Sobre Democracia, Fake News e Amigos

Sou um racionalista hard-core, com um espírito curioso, voltado à honesta busca da verdade final. A existência desse conceito absurdo de “notícia falsa” (tal como o conhecemos agora) em pleno século vinte e um, é algo que literalmente me deprime e me faz duvidar de minha fé na humanidade. Com a evolução da crise da Covid, e depois de perder um número proibitivamente alto de amigos em virtude das controvérsias geradas por elas, sinto que o problema começa a afetar seriamente a minha esfera pessoal. Paladino da Ciência que sou, e para acalmar os meus sentidos, decidi empreender uma pesquisa – que eu chamaria de sistemática – da literatura sobre Fake News, a qual compartilho a seguir, no mui adequado formato de ‘prosa blogueana’.

As fake news costumam ser estudadas ao longo de quatro linhas principais: caracterização, criação, circulação e combate. O exato modelo de como caracterizar notícias falsas tem sido muito debatido na academia, uma vez que a definição do termo é ainda controversa. Diferentes tipos de noticias falsas têm diferentes gradações entre intenção e facticidade. Quanto às outras linhas de pesquisa, aquelas voltadas à criação dizem respeito à produção de notícias falsas, frequentemente com motivação financeira, política ou social. As dedicadas à circulação de notícias falsas referem-se às diferentes maneiras pelas quais as informações falsas são disseminadas e amplificadas, geralmente por meio de tecnologias de comunicação, como mídias sociais e mecanismos de busca. Por último, o combate às notícias falsas aborda a multiplicidade de técnicas para detectar e combatê-las em diferentes níveis, levando-se em conta desde os aspectos jurídicos, financeiros e técnicos até a alfabetização individual em mídia e informação e novos serviços de verificação de fatos.

Fake News foi eleita a palavra [ou expressão] do ano em 2017 pelo Dicionário Collins. Em 2017, o uso do termo havia aumentado 365% com relação à 2016 (Dicionário Collins, 2017). A eleição presidencial americana em 2016 colocara o fenômeno na agenda internacional.

Mas embora o termo pareça relativamente novo, os fenômenos que ele cobre são antigos. Manipulação, desinformação, falsidade, rumores, teorias da conspiração – ações e comportamentos frequentemente associados ao termo – existem desde que os humanos se comunicam. A novidade do termo, neste contexto, está relacionada à forma como as informações falsas ou enganosas são produzidas, distribuídas e consumidas por meio da tecnologia de comunicação digital.

Fiz um apanhado da literatura, e inúmeros trabalhos sobre o tema, escritos desde o início do século vinte, vieram à tona – que, por brevidade, limito aqui a poucos exemplos:

.Em uma coluna publicada no The Atlantic em 1919, Walter Lippmann expôs uma visão abrangente dos problemas que a propaganda representava para a sociedade ocidental moderna (Sproule, 1997).

.Lippmann argumentou que a função básica da democracia era proteger as notícias – a fonte da opinião pública – da mácula da propaganda. Nenhuma sociedade moderna sem meios adequados para detectar mentiras pode se considerar livre (Lippmann, 1922).

.Sem informações confiáveis, será difícil para as democracias continuarem a funcionar. Notícias falsas e desinformação são símbolos de um problema social mais amplo: a manipulação da opinião pública para infuenciar o mundo real (Gu, Kropotov e Yarochkin, 2017).

Mas mesmo que a desinformação seja a esta altura um fenômeno histórico, cada nova tecnologia de comunicação permite novas maneiras de manipular notícias e amplificar rumores. Manter o passo alinhado com as novas tecnologias de informação digital requer novas maneiras de enfrentar os desafios; um certo pensar-fora-da-caixa. Informações falsas disfarçadas de notícias já criaram sérias preocupações materiais e humanas em muitos países. Diferentes pesquisadores a chamaram por diferentes nomes:

.Poluição da informação (Wardle & Hossein, 2017),

.Manipulação da mídia (Warwick & Lewis, 2017) ou

.Guerra de informação (Khaldarova & Pantti, 2016).

