Fugindo da Internet Comum

Devo primeiro definir meus termos. Usarei a expressão “Internet comum” para distinguir a nossa velha conhecida “rede mundial de computadores” das redes alternativas, que tecnicamente são chamadas de redes de sobreposição de Internet [‘overlay networks’] – algumas das quais são comumente rotuladas como “dark nets“. A maioria das pessoas hoje em dia se refere à Internet comum como “a web”, embora o significado desse termo tenha mudado ao longo dos anos.

Imagem: iStock

Originalmente, a web consistia apenas dos sites da Internet cujos URLs começavam com “www”. Agora, para a maioria das pessoas, a web significa toda a Internet. Costumo usar a expressão “mainstream Internet” para me referir aos sites mais conhecidos e movimentadas na Internet comum, especialmente os sites dos gigantes da mídia social como Facebook, Twitter e Reddit.

Há um indicador recente detectado nos países avançados: muitas pessoas estão decidindo dar uma pausa na Internet comum ou, pelo menos, diminuir o tempo dedicado às interações online. Muitas dessas pessoas estão procurando [e muitas vezes encontrando] alternativas para as principais mídias sociais e sites corporativos em geral. Uma dessas alternativas é a rede descentralizada Diaspora – também chamada “rede federada” [link para um servidor Diáspora em português]. Alguns estão indo ainda mais longe, distanciando-se até mesmo do protocolo de hipertexto [HTTP] e gravitando em direção a protocolos de rede mais amigáveis ​​e de ritmo mais lento, como Gopher e Gemini.

Quanto aos motivos, alguns reclamam que os usuários da Internet têm se mostrado cada vez mais intolerantes e mesquinhos desde a década de 1990. Outros desejam dar uma pausa nas redes sociais mais propensas a criar dependência. Alguns consideram que a Internet como um todo aumenta o volume de distração que os leva à procrastinação. Muitos estão incomodados com o comercialismo galopante que suplantou algo que foi concebido para facilitar a transferência de informações úteis e promover o crescimento do conhecimento.

Grande parte está simplesmente cansada ​​de ser rastreada e espionada. Milhões desses usuários querem recuperar a capacidade de falar livremente, algo que foi tirado deles por políticas corporativas e governamentais que limitam os tipos de conteúdo que podem ser postados nas redes sociais.

Não acho, porém, que o desencanto dos usuários com grande parte da Internet seja uma nova tendência, nem vejo uma migração em massa ocorrendo tão cedo. Mas, dados os aspectos cada vez mais desagradáveis ​​da mídia social convencional, acredito que o desencanto é agora particularmente pronunciado.

À medida que a Internet comum se torna mais centralizada, a emergência de redes alternativas atraindo consistentemente mais usuários tem o efeito oposto. Dessa forma, a Internet está se tornando mais centralizada em uma dimensão e mais distribuída em outra – ao mesmo tempo. Isso oferece oportunidades para aqueles que estão cientes desse fenômeno e desejam aproveitá-lo. Ao mesmo tempo, aqueles que estão alheios ficam cada vez mais encurralados nos jardins murados franqueados pelo Facebook, Google e outras corporações gigantes.

Talvez isso seja a evolução inevitável de uma tecnologia como a Internet, que oferece uma interface ilimitada, possibilitada por um número astronômico de protocolos de comunicação e endereços de rede. Talvez a Internet tenha se tornado a ‘fronteira final’ que há 60 anos pensávamos que o espaço seria.

Um tipo diferente de site

Na década de 1970, os varejistas americanos descobriram que adolescentes indisciplinados podiam ser expulsos de suas lojas sem alienar os clientes adultos. O método que eles usaram foi tocar música clássica e ‘muzak‘. Adolescentes rebeldes naturalmente achavam que a música clássica era “música de gente velha” e mostravam sua desaprovação abandonando os estabelecimentos que a tocavam – para a alegria dos proprietários. Outra prática era colocar iluminação rosa suave, especialmente em banheiros. Supostamente, isso tornava a acne dos adolescentes mais pronunciada, fazendo com que eles se sentissem desconfortáveis ​​e com vontade de ir embora.

