O Trabalho Remoto Veio Para Ficar (e isso é bom)

Até o presente momento, o escritório do futuro se parece muito com o escritório que você deixou há muitos meses e não o vê desde então. A maioria das pessoas que conseguiram trabalhar em casa durante a pandemia não voltou para o escritório e não quer voltar até que haja vacinação em massa.

Não está claro quando, ou se algum dia – o que é precisamente o ponto deste post – os escritórios retornarão ao nível anterior de atividade. Até o último mês de março pouco menos de 15% dos trabalhadores de escritório haviam retornado à cidade de Nova York, o maior mercado de escritórios dos Estados Unidos. Nas grandes cidades daquele grande país, as taxas de ocupação de prédios comerciais estão oscilando em torno de 25% em média, já que muitos trabalhadores permanecem presos no limbo. Ainda não é seguro retornar à capacidade total e não está claro se escritórios operando em capacidade parcial são uma solução melhor do que pessoas trabalhando em casa.

O aluguel de imóveis também diminuiu rapidamente, já que os trabalhadores administrativos / criativos passaram a trabalhar em suas salas de estar, varandas e dormitórios. Os Leviatãs da tecnologia, como Facebook e Microsoft estão oferecendo aos funcionários a oportunidade de trabalhar remotamente para sempre. Enquanto isso, empresas com menos experiência digital estão avaliando o futuro de seus imóveis e a localização de seus funcionários.

Todo o panorama do trabalho de escritório mudou, mas os próprios espaços físicos de trabalho ainda precisam mudar muito. A planta aberta ainda predomina na paisagem do escritório, e robôs exterminadores de germes ainda pertencem aos sonhos dos bloguistas tecno-científicos. Em vez disso, para estimular a volta dos trabalhadores aos escritórios, muitos empregadores adotaram uma série de pequenas precauções para torná-los mais seguros – ou para dar a aparência de segurança – mas a maioria adiou grandes e dispendiosas alterações em suas instalações até que haja mais certeza sobre a questão da imunização, o que em última análise irá definir o futuro do escritório como o conhecemos. Podemos dizer que, se depender do estudo da Universidade de Chicago do qual traduzimos o resumo abaixo, esse futuro nunca esteve tão ameaçado.

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Por Que Trabalhar em Casa Vai Pegar

Jose Maria Barrero, Nicholas Bloom, Steven J. Davis

Resumo

A COVID-19 levou a um experimento social em massa sobre trabalhar em casa (TEC). Pesquisamos mais de 30.000 americanos nas várias ondas da doença, para investigar se o TEC vai durar e por quê. Nossos dados dizem que, após o fim da pandemia, 20% dos dias de trabalho completos serão executados de casa, em comparação com apenas 5% antes. Desenvolvemos evidências sobre cinco razões para esta grande mudança: experiências de home office melhores do que a esperada; novos investimentos em capital físico e humano que permitem o trabalho em casa; estigma muito reduzido associado ao trabalho em casa; preocupações persistentes sobre multidões e riscos de contágio e um surto de inovações tecnológicas possibilitadas pela pandemia que agora suportam o home office.

Também usamos os dados da nossa pesquisa para projetar três consequências: Primeiro, os funcionários desfrutarão de grandes benefícios com mais trabalho remoto, especialmente aqueles com rendimentos mais altos. Em segundo lugar, a mudança para TEC reduzirá diretamente os gastos nos grandes centros das cidades em pelo menos 5 a 10% em relação à situação pré-pandêmica. Terceiro, nossos dados sobre o planejamento do empregador e a produtividade relativa do trabalho em casa implicam em um aumento de 5% na produtividade na economia pós-pandemia devido a re-arranjos otimizados de trabalho. Apenas um quinto desse ganho de produtividade vai aparecer nas métricas de produtividade convencionais, porque elas não capturam a economia de tempo possibilitada por menos deslocamento físico.

Na íntegra em bfi.uchicago.edu, incorporada abaixo.

Facebook Pede Que Usuários do iOS Permitam Rastreamento (para permanecer grátis)

Em uma tentativa de combater o novo recurso de privacidade App Tracking Transparency da Apple, o Facebook está insistindo para que os usuários continuem a permitir que o gigante da tecnologia rastreie o uso do aplicativo, alertando que essa é a única maneira de manter os serviços “gratuitos”.

O site MacRumors dá conta de que o Facebook e o Instagram começaram a enviar mensagens notificando usuários do iOS 14.5 de que eles devem obrigatoriamente ativar o rastreamento no dispositivo, se quiserem ajudar a manter o Facebook e o Instagram “gratuitos”.

