Cyberfront: Ucrânia Propõe que ICANN Remova Domínios Russos

O site de Tecnologia TheRegister informa que, em resposta à invasão russa da Ucrânia na semana passada, Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro da Ucrânia, pediu na segunda-feira (28-3) à ICANN, todo-poderosa responsável pelo DNS [Domain Name System – Sistema de Nomes de Domínio], que desative os domínios de primeiro nível que tenham código de país associados à Rússia.

Imagem