A Criptografia Homomórfica se Prepara para a Estréia

Noticias da IBM dão conta de que o primeiro sistema de encriptação homomórfica comercial está quase pronto para o horário nobre. É uma tecnologia realmente disruptiva que poderá tornar o Capitalismo de Vigilância uma tendência do passado. Primeiro, algum contexto. Existem três categorias gerais de criptografia. As duas clássicas são a criptografia para quando os dados estão em repouso ou armazenados, e a outra para “dados em trânsito”, que protege a confidencialidade dos dados que estão sendo transmitidos por uma rede.

A terceira é a peça que está faltando: a capacidade de computar chaves criptográficas para os dados, enquanto ainda eles ainda estão sendo processados. Uma criptografia dinâmica em tempo real, pode-se dizer.

Esta última é a chave para desbloquear todos os tipos de novos casos de uso. Isso porque, com a tecnologia comum disponível hoje, os dados têm forçosamente que ser desencriptados para que possam ser processados, o que sempre cria uma janela de vulnerabilidade. Essa janela de vulnerabilidade torna as empresas relutantes em compartilhar dados altamente sensíveis envolvendo, por exemplo, finanças ou saúde.

Com FHE [Fully Homomorphic Encryption – Encriptação Totalmente Homomórfica], é possível manter os dados criptografados o tempo todo, nunca expondo-os durante o processo de computação. No passado, de uma maneira ou outra tínhamos a capacidade de criptografar os dados a) em repouso e b) em trânsito. Porém, historicamente nunca tivemos a capacidade de manter os dados criptografados durante o processamento.

À esquerda, a encriptação tradicional, onde os dados precisam ser desencriptados para serem processados (em vermelho). À direita, na encriptação homomórfica, os dados são processados mesmo estando encriptados.

Com a FHE, os dados podem permanecer criptografados enquanto são usados ​​por um aplicativo. Imagine, por exemplo, um aplicativo de navegação em um smartphone que possa dar a direção a seguir sem realmente poder ver qualquer informação ou localização pessoal do usuário.

As empresas estão potencialmente interessadas em FHE porque isso permitiria a elas aplicar “inteligência artificial” aos dados e, ao mesmo tempo, prometer honestamente aos usuários que a empresa não tem como visualizar ou acessar os dados subjacentes.

Embora o conceito de criptografia homomórfica tenha existido e sido de interesse por décadas, a FHE sempre exigiu um enorme poder de computação, o que sempre foi muito custoso para ser praticável.

Mas os pesquisadores fizeram grandes avanços nos últimos anos.

Por exemplo, em 2011 era preciso 30 minutos para processar um único bit usando FHE. Em 2015, os pesquisadores já podiam comparar dois genomas humanos inteiros usando a FHE em menos de uma hora.

A IBM vem trabalhando em FHE há mais de uma década, e está finalmente atingindo um ponto em que está pronta para começar a adotar a FHE de maneira mais ambiciosa. E aí então entra o próximo desafio: a adoção generalizada. Há atualmente poucas organizações com habilidades e conhecimentos para implementar a FHE. “

Próximos passos

Para acelerar esse desenvolvimento, a IBM Research lançou ferramentas de código aberto, para fomentar o envolvimento dos desenvolvedores, enquanto a IBM Security lançou seu primeiro serviço comercial de FHE em dezembro de 2020.

Essas iniciativas se destinam a estimular os clientes a trabalhar em protótipos e experimentar a criptografia totalmente homomórfica. São dois objetivos imediatos: Primeiro, educar os clientes sobre como construir aplicações compatíveis com FHE e, em seguida, dar a eles as ferramentas e ambientes de hospedagem adequados para executar esses tipos de aplicações. No curto prazo, a IBM prevê que as perspectivas sejam muito atraentes para indústrias altamente reguladas, como serviços financeiros e saúde. Esses serviços têm uma grande necessidade de desbloquear o valor de seus dados, mas também enfrentam pressões extremas para proteger e preservar a privacidade dos dados que estão computando.