A Apple lançou recentemente seu novo recurso de privacidade, a ATT – App Tracking Transparency [Transparência no Rastreamento de Applicativo], como parte da atualização mais recente do iOS 14.5 para iPhones e iPads. A atualização agora exigirá que os aplicativos mostrem aos usuários um prompt solicitando seu consentimento para rastreá-los em outros aplicativos e sites.

Uma grande parte do modelo de negócios do Facebook é baseada na venda de anúncios em seus aplicativos e serviços. Os clientes pagantes podem usar as ferramentas de publicidade fornecidas pelo Facebook para alcançar pessoas ou obter dados demográficos específicos. No entanto, com o lançamento do iOS 14.5, os usuários podem optar por cancelar o rastreamento de suas atividades. Consequentemente, o Facebook terá acesso a menos dados para usar na segmentação de seus anúncios personalizados.

A atualização do iOS foi lançada ao público na semana passada e, desde então, mais aplicativos estão começando a exibir o prompt da ATT aos usuários. Um usuário do Twitter, Ashkan Soltani, foi o primeiro a observar que o Facebook atualizou seu prompt para incluir um aviso dizendo “Ajude a manter o Facebook gratuito”. Isso muda radicalmente a posição clássica do Facebook (“sempre será gratuito”). Muitos observadores na Internet vêem o movimento como uma “tática do medo” por parte da rede social. Ao mesmo tempo, fornece uma indicação indireta de que a política de privacidade da Apple é de fato a mais robusta do mercado, já que incomoda tanto o conglomerado de Zuckerberg.

Em uma postagem de blog atualizada recentemente, o Facebook chama o prompt de “tela educacional” que “ajudará as pessoas a tomar uma decisão informada sobre como suas informações são usadas”. O Instagram, que é propriedade do Facebook, também mostrará um aviso semelhante aos usuários.

A postagem do blog do Facebook diz:

Como a Apple afirmou que é permitido fornecer contexto adicional [aos usuários], mostraremos uma tela educacional antes de apresentar a solicitação da Apple, para ajudar as pessoas a tomar uma decisão informada sobre como suas informações serão usadas. Essa tela fornece detalhes adicionais sobre como usamos os dados para anúncios personalizados, bem como as maneiras como limitamos o uso de atividades que outros aplicativos e sites nos enviam se as pessoas não ativarem esta configuração do dispositivo. Nossa tela também permite que as pessoas saibam que estão vendo o prompt da Apple devido aos requisitos da Apple para iOS 14.5.

O Facebook planeja lançar o prompt com a notificação para mais usuários nos próximos dias e semanas.

Futebol Inglês Faz Boicote às Mídias Sociais Neste Fim de Semana

Equipes e organizações de futebol inglesas estão desativando suas contas do Facebook, Twitter e Instagram para este fim de semana como parte de um apagão massivo de mídias sociais para defender melhores políticas em relação à discriminação e abuso que jogadores e membros de clubes recebem nessas plataformas.

O futebol inglês se unirá para um boicote às redes sociais das 15h00 de sexta-feira, 30 de abril às 23h59, de segunda-feira, 3 de maio, em resposta ao abuso discriminatório incessante recebido online por jogadores e outras pessoas ligadas ao esporte.

https://t.co/GYTAuWAEgN pic.twitter.com/dNLuv62nw5 – Porta-voz FA (@FAspokesperson) 24 de abril de 2021

Os grupos que participarão do apagão incluem a Premier League, a English Football League, a Professional Footballers ’Association, a Football Association, a League Managers Association, a Football Supporters’ Association e mais. Os clubes que fazem parte da Premier League, EFL, Barclays FA Women’s Super League e Women’s Championship vão fechar seus canais sociais no fim de semana como parte do protesto.

O apagão ocorre depois que várias organizações de futebol inglesas se uniram em fevereiro para solicitar mudanças ao CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e ao CEO do Twitter, Jack Dorsey, em uma carta aberta solicitando que as empresas tomassem medidas mais firmes contra comentários discriminatórios e racistas.

Estamos desativando nossos canais de mídia social a partir das 15h de sexta-feira, 30 de abril, até as 23h59 de segunda-feira, 3 de maio, em resposta ao abuso on-line incessante. #Enough | #StopOnlineAbuse pic.twitter.com/toiIg3FfWW

Raheem Sterling (@sterling7) 30 de abril de 2021

Especificamente, os grupos de futebol defendem quatro melhorias: que as postagens sejam bloqueadas ou filtradas se contiverem material racista ou discriminatório; que as postagens abusivas sejam removidas por meio de “medidas robustas, transparentes e rápidas”; que haja processos de verificação aprimorados para permitir que a polícia identifique usuários e impeça que postadores abusivos façam novas contas; e que as plataformas trabalhem em estreita colaboração com as polícias para identificar pessoas que postam conteúdo discriminatório nos casos que infringem a lei.