Gigantes da mídia social como Facebook, YouTube, TikTok e Pinterest sabem que – como mariposas pela chama – a grande maioria dos usuários da Internet é atraída por sites chamativos, repletos de imagens, animações e vídeos de qualidade variada [e, o melhor de tudo, grátis]. Exatamente por esse motivo, alguns geeks descontentes criaram blogs e sites não comerciais que não possuem nenhuma dessas miçangas e espelhos. Eles querem que seus sites sejam menos atraentes para os usuários mais extrovertidos, menos intelectuais, como também para os assediadores de qualquer um que exiba o menor vestígio de individualidade ou pensamento original [trolls]. Muitos dos que criaram sites em redes alternativas também querem evitar a invasão de empreendimentos comerciais que acabem por atrair esses usuários ‘indesejáveis’. Outros criadores querem apenas sites simples e eficientes. Esses não estão tão preocupados com quem os frequenta.

Usuários avançados e mais tecnologicamente capazes estão preferindo redes descentralizadas e distribuídas (diagramas ao centro e à direita) para sua presença na Internet. Essas redes propiciam maior controle e privacidade, uma vez que a comunicação entre os nós (membros) não precisa passar por um centro. As redes sociais como Facebook e Instagram adotam uma topologia rigidamente centralizada, onde todas as interações passam pelo servidor central (à esquerda).

Aqueles que optam por filtrar os indesejáveis ​​geralmente seguem uma ou mais das abordagens citadas acima. Alguns criam sites baseados apenas em texto, para afugentar aqueles usuários que são facilmente atraídos pelo brilho fútil. Alguns desses administradores de site consideram um certo nível de dificuldade na interface gráfica como algo desejável. Eles querem que os “normies” com déficit de atenção nem sequer tentem aprender a usar seus sites. A atitude extrema que esses criadores adotam é isolar-se da multidão convencional, mudando para redes alternativas que só podem ser acessadas por meio de software esotérico, como o TOR.

Pessoalmente, dada a dificuldade de atrair usuários para qualquer novo site ou rede, não vejo necessidade de desencorajar ativamente os recém-chegados. Aqui ninguém é considerado menos desejável a priori. Acredito que fornecer uma plataforma que incentive a liberdade de expressão é mais importante do que se proteger de alguém que possa discordar ou ser rude.

Por outro lado, não posso criticar um desenvolvedor por querer criar uma plataforma para pessoas afins. De fato, eu acho que esse problema geralmente se resolve sozinho. Posso entender o ponto de vista daqueles que temem que o site que eles construiram com carinho – e aprenderam a amar – acabe se tornando mais um paraíso para defensores do voto impresso e negacionistas da pandemia.

A linha que adotei com o Vox Leone foi apenas criar um site simples e eficiente. Todos são convidados a ler e comentar como quiserem (sempre mantendo a civilidade, please). O nosso fórum está aberto a todos. Os únicos comentários ou postagens que já removi foram aqueles que eram completamente fora do tópico ou ininteligíveis. Geralmente, escrever tão diplomaticamente quanto sou capaz (embora muitas vezes eu falhe) parece funcionar para que tenhamos aqui um ambiente civil e criativo, frequentado por pessoas inteligentes e cordatas – apesar de muitos terem opiniões divergentes das minhas. Eu não me importo com discordâncias. Comentários contrários de pessoas bem informadas geralmente são esclarecedores.

Inteligente Demais

Uma das falácias mais persistentes é a associação reflexiva de riqueza com sabedoria

Ed Borgato
Imagem: iStock

A riqueza de alguém pode ser um sinal de boas decisões, mas será que essas decisões podem ser repetidas sempre com o mesmo sucesso? E mais, será que boas decisões em um campo se traduzem em sabedoria em outras áreas da vida? Talvez sim, talvez não – é o melhor que podemos dizer. Há momentos em que possuir uma riqueza excepcional pode impedir a empatia com as pessoas comuns, tornando o insight mais precário.

Uma falácia semelhante, um pouco mais difícil de entender, é supor que pessoas inteligentes têm sempre as respostas certas.

Pode ser que realmente elas tenham. Mas a inteligência em um campo se mantém intocada em outros? Uma pessoa exímia em testes matemáticos será também um líder excepcional?

Pode ser. Nunca é tão claro

E, como a riqueza, há situações em que as pessoas se tornam inteligentes demais para o seu próprio bem; quando a inteligência se torna uma desvantagem e bloqueia boas decisões.

Algumas causas:

A capacidade mental de criar histórias complexas torna mais fácil enganar as pessoas, incluindo a sí mesmo.

Conheço pessoas com quem eu não gosto de debater sobre a questão: “quanto é 2 + 2?” porque elas invariavelmente enveredam por complexas ginásticas filosóficas que me deixam exausto ou convencido de que a resposta pode não ser quatro.

