O Software Está Engolindo o Carro

As previsões de cortes na produção global de veículos causadas pela contínua escassez de semicondutores continuam a fazer notícia. Em janeiro, analistas previram que 1,5 milhão de veículos a menos seriam produzidos como resultado da escassez; em abril, esse número subiu de forma constante para mais de 2,7 milhões de unidades e, em maio, para mais de 4,1 milhões de unidades.

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A escassez de semicondutores realçou não apenas a fragilidade da cadeia de suprimentos automotiva, mas também colocou um holofote na dependência da indústria automotiva nas dezenas de computadores embarcados – e ocultos – nos veículos hoje.

“Nenhuma outra indústria está passando por uma mudança tecnológica tão rápida quanto a indústria automotiva”, diz Zoran Filipi, presidente do Departamento de Engenharia Automotiva do Centro Internacional de Pesquisa Automotiva da Universidade Clemson.

O fenômeno é impulsionado pela necessidade de atender a regulamentos de emissões de CO2 cada vez mais rigorosos, e ao mesmo tempo manter um ritmo de progresso sem precedentes no desenvolvimento da automação e infoentretenimento, sem deixar de atender às expectativas do cliente em relação a desempenho, conforto e utilidade.

Os próximos anos vão trazer mudanças ainda maiores, à medida que mais fabricantes de automóveis se comprometem a descontinuar a produção de veículos movidos a motor de combustão interna (MCI) para atender às metas globais dos acordos de combate às mudanças climáticas, substituindo-os por veículos elétricos (EVs) que em dia serão capazes de operação autônoma .

A última década de desenvolvimento dos veículos a combustão ilustra o rápido progresso que se fez, bem como para onde estamos indo.

Queda de produção de automóveis em 2021 devido à falta de chips – Gráfico: Mark Montgomery

“Antes, o software fazia parte do carro. Agora, o software determina o valor de um carro ”, observa Manfred Broy, professor emérito de informática na Universidade Técnica de Munique e um dos maiores especialistas em software para automóveis. “O sucesso de um carro depende muito mais de seu software do que do lado mecânico.” Quase todas as inovações de veículos introduzidas pelos fabricantes de automóveis, ou fabricantes de equipamento original (FEO – do inglês OEM ‘Original Equipment Manufacturer’), como são chamados por especialistas da indústria, agora estão vinculadas ao software, diz ele.

Dez anos atrás, apenas carros premium continham 100 unidades de controle eletrônico (UCEs) baseadas em microprocessadores em rede ao longo da carroceria, executando 100 milhões de linhas de código ou mais. Hoje, carros sofisticados como o BMW série 7 com tecnologia avançada, como sistemas avançados de assistência ao motorista (SAAM), podem conter 150 UCEs ou mais, enquanto picapes como o F-150 da Ford chegam a 150 milhões de linhas de código. Mesmo veículos de baixo custo estão se aproximando rapidamente de 100 UCEs e 100 milhões de linhas de código, já que mais recursos que antes eram considerados opções de luxo [como controle de cruzeiro adaptável e frenagem automática de emergência] estão se tornando padrão.

Itens de segurança adicionais exigidos desde 2010, como controle eletrônico de estabilidade, câmeras de ré e chamadas de emergência automáticas (eCall, na União Européia), bem como padrões de emissão mais rigorosos [que os veículos a combustão só podem atender usando componentes eletrônicos e aplicativos ainda mais inovadores], impulsionaram ainda mais a proliferação de software.

A consultoria Deloitte Touche Tohmatsu Limited estima que, a partir de 2017, cerca de 40% do custo de um carro novo pode ser atribuído a sistemas eletrônicos baseados em semicondutores, custo esse que dobrou desde 2007. Eles estimam que esse total se aproximará de 50% até 2030. A empresa estima ainda que cada carro novo hoje tem cerca de US$ 600 em semicondutores embarcados, totalizando cerca de 3.000 chips de todos os tipos.

