tudo indica que é esse o modelo que os usuários mais jovens preferem, e é daí que vai sair a receita que o Facebook vai precisar, agora que as novas regras de privacidade da Apple e as ameaças regulatórias em todo o mundo enchem de incertezas o seu modelo de negócio.

    Expressão máxima da Web 2.0

    Durante bons quinze anos, as redes sociais – lideradas pelo Facebook, com outras redes a desempenhar um importante papel secundário – dominaram a cultura e a economia da internet. Mas a ilusão de que elas pudessem desencadear ondas de empoderamento democrático e liberar a autoexpressão em todo o mundo logo se desvaneceu quando o Facebook começou a transformar o “gráfico social” de relacionamentos humanos em uma máquina de fazer dinheiro.

    Os rivais tombaram à esquerda e à direita [quem não se lembra do Orkut?]. A quantificação das amizades e os botões “curtir” transformaram as relações humanas em uma competição despersonalizada de “métricas”. A intervenção dos algoritmos, quebrando a ordem cronológica das postagens, obrigou as pessoas e, principalmente, organizações políticas, a aumentar o volume de seu discurso, na tentativa de enganar o sistema de avaliação. Com o tempo essa dinâmica se tornou um fator de extremismo, desinformação, discurso de ódio e assédio.

    O estilo TikTok não melhora muito os problemas das mídias sociais. As postagens são ainda menos enredadas em uma teia de relacionamento social. Messe ambiente, quanto maior a multidão, mais alto o limiar de atenção para que o discurso seja notado

    Portanto a era em que as redes sociais serviam como a experiência primária dos usuários da internet está ficando para trás. Isso também vale para o Twitter, que nunca realmente encontrou um modelo de negócios confiável. Seu futuro não parece muito brilhante.

    A governança da Meta agora vê toda a estrutura de rede social do Facebook como uma operação legada, rumo ao ‘descomissionamento’

    O grupo vai agora investir em seus aplicativos de mensagens e no chamado ‘metaverso’. O caminho fica livre para quem quiser atender a demanda por redes sociais clássicas, organizadas em ordem cronológica.

    Uma visão otimista

    Quem lê este blog deve ter percebido minha costumeira postura crítica às redes sociais e a repetição dos mantras de segurança e privacidade. Concordo que frequentemente soo como um proverbial tiozão da segurança/privacidade [existe isso??]. Embora eu encare a discussão desses problemas complexos como uma missão, ela via de regra leva à alienação do leitor ou ouvinte, e está se mostrando cada vez mais contraproducente [além de me trazer muitos problemas na esfera social].

    É muito fácil ser cínico e simplesmente assumir que as coisas vão ficar pior do que estão agora. Neste post eu me restrinjo e ofereço uma visão mais humana e otimista sobre a questão. Talvez se torne o início de um novo pacto com meus caros leitores.

    Concordo que tem havido uma profunda mudança na cultura “ocidental” nos últimos dez anos, e cerca de um terço de todo o mundo agora está no espaço virtual das mídias sociais (incríveis três bilhões de pessoas!). Mas eu começo a suspeitar que é um erro crer:

    • que esse seja um estado de coisas irreversível, ou, alternativamente,
    • uma espiral descendente em direção à débâcle tecnológica.

    Não podemos esperar o pior das pessoas todo o tempo. Porque de qualquer forma elas podem mudar, se recuperar. Só quando você olha para a cultura com o olhar de um antropólogo é que você sai do paroquialismo do seu vilarejo mental e vê as verdades maiores.

    Na verdade, dá muito mais trabalho imaginar uma sociedade melhor, porque isso requer ideias reais sobre o que pode ser diferente e como podemos chegar lá. Dizer “as coisas vão ficar do mesmo jeito, mas piores” é muito mais fácil do que dizer “as coisas poderiam ser diferentes e melhores, e aqui está como fazer”.

    Portanto

    Apesar de seu potencial para se tornar (como já se suspeita que seja) de fato uma ferramenta de propaganda do governo chinês, com base na minha experiência muito limitada vejo que o TikTok parece mais saudável e bem mais estúpido (no sentido de entretenimento insípido e inócuo) do que o Facebook e o Twitter – o que me parece muito bom (o usuário médio do TikTok não parece ter fixações revolucionárias ou violentas).