O problema é que essas pessoas podem fazer essas coisas também consigo mesmas.

Richard Feynman, habitante de um dos nichos do meu panteão, disse: “O primeiro princípio é que você nunca deve se enganar – e você é a pessoa mais fácil de enganar”. Quanto mais inteligente se é, acho que mais verdadeiro isso se torna.

Quando você é abençoado com inteligência, você é amaldiçoado com a capacidade de usá-la para inventar histórias intrincadas sobre por que as coisas acontecem – especialmente histórias que justificam um erro ou a crença de que, no final, você estará certo – em uma área em que está obviamente errado.

As grandes catástrofes em qualquer campo não são causadas por falta de inteligência. Elas são normalmente causadas por inteligência extrema, que faz com que as pessoas acreditem em suas próprias histórias perigosas – por exemplo a ilusão de que podem prever tudo com precisão – e ignorem os sinais de alerta que seriam óbvios para uma pessoa normal, menos adepta a elucubrações.

As tarefas chatas geralmente são importantes, mas as pessoas mais inteligentes são as menos interessadas nas tarefas chatas.

Noventa por cento das finanças pessoais se resume a apenas gastar menos do que você ganha, diversificar investimentos e ser paciente. Mas se você é muito inteligente, isso se torna muito chato e começa a parecer um desperdício de potencial. Você quer gastar seu tempo com os 10% das atividades financeiras que são mentalmente estimulantes.

Isso não é necessariamente ruim. Mas se o seu foco na parte emocionante das finanças começa a turvar a atenção ao 90% que é importante e entediante, o caminho para o desastre está traçado. Fundos de hedge explodem e executivos de Wall Street vão à falência fazendo coisas que uma pessoa menos inteligente jamais consideraria.

Algo semelhante acontece na medicina, um campo que atrai pessoas brilhantes que podem se tornar mais interessadas em tratamentos inovadores para doenças do que em sua enfadonha prevenção.

Há um ponto ideal em que você entende claramente as coisas importantes, mas não é inteligente o suficiente para ficar entediado com elas.

A inteligência pode dificultar a comunicação com pessoas comuns. Elas podem ter o insight que você está desesperadamente procurando. Quantos acadêmicos descobriram algo incrível, mas escreveram um artigo tão denso e complexo que ninguém conseguiu entender? E quantas pessoas comuns seriam naturalmente capazes de trazer para o mundo real a descoberta de um gênio, se apenas pudessem entender o que está escrito em seu artigo acadêmico?

A resposta tem que ser: muitas

O cientista da computação Edsger Dijkstra escreveu certa vez:

A complexidade tem uma atração mórbida. Uma palestra acadêmica que seja cristalina do início ao fim, às vezes pode deixar em alguém um certo ar de insatisfação, no limite da indignação por ter sido “enganado”. A dura verdade é que a complexidade vende melhor.

Quando a complexidade é a linguagem preferida das pessoas muito inteligentes, grandes ideias podem ser excluídas do entendimento das pessoas comuns. Parte do fascínio da era da informação é que as ideias podem ser compartilhadas entre grandes grupos de pessoas. Mas isso não se aplica aos superinteligentes – eles falam uma linguagem diferente.

Ocasionalmente aparece alguém como o já citado Richard Feynman, cuja habilidade para contar histórias é igual à sua genialidade. Mas é isso é algo muito raro. Comunicação e inteligência não são apenas habilidades separadas; elas podem até se repelir de forma que, quanto mais inteligente você se tornar, mais complexa será sua comunicação e menor será o público que você poderá persuadir.

O segredo para escapar dessa armadilha, como de tantas coisas, é respeitar o equilíbrio e a diversidade de visões.

No Collaborative Fund Blog


Com este post eu me despeço das minhas caras leitores e leitores, para dar uma pequena pausa em nosso blog. Muitas coisas acontencendo ao mesmo tempo e preciso de uns dias para colocar a) coisas em ordem e b) outras em funcionamento.

Se esta é sua primeira vez no blog, fique à vontade e explore nossos quase 100 artigos sobre Tecnologia da Informação et al. Use a ferramenta de procura do site e os nossos arquivos. Todo o conteúdo ainda é muito atual, e grande parte continua exclusiva de nosso site.