Contabilizar o número de UCEs e linhas de código dá apenas uma ideia da intrincada orquestração de software encontrada nos veículos hoje. Ao observar como esses sistemas atuam juntos, uma complexidade extraordinária começa a emergir:

  • Novos recursos de segurança, conforto, desempenho e entretenimento,
  • O imperativo comercial de oferecer dezenas de opções aos compradores, resultando em uma multiplicidade de variantes para cada marca e modelo,
  • A mudança de carros a gasolina e motoristas humanos para carros elétricos e motoristas artificialmente inteligentes
  • As centenas de milhões de linhas de códigos que precisarão ser escritas, verificadas, depuradas e protegidas contra hackers

Tudo isso está transformando carros em supercomputadores sobre rodas e forçando a indústria automobilística a se adaptar. Mas conseguirá ela se adaptar?

A Unidade de Controle Eletrônico

A unidade de controle eletrônico está no centro de todas as inovações automotivas. Saiba como a história se desdobrou.

A era da eletrônica embarcada começou com a invenção dos dispositivos semicondutores, MOSFETs e evoluiu para sistemas mais complexos, como a UCE. Em 1978 a General Motors introduziu o primeiro sistema eletrônico em um automóvel. O resto, como dizem, é história.

Desde o seu início até a sua forma atual, a UCE moldou a evolução dos automóveis em todos os aspectos. Dos componentes mais simples, como a tampa da gasolina, aos mais complexos como o trem de força, a unidade de controle eletrônico tem capacidade de gerenciar os vários sensores com uma eficiência que um sistema mecânico jamais conseguiria.

Uma UCE é essencialmente um sistema embarcado construído sobre um microcontrolador automotivo. Junto com o software automotivo e os protocolos de comunicação, uma UCE é capaz de controlar todos os sistemas e subsistemas elétricos de um veículo. UCEs mais avançadas também se comunicam com a nuvem e até mesmo com outros veículos e infraestruturas usando tecnologias V2V e V2X.

Quando as unidades de controle foram introduzidas, elas eram responsáveis ​​por controlar diferentes atuadores em um motor de combustão interna. Por essa razão, foi chamada de Unidade de Controle do Motor. Com o tempo, o termo UCE passou a prevalecer à medida que evoluía para um sistema capaz de controlar o trem de força, a transmissão, os freios, os assentos e tudo o mais.

Eletrônica automotiva: Cadillac a Tesla

Os números falam mais alto que as palavras. E este gráfico faz toda a justiça à influência da eletrônica no setor automotivo. Ele também oferece insights sobre a jornada da eletrônica automotiva. O que vemos aqui é um gráfico da contribuição do custo do UCE automotivo ao custo total do carro, entre 1950 e 2030. Pelo gráfico, é claro e evidente que a presença de dispositivos eletrônicos nos carros não cresceu da noite para o dia.

Foi necessário três décadas de inovações tecnológicas, pesquisa e desenvolvimento persistente de produtos automotivos, juntamente com outros fatores importantes, para que finalmente a eletrônica chegasse a 10% do custo total na década de 1980.

Para ser mais específico, a introdução da Unidade de Controle de Airbags e a demanda por carros com baixo consumo de combustível também contribuíram para o rápido crescimento da eletrônica durante 1970-1980.

1990-2010 pode ser considerado como o melhor período de crescimento para a eletrônica automotiva. Fabricantes como Toyota, Ford e Honda introduziram nesse período automóveis com GPS, multimídia, sistemas de diagnóstico avançado, sensor de ré e câmeras e sistemas de assistência ao motorista.

Com tecnologias avançadas, como os carros autônomos baseados em sensores LiDAR, o carro invisível da Land Rover e o carro flutuante da Toyota, prevê-se que, em 2030, a eletrônica automotiva contribuirá com 50% do custo total do carro. É fazer deduzir que a eletrônica automotiva está levando uma vida de sonhos nos últimos anos. E do jeito que essa história se desenrola, tudo parece na iminência de acontecer não só para trazer uma melhor experiência de direção, mas também para que as estradas do mundo possam ser mais seguras.