Com o tempo, uma gama mais ampla de empresas se beneficiará da FHE. Muitos setores querem melhorar seu uso de dados, o que está se tornando um diferencial competitivo no mercado. Isso inclui o uso de FHE para ajudar a impulsionar novas formas de colaboração e monetização. À medida que isso acontece, a IBM espera que esses novos modelos de segurança estimulem uma maior adoção corporativa de suas plataformas híbridas de nuvem.

Por meu lado, desejo MERDA, à IBM em sua estréia. Estávamos realmente precisando disso. Saúde!

Facebook Não Planeja Notificar os Afetados por Vazamentos

Facebook Inc não notificou os mais de 530 milhões de usuários quando detalhes pessoais foram obtidos por crackers antes de 2019 através do uso indevido de um recurso. Esses dados foram recentemente tornados públicos, e novamente Facebook não tem planos para qualquer notificação, disse um porta-voz da empresa na quarta-feira, 7 de abril.

A revista Business Insider relatou na semana passada que números de telefone e outros detalhes dos perfis de usuários estavam disponíveis em um banco de dados público. Facebook disse em um post de blog na terça-feira que “atores maliciosos” obtiveram os dados antes de setembro de 2019 pelo método da “raspagem” (scraping) de perfis, usando uma vulnerabilidade na ferramenta nativa da plataforma para sincronização de contatos.

Essa justificativa é idêntica à dada em 2018, quando foi revelado que o Facebook havia liberado à Cambridge Analytica os dados de 87 milhões de usuários para uso em anúncios políticos, sem sua permissão. Facebook continua explicando que as pessoas que coletaram esses dados – desculpe, “rasparam” esses dados – o fizeram abusando um recurso projetado para ajudar novos usuários a encontrar amigos na plataforma.

Ver post relacionado no blog.

Dispositivos Wi-Fi em Breve se Tornarão Sensores de Objetos

Em aproximadamente três anos, a especificação Wi-Fi está programada para sofrer uma atualização que transformará dispositivos sem fio em sensores capazes de coletar dados sobre as pessoas e os objetos banhados por seus sinais.

“Quando a 802.11bf estiver finalizada e introduzida como padrão IEEE em setembro de 2024, o Wi-Fi deixará de ser um padrão somente de comunicação e legitimamente se tornará um protocolo de sensoriamento completo”, explica Francesco Restuccia, Professor Assistente de Engenharia e Computação na Northeastern University, em um artigo resumindo o estado do projeto Sensing do Wi-Fi (SENS), atualmente sendo desenvolvido pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE).

Perturbações no campo eletromagnético tornam pessoas e objetos visiveis através de paredes na nova especificação Wi-Fi

O SENS é previsto como uma maneira de fazer dispositivos Wi-Fi usarem diferenças de interferência de sinal para medir o intervalo, velocidade, direção, movimento, presença e proximidade de pessoas e objetos.

*Segurança e controle de privacidade ainda estão sendo avaliados, o que significa que provavelmente não haverá nada disso [o que me tira o sono à noite!]

Mais no The Register (em Inglês)

Será Que Fui Facebookado?

O que aconteceu?

Em abril de 2021, um enorme conjunto de dados pessoais que inclui detalhes de mais de 500 milhões de usuários foi publicado on-line. Os hackers provavelmente estiveram em posse dos dados por alguns meses, mas aparentemente só decidiram publicar suas descobertas agora. As maiores ameaças, caso seus dados estejam neste lote: phishing e assédio pessoal.

Quais dados foram vazados?

Junto com números de telefone, os seguintes dados foram vazados:

  • ID da conta do Facebook
  • Nome completo
  • Gênero
  • Status de relacionamento
  • Endereço residencial e localização de nascimento
  • Ambiente de trabalho

O Facebook ainda é seguro para usar?

No momento ainda não se sabe se o Facebook corrigiu a vulnerabilidade, uma vez que a empresa não divulgou nenhuma declaração sobre o vazamento.

Todas essas informações sobre sua conta podem ser checadas no site:

https://haveibeenfacebooked.com/

Escolha o código de país e entre com o número de seu telefone.

NOTA:
Recomendamos, como sempre, extrema cautela ao usar a referida rede social. Nós, por princípio, não recomendamos o uso de redes centralizadas como o Facebook e similares.

