Primeiro Aqui*: Estudo Indica Que a Covid-19 é Uma Doença do Sistema Circulatório

No domingo (14/3) surgiu na minha Internet o estudo da Sociedade Européia de Cardiológia dando conta de que, afinal, a COVID-19 é, por todas as evidências, uma doença endotelial. Essa é uma notícia absolutamente significativa, pois poderia mudar a concepção sobre a doença, ainda tencarada como enfermidade respiratória. Abaixo traduzimos o resumo do trabalho, com um link para o paper original. Certamente haverá cada vez menos espaço para o meme da “gripezinha”.

(*) Em lingua portuguesa.

Resumo

O endotélio vascular fornece a interface crucial entre o compartimento de sangue e os tecidos, e exibe uma série de propriedades notáveis ​​que normalmente mantêm a homeostase. Esta gama de funções estritamente reguladas inclui o controle da hemostase, fibrinólise, vasomotação, inflamação, estresse oxidativo, permeabilidade vascular e estrutura.

Embora essas funções participem da regulação momento-a-momento da circulação e coordenem muitos mecanismos de defesa no hospedeiro, elas também podem contribuir para a doença, quando suas funções, geralmente homeostáticas e defensivas, se alinham e se transformam contra o anfitrião.

SARS-COV-2, o agente etiológico da Covid-19, é a causa da atual pandemia. Produz manifestações inesperadas da cabeça aos pés, causando estragos indiscriminados em vários sistemas de órgãos, incluindo os pulmões, coração, cérebro, rim e vasculatura. Este ensaio explora a hipótese de que a Covid-19, particularmente nos últimos estágios complicados, represente uma doença endotelial. Citocinas, mediadores protéicos pro-inflamatórios, servem como sinais de perigo que mudam as funções endoteliais do modo homeostático para o modo defensivo. O “fim de jogo” da Covid-19 geralmente envolve uma tempestade de citocina, um fenômeno flogistico alimentado por feedbacks positivos bem compreendidos, que governam a produção de citocinas e sobrecarregam os mecanismos contra-regulatórios.

O conceito de Covid-19 como uma doença endotelial proporciona uma imagem fisiopatológica unificadora dessa infecção furiosa, e também fornece estrutura para uma estratégia de tratamento racional, em um momento em que possuímos uma base de evidência modesta para orientar nossas tentativas terapêuticas de confrontar esta nova pandemia.

Link para o trabalho original: https://academic.oup.com/eurheartj/article/41/32/3038/5901158

Este texto foi editado para melhor clareza.

O Supercomputador Fugaku Entra na Luta Contra a COVID-19

Kobe – O supercomputador Fugaku, do Japão, o mais rápido do mundo em termos de velocidade de processamento, entrou em pleno funcionamento na última terça-feira (9/3), bem antes do que havia sido inicialmente agendado, na esperança de que possa ser usado para pesquisa relacionada ao coronavírus.

O supercomputador, cujo nome é uma alusão à palavra alternativa para o Monte Fuji, tornou-se parcialmente operacional em abril do ano passado para gerar visualizações de como as gotículas que carregam o vírus se espalham na boca e para ajudar a explorar possíveis tratamentos para a Covid-19.

“Espero que Fugaku seja estimado pelo povo, à medida que ele pode fazer o que seu antecessor, K, não podia, incluindo inteligência artificial (aplicativos) e grande capacidade de análise de dados”, disse Hiroshi Matsumoto, presidente do Instituto de Pesquisa de Riken, que desenvolveu a máquina, em uma cerimônia realizada no Centro de Riken para a Ciência Computacional em Kobe, onde está instalado.

Fugaku, que pode executar mais de 442 quatrilhões de cálculos por segundo, foi originalmente agendado para começar a operar totalmente no ano fiscal que começa em abril.

Reportagem original de Japan Times.