Fontes:

https://spectrum.ieee.org/

https://www.embitel.com

Estamos Vivendo em Uma Realidade Simulada?

Dezenas de posts e artigos parecidos com este abundam na Internet brasileira. Mas a qualidade é, em geral, duvidosa para dizer o mínimo. Muito do material disponível é entremeado de pseudo-ciência e verborragia da Nova Era. Meu blog nasceu para ajudar no combate à superstição e ao pensamento mágico. Ele não estaria completo sem uma versão caseira dessa discussão, feita à minha maneira. De qualquer forma, o debate sobre esse tópico não avançou muito desde 2003, e todos, no fim, ainda falam praticamente a mesma coisa. Fica como meu registro particular.

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Estamos vivendo em uma simulação? Embora tenha havido uma boa quantidade de reflexões secundárias e propostas mal elaboradas em torno da hipótese, há na verdade um grupo significativo de respeitáveis ​​filósofos e físicos contemporâneos que estão considerando seriamente a ideia e suas implicações.

O argumento como o conhecemos hoje apareceu pela primeira vez em um artigo do filósofo sueco Nick Bostrom, em 2003, que se posicionou tanto a favor quanto contra a proposição de um universo simulado e então explorou uma série de consequências que resultam da proposição. Os pontos principais aparecem no início do argumento, no qual Bostrom afirma que pelo menos uma das seguintes premissas é verdadeira:

  • É muito provável que a espécie humana extinga-se antes de atingir um estágio “pós-humano”.
  • É extremamente improvável que qualquer civilização pós-humana execute um número significativo de simulações de sua história evolutiva (ou variações dela).
  • Quase certamente estamos vivendo em uma simulação de computador.

Bostrom chama isso de trilema. Estaremos revisitando esses pontos à medida que exploramos os argumentos.

O Trilema de Bostrom

Bostrom é indeciso sobre a validade da hipótese da simulação, embora seja o propositor original e um dos seus principais defensores. Ele acredita que há uma chance significativa de que um dia haja entidades pós-humanas, talvez nossos descendentes, capazes de criar uma simulação de seus ancestrais – implicando que isso já pode ter acontecido e somos nós a simulação.

Bostrom aceita o argumento, mas rejeita a hipótese da simulação. Ele afirma:

“Pessoalmente, atribuo menos de 50 por cento de probabilidade à hipótese de simulação – algo em torno de 20 por cento, talvez. No entanto, esta estimativa é uma opinião pessoal subjetiva e não faz parte do argumento da simulação. Meu raciocínio é que não temos evidências fortes a favor ou contra qualquer um dos três disjuntos (1) a (3). Portanto faz sentido atribuir a cada um deles uma probabilidade significativa. “

Ele prossegue dizendo que embora alguns filósofos aceitem o argumento da simulação, as razões deles para isso diferem de várias maneiras. Bostrom é rápido em apontar que esta não é uma variante do famoso experimento mental do cérebro-em-uma-cuba de Descartes.

… o argumento da simulação é fundamentalmente diferente desses argumentos filosóficos tradicionais … O propósito do argumento da simulação é diferente: não é estabelecer um problema cético como um desafio às teorias epistemológicas e ao senso comum [como fez Descartes], mas sim argumentar que temos razões empíricas para acreditar que uma certa afirmação disjuntiva sobre o mundo é verdadeira.

Seu argumento da simulação depende de capacidades tecnológicas hipotéticas e de seu emprego na criação de um universo – e um mundo – perfeitamente simulado, que incluiria nossas mentes e as experiências do que consideramos “realidade”.

Descobrimos as Leis da Simulação?

Em uma discussão abrangente e elucidativa, alguns anos atrás, Max Tegmark, cosmologista do MIT, apresentou alguns argumentos sobre a natureza da simulação, comparando-a a um videogame.

Se eu fosse um personagem de um jogo de computador, eu também acabaria descobrindo em algum momento que as regras a que eu estivesse submetido pareceriam completamente rígidas e matemáticas. Isso refletiria o código de computador em que o jogo foi escrito.