    Nunca me indignei seriamente com algo que eu tenha encontrado nas poucas visitas ao TikTok — ao contrário do Facebook. O Discord parece ainda mais saudável do que qualquer uma daquelas plataformas. Portanto, pode ser que já estejamos a ver surgir um ecossistema mais íntegro.

    O próprio fato de o Facebook deixar de ser uma rede social [no sentido estrito da expressão] deixa a arena livre para que outros atores possam agir com mais confiança para oferecer serviços que resgatem aquela sensação de intimidade e pertencimento que as redes sociais ofereciam no início de tudo – e para a qual a demanda certamente continua alta.

    Mas para além da questão das plataformas, certos comentaristas [como Ezra Klein] consideram a atual era disruptiva “transitória”, na medida em que o surgimento de outros meios de comunicação sempre foi disruptivo e transitório. No fim de tudo as pessoas se ajustam. Talvez estejamos a caminho de nos tornarmos imunes ao sequestro da nossa atenção, indignação política e do Medo de Ficar Por Fora.

    Quanto a mim, certamente me tornei muito bom em resistir à atração desses fenômenos sociais em todos esses anos. Mas poderei ceder ao apelo das redes, se eu puder contar com um ecossistema aberto, seguro e confiável.

    ~o~

    (*) E eu queria realmente acreditar no que escrevi nos últimos cinco parágrafos…

    Os Outros Já Tiveram Todas as Ideias

    Nos fóruns de desenvolvedores e empreendedores que frequento, tem ficado muito comum ouvir coisas com mais ou menos o seguinte teor:

    Imagem: Pexels.com

    Estou começando a desconfiar de quem diz que ainda existem inúmeros problemas para resolver neste mundo. Eu faço uma pesquisa rápida no Google para qualquer ideia que eu tenha e adivinhem? O nicho já está cheio de concorrentes no campo. Como iniciar uma startup hoje em dia? Sim, eu sei, é preciso se diferenciar. Sim, eu sei, é a execução que importa. Mas é desencorajador colocar as esperanças em um mercado que já está cheio de outros que começaram seu progresso quando eu era ainda um iniciante.

    Como abordar essa exasperação?

    Esse parece ser um familiar poço de desespero. Escritores são propensos a ansiedades semelhantes. “Tudo o que vale a pena dizer já foi dito. Mas, como ninguém estava ouvindo, é preciso dizer de novo” – assim escreveu André Gide. Curiosamente, Goethe já havia defendido o mesmo ponto um século antes. Jean de La Bruyère havia dito a mesma coisa no século XVII. Agostinho havia escrito mais ou menos a mesma coisa no final da Antiguidade. E o Eclesiastes havia vencido a todos séculos antes disso: “Não há nada de novo sob o sol”.

    Eu também estou na corrida. Não tenho autoridade alguma para falar sobre o que leva uma startup ao sucesso – noto aqui que eu não sou muito fã do termo “startup”, que remete às panelinhas universitárias da elite econômica. Contudo, também tenho ideias originais, portanto sei em primeira pessoa que há ainda muito espaço para a inovação. Eu vejo que as tensões desencorajadoras não estão no espaço da criação, e nem na capacidade de realização. Estão em outros fatores, como capacidade de crédito, rede de relacionamentos, ambiente de negócios, etc. Meras externalidades.

    Estou convencido também de que grande parte do problema se resume à uma questão de perspectiva: o que você procura é um segmento/categoria de mercado novo ou maduro? Segmentos de mercado recém inaugurados trazem muitas oportunidades, e há muitos deles ao redor. Nós desenvolvedores precisamos saber usar um novo mercado ao nosso favor.

    Se eu realmente me atrevesse a dar um conselho, eu descreveria exatamente o que estou fazendo agora, e diria mova-se rapidamente começando nas áreas que seus concorrentes já validaram e aprenda a evitar os erros que eles cometeram no passado. Faça o possível para se diferenciar com base no feedback do seu mercado.

    A concorrência é inevitável, mas pode ser aproveitada para aumentar seu aprendizado sobre o mercado e as necessidades do seu cliente, se souber como analisar sua estatística. Ela é positiva na medida em que é muito mais fácil ter várias empresas validando e/ou invalidando um novo espaço do que você fazer isso sozinho.