As ligas esperam que o boicote deste fim de semana fortaleça esse movimento, observando que, embora tenha havido progresso, jogadores, times e outros membros do mundo do futebol inglês ainda sentem que há muito mais que o Facebook e o Twitter poderiam fazer para ajudar a impedir o abuso na Internet.

Pros & Cons: o Novo Sistema de Classificação de Usuários do Google

Como já “discutimos” recentemente, e vamos continuar a fazê-lo, o todo-poderoso Google está para introduzir uma nova sistemática para distribuição de seus anúncios dirigidos. O sistema é chamado FLoC, sigla em inglês para Aprendizagem Federada sobre Coortes, e ele pretende substituir os notórios ‘cookies’ em nossos dispositivos. Essa sigla vai passar a fazer parte do cotidiano de todos na rede, portanto o aprendizado virá automaticamente com o tempo. O foco aqui é estimular a discussão dialética dos prós e contras entre os tecnologistas militantes e aspirantes. Assim, delineio abaixo alguns comentários sobre o assunto, tentando enquadrar as duas correntes.

Antes, algumas definições rápidas:

Cookies de site: são os cookies comuns, armazenados pelos sites em seu navegador. Eles podem ser usados para configurar preferências nos sites visitados, mas são rotineiramente abusados para rastreamento.

Cookies de terceiros: são como os cookies de site, mas usados unicamente para rastreamento. O cruzamento das informações que eles carregam revela quem você é e o que está fazendo (largamente alimentados por Smartphones).

FLoC: armazenado em seu dispositivo, rastreia a atividade no navegador e coloca o usuário em um determinado grupo, ou, digamos, um “balde”… Google alega que esse sistema é mais anônimo do que os cookies de terceiros, porque apenas o Google terá a informação sobre seu histórico. Mas mesmo assim, esses “baldes” ainda dizem tudo sobre você. Não há limite à informação que esses baldes podem conter e nem a como ela é usada. Além disso, o Google marca seu ID em todos os navegadores, de forma que é muito fácil converter esse “rastreamento anônimo” de volta à ‘persona’ identificável do usuário

O FLoC classifica os usuários em “coortes” [grupos] com base em seus interesses percebidos. A coorte, que reside em seu computador, é então passada ao site que você visita, para que ele possa segmentar anúncios para você, usando as informações que sua coorte dá a ele. Antes os sites faziam isso usando os chamados “cookies de terceiros.”

Na atribuição de coorte A, os usuários são classificados nas coortes 1 e 2 pelos sites que visitam. Na atribuição de coorte B, os usuários são classificados nas coortes 1 e 2 pelos gostos pessoais.

Basicamente, o problema para o Google é que os cookies de terceiros estão sendo mortos pelas políticas contemporâneas de privacidade dos navegadores e as tecnologias alternativas a eles dificultam o rastreamento adequado de todos. Então o Google é levado a construir o FLoC como uma alternativa fácil para contornar o bloqueio dos navegadores aos cookies de terceiros. Com o FLoC, um site qualquer não poderá usar cookies de terceiros para rastrear os usuários diretamente. Mas então, você não só ainda tem o rastreamento, mas também dá agora muito mais poder ao Google, que é o dono da tecnologia. Todos os seus gostos pessoais e comportamentos estão lá para para que eles façam com esses dados o que bem entenderem.

O Google afirma que esse esquema é melhor para a privacidade, porque todo o rastreamento que interessa é feito no navegador e mantido local [em seu computador]. O site só recebe um identificador geral de coorte, e como as coortes conterão milhares de usuários, elas serão de uso limitado para o rastreamento de indivíduos particulares.

Existem inúmeros problemas com essa tese. Para começar, a implementação é o que chamaríamos de “meia-boca”, com o sistema de atribuição de coorte não sendo suficientemente resistente à deanonimização. Um adversário poderia simular milhares de sessões de navegação e observar quais identificadores de coortes resultam delas. Adicionalmente, se um adversário controla vários sites populares, ele pode usá-los para forçar usuários a frequentar coortes selecionadas.

E há a questão dos temas “sensíveis”. O Google afirma que vai garantir que coortes sensíveis sejam bloqueadas. Portanto, não haverá nada relativo a religião, orientação sexual e semelhantes. Mais uma vez, o problema é que a listagem dos grupos sensíveis que eles vão ter é incompleta e, para piorar, baseada em tabus e problemas sociais ocidentais. De fato, é muito provável que coortes abusivas sejam criadas, colocando as minorias em perigo em regimes autoritários e ditaduras.

