Do Petróleo ao Lítio: Implicações Geopolíticas da Revolução do Carro Elétrico

O papel do petróleo na formação da geopolítica global é bem compreendido. Desde que o petróleo se tornou essencial para o transporte mundial – e, portanto, para o funcionamento eficaz da economia mundial – ele foi visto, por razões óbvias, como um recurso “estratégico”. Como as maiores concentrações de petróleo estavam localizadas no Oriente Médio, uma área historicamente distante dos principais centros de atividade industrial da Europa e da América do Norte e regularmente sujeita a convulsões políticas, as principais nações importadoras há muito buscavam exercer algum controle sobre a produção e exportação de petróleo da região.

Isso levou a um imperialismo de recursos de alta ordem, começando após a Primeira Guerra Mundial, quando a Grã-Bretanha e outras potências europeias disputavam o controle colonial das áreas produtoras de petróleo na região do Golfo Pérsico. Ela continuou após a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos entraram na briga em grande estilo.

Para os Estados Unidos, garantir o acesso ao petróleo do Oriente Médio tornou-se uma prioridade estratégica após os “choques do petróleo” de 1973 e 1979 – o primeiro causado por um embargo árabe do petróleo, que foi uma represália ao apoio de Washington a Israel na Guerra de outubro daquele ano; a segunda por uma interrupção do abastecimento causada pela Revolução Islâmica no Irã. Em resposta às filas intermináveis ​​nos postos de gasolina americanos e às recessões subsequentes, sucessivos presidentes se comprometeram a proteger as importações de petróleo por “todos os meios necessários”, incluindo o uso da força armada. Essa mesma postura levou o presidente George H.W. Bush a travar a primeira Guerra do Golfo contra o Iraque de Saddam Hussein em 1991 e seu filho a repetir a intervenção em 2003.

Motor elétrico moderno. Visto em corte.

No presente os Estados Unidos não são mais tão dependentes do petróleo do Oriente Médio, considerando como os depósitos domésticos de xisto e outras rochas sedimentares estão sendo explorados pela tecnologia de fraturamento hidráulico. Ainda assim, a conexão entre o uso do petróleo e o conflito geopolítico não desapareceu.

A maioria dos analistas acredita que o petróleo continuará a fornecer uma parte importante da energia global nas próximas décadas, e isso certamente gerará lutas políticas e militares sobre os suprimentos restantes. Portanto, eis a questão do momento: uma explosão no uso de carros elétricos pode mudar esse cenário?

A participação de veículos elétricos (VE) no mercado está crescendo rapidamente e deve chegar a 15% das vendas mundiais até 2030. As principais montadoras estão investindo pesadamente nesse segmento, prevendo um aumento na demanda. Havia cerca de 370 modelos de VE disponíveis para venda em todo o mundo em 2020 – um aumento de 40% em relação a 2019 – e as principais montadoras falavam em planos de disponibilizar 450 modelos adicionais até 2022. Além disso, a General Motors anunciou sua intenção de eliminar completamente a produção de veículos convencionais a gasolina e diesel até 2035, enquanto o CEO da Volvo indicou que a empresa só venderia veículos convencionais até 2030.

É razoável supor que essa mudança vai continuar a ganhar mais e mais impulso, trazendo profundas consequências para o comércio global de recursos naturais. De acordo com a IEA, um carro elétrico típico requer seis vezes mais insumos minerais do que um veículo convencional. Isso inclui o cobre para a fiação elétrica mais o cobalto, grafite, lítio e níquel necessários para garantir o desempenho da bateria, a longevidade e a densidade de energia (a produção de energia por unidade de peso). Além disso, os elementos chamados de “terras raras” serão essenciais para os vários magnetos permanentes que são parte dos motores elétricos.

Uso de terras raras em um carro elétrico.

O lítio, o componente principal das baterias de íon de lítio usadas na maioria dos VEs, é o metal mais leve conhecido. Embora esteja presente em depósitos de argila e compostos de minério, raramente é encontrado em concentrações facilmente lavráveis, embora também possa ser extraído da salobra em áreas como o Salar de Uyuni na Bolívia, a maior planície de sal do mundo. Atualmente, aproximadamente 58% do lítio mundial vem da Austrália; outros 20% do Chile, 11% da China, 6% da Argentina e porcentagens menores de outros lugares. Uma empresa norte-americana, a Lithium Americas, pretende iniciar a extração de quantidades significativas de lítio de um depósito de argila no norte de Nevada, mas está encontrando severa resistência de fazendeiros locais e povos nativos, que temem a contaminação de seus mananciais.

O cobalto é outro componente importante das baterias de íon de lítio. Ele raramente é encontrado em depósitos únicos e é mais frequentemente obtido como um subproduto da mineração de cobre e níquel. Hoje, é quase inteiramente produzido graças à mineração de cobre na violenta e caótica República Democrática do Congo, principalmente na área que é conhecida como o “cinturão do cobre”, na província de Katanga, uma região que antes buscava se separar do resto do país e ainda abriga impulsos separatistas.

Elementos de terras raras (ETR) englobam um grupo de 17 substâncias metálicas espalhadas pela superfície da Terra, mas dificilmente encontradas em concentrações lavráveis. Entre esses elementos, vários são essenciais para futuras soluções no campo da energia sustentável, incluindo disprósio, lantânio, neodímio e térbio. Quando usados ​​em ligas com outros minerais, eles ajudam a perpetuar a magnetização de motores elétricos sob condições de alta temperatura, um requisito fundamental para veículos elétricos e turbinas eólicas. Atualmente, aproximadamente 70% dos ETRs vêm da China, talvez 12% da Austrália e 8% dos EUA.