O seu ponto é que as leis fundamentais da física acabarão nos concedendo a capacidade de criar computadores cada vez mais poderosos, muito além de nossa capacidade atual. Essas estruturas poderão ser do tamanho de sistemas solares, talvez até de galáxias. Com tanto poder de computação, poderíamos facilmente simular mentes – se de fato isso já não acontece.

Sob a suposição de que estamos em um sistema supercomplexo que roda em computadores do tamanho de uma galáxia, alguns detratores da hipótese argumentam que deveríamos, então, ser capazes de detectar algumas “falhas na Matriz”, como os riscos e manchas que vemos em um filme.

Bostrom é rápido em apontar que qualquer falha que viéssemos a encontrar poderia ser atribuída a perturbações de nossa mente. Isso inclui alucinações, ilusões e outros tipos de eventos psiquiátricos. Se qualquer tipo de falha ocorresse, o que é esperado em um sistema de computação, Bostrom acredita que os simuladores – vastamente inteligentes – seriam capazes de contornar o problema:

… ter a capacidade de impedir que as criaturas simuladas percebam anomalias na simulação. Isso poderia ser feito evitando por completo a ocorrência de anomalias, ou impedindo que as anomalias tivessem ramificações macroscópicas perceptíveis, ou ainda editando retrospectivamente os estados cerebrais dos observadores que testemunhassem algo suspeito. Se os simuladores não quiserem que saibamos que estamos sendo simulados, eles poderão facilmente nos impedir de descobrir.

Bostrom passa a considerar que ter essa capacidade de editar a realidade percebida não é uma coisa tão absurda, visto que nossos cérebros orgânicos já fazem isso: quando estamos no meio de um sonho fantástico, geralmente não percebemos que estamos sonhando e esse truque simples é realizado por nosso cérebro sem nenhuma ajuda tecnológica.

Testando Experimentalmente a Hipótese da Simulação

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Zohreh Davoudi, física da Universidade de Maryland, acredita que podemos testar empiricamente se estamos ou não em uma simulação.

“Se considerarmos que uma simulação subjacente do universo tem o mesmo problema de recursos computacionais finitos que nós temos, então as leis da física desse universo devem ser comprimidas em um conjunto finito de pontos dentro de um volume também finito. Daí então, fazemos experimentos e tentamos verificar se as assinaturas que detectamos nos revelam se estamos ou não inseridos em um espaço-tempo não contínuo.”

A evidência que provaria que estamos vivendo em uma simulação poderia vir de uma distribuição incomum de raios cósmicos atingindo a Terra, sugerindo que o espaço-tempo não é contínuo, mas sim feito de pontos discretos – embora o problema de provar que você está em simulação implique que qualquer evidência encontrada também pode ser simulada.

Davoudi traz à tona um antigo ponto teológico com uma premissa atualizada e moderna.

… O que é chamado de simulação são apenas parâmetros iniciais que você insere em um modelo e o universo, a natureza e as leis da física emergem naturalmente, como resultado. Você não tenta fazer parecer que algo está acontecendo. Você não interfere com o que você criou. Você apenas insere algo bem fundamental e deixa a coisa evoluir – exatamente como nosso universo.

Outros comentaristas observaram que essa conceitualização é semelhante ao teísmo, a ideia de que “deus” foi a causa primeira que colocou o universo em movimento, mas não interferiu nele depois. Da simplicidade dessas leis da física emergem processos complexos que parecem ter continuado a crescer e evoluir à medida que o universo envelhece.

Argumentos Contra a Hipótese da Simulação

A física teórica Sabine Hossenfelder, da Goethe University Frankfurt, está no grupo que acredita que a hipótese da simulação é simplesmente uma bobagem. Hossenfelder também tem problemas com a natureza do argumento e a maneira como a teoria é apresentada. Ela diz:

Proclamar que ‘o supremo programador fez’ não apenas não explica nada; isso nos remete de volta à era da mitologia. A hipótese da simulação me incomoda porque se intromete no terreno dos físicos. É uma afirmação ousada sobre as leis da natureza que, no entanto, não se submete ao que sabemos sobre as leis da natureza.