O segundo semestre será muito estimulante, com a perspectiva de uma certa normalização da vida [embora nada esteja garantido, como sempre], e início de novos projetos. Não faltará assunto no blog. Vou continuar trabalhando, e se algo extraordinário acontecer eu entro na linha. Muita paz e saúde a todos. Take Care! Até Agosto! :)

Eraldo Bernardo “Bravo” Marques

Uber Drivers

Hoje não é Sexta de Leão. O post das sextas procura trazer informações interessantes e novidadeiras [e até profundas], com uma pegada casual e um olhar original, mas sempre com um fundo leve de chiste. Meu estado de espírito nesta semana não me permite chistes. Além da solidão do distanciamento social [que já não mais suporto] e do cansaço geral da pandemia, estou tentando entender o que as estatísticas do site estão a me dizer. Embora eu seja honrado pela atenção dos novos amigos e colegas que fiz na grande rede WordPress, vejo que as pessoas do meu entorno e os [sedizentes] amigos não visitam meu site. Como posso conquistar o mundo se não consigo conquistar minha roda de bar ou a grande família?

Imagem: iStock

Eu costumo apoiar entusiasticamente os projetos dos amigos, mas não estou sendo reciprocado. Será que meu conteúdo, produzido com muito esforço, não está a contento? Será que não acreditam em mim e na minha capacidade? Por que não me dão feedback? Será que pensam que este é um projeto de vaidade? Será que não sabem que este site é um componente importante da estrutura de meu ganha-pão? Será que os ofendi de alguma forma? Ou, pior: será que também tiveram o cérebro sequestrado pelas infames redes sociais e se tornaram completamente incapazes de um pouco de concentração para entender textos como os que escrevo?

Confesso que talvez eu não seja bom para interagir em redes [minhas contas no FB e Twitter estão inativas há anos], apesar de administrar dezenas delas [construídas por mim]. Se isso é verdade, temo pelo meu futuro, na crescente e inexorável economia de rede. A reação [ou falta de] dos amigos ao meu trabalho pode ser um sinal precoce da minha obsolescência. Luto para me manter à tona e não ser varrido do mapa pelos ventos da mudança. Tangido pela exasperação, é sobre isso que decidi falar hoje.

Se você está dirigindo para o Uber ou trabalhando no iFood, seu pensamento, alguns anos atrás, seria: viva a gig economy, viva a liberdade, viva a flexibilidade! Isso tudo é muito bom. Acredito que deva existir muita coisa boa nessas novas empresas. Mas por outro lado, o lado humano, nesse ambiente você só tem chance de progredir aritmeticamente, como um operário de fábrica na Inglaterra da década de 1850. Você tem tempo flexível, mas sem propriedade, sem benefícios, sem aprendizagem, sem comunidade, sem potencial de crescimento geométrico e sempre sujeito às mudanças que eles fazem no centro da rede, aos ajustes que fazem no algoritmo e nas regras do jogo .

Se você ficar temporariamente incapacitado, em tratamento médico, ou atendendo sua família em algum percalço, a rede não precisa de você – o elemento na periferia do sistema. Você será imediatamente substituído por outro par de mãos. Você trabalha avulso, pela remuneração mínima, não construindo nada além de sua classificação no sistema deles, sem acumular vantagens, não importa o quanto você trabalhe. Seu milésimo dia no trabalho será igual ao primeiro.

Há um conjunto de empregos que tradicionalmente sempre foram província da classe média, como arquitetura ou medicina, mas esses empregos serão cada vez mais desviados para a rede, e o licitante mais barato e mais rápido obterá o contrato – por uma remuneração bem menor do que as pessoas costumavam ganhar pelo mesmo serviço na velha economia. Isso é a hiperglobalização. É a multiplicação por dez do que vimos na década de 1980, quando os EUA perderam a liderança na competição global em várias indústrias importantes da época, como aço e automóveis, e o ‘rust belt’ se formou.

As empresas centrais da economia em rede têm um impacto ainda maior sobre os consumidores [talvez nem mesmo este termo se aplique mais] do que tinham os gigantes de escala do passado, como a Standard Oil e a GM. Isso porque, nos tempos da economia de escala, você podia optar por um produto alternativo, caso não gostasse do produto oferecido.

Mas agora, não temos muita opção fora da rede. Estamos cativos. Não éramos cativos da GM, mas estou cativo, por exemplo, do Google e do Whatsapp [minha fonte particular de desgosto], porque é onde estão todas as pessoas importantes na minha área, meus clientes e potenciais clientes. Eu não posso escapar dessa situação. Estamos presos ao LinkedIn porque é assim que somos vistos pelos empregadores e parceiros com os quais interagimos. E não podemos simplesmente cancelá-los como faríamos tranquilamente com a GM.

