Mineradora Canadense de Bitcoin Escolhe a Argentina para ‘Fábrica’

Quando se sabe que a mineração de bitcoin é muito intensiva no uso da energia elétrica [que alguns economistas alegam ser a âncora de facto da moeda], a nota que captamos neste domingo sonolento [e certamente mortal, como saberei nos jornais da noite], revela alguns desenvolvimentos interessantes no campo das criptomoedas.

Milhares de CPUs em um datacenter

Um report do Mercopress dá conta de que a mineradora de bitcoin canadense Bitfarms anunciou planos de iniciar operações na Argentina no início de 2022, com um total de 55.000 máquinas. O país surgiu como uma escolha lógica devido aos custos relativamente baixos em pesos locais, com todos os lucros sendo em bitcoin, disseram analistas.

A empresa celebrou um contrato ‘significativamente aprimorado’ de compra de energia com um produtor privado da Argentina, segundo o qual a Bitfarms tem o direito de extrair até 210 MW de eletricidade a seu critério.

A duração inicial do contrato é de oito anos. Durante os primeiros quatro anos, o custo efetivo da eletricidade será de US$ 0,022 por kWh”, disse a empresa, fundada em 2017, em comunicado.

Traduzido em números, 210 MW é suficiente para instalar 55.000 máquinas de mineração e gerar cerca de US$ 650 milhões de receita ou 11.774 bitcoins, com base nos “níveis de dificuldade atuais” da prova de trabalho e em um preço de criptomoeda de US$ 55.000 por unidade.

Ver nota no Mercopress

Governos Preparam Blitz Contra as Criptomoedas

Jess Powell, CEO da Kraken, a quarta maior negociadora de criptomoedas do mundo, adverte que governos pelo planeta afora podem estar preparando uma grande blitz contra o uso de Bitcoin e outras criptomoedas. CNBC reporta:

“Acho que pode haver alguma repressão”, disse Jesse Powell em uma entrevista à CNBC. As criptomoedas dispararam em valor ultimamente, com o Bitcoin alcançando um recorde de mais de US$ 61.000 no mês passado. A moeda digital mais valiosa do mundo tem sido negociada ultimamente em torno de US$ 60.105. […] O chefe da Kraken acha que a incerteza regulatória em torno das Criptos não vai dissipar tão cedo. Uma regra contra a lavagem de dinheiro proposta pelo governo dos EUA recentemente exige que as pessoas que mantêm Criptos em uma carteira digital privada passem por verificação de identidade se fizerem transações acima de US$ 3.000. “Algo assim poderia realmente ferir as Criptos e matar o caso de uso original, que era apenas tornar os serviços financeiros acessíveis a todos”, disse Powell.

Foto por Worldspectrum em Pexels.com

As criptomoedas como o Bitcoin têm sido frequentemente associadas a atividades ilícitas devido ao fato de que as pessoas que transacionam com ela são pseudônimas – você pode ver para onde os fundos estão sendo enviados, mas não quem os enviou ou os recebeu. “Espero que agências reguladoras americanas e internacionais não tenham uma visão muito estreita sobre o assunto”, disse Powell. “Outros países, a China especialmente, estão levando Cripto muito a sério e assumindo uma postura de muito longo prazo”.

O CEO de Kraken disse sentir que os EUA são mais “suscetíveis” às pressões de negócios tradicionais em extinção – em outras palavras, os bancos – que “vão perder se as Criptos se tornarem normalizadas”. “Eu acho também que já pode ser tarde demais”, acrescentou Powell. “Talvez o gênio já esteja fora da garrafa e tentar bani-las neste momento só vai torná-las mais atraentes. Certamente enviaria uma mensagem de que o governo as vê como uma alternativa superior à sua própria moeda.”

Link para CNBC (English)

Monetize Sua Imagem – De Olhos Bem Abertos

À primeira vista, o BitClout parece um híbrido rudimentar entre o Twitter e uma plataforma de investimentos como o Robinhood: há um feed de postagens, botões de “curtir” e compartilhar, e qualquer pessoa pode criar um perfil usando apenas um número de telefone.

O que chama atenção, porém, é que a plataforma rapidamente criou cerca de 15 mil perfis baseados em personalidades populares do Twitter, incluindo Elon Musk e outros influenciadores do universo cripto, sem solicitar autorização. Diamondhands, o criador do BitClout (que opera sob pseudônimo, embora sua identidade seja amplamente conhecida), afirma que a iniciativa buscava evitar que impostores ocupassem esses espaços primeiro.

O diferencial central do BitClout está no fato de que cada perfil está vinculado a uma “moeda” própria, cujo valor oscila conforme o interesse e a adesão de outros usuários. Seguir alguém deixa de ser apenas um gesto social: passa a ser também um ato econômico. Na prática, usuários podem investir na reputação de terceiros, comprando ativos atrelados à sua imagem pública. Como resume Diamondhands: trata-se de uma forma de “automonetização”, em que a valorização pessoal se converte diretamente em valor financeiro. Fãs passam a “apostar” no capital simbólico de quem acompanham.

Usuários comuns que aceitam essa lógica podem criar perfis e capturar parte do valor gerado por suas próprias moedas. Já as personalidades que foram adicionadas sem consentimento podem reivindicar seus perfis simplesmente publicando um tweet confirmando sua entrada na plataforma, um mecanismo que, não por acaso, também funciona como marketing gratuito para o BitClout. Paralelamente, já surgiram ferramentas como o BitClout Pulse, que acompanham a valorização dessas moedas.

Essa proposta pouco convencional de rede social se estende à sua infraestrutura técnica. Diferentemente de plataformas como Twitter ou Instagram, baseadas em servidores centralizados, o BitClout opera sobre uma rede descentralizada de nós de blockchain distribuídos globalmente. Todas as interações – postagens e transações – são registradas nessa blockchain, descrita por seu criador como um sistema semelhante ao Bitcoin, mas com funcionalidades voltadas para redes sociais.

Segundo Diamondhands, o código será aberto em breve, e a visão de longo prazo inclui empresas operando seus próprios nós dentro da rede. Isso permitiria, por exemplo, que organizações como ESPN ou Bloomberg mantivessem feeds temáticos voltados a seus respectivos públicos. No entanto, essa mesma arquitetura descentralizada implica a ausência de uma moderação centralizada, um ponto crítico que levanta questões ainda não resolvidas.

A descentralização das redes sociais pode apontar para o futuro, mas casos como o BitClout evidenciam que sua adoção exige cautela. Mais do que entusiasmo tecnológico, é fundamental avaliar com rigor os modelos propostos, os incentivos envolvidos e, sobretudo, os atores com quem escolhemos construir infraestrutura e estabelecer parcerias.


Nota adicional:
No jargão do mercado cripto, moedas cuja oferta pode ser facilmente inflada costumam ser chamadas de “shitcoins”. Isso as diferencia de ativos com maior escassez estrutural, como o ouro.

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