Hossenfelder acredita que há uma maneira trivial de dizer que o argumento da simulação está, sim, correto:

“Você poderia simplesmente interpretar as teorias atualmente aceitas como significando que nosso universo ‘calcula’ as leis da natureza. Logo, é tautologicamente verdade que vivemos em uma simulação de computador. É também uma afirmação totalmente sem consequência.”

Saindo do reino da lógica linguística e entrando na matemática e nos fundamentos da física, Hossenfelder continua a explicar que um universo quântico como o nosso não pode ser construído com bits clássicos. É também preciso levar em consideração a relatividade especial, que ninguém que tenha testado qualquer tipo de hipótese experimental foi capaz de contornar.

Impossível Distinguir um Universo Simulado

Lisa Randall, uma física teórica da Universidade de Harvard, se diz perplexa em saber o quanto este tópico é levado a sério. Sua lógica opera sob a premissa de que essa ideia nunca poderá ser testada cientificamente e é apenas uma mera armadilha linguística para os cientistas.

“Na verdade, estou muito interessada em saber por que tantas pessoas acham que essa é uma questão interessante”, diz ela sobre o assunto.

Sua previsão é que as chances de que o argumento esteja correto são efetivamente zero. Não há nenhuma evidência concebível de que estamos vivendo em uma simulação. Isso funciona em paralelo com o conceito ancestral de um deus criador. A única diferença é que, na simulação, um sistema computacional assume o lugar do antigo arquiteto, Jeová.

Para realmente distinguir uma simulação, é preciso detectar claramente uma quebra na nossa noção das leis da física ou em algumas das propriedades fundamentais subjacentes. Para simular o universo, você precisa do poder computacional do universo inteiro.

Conceito: Bijuteria Ativa Contra Contaminação

Hoje falo sobre uma ideia para uma classe de dispositivos que pretende evitar a contaminação da face [e daí mucosas] pelas mãos. Tendo em vista o processo kafkiano-bizantino ao qual um pedido de patente industrial é submetido nestes trópicos esquecidos por Deus (além dos recursos envolvidos), optei por usar este blog para transformar a ideia em “prior art”, de forma que ela, sendo pública, não possa mais ser patenteada por ninguém. Ela agora é open-source e pode ser implementada por quem assim desejar.

E se a bijuteria de uso diário pudesse ajudar na prevenção à contaminação da face pelas mãos? – Imagem`iStock

No início da pandemia de Covid houve uma grande corrida em busca de todos os métodos de prevenção imagináveis. Muitos achavam que a tecnologia digital viesse rapidamente ao socorro com suas maravilhas. Falou-se muito em variados tipos de sensores e atuadores que pudessem ajudar com o problema da exposição e contaminação, e algumas idéias chegaram a flutuar no espaço cognitivo global. A explosão da pandemia e a necessidade de tratar de temas mais prementes tiraram o foco da busca por soluções tecnológicas “duras” para concentrar os esforços nas vacinas.

Quanto à contaminação por Covid (assim como de outras doenças, como a gripe), os especialistas constantemente ressaltam que – para além da transmissão aérea – o grande ponto vulnerável no que se refere à fisicalidade da transmissão/contato é o ‘sistema’ face-mão. Levamos as mãos à face inúmeras vezes durante o dia. Levamos as mãos aos olhos, nariz e boca. Ao ouvido e ao topo da cabeça. Quase nunca percebemos. É um ato de segunda natureza, que executamos através do sistema límbico, não envolvendo a consciência no processo.

Seria então interessante se pudéssemos, diante de uma ameaça tão conspícua, imprevisível e traiçoeira como a Covid, nos abster de muita atividade descontrolada entre a face e a mão. Poderíamos usar a tecnologia para ajudar nessa tarefa, uma vez que nosso equipamento inato de controle mental e atenção é tão sujeito a falhas?