Também ao contrário dos funcionários da GM, os motoristas do Uber precisam interagir com a rede do Uber em tempo real. Com a Ford, usei seus produtos por mais de 20 anos. Eles não tinham como me vigiar. Detroit não tinha acesso fácil ao meu nome e perfil financeiro. Mas as novas redes digitais otimizam nosso perfil de custo / benefício minuto a minuto. Eles são partes constantes de nossas vidas, extraindo o que podem de cada nó da rede. Eles sabem quem somos e conhecem nosso contexto familiar e econômico. É por isso que, aqui na extremidade da rede, estamos em desvantagem. A maioria dos nós da rede [si, nosotros!] são periféricos, e dançamos conforme a música dos algoritmos emanados do centro.

Imagem: iStock

Economia de rede

Eis uma mudança importante no mundo: na economia de rede, temos um novo conceito de ‘self’. Uma mudança semelhante ocorreu na revolução industrial, quando passamos do cultivo autossuficiente de nosso próprio solo para estar na linha de produção e ser parte do sistema, trabalhando 16 horas por dia em um tear. A revolução industrial causou uma mudança de consciência. Estamos agora passando por uma nova mudança radical na consciência e na percepção de qual é o nosso lugar no universo.

A economia da rede precisa de um novo contrato social

Um “contrato social” é um acordo geralmente não escrito entre uma sociedade e suas partes componentes, para cooperar em benefício mútuo. É um acordo implícito que a maioria de nós aceita para que possamos “ser livres e procurar a felicidade” dentro de uma comunidade. É a narrativa que anima a nacionalidade; que une uma nação ou um mundo. É o que delimita o que podemos esperar um do outro. São as regras do jogo.

Por exemplo, o contrato social entre o governo e seus cidadãos nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial era [para os cidadãos]: formar-se no ensino médio, comprar uma casa, trabalhar 40 anos para uma empresa de grande porte [ou para o governo], se aposentar aos 64 e depois viver tranquilamente na Florida. A responsabilidade do governo era se esforçar para promulgar leis para tornar tudo isso realidade. Esse foi o contrato social original, e todas as outras histórias foram construídas em torno dessa história.

Durante o mesmo período, o contrato social entre empresas de grande porte e seus funcionários era que os funcionários devotassem 40 anos de serviço leal, em troca de estabilidade e uma aposentadoria tranquila.

É claro que essa versão antiga do contrato social já expirou há pelo menos 20 anos. Todos concordam com isso. Mas nem todos concordam sobre como devem ser os novos contratos sociais.

Aqui estão algumas ideias de coisas que serão diferentes agora que vivemos em uma economia em rede. Não é a melhor das utopias, e, talvez, de fato se transforme em uma distopia. Mas estamos aqui a registrar os fatos e não para expressar desejos.

O Novo Contrato da Sociedade com seus Cidadãos

  1. Você renunciará à sua privacidade.

O cidadão abrirá mão da privacidade para que o sistema o reconheça e possa otimizar seus resultados pessoais. É uma barganha [ao meu ver faustiana].

Aqueles que se chocam com a perspectiva de qualquer redução de privacidade [como eu], precisam aceitar que isso já aconteceu e que, quando lhe é dada a oportunidade de compartilhar seus dados para obter benefícios [ainda que mínimos], a grande massa das pessoas alegremente se rende às miçangas e espelhos.

Em troca, a sociedade [talvez] concordará que:

  1. Você terá um emprego (se tiver disposição e capacidade).

No passado, a tragédia era que mesmo os muito dispostos e capazes frequentemente não conseguiam um emprego. Com o advento da internet, se você quiser e puder, agora pode oferecer seu trabalho com custos mínimos: Dirigir Ubers, construir sites, entregar comida, se exibir sexualmente diante de uma câmera, etc. Se você quer mesmo um emprego, pode conseguir seu “emprego” [aspas duplas] na internet.

Infelizmente, a parte difícil desse cenário são as pessoas emocionalmente “divergentes” e introvertidas, mesmo sendo dispostas. Algumas dessas pessoas [de novo, eu] não são emocionalmente ou intelectualmente capazes de lidar com redes. Elas são ansiosas ou deprimidas demais para atuar em um nível alto o suficiente para serem membros valiosos da rede. Alguns são fisicamente incapazes devido a doenças genéticas ou acidentes.