O FLoC também quebra o modo privado de navegação. Por padrão, o FLoC envia um valor nulo ao servidor do site quando não há dados suficientes para atribuir um usuário a uma coorte ou quando ele estiver no modo privado de navegação. Isso dá aos adversários uma maneira de detectar, por dedução, a navegação privada.

O Outro Lado

É tentador apenas dizer “sem cookies de terceiros e sem FLoC! Queremos a web privada!”. A realidade é que, se essa abordagem for algum dia adotada por navegadores, os custos seriam empurrados de volta para o usuário de alguma forma. O FLoC não é perfeito, mas é melhor que os cookies, e é, pelo menos, a ideia geral correta para uma solução que possa manter o atual sistema suportado por anúncios rolando, evitando os problemas de privacidade mais egrégios.

Se os usuários / navegadores / plataformas de conteúdo não puderem chegar a algum tipo de consenso com os anunciantes em termos do equilíbrio privacidade versus “anúncios dirigidos“, os anunciantes vão anunciar menos – o que vai prejudicar muitos sites usados por muitas pessoas – ou eles exigirão dos provedores de conteúdo que forneçam soluções de segmentação de anúncios com propriedades ainda piores: coisas como “Login com o Facebook para ver este conteúdo“. Adicionalmente, sites precisarão de mais anúncios (e anúncios mais intrusivos) para gerar o mesmo tanto de receita publicitária.

Epílogo

Pessoalmente, eu adoraria ver algum tipo de sistema de micro-pagamentos tomar o lugar da web suportada por anúncios – mas essa ideia parece ser fortemente rejeitada pela maioria dos usuários, julgando-se pela incrível quantidade de ítens “grátis” consumidos diariamente na rede. A não ser que haja uma mudança significativa no panorama, temo que certas pessoas e instituições vão, como sói acontecer, rejeitar uma solução imperfeita (FLoC) em favor de algo ainda não conhecido e muito pior.

Moderadores do Facebook: ‘Somos as Amídalas da Internet’

Na manhã do último dia 14 de abril, um repórter Senior de notícias de tecnologia do Buzzfeed compartilhou o que parecia ser um relato angustiante do que é trabalhar como um moderador de conteúdo no Facebook.

A nota interna anônima sinalizando a renúncia do empregado foi lançada no Twitter por Ryan Mac em uma série de nove prints. O suposto funcionário em questão é baseado em Austin, TX e trabalha para a Accenture, uma empresa que fornece funcionários para moderação de conteúdo no Facebook.

“Um moderador de conteúdo do Facebook contratado pela Accenture em Austin se demitiu esta manhã com uma ácida nota interna. Eu digitei na íntegra para que as pessoas possam ler por si mesmas.“

A mensagem descreve a moderação de conteúdo como um trabalho desgastante tanto do ponto de vista mental como físico, que levou alguns de seus colegas de trabalho a entrar em medicação psiquiátrica pela primeira vez ou se auto-medicar com álcool e drogas.

As experiências traumatizantes dos moderadores de conteúdo são bem documentadas ao longo dos anos em publicações como Wired Magazine.

O funcionário em questão alegou que o Facebook fez melhorias em seu programa de bem-estar, mas sustenta que elas ainda são inadequadas, afirmando que “os gerentes vêem os cérebros dos funcionários como máquinas”, em vez de levar em conta as conseqüências do estresse no ambiente de trabalho.

“A questão real, no entanto, não é o impacto persistente de imagens individuais; é o acúmulo de milhares delas ao longo do tempo”, escreve o moderador anônimo. “Os analistas de conteúdo são pagos para olhar o pior da humanidade por oito horas por dia. Somos as amígdalas da Internet, uma primeira linha de defesa – constantemente bombardeada – contra potenciais traumas para a base de usuários.”

O empregado logo descobre que o contrato de confidencialidade, assinado por todos os funcionários quando entram na empresa, torna difícil manter a saúde mental, bem como se candidatar a outros empregos, uma vez que eles não podem discutir os detalhes de sua atividade como moderadores de conteúdo. Soluções propostas incluem treinamento em saúde mental para gerentes, mais tempo em atividades de bem-estar e capacidade de acesso a terapia, entre várias outras sugestões.

O repórter do Buzzfeed propôs que, se executivos como Mark Zuckerberg passassem um tempo experimentando pessoalmente o trabalho de moderação de conteúdo, eles talvez pudessem ficar mais dispostos a fazer melhorias. No entanto, quando questionado em 2019 pela congressista americana Katie Porter, Zuckerberg disse que esse não seria o melhor uso de seu tempo.