Em minhas conversas e vivências, noto que um ponto comum entre as pessoas que têm uma vida intelectual é um certo desconforto existencial, a sensação íntima e presente, de que informações falsas poluem a esfera pública e podem prejudicar a democracia de maneira imprevisivel. Conforme argumentado por Warwick e Lewis, “a manipulação das redes sociais pode contribuir para a diminuição da confiança na mídia convencional, aumento da desinformação e maior radicalização” (2017).

Além de tudo isso, políticos e outros atores poderosos se apropriaram do termo para caracterizar a cobertura negativa da mídia sobre suas ações. Mais notoriamente, e mais de uma vez, o presidente americano Donald Trump rotulou meios de comunicação como a CNN ou o The New York Times como fake news. O mesmo se dá aqui no Brasil, com o presidente engajado em uma jihad pessoal contra a mídia tradicional. Conforme relatado pelo New York Times, em países onde a liberdade de imprensa é restrita ou está sob considerável ameaça – como Rússia, China, Turquia, Líbia, Polônia, Hungria, Tailândia, Somália e outros [ahem, Brasil] – os líderes políticos já invocaram as fake news como justificativa para repelir o escrutínio da mídia. Ao sugerir que as notícias não podem ser confiáveis e ao rotulá-las como notícias falsas, os políticos deliberadamente minam a confiança no jornalismo e nos meios de comunicação, uma das principais instituições em nações democráticas baseadas na liberdade de expressão e de imprensa.

Mais pesquisas sobre a escala e o escopo da desinformação em diferentes países são necessárias para descrever com precisão a magnitude e as características do problema. Para os estudantes de jornalismo, este recente debate sobre a desinformação tem sido uma evocação valiosa das raízes de sua profissão: avaliação crítica de informações e fontes; responsabilidade e códigos de conduta ética. O aumento dos esforços pela transparência, tanto na ecologia das plataformas de informação quanto nos métodos jornalísticos, pode, a longo prazo, aumentar a confiança do público em relação a como a informação é tratada e amplificada tanto pelas plataformas sociais quanto pelas redações da mídia profissional.

Novas ferramentas e métodos – incluindo alfabetização midiática e informacional – para identificar e detectar conteúdo manipulado, seja ele texto, imagens, vídeos ou áudio, são necessários, se queremos conter as tentativas de manipulação de diferentes atores. Em vez de tentar legislar sobre o problema – que se tornou por demais politizado – ou ceder ao ímpeto repressivo, os atores políticos e as instituições devem reconhecer que têm um papel importante a desempenhar na melhoria da qualidade do ecossistema de informações, por meio do financiamento à pesquisa e do apoio à mídia independente e pelo compartilhamento de dados com o público.

* * *

(*) Este post foi editado em 13/05 para correções de digitação e pequenos ajustes de estilo.

Fundação Linux Lança Projeto para o Ecossistema Agrícola Global

Na quarta-feira passada, a Linux Foundation, a organização sem fins lucrativos que busca promover a inovação em massa por meio de tecnologias de código aberto, anunciou o lançamento da Fundação AgStack, o primeiro projeto de infraestrutura digital de código aberto desenhado especificamente para o ecossistema agrícola global.

A Fundação AgStack vai melhorar a eficiência da agricultura global por meio da criação, manutenção e aprimoramento de uma infraestrutura digital gratuita, reutilizável, aberta e especializada, para dados e aplicativos agrícolas.