    O ciclo de vendas para mercados novos e não comprovados geralmente é muito lento, pois eles exigem educação [exposição ao produto] e mudança de comportamento do consumidor. Então por que não deixar que os primeiros a adotar seu produto se encarreguem naturalmente disso antes de você conquistar uma participação significativa no mercado?

    Unicórnios

    Se você está tentando montar uma startup unicórnio este post não é para você [e apenas minha sôfrega imaginação te vê frequentando este blog].

    Mas se você – como eu – quer ter um negócio real, ou alguma coisa própria, na internet, e acha que tem uma solução competitiva para algum problema – o sucesso obviamente será decorrente, então você e eu só precisamos fazer algo melhor do que o que já existe [e tratar de espalhar bem a novidade]. Onde as Big Techs são catedrais nós seremos bazares. Pense em uma feira onde servem os mesmos tipos de comida e como os chefs conseguem dar seu toque pessoal aos sabores, diferença que reflete na qualidade, clientela, e na atmosfera geral.

    Há muitas maneiras de fazer algo melhor. Quase sempre é possível tornar um produto ou serviço de tecnologia melhor, com maior velocidade, com interface do usuário mais intuitiva, mais especializado para uma tarefa específica, e assim por diante.

    Deve-se também ter em mente que o primeiro no mercado nem sempre é o mais bem-sucedido; muitas vezes é o segundo no mercado, ou mesmo o décimo, desde que o projeto deles tenha a melhor execução. O Facebook não era muito melhor do que o Myspace, e, embora as pessoas esqueçam, havia dezenas de outros sites que competiam pelo mesmo espaço naquela época. Tudo o que o Facebook fez melhor foi apresentar uma interface de usuário melhorada e segmentar um público específico (universitários, na época). A expansão para outros públicos veio depois.

    Enfim, o resumo é que, mesmo que uma ideia tenha sido feita, será que ela foi feita de modo definitivo, do jeito que você quer, ou do jeito que o público quer? Quero acreditar que sempre há escolhas – especialmente quando não tentamos ser unicórnios.

    Um produto Mínimo Viável não é mais suficiente

    Imagem: Pexels.com

    No palavreado das startups, um produto mínimo viável (PMV), é um produto com recursos suficientes para atrair clientes pioneiros e validar uma ideia de produto ainda no início do ciclo de desenvolvimento.

    O conceito de PMV desempenha um papel central no chamado desenvolvimento ágil. Em setores como software, o PMV é uma ferramenta valiosa para ajudar a equipe de desenvolvimento a receber feedback do usuário o mais rápido possível para iterar na melhora do produto.

    O que é PMI?

    Este é um conceito originário da metodologia Lean Development [desenvolvimento enxuto]. A abreviação vem do inglês Minimum Awesome Product, [Produto Mínimo Incrível – PMI]. “Incrível” aqui significa exatamente isso – um produto que os consumidores chamarão de incrível. Eles não esperam nada menos em 2022.

    O PMI é uma evolução do PMV e uma forma de evitar que o produto mínimo viável seja muito “mínimo”. Hoje em dia, os usuários já são muito acostumados a uma “experiência” gráfica e não estão dispostos a explorar um site com Times New Roman preto sobre um fundo branco e um botão “Inscrever-se” – Embora haja quem vá ao outro extremo e carregue seu PMV com excesso de animações, imagens, vídeos e outros efeitos especiais extravagantes.

    A principal distinção de um PMI quando comparado a um PMV é que o PMI tem um conjunto de recursos um pouco mais amplo, além de também levar em contar o design da interface e da experiência do usuário [UX]. O PMI usa os elementos que os usuários estão acostumados a encontrar em aplicativos do mesmo tipo. Um design de interface bem estruturado tende fazer o usuário acreditar que o aplicativo é mais eficaz do que um outro com um design mais despojado. Além disso, é preciso ter sempre em vista a maneira como seus concorrentes projetam seus produtos. O seu não deve parecer mais tosco em comparação.

    De qualquer forma, é claro que um produto mínimo viável sempre deve aspirar ser um um produto mínimo incrível. O pressuposto de um PMV foi sempre a qualidade do conjunto de recursos e não qualidade final. Ele deve ter o conjunto mínimo de recursos necessários, mas construídos e projetados com o melhor padrão. Resumindo: se o seu negócio é vender pizza, o seu produto mínimo viável deve ser uma pizza que seja incrível.