Paralelamente, a transparência e a velocidade da tecnologia de rede tornarão mais difícil a competição no mercado de trabalho. As exigências aumentarão para o quão emocionalmente estável e inteligente você precisa ser para competir. Todos estarão ao sabor da lei de potência [lei de potência: os melhores se dão cada vez melhor e os piores cada vez pior].

As novas tecnologias vão deixar para trás as pessoas sem preparo emocional, automotivação ou inteligência. As mudanças vão privilegiar as pessoas mais extrovertidas e energéticas.

Isso parece assustador; um motivo para um levante social. Então, o que podemos fazer?

O melhor caminho a seguir parece ser “usar soluções da rede para resolver os problemas da rede” – construir sistemas para melhorar as pessoas e mantê-las relevantes para a rede. Mais treinamento, mais apoio, mais empregos de nicho, mais conexão através da rede.

  1. Você terá acesso a treinamento.

Muitos já o fazem. Você pode se auto educar como nunca antes, graças a uma quase infinidade de conteúdo na internet. E há os cursos online. Além disso, IAs de treinamento e conteúdo estarão em toda parte. Muitas interfaces de trabalho já estão se tornando “gameficadas”, capazes de fornecer feedback constante à medida que você aprende um novo trabalho.

  1. Você terá liberdade para escolher seu trabalho e como usará seu tempo.

Já estamos vendo milhões de pessoas escolherem a liberdade do horário flexível em vez de outros benefícios tradicionais, como férias [gasp!].

  1. O governo não impedirá o crescimento da rede.

Os governos são estruturas de pensamento hierárquico. Eles são os dinossauros em extinção e as redes correspondem aos primeiros mamíferos. As redes vão reduzir o poder do estado-nação. Por outro lado, as afiliações e conexões internacionais vão aumentar.

O novo contrato social deve evitar prender as pessoas com muita força. Os cidadãos vão abraçar a economia de rede e tenderão a não se apegar à economia de escala do mundo industrial. Já que as pessoas vão agir assim, os governos vão se adaptar de forma correspondente. A economia de escala não vai desaparecer, mas vai se tornar uma parte menor da vida e da economia, como aconteceu com a agricultura na era industrial.

  1. Você terá a mobilidade como norma de vida.

Morar em uma casa com um gramado aparado e cercas branquíssimas já não é o único sonho americano possível.

Se a história nos diz alguma coisa, os próximos SnapChat, Airbnb e Uber serão criados nos próximos vinte e quatro meses. Embora a próxima startup de um bilhão de dólares [a brasileira Aucky 😉] ainda não tenha adquirido um formato reconhecível, é certo que todas elas funcionarão baseadas no efeito de rede. Se no fim das contas isso vai ser positivo para você ou para mim, deixo como exercício mental [como dizia Einstein, um gedänkenexperiment] para o fim de semana.

Fonte: https://www.nfx.com/post/network-economy/

* * *

Deixo também uma saudação aos amigos que nunca a lerão. E meu agradecimento pelo apoio nunca recebido.

(*)Tentei seguir teu conselho e escrever humanamente, @Tati. Acho que exagerei.

Porque o deus Mu Dança

Estamos [na verdade, eu estou] promovendo hoje alterações no visual de nosso blog. Vamos adotar um look mais limpo, com uma fonte mais destacada [o que foi objeto de muitos feedbacks, destacando o do meu parça João Grandini]. Creio que está a parecer um pouco mais moderno também, com uma faixa amarelo ouro, no cabeçalho, que combina muito bem com o meu leãozinho. Mais adiante vamos adicionar termos de serviço, política de privacidade, além de pelo menos uma nova seção para conteúdos em formato ‘report’. Saímos da fase Alfa e agora somos Beta. Deixo meu profundo agradecimento aos que acompanham esta história e nos prestigiam. Se gostarem da novidade compartilhem nas redes. Se tiverem feedbacks, terei [na verdade, nós teremos] enorme prazer em receber. Como dizemos no Zap, Vamos falando, e estamos juntos! :)

Ninguém Lê Este Blog

A ‘Voz do Leão’ (o rugido) neste momento está soando mais como um murmúrio famélico no deserto. O que é uma pena, pois um esforço absurdo é investido em sua pesquisa e edição. A salvação do projeto, e o que nos estimula a continuar, é o seleto grupo de amigos(as), e os co-irmãos e irmãs bloguistas que nos seguem com sua amável presença, atenção e inteligência. Fico a pensar sobre se posso estar lavorando em erro (mas qual erro?), ou se realmente sou tão inepto neste métier (talvez seja).