Um simples olhar de soslaio para a localização geográfica dessas concentrações nos sugere que a transição para a energia verde, prevista pelo presidente Biden e outros líderes mundiais, pode encontrar graves problemas geopolíticos, não muito diferentes daqueles gerados no passado pela dependência do petróleo. Para começar, a nação militarmente mais poderosa do planeta, os Estados Unidos, têm em suas reservas domésticas apenas pequenas quantidades de ETRs, assim como de outros minerais críticos como níquel e zinco, necessários para tecnologias verdes avançadas.

Enquanto Austrália e Brasil, aliados do Ocidente, despontam como importantes fornecedores de alguns desses minerais, a China, crescentemente vista como um adversário estratégico, é crucial na questão dos ETRs, e o Congo, uma das nações do planeta mais atormentadas por conflitos, é o principal produtor de cobalto. Portanto, nem por um segundo imaginemos que a transição para um futuro de energia renovável será fácil ou sem conflitos.

Fonte: TomDispatch.com

Toyota lança o Conceito bZ, Uma Linha ‘Carbono Zero’

Eu gosto de carros. E tenho um blog. Isso seria motivo suficiente para dar espaço à industria automotiva neste cantinho da Internet. Mas os automóveis não precisam de meus motivos para estar aqui. Eles são legítimos participantes da vida tecnológica, e estar em dia com a evolução no campo que vai da eletrificação à eletrônica embarcada nos automóveis é uma obrigação de todo tecnologista. Assim, vamos falar do belo Toyota bZX4 – um dos primeiros sites a fazê-lo em língua portuguesa.

Apesar da sua forte insistência em ‘powertrains’ híbridos anteriormente, a Toyota agora mudou parte de seu foco para veículos totalmente elétricos, apresentando o SUV elétrico bZ4X para “abrir caminho para um futuro mais sustentável.”

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Encaixando-se na linha beyond ZerobZ [“além de Zero”, em referência às emissões de carbono] da montadora japonesa, o novo conceito SUV representa um salto à frente no domínio dos elétricos, com a missão de alcançar a neutralidade em carbono até 2050.

O conceito Toyota BZ4X aponta para outra opção em nosso já robusto portfólio eletrificado

Enquanto detalhes específicos sobre o conceito permanecem escassos, a Toyota espera iniciar a produção de uma versão Pronta Para a Estrada o mais rápido possível, e lançá-la em meados de 2022. Uma vez pronto, o bZ4X será um dos 70 modelos de carros elétricos a serem oferecidos pela montadora até 2025, quinze dos quais serão totalmente elétricos (não híbridos).

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“O conceito Toyota bZ4X aponta para outra opção em nosso já robusto portfólio eletrificado” disse Bob Carter, vice-presidente executivo de vendas das operações norte-americanas da Toyota. “Na Toyota, somos uma empresa centrada em seres humanos – o cliente é nosso CEO e, no final, é quem decidirá quais tecnologias nos levarão para um futuro neutro em carbono. Com investimentos e ofertas de produtos em todo o espectro de eletrificação, pretendemos estar presentes com produtos e tecnologias que atendam às diversas necessidades dos clientes em todo o mundo. “

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Claro que, sendo um conceito, ainda não há detalhes concretos sobre o preço do SUV bZ4X, de modo que os interessados ​​devem ficar alertas para atualizações da notícia.

(*)Em outras notícias e outros becos da indústria automotiva, a Audi revelou oficialmente seu Q4 E-Tron.

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Pelo que apuramos, o Toyota bZ4x tem as seguintes características:

  • Usando uma plataforma específica para Veículo Elétrico à Bateria [Battery Electric Vehicle, BEV], o bZ4X combina uma distância entre eixos longa com um comprimento total curto; isso resulta em um design distinto e em um espaço interior comparável a um sedan do segmento D.
  • Um volante de formato único [ver foto no final do post] elimina a necessidade de alterar a pegada ao fazer curvas e também contribui para um interior espaçoso; o veículo adota um sistema de direção “by wire”, que dá uma sensação de condução suave, alinhada com as intenções do motorista.
  • A posição rebaixada do painel de instrumentos e a localização dos mostradores acima do volante servem não apenas para melhorar o senso de espaço do veículo, mas também melhorar a visibilidade e contribuir para uma condução segura.
  • O bZ4X adota um novo sistema AWD desenvolvido em conjunto pela Toyota e Subaru. Ele promete combinar um desempenho seguro e agradável na condução – realçado pela responsividade única dos veículos eletricos – com um impressionante desempenho off-road.
  • Além do uso de sistemas de energia regenerativa (KERS), o veículo também adota um sistema de recarga solar; isso inteligentemente recarrega a bateria enquanto estacionário e aumenta ainda mais o desempenho ambiental. Ele também promete uma autonomia inigualável.

A Toyota tem atualmente 22% de sua linha global de produtos eletrificada de alguma forma. No ritmo das necessidades dos clientes, à medida em que eles se movem em direção aos produtos Hybrid / BEV / FCEV, a Toyota eliminará lentamente os veículos de combustão interna.

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