Entra minha ideia

Após considerar a questão por um tempo, percebi que a solução poderia ser implementada com o uso da lei de Lorentz, que descreve a interação entre campos magnéticos. Portanto, esse problema particular tem uma solução, e uma solução relativamente barata: um detector de metais que vamos elevar à glória, tornando-o um item de moda.

Caso de uso: alertar o indivíduo quando sua mão começa a se movimentar em direção ao rosto.

Ação pretendida: emitir um sinal – tátil ou sonoro – que possa fazer o usuário interromper o gesto e focar sua atenção nas ações corporais sendo executadas.

É facil perceber que a mão precisa atravessar o nível da base do pescoço para tocar a face. Portanto, se pudermos detectar a mão cruzando a linha da base do pescoço – ou, melhor ainda, detectar o início do movimento ascendente em direção à face, podemos emitir um discreto alerta – tátil ou sonoro – com antecedência de vários décimos de segundo, para quebrar a ação inconsciente do usuário.

Implementação

Um colar ou gargantilha, contendo a unidade de carga útil (chip sensor de campos magnéticos, bateria, processador, transmissor) atuando em conjunto com anéis ornamentais de compostos ferromagnéticos [talvez hematita ferrosa? magnetita? Deixo aos engenheiros de materiais decidir], que funcionarão passivamente nas mãos do usuário.

Funcionamento

Porque usar análogo à hematita: um anel de hematita ferrosa, por exemplo, tem duas vantagens:

Os vetores correspondentes à densidade de força magnética que o chip-sensor (em laranja, acondicionado dentro do pingente do colar) mede enquanto o campo magnético do anel se move relativamente a ele. Essa correlação de forças pode ser usada por um processador como limiar para ativação de disparo de um alerta.- Imagem por Maschen – Own work, CC0

1. É um adorno esteticamente agradável, conhecido e usado pelas diversas culturas humanas por séculos. O conjunto colar-anel pode ser integrado de várias maneiras, deixando amplo espaço de criação para designers.

2. A vantagem principal que determina a escolha do material: Os anéis de hematita [ou análogo] enriquecida, por possuirem propriedades ferromagnéticas, podem ter seu movimento [i.e., o deslocamento de seu campo magnético] detectado pelo chip-sensor embutido no pingente do colar ou gargantilha. A mudança nos parâmetros do campo magnético (Lei de Lorentz), provocada pelo deslocamento do anel – medida rápida e precisamente pelo chip-sensor – causará o disparo de um alerta sonoro ou tátil. O alerta pretende quebrar o automatismo do movimento do usuário, tornando consciente o gesto físico, idealmente fazendo com que o usuário interrompa, cancele o movimento, ou pense conscientemente sobre o estado das mãos, antes de prosseguir com o toque da face.

Para Concluir

Claro que esse é um esboço muito cru do conceito. Muitos parâmetros não são considerados e terão que ser descobertos em campo. Suspeito que talvez não se aplique universalmente, por ser uma peça ornamental, ou por outras questões whatever. Contudo ele descreve todos os elementos essenciais necessários. Cabe aos designers e aos profissionais de marketing fazer acontecer.

Essa é a típica atividade ‘hacker’. O termo – barbaramente incompreendido em várias línguas – se refere às pessoas que gostavam de desmontar (e depois montar) rádios, relógios, motores (e criar geringonças) na adolescência. Será que as pessoas ainda gostam? Este é um blog para pessoas com recursos intelectuais e hackers autênticos. Deixo então os detalhes da implementação para esses leitores imaginarem. Se alguém construir um, por favor mostre pra gente. Se alguém detectou alguma impropriedade na ideia, peço que nos oriente nos comentários.

A Era da Domótica

A cada vez mais popular tecnologia que permite a ‘computadorização’ das casas – por enquanto da parcela mais afluente da população – tem um nome raramente evocado, seja em fala ou escrita: Domótica. Segundo a corrente principal, o termo ‘domótica’ é uma composição entre a palavra latina “domus” (casa, lar) e as palavras “robótica” ou “eletrônica”. Outros dizem que é simplesmente uma contração da expressão “robótica doméstica” [‘domotics’, em inglês]. De qualquer forma, os proponentes da automação doméstica querem encher seu espaço de vida com tecnologias ‘espertas’.