Onde estão todos? – iStock

Observo no dia-a-dia que as pessoas estão com a atenção cada vez mais curta, fragmentada, e com os interesses cada vez mais rasos. A decisão de fazer um blog sobre tecnologia e ciência como este, em ‘forma longa’ e em português, pode ter sido uma decisão equivocada no Brasil do analfabetismo funcional, em pleno ‘anno terribilis’ de 2021.

Então lembrei-me que ainda há Portugal, e sua inteligência, que volta e meia estou a celebrar; a evitar o presente contínuo. E há todas as outras nações lusófonas – como Angola que vejo agora no painel de estatísticas. Deve bastar para minha satisfação pessoal e para o sucesso deste blog.

Resolvi, portanto, fazer um check-list das características que, segundo a literatura e os ‘pundits’, tornam um blog bem sucedido, e tentar medir o quanto este blog está em ‘compliance’ com essas características. E quais seriam elas? Minhas leituras e minha experiência sugerem que sete itens-chave devem ser checados por bloggers que, como eu, acham que “fazem tudo certo” e mesmo assim são um completo fracasso.

É interessante notar neste ponto que criar conteúdo top notch não é suficiente. O blog continua não sendo notado. É aí que as coisas começam a ficar realmente frustrantes para pessoas como eu – você faz todas as coisas certas no que diz respeito à produção de conteúdo, mas ainda assim nada acontece.

Deprimente.

Então, o que podemos fazer quanto a isso?

Se ninguém estiver lendo nosso blog com conteúdo tão sensacional, pode haver apenas duas explicações:

1) Uma aliança entre os Illuminati, os Elders de Sião e a Opus Dei já designou os vencedores da vida e da Internet, e está conspirando contra nós, reles não-designados, para nos manter no opóbrio eterno.

2) Existem no blog algumas falhas de implementação que nós não consideramos.

A começar pelo item 2, o único que podemos explorar, aqui estão alguns elementos que não são necessariamente relacionados a uma boa escrita, mas que nos ajudarão a fazer a leitura [trocadilho intencional] do problema. Vou alternar entre pronomes, por que esse é um problema meu, teu, nosso.

Verificar a velocidade de carregamento

O principal motivo de eu clicar no botão Voltar é quando um site não carrega rápido o suficiente. As estatísticas sempre parecem diferentes, mas o número geralmente aceito é que você perderá 20% dos visitantes para cada segundo que seu site leva para carregar acima de 1,5 segundos.

Boa prática: para um blog rápido é preciso servidor rápido e poucos objetos a serem carregados na página. Use imagens já formatadas no tamanho definitivo. Não redimensione imagens dinamicamente no navegador.

Envolver pessoas nas imagens do blog

Fotos costumam ser a primeira coisa que alguém nota em um blog. Os humanos evoluíram para reconhecer rostos e isso também se aplica às nossas vidas online. Isso significa que é preciso tratar com muito cuidado as imagens usadas no blog e certificar-se de que todas sejam profissionais e de boa qualidade. Faça pouco uso clip-art ou fotos de bancos de imagens baratos.

Boa prática: tirar suas próprias fotos geralmente é a melhor opção. Nos dá a propriedade total dos direitos e é outra amostra de conteúdo original a ser indexado pelas máquinas de pesquisa. Em material de terceiros verifique o número de downloads da imagem antes de usá-la. Se foi usada em muitas instâncias, é considerada ‘conteúdo duplicado’ pelos Gugols da vida.

Um design responsivo para dispositivos móveis

Chegará um momento em que não será mais necessário continuar recomendando isso aos bloguistas. Mas, infelizmente, esse dia ainda não chegou. Muitos dos sites que visito ainda têm design não compatível com dispositivos móveis. Isso não é apenas ruim para a experiência do usuário; agora é um fator negativo de classificação para SEO. Certifique-se de que o template “se ajusta” de forma que o conteúdo fique no primeiro plano e não em menus, barras laterais e outras distrações.

Boa prática: Um blog WordPress. Existem centenas de temas responsivos gratuitos para dispositivos móveis, que são lindamente simples e relativamente fáceis de personalizar.

Link para fora, sem medo

Muitos bloguistas acreditam que criar links para outros sites fará com que o site perca o page rank. Essa crença me parece infundada. Minha experiência pessoal mostra que quanto mais você ‘linka’ a outros blogs de qualidade, mais valor você adiciona para usufruto de seus leitores. Além disso, os sites e blogs para os quais você cria um link irão notá-lo e, frequentemente, te citarão ou ajudarão a promover a postagem.