O site que linkamos é de autoria de Marco Aceti e Fumax (dados disponíveis no GitHub). Neste post, adaptamos o conteúdo para o português usando a licença MIT, que reproduzimos abaixo, conforme requerido.

MIT License

Copyright (c) 2021 Marco Aceti

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Reações Mistas à ‘Nova’ Música do Nirvana

Se estivesse vivo, o vocalista do Nirvana Kurt Cobain teria de 52 anos de idade. Todos os anos, nas proximidades de seu aniversário, 20 de fevereiro, os fãs se perguntam que tipo de música ele estaria escrevendo se não tivesse morrido de suicídio há quase 30 anos. Nunca poderemos saber a resposta para essa pergunta, mas um experimento em Aprendizagem de Máquna está tentando preencher a lacuna.

Uma organização dedicada à saúde mental chamada Over The Bridge usou a “AI” Magenta do Google e uma rede neural genérica para examinar mais de duas dúzias de músicas do Nirvana, com o objetivo de criar uma faixa ‘nova’ da banda. O resultado, a faixa “Drowned in The Sun”, abre com um ‘plucking’ encharcado de reverb antes de se transformar em um ataque de ‘power-chords’ distorcidos. “I don’t care/I feel as one, drowned in the sun”, canta no refrão Eric Hogan, cantor de uma banda-tributo do Nirvana envolvida no projeto. Na execução ela não parece tão diferente de “You Know You’re Right”, uma das últimas músicas que o Nirvana registrou antes da morte de Cobain em 1994.

A voz de Hogan é o único elemento “real” na produção. Todo o resto foi gerado pelos dois programas de “AI” que a Over The Bridge usou. A organização do projeto primeiro alimentou o Magenta com as canções da banda em arquivos MIDI, para que o software pudesse aprender as notas e harmonias específicas que tornaram essas músicas tão memoráveis. Um fato engraçado é que o estilo solto e furioso de Cobain dificultou o trabalho da AI, fazendo com que o sistema inicialmente emitisse uma parede de distorção, em vez de algo realmente parecido com a assinatura de suas melodias. “Foi muita tentativa e erro para chegar ao resultado satisfatório”, diz o membro da Over The Bridge, Sean O’Connor. Uma vez obtidas as amostras musicais e líricas, a equipe criativa escolheu os melhores bits para finalizar o processo de produção. A maior parte da instrumentação que você ouve no resultado final são faixas MIDI com diferentes ajustes e efeitos em camadas sobrepostas.

Uma coisa que a AI não conseguiu captar é como exatamente Cobain teria cantado a música. Fora do tempo e do tom, Hogan teve que interpretar a música imaginando como o astro do grunge (que entre muitas dores sofria de dor de estômago crônica) teria canalizado sua angústia nas letras.

Over The Bridge não é o primeiro grupo a usar AI para imitar um artista morto. Mas a intenção aqui é diferente de projetos passados ​​semelhantes. “Drowned in the Sun” é parte da iniciativa “Fitas Perdidas do Clube dos 27“. Eles decidiram registrar músicas geradas por “AI”, simulando o trabalho dos artistas que morreram com a idade de 27 anos, para aumentar a conscientização sobre os recursos de saúde mental aos quais músicos e público geral podem recorrer quando sentirem que precisam de ajuda.

As reações foram mistas, variando de “A música tem um refrão de hino, e tem uma evocativa qualidade Cobain-esca…” até “uma perfeita ilustração da injustiça de se desenvolver Inteligência Artificial através da ingestão de trabalhos culturais sem a autorização de seu criador, e de como isso força criadores a serem escravos na produção de um futuro fora de seu controle”. Eu, pessoalmente, reservo minha opinião.

A organização sem fins lucrativos baseada em Toronto tem uma página no Facebook onde oferece suporte. Também oferece sessões online e workshops. Em https://www.facebook.com/OTBnonprofit

(*) Se você está experimentando pensamentos de suicídio ou auto-agressão, peça ajuda ao Centro de Valorização da Vida, CVV, no fone 188