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Em uma casa esperta, todos os sistemas e utensílios são auxiliados por computador e controlados remotamente. Isso permite, por exemplo, programar as luzes e o aquecimento para que se ativem ou desliguem sozinhos. É possivel fazer com que as luzes diminuam ao se aproximar a hora de dormir, ou programar utensílios para trabalhar em horários específicos. A imaginação é o limite.

A domótica também inclui dispositivos como campainhas ‘inteligentes’, fechamento/travamento automático de portas e gerenciamento de sistemas de alarme.

As razões do crescimento

Os casos de uso da automação residencial se enquadram em três categorias principais: conforto, eficiência e segurança. O público geral parece ter a percepção de que a domótica adiciona muito valor a esses aspectos-chave do ambiente doméstico. A seguir, alguns exemplos:

  • Conforto (e conveniência)

A automação residencial alivia sobremaneira o peso das tarefas domésticas. É possível configurar o aspirador para trabalhar por você. Não é preciso se lembrar de desligar a máquina de lavar quando a secadora estiver pela metade com a última carga – ela pode fazer isso sozinha.

A domótica também significa ter o controle remoto da tecnologia que roda em sua casa. Você pode desligar ou ligar as luzes sem ir até o interruptor [ou sem estar em casa]. Você pode configurar sua máquina de café para começar o preparo enquanto você fica na cama por mais uns minutos. As possibilidades são inúmeras.

  • Eficiência

Além do conforto, a domótica também propõe aumentar a eficiência da sua casa.

Uma casa ‘inteligente’ é uma grande aliada no controle do uso de itens como eletricidade, aquecimento e água. Quando sua casa pode desligar automaticamente as luzes e o aquecimento, você reduz substancialmente o desperdício de energia. Isso se traduz em economia de dinheiro e um ambiente mais sustentável.

  • Segurança

A automação residencial inclui tecnologias de segurança, como sistemas de alarme e campainhas inteligentes. É possível, por exemplo, definir o alarme remotamente. Se ele disparar por algum motivo, você tem um alerta automático imediato.

Como outro exemplo, sua casa pode gerenciar a iluminação de forma a parecer que você está em casa durante um feriado. Em vez de se preocupar por ter deixado o ferro de passar ligado, você pode relaxar sabendo que sua casa inteligente o desligou.

Há também os recursos que ajudam a proteger o patrimônio. Por exemplo, sensores de vazamento de água e detectores de fumaça/monóxido de carbono. É possível ser alertado sobre os problemas antes que eles causem danos irreversíveis.

As vulnerabilidades da domótica

Como acontece com qualquer tecnologia, também existem desvantagens a serem consideradas.

A primeira preocupação é a vulnerabilidade potencial a hackers e falhas técnicas. O que acontece se a porta da frente apresentar mau funcionamento e você ficar preso; ou se um ator mal-intencionado desativar seus alarmes? Essa preocupação é (parcialmente) mitigada através de uma maior educação/conscientização sobre segurança cibernética em geral – complementada por boas práticas. A instalação de atualizações regulares do ‘firmware’ é também de suma importância, assim como o uso de senhas fortes, com mais de 20 caracteres – este post de março se relaciona ao assunto.

A segunda preocupação gira em torno da privacidade e da proteção de dados. O uso da domótica gera dados e metadados de todos os tipos – dados sobre quando você está em casa, o que faz em casa e como usa seus eletrodomésticos [que, por serem ‘inteligentes’, são totalmente integrados ao sistema]. Esses dados são valiosos para todos os tipos de atores: anunciantes, cibercriminosos, corporações e o estado-nação [sim, todos nós temos algo a esconder]. Ao convidar a ‘Internet das Coisas’ (‘Internet of Things’ – IoT) para sua casa, você também convida novas camadas de vigilância e garimpagem de dados – inofensivas ou não.