Boa prática: em uma postagem de 1.000 palavras, é preciso ter pelo menos cinco links para outros sites. Tente imaginar que você está procurando um emprego e precisa dar referências de qualidade.

O tamanho da fonte

Recentemente, atualizei a fonte aqui no Vox Leone para um tamanho maior e uma cor menos áspera. Também testei uma fonte do Google em vez de uma auto-hospedada e percebi melhorias significativas na velocidade. Todos os estudos mostram que fontes maiores são importantes quando há uma audiência mais sênior. Esse é o caso deste blog, diga-se. Haverá, por certo, muitas pessoas maduras lendo o tipo de conteúdo que eu tenho para oferecer (e muitas pessoas lendo em telefones pequenos e muitas pessoas maduras lendo em telefones pequenos!). Uma fonte grande e bem espaçada faz uma grande diferença na aparência da escrita.

Boa prática: verifique se a fonte corresponde ao estilo da sua marca. Tente usar fontes que sejam familiares às pessoas, para que pareçam menos conflitantes para os novos leitores.

Conhecer a audiência

Não importa o quão bons os artigos sejam, se eles forem apresentados e promovidos para uma audiência totalmente errada. É preciso saber o que o público deseja, quais problemas eles estão enfrentando e onde alcançá-los da melhor maneira. É também valioso saber o que seus concorrentes estão fazendo e como melhorar.

Boa prática: Ampliar o escopo de conteúdo do site, evitando especialização excessiva. Descobrir as publicações de maior sucesso nos sites dos principais concorrentes. Descubra de onde eles conseguiram seus links e compartilhamentos e tente imitá-los com um artigo ou recurso melhor ou mais interessante.

Concentrar no alcance, não na lealdade

Isso é algo que muitas pessoas consideram desagradável dizer [neste contexto isso não é tão feio quanto parece], mas é importante para os negócios. Realmente me ajudou a crescer muito nos últimos dois meses e é uma ideia que desejo que mais pessoas entendam. É preciso se apresentar para mais pessoas, não tentar fisgar seus leitores pela lealdade. Isso não é bom para nenhuma das partes. A busca da lealdade pode levar à complacência e inibir a naturalidade. No fim, pode representar um desserviço aos leitores. A lealdade saudável deve surgir naturalmente como um subproduto do alcance do conteúdo. Então, a premissa é que se o site gerar mais tráfego, de mais qualidade, consequentemente vai conquistar leitores mais leais.

Boa prática: foco na lealdade não é tão importante quanto todos pensam. Todo profissional de marketing digital precisa saber disso.

Estou muito atento a esses pontos e realmente acho, considerando o check-list acima, que este blog pode estar falhando em alguns itens. De saída já percebo que podemos estar usando o template visual errado. Eu mesmo tenho dificuldade em ler. Estamos fazendo testes visando a mudança do padrão visual. De resto, é um trabalho constante a adequação aos outros itens do check-list, que vamos continuar perseguindo.

É preciso dar a cara e espalhar a mensagem. Convencer os leitores a compartilhar o post em outros canais da web [isso é muito importante!]. Convidar blogs, comentar em outros blogs, curtir outros blogs, abordar jornais, comprar anúncios, etc. E depois experimentar diferentes formatos e até mesmo diferentes redatores. Experimentar vídeos. Experimentar podcasting. Agregar valor e resolver problemas de maneiras diferentes.

Enfim, continuar tentando. Os pundits dizem que o sucesso para um bom blog criado a partir do zero vem depois de seis meses a dois anos de trabalho constante. Paciência e afinco são, portanto, fundamentais.

Duas palavras finais

Não, não será fácil [blogar]. Em algum momento, garanto que você vai querer parar. Eu garanto que as pessoas vão tratá-lo como se você fosse louco. Eu garanto que você vai chorar até a hora de ir pra cama, se perguntando se você cometeu um erro terrível.

Mas nunca pare de acreditar em si mesmo. O mundo está cheio de pessimistas, todos ansiosos para te boicotar ao menor indício de que você pode transcender a mediocridade. Mas o maior pecado que você pode cometer é tornar-se um deles. Nosso trabalho não é se juntar a esse grupo, mas silenciá-lo, para realizar coisas tão grandes e inimagináveis que seus membros ficarão atordoados demais para falar.

(*) Algo que li na Internet

Sugestões e feedback em geral serão extremamente bem vindos.