Os membros fundadores e contribuintes incluem líderes das indústrias de tecnologia e agricultura, abrangendo diversos setores e geografias. Membros e parceiros incluem Agralogics, Call for Code, Centricity Global, Digital Green, Farm Foundation, farmOS, HPE, IBM, Mixing Bowl & Better Food Ventures, NIAB, OpenTeam, Our Sci, Produce Marketing Association, Purdue University / OATS & Agricultural Informatics Laboratório, a Universidade da Califórnia em Agricultura e Recursos Naturais (UC-ANR) e o Projeto SmartFarm da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

“O ecossistema da agricultura global precisa desesperadamente de uma reforma digital. Há muita perda de produtividade e inovação devido à ausência de ferramentas e dados reutilizáveis. Estou animado para liderar esta comunidade de líderes, colaboradores e membros – de vários setores e países – para ajudar a construir este recurso comum e reutilizável – AgStack – que ajudará todas as partes interessadas na agricultura global com ferramentas e dados digitais abertos, ” Disse Sumer Johal, Diretor Executivo da AgStack.

A Linux Foundation observou que 33 por cento de todos os alimentos produzidos são desperdiçados, enquanto nove por cento das pessoas no mundo estão com fome ou desnutridas. Esses dados sociais são combinados com sistemas antigos que são muito lentos e ineficientes e não podem funcionar em toda a crescente e complexa cadeia de abastecimento agrícola. A AgStack usará colaboração e software de código aberto para construir uma infraestrutura digital do século 21 que, segundo ela, será um catalisador para a inovação em novos aplicativos, eficiência e escala.

“A explosão de inovações em agrotecnologia de grandes empresas a startups, governos e organizações sem fins lucrativos representa uma virada de jogo para os agricultores do Sul e do Norte Global”, disse Rikin Gandhi, co-fundador e diretor executivo do parceiro da AgStack Digital Green. “Ao mesmo tempo, é fundamental construirmos uma infraestrutura digital que garanta que o impacto dessas mudanças possibilite a inclusão e aumento da resiliência dos produtores mais marginalizados, especialmente em meio às mudanças climáticas.”

AgStack consiste em um repositório aberto para criar e publicar modelos, acesso fácil e gratuito a dados públicos, estruturas interoperáveis ​​para uso em projetos cruzados, extensões, e caixas de ferramentas baseadas em tópicos específicos. Ele irá alavancar tecnologias existentes, como padrões agrícolas (AgGateway, UN-FAO, CAFA, USDA e NASA-AR); dados públicos (Landsat, Sentinel, NOAA e Soilgrids; modelos (UC-ANR IPM) e projetos de código aberto como Hyperledger, Kubernetes, Open Horizon, Postgres, Django e muito mais.

“Temos o prazer de fornecer o ambiente para o AgStack existir e crescer”, disse Mike Dolan, gerente geral e vice-presidente sênior de projetos da Linux Foundation. “É claro que, ao usar software de código aberto para padronizar a infraestrutura digital para a agricultura, a AgStack pode reduzir custos, acelerar a integração e permitir a inovação. É incrível ver um setor como a agricultura usar princípios de código aberto para inovar.”

Precision AI

O anúncio da AgStack segue nesta semana com outras notícias importantes sobre financiamento no espaço agtech. Na terça-feira passada, a empresa canadense de robótica agrícola Precision AI anunciou que fechou com sucesso uma rodada de negociações de US$ 20 milhões, liderada pelo cofundador do GoogleX, Tom Chi’s At One Ventures, junto com o Fundo de Inovação Industrial da BDC Capital, Fulcrum Global Capital e Golden Opportunities Fund.

Os fundos serão usados ​​para apoiar o avanço da plataforma disruptiva de agricultura de precisão, a Precision AI, que gerencia enxames de drones para reduzir drasticamente o uso de herbicidas na agricultura de cultivo em linha.

De acordo com o Precision AI, a pulverização de herbicidas é uma das atividades agrícolas menos eficientes, com mais de 80% desperdiçada em solo descoberto. Embora os concorrentes tenham se concentrado em safras de alto valor e pequena área, a Precision AI diz que sua tecnologia pode ser aplicada a grandes lavouras a um custo muito mais baixo do que as grandes máquinas agrícolas tradicionais, reduzindo potencialmente o uso de pesticidas em até 95%, mantendo o rendimento da colheita e proporcionando economia de até US$ 52 por acre por safra.

* * *

No ano passado escrevi uma monografia sobre Agricultura de Precisão. Pretendo disponibilizá-la em breve, com novas adições ao blog.

Catala: Uma Linguagem de Programação para o Mundo Jurídico

Um interessante trabalho com este nome foi pré-publicado no site ArXiv no dia 4 de março último [dia em que o blog nasceu], apresentando a linguagem de programação Catala. Segundo seus criadores “é uma linguagem adaptada para programação sócio-fiscal-legislativa; uma linguagem que imita a estrutura lógica da lei”. A estrutura lógica da linguagem foi formalizada pela Professora Sarah Lawsky em seu artigo “Uma Lógica para Estatutos”. Apresentamos o resumo do artigo do ArXiv e os comentários do blog a respeito.

Catala: A Programming Language for the Law
DENIS MERIGOUX, Inria, France
NICOLAS CHATAING, Inria ENS Paris, France
JONATHAN PROTZENKO, Microsoft Research, USA

Resumo

A lei em geral sustenta a sociedade moderna, codificando e governando muitos aspectos da vida diária dos cidadãos. Muitas vezes, a lei está sujeita a interpretação, debate e contestação em vários tribunais e jurisdições. Mas em algumas outras áreas, o direito deixa pouco espaço para interpretação e visa essencialmente descrever com rigor um cálculo, um procedimento de decisão ou, simplesmente, um algoritmo. Infelizmente, a prosa sempre foi uma ferramenta lamentavelmente inadequada para o trabalho. A falta de formalismo deixa espaço para ambiguidades; a estrutura dos estatutos legais, com muitos parágrafos e subseções espalhados por várias páginas, torna difícil calcular o resultado pretendido do algoritmo subjacente a um determinado texto; e, como acontece com um software crítico mal especificado, o uso de linguagem informal deixa os casos mais difíceis sem solução.

Apresentamos Catala, uma nova linguagem de programação que projetamos especificamente para permitir uma tradução direta e sistemática da lei estatutária em uma implementação executável. Catala tem como objetivo reunir advogados e programadores através de um meio compartilhado, onde juntos eles possam entender, editar e evoluir, preenchendo uma lacuna que muitas vezes resulta em implementações dramaticamente incorretas da lei.

Implementamos um compilador para Catala e provamos a exatidão de suas etapas principais de compilação usando o assistente de prova F *. Avaliamos Catala em vários textos legais – que são algoritmos disfarçados, notadamente a seção 121 do imposto de renda federal dos Estados Unidos e os benefícios familiares bizantinos da França; ao fazer isso, descobrimos um “bug” na implementação oficial da lei . Observamos, como consequência do processo de formalização da linguagem, que o uso da Catala permite ricas interações entre advogados e programadores, levando a uma maior compreensão da intenção legislativa original, enquanto produz uma especificação executável “correta-por-construção”, reutilizável por um ecossistema de software maior.

Link para o trabalho na íntegra

Minhas considerações

Sarah B. Lawski. Professor of Law
Associate Dean of Academic Programs – Northwestern-Pritzker School of Law
(autora do trabalho “Uma Lógica para Estatutos“).

Voltando aqui para o home office, eu diria, em minha modesta opinião, que o fato de uma lei ser internamente consistente e livre de lacunas não significa necessariamente que ela seja uma boa lei. Uma abordagem algorítmica para a criação de tais procedimentos corre o risco de se tornar muito cientificista e automática [daí autoritária], de modo que podemos acabar com um grande corpo de leis que não pode ser questionado “porque foi ‘provado’ que está correto”. Lembro-me de uma observação que [o cientista da computação e matemático] Donald Knuth fez a respeito de um certo trecho de código. Era mais ou menos assim: “Cuidado ao usar isto; eu apenas provei que está correto, mas não tentei executá-lo”.

Por outro lado, o resumo do trabalho menciona que eles já descobriram um “bug” em uma lei ativa ao reescrevê-la em sua linguagem computacional. Portanto, essa pode ser uma ferramenta extremamente útil para encontrar casos extremos e brechas na legislação. E novamente, como o resumo menciona, para minha tranquilidade, o projeto se destina a leis que devem ser interpretadas 100% literalmente como um algoritmo. Essas leis existem e são exatamente aquelas que deveriam ser absolutamente consistentes.

Vou dar um exemplo de um campo em que, imagino, a lei e os contratos devem ser interpretados 100% literalmente como um algoritmo: finanças estruturadas. O prospecto de um título estruturado, por exemplo um título hipotecário, consiste normalmente de cem ou mais páginas de um texto jurídico muito denso, que foi trabalhado intensamente por advogados e banqueiros altamente especializados durante meses. Sua intenção é criar, digamos, uma empresa, de propósito específico, com regras rígidas sobre como operar até o último centavo, e discrição zero. Isso permite que os investidores (em teoria) entendam como será o desempenho do título.

Na literatura introdutória à análise de crédito estruturado, que tenho estudado, um dos autores diz que nunca leu um prospecto para um título estruturado que não contivesse erros de redação. Esse é um tipo de erro que não pode ser encontrado por um sistema formal determinístico, como a máquina de Turing de nossos computadores.

Eu concordo com o sentimento, no que se refere aos erros. De fato, os engenheiros têm a capacidade de automatizar alguns problemas muito complexos, mas sempre haverá uma classe de problemas além da automação, simulação, análise, etc. Temos apenas que aceitar que a única maneira de resolvê-los é com trabalho lento, difícil e sujeito a erros. Algumas coisas são simplesmente complexas demais para se fazer [note que estamos falando de computação clássica].

Essa é uma novidade sofisticada da qual se espera que ajude a evitar erros, reduzir custos do sistema jurídico, aumentar a consistência, etc. Tenho a impressão, porém, que ela será aplicada às leis existentes de forma mais geral do que o resumo parece sugerir.

Novas leis serão feitas com esse novo fator em mente, aumentando a aplicação da ideia, independentemente de as novas leis serem ou não interpretáveis ​​literalmente. Catala provavelmente não causará uma revolução jurídica amanhã, mas espero que possa ser o início de uma lenta reforma em direção à precisão linguística e à compatibilidade com as máquinas na legislação do futuro.

Post Scriptum

Um texto sobre linguagem de programação não poderia estar completo sem um exemplo da sintaxe. Pensei em dar uma mostra interessante e bastante genérica de como a Catala poderia ser implementada. Isso motivou uma visita ao wiki para pesquisar algum exemplo histórico de dispositivo legal. O que descobri não podia ser mais a propósito: o código de Ur-Nammu [ver DuckDulckGo ou Google], a mais antiga peça de legislação que se conhece. Escolhi como exemplo o artigo 14, que me parece bem em linha com os mores de nosso tempo, e que dispõe basicamente:

Se um homem acusou a esposa de um homem de adultério, e a provação do rio provar sua inocência, então o homem que a acusou deve pagar um terço de uma mina de prata.

Código de Ur-Nammu, art. 14

Eis a justiça em ação. Se ela se afogar, ela é culpada. Se ela sobreviver, alguém receberá 1/3 de uma mina de prata. O rei Ur-Nammu é vago aqui quanto a quem fica com o dinheiro. Provavelmente o marido.

Como poderíamos codificar isso em Catala? Vou começar, e quem quiser pode contribuir nos comentários:

declaration structure Pessoa:
    data id content integer

  declaration structure Periodo:
    data inicio content date
    data fim content date

  declaration structure CasalCasado:
    data adulterio_data content date
    data marido content Pessoa
    data mulher content Pessoa
   
  declaration structure AcusacaoDeAdulterio:
    data casal1 content CasalCasado
    data acusador content Pessoa
    data adulterio_data content Periodo
   
  declaration structure Rio
    data id content integer
 
  declaration structure ProvacaoPelaAgua:
    data acusado content Pessoa
    data rio1 content Rio
    data data_da_provacao content Periodo

  declaration scope LeiDeUrNammu:
    context requisitos_atendem condicao
    context casados_atendem condicao
    context acusado_enquanto_casado_atende condicao
    context provado_pela_água_atende condicao

Conceito da Linguagem (Segundo os criadores, no GitHub)

Catala é uma linguagem adaptada para a programação sócio-fiscal ancorada na legislação. Ao anotar cada linha do texto legislativo com seu significado em termos de código, pode-se derivar uma implementação dos complexos mecanismos sócio-fiscais que apresentam um alto nível de segurança quanto à fidelidade do código-lei.

Concretamente, primeiro você deve reunir todas as leis, ordens executivas, casos anteriores, etc. que contenham informações sobre o mecanismo sócio-fiscal que você deseja implementar. Em seguida, você pode prosseguir para anotar o texto artigo por artigo, em seu editor de texto favorito:

Depois que seu código estiver completo e testado, você pode usar o compilador Catala para produzir uma versão PDF de sua implementação legível por advogado. A linguagem Catala foi especialmente desenvolvida em colaboração com profissionais do direito para garantir que o código possa ser revisado e certificado como correto pelos especialistas de domínio, que neste caso são advogados e não programadores.

Captura de uma tela com uma rotina em Catala

Sem Paris: Risco de Degelo Antártico Descontrolado

Como dizem por aí, e a maioria diz que a maioria diz, o mundo corre um risco crescente de desencadear um aumento acelerado e potencialmente incontrolável do nível do mar a partir do derretimento do manto de gelo da Antártica, se as emissões de gases de efeito estufa não forem rigorosamente reduzidas. No entanto, esse destino pode ser evitado se as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, de acordo com dois novos estudos publicados nesta quarta-feira (05/05).

Plataforma de gelo se parte no Mar de Weddel, Antártica, formando um cânion de 100 m de altura e largura crescente.

Está em jogo a viabilidade de megacidades costeiras como Xangai, Manila e Nova York, bem como de nações inteiras como as Maldivas. A gravidade do aumento do nível do mar depende muito do ritmo e da extensão do derretimento das duas maiores massas de gelo do mundo: Antártica e Groenlândia.

O Acordo de Paris, alcançado em 2015 depois de muitas negociações, prevê limitar o aquecimento adicional do planeta a “bem abaixo” de 2°C e que os países se esforcem para manter o aquecimento em 2100 a não mais que 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Mas o globo já aqueceu cerca de 1,2°C em comparação com a era pré-industrial, e as promessas modestas dos países em Paris, até agora, nos colocam em curso para cerca de 3°C de aquecimento até 2100.

Já há evidências de que o aquecimento está desestabilizando partes da Antártica. As plataformas de gelo flutuantes que sustentam partes do manto de gelo continental da Antártica Ocidental estão se afinando à medida que a água quente do oceano se esgueira por baixo, enquanto as altas temperaturas do ar as corroem por cima. À medida que as massas de gelo terrestre perdem o apoio desse gelo oceânico, elas aceleram o fluxo do interior para o mar, como se removêssemos o calço de uma porta.

O climatologista Rob DeConto, da Universidade de Massachusetts em Amherst – autor de um dos novos estudos, bem como outros cientistas, mostraram que há também a possibilidade de que enormes penhascos de gelo, maciços e instáveis, ​​possam se formar na borda das geleiras – e entrar em colapso repentino.

Geleira derrete na Antártica. Em vermelho, o derretimento mais intenso

Os estudos, ambos publicados na revista Nature, mostram que as taxas futuras de aumento do nível do mar estão intimamente ligadas à rapidez [ou falta de] com que as emissões de gases de efeito estufa serão reduzidas no curto prazo.

Ambos os trabalhos concordam que se o aquecimento se limitar às metas de Paris – uma grande incógnita, dadas as tendências recentes de emissões – o aumento do nível do mar na Antártica continuará no mesmo ritmo de hoje até 2100.

Nessa altura, o continente terá contribuído com cerca de nove centímetros para o aumento global do nível do mar.

Contudo, se o aquecimento seguir o cenário de 3°C ou mais, a elevação do nível do mar pode começar a acelerar irreversivelmente logo em 2060, mostra o trabalho liderado pelo DeConto, e atingir 15 a 34 centímetros, em 2100.

Magnitudes muito maiores de aumento do nível do mar ocorreriam após 2100, da ordem de vários metros, se as emissões continuassem altas até o próximo século, mostra o estudo. “Esse é um tipo de mudança ambiental catastrófica, que vai alterar totalmente o mundo”, disse DeConto.

DeConto e seus colegas usaram centenas de simulações do comportamento do manto de gelo em modelos de computador, para recriar perdas de gelo e elevação do nível do mar (históricas e recentes) e fazer projeções futuras.

Realmente não estamos encontrando nos dados nenhuma maneira de desacelerar as coisas, depois que a camada de gelo começar a derreter rapidamente

Os pesquisadores descartaram as projeções inconsistentes com observações e dados históricos. Eles também incorporaram 16 anos de imagens de satélite detalhadas, para ajudar a tornar a modelagem o mais precisa possível. Nas simulações, eles limitaram os parâmetros de instabilidade dos penhascos de gelo ao que é realmente observado nas geleiras na Groenlândia. Contudo, DeConto observou que essa instabilidade continua sendo um fator – ainda desconhecido – que pode acelerar dramaticamente a perda de gelo da Antártica.

O outro estudo, liderado por Tamsin Edwards do Kings College no Reino Unido, analisou a perda de gelo terrestre em todo o mundo e descobriu que limitar o aquecimento global a 1,5°C cortaria pela metade a contribuição do gelo terrestre para o aumento do nível do mar em comparação com o ritmo atual.

O estudo conduzido por Edwards não inclui a plataforma glacial oceânica, nem as instabilidades dos penhascos de gelo – que podem aumentar drasticamente o derretimento da Antártica. Ele adverte que a perda de gelo daquele continente pode estar sendo até cinco vezes maior do que a registrada, o que aumentaria a contribuição para o aumento do nível do mar para até meio metro em 2100.

Devido em grande parte à instabilidade das plataformas de gelo e à baixa altitude das áreas do interior da Antártica ocidental, essa parte da camada de gelo constitui um dos muitos – e temidos – “pontos de inflexão” das mudanças climáticas. “Realmente não estamos encontrando nenhuma maneira de desacelerar as coisas, depois que a camada de gelo começar a derreter rapidamente”, disse DeConto.

DeConto e seus colegas descobriram que o degelo descontrolado ocorreria mesmo se tecnologias para descarbonizar a atmosfera – que ainda estão em sua infância – fossem empregadas no final deste século.

“Este estudo é um lembrete gritante de que são necessários cortes profundos e sustentados nas emissões de gases de efeito estufa”, diz a co-autora do estudo Andrea Dutton, da Universidade de Wisconsin-Madison.

Dutton observou que a taxa de aumento do nível do mar pode saltar rápida e acentuadamente, incluindo no futuro próximo entre 2050 e 2070, se as emissões permanecerem altas, anulando os esforços dos residentes das regiões costeiras para lidar com o aumento das inundações.

Conclusão: os novos estudos mostram que limitar o aquecimento global por meio de cortes de emissões agora evita efeitos dispendiosos e disruptivos no futuro.

O Trabalho Remoto Veio Para Ficar (e isso é bom)

Até o presente momento, o escritório do futuro se parece muito com o escritório que você deixou há muitos meses e não o vê desde então. A maioria das pessoas que conseguiram trabalhar em casa durante a pandemia não voltou para o escritório e não quer voltar até que haja vacinação em massa.

Não está claro quando, ou se algum dia – o que é precisamente o ponto deste post – os escritórios retornarão ao nível anterior de atividade. Até o último mês de março pouco menos de 15% dos trabalhadores de escritório haviam retornado à cidade de Nova York, o maior mercado de escritórios dos Estados Unidos. Nas grandes cidades daquele grande país, as taxas de ocupação de prédios comerciais estão oscilando em torno de 25% em média, já que muitos trabalhadores permanecem presos no limbo. Ainda não é seguro retornar à capacidade total e não está claro se escritórios operando em capacidade parcial são uma solução melhor do que pessoas trabalhando em casa.

O aluguel de imóveis também diminuiu rapidamente, já que os trabalhadores administrativos / criativos passaram a trabalhar em suas salas de estar, varandas e dormitórios. Os Leviatãs da tecnologia, como Facebook e Microsoft estão oferecendo aos funcionários a oportunidade de trabalhar remotamente para sempre. Enquanto isso, empresas com menos experiência digital estão avaliando o futuro de seus imóveis e a localização de seus funcionários.

Todo o panorama do trabalho de escritório mudou, mas os próprios espaços físicos de trabalho ainda precisam mudar muito. A planta aberta ainda predomina na paisagem do escritório, e robôs exterminadores de germes ainda pertencem aos sonhos dos bloguistas tecno-científicos. Em vez disso, para estimular a volta dos trabalhadores aos escritórios, muitos empregadores adotaram uma série de pequenas precauções para torná-los mais seguros – ou para dar a aparência de segurança – mas a maioria adiou grandes e dispendiosas alterações em suas instalações até que haja mais certeza sobre a questão da imunização, o que em última análise irá definir o futuro do escritório como o conhecemos. Podemos dizer que, se depender do estudo da Universidade de Chicago do qual traduzimos o resumo abaixo, esse futuro nunca esteve tão ameaçado.

* * *

Por Que Trabalhar em Casa Vai Pegar

Jose Maria Barrero, Nicholas Bloom, Steven J. Davis

Resumo

A COVID-19 levou a um experimento social em massa sobre trabalhar em casa (TEC). Pesquisamos mais de 30.000 americanos nas várias ondas da doença, para investigar se o TEC vai durar e por quê. Nossos dados dizem que, após o fim da pandemia, 20% dos dias de trabalho completos serão executados de casa, em comparação com apenas 5% antes. Desenvolvemos evidências sobre cinco razões para esta grande mudança: experiências de home office melhores do que a esperada; novos investimentos em capital físico e humano que permitem o trabalho em casa; estigma muito reduzido associado ao trabalho em casa; preocupações persistentes sobre multidões e riscos de contágio e um surto de inovações tecnológicas possibilitadas pela pandemia que agora suportam o home office.

Também usamos os dados da nossa pesquisa para projetar três consequências: Primeiro, os funcionários desfrutarão de grandes benefícios com mais trabalho remoto, especialmente aqueles com rendimentos mais altos. Em segundo lugar, a mudança para TEC reduzirá diretamente os gastos nos grandes centros das cidades em pelo menos 5 a 10% em relação à situação pré-pandêmica. Terceiro, nossos dados sobre o planejamento do empregador e a produtividade relativa do trabalho em casa implicam em um aumento de 5% na produtividade na economia pós-pandemia devido a re-arranjos otimizados de trabalho. Apenas um quinto desse ganho de produtividade vai aparecer nas métricas de produtividade convencionais, porque elas não capturam a economia de tempo possibilitada por menos deslocamento físico.

Na íntegra em bfi.uchicago.edu, incorporada abaixo.