Em terceiro lugar vêm as questões de integração e custos. Diferentes ferramentas de tecnologia doméstica nem sempre funcionam bem umas com as outras. Isso pode resultar em um gerenciamento complicado de muitos recursos. Ou em um compromisso involuntário de longo prazo com apenas uma ou duas marcas que funcionam integradas.

Imagine um mundo onde o trabalho doméstico não-criativo não mais existe. Sua casa se administra sozinha e você tem o controle, não importa onde esteja. Suas tarefas são executadas pela automação e seu tempo vai para os seus projetos, lazer e estar com a família/amigos. Em última análise, a domótica propõe economizar dinheiro, tempo e energia, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade de vida.

Como toda tecnologia, ela traz vantagens e oportunidades, mas também novos problemas e desafios. Para que adicione real valor e não se transforme em uma grande superfície a ser explorada para ataques ao bem-estar e ao patrimônio, ela demanda consciência nas ações e completa alfabetização digital. Voltaremos sempre a este assunto.

A Escassez de Chips e o Preço do Seu Smartphone

A Intel anunciou ontem (31/05) que pode levar vários anos para que a escassez global de semicondutores seja resolvida, um problema que já provocou o fechamento de várias linhas de produção de automóveis e que também está sendo sentido em outras áreas, incluindo produtos eletrônicos de consumo.

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O CEO Pat Gelsinger disse, em uma sessão virtual da feira Computex em Taipé, que a necessidade de atividades remotas na pandemia levou a um surto de crescimento explosivo na indústria de semicondutores, o que colocou uma grande pressão nas cadeias de suprimento globais.

“Embora a indústria tenha tomado medidas para absorver os efeitos das restrições no curto-prazo, ainda pode levar alguns anos para o que o ecossistema supere a escassez de capacidade de fundição, substratos e componentes.”

Gelsinger havia dito ao The Washington Post, em uma entrevista em meados de abril do ano passado, que a escassez levaria “alguns anos” para se resolver e que planejava começar a produzir chips domesticamente, dentro de seis a nove meses, para resolver a escassez nas fábricas de automóveis dos EUA.

A Intel anunciou um plano de US $ 20 bilhões em março passado para expandir sua capacidade de fabricação, construindo duas fábricas no Arizona.

Planejamos expandir para outros locais nos EUA e na Europa, garantindo ao mundo uma cadeia de fornecimento de semicondutores sustentável e segura

Os planos da Intel desafiam diretamente as duas outras empresas no mundo capazes de fazer chips avançados – A Taiwan Semiconductor Manufacturing e a Samsung Electronics, da Coréia do Sul.

As duas passaram a dominar o negócio de fabricação de semicondutores, com o deslocamento de seu centro de gravidade dos Estados Unidos, onde grande parte da tecnologia foi inventada, para a Ásia, onde atualmente são fabricados mais de dois terços dos chips avançados.

Tendência vem para durar

Essa tendência de aumento dos preços dos produtos eletrônicos não vai parar. Os fabricantes por certo não estão dispostos a dar seus smartphones no prejuízo.

O déficit do mercado também contribui para essa inflação do preço. A alta vai continuar e, já a partir do segundo semestre deste ano, teremos que começar a nos acostumar com os novos patamares de preços dos smartphones, alertou o vice-presidente da fabricante indiana Realme, Xu Qi.

Ele disse que a escassez aguda de chips 5G – entre os quais as plataformas Snapdragon 870 e Snapdragon 888 – começou a ser sentida no início do ano. Também havia escassez de processadores 4G. Além disso, o executivo da Realme observou que houve um aumento nos preços de memória, componentes para carregadores e outras peças. Esses itens adicionaram cerca de 10% aos preços.

Tudo isso afetará inevitavelmente o custo dos produtos finais. Usuários em vários países já começaram a migração ativa para os dispositivos com suporte para redes de quinta geração. O crescimento da demanda por esses modelos também forçará seu preço para cima.

(*) O texto foi editado em 01/06 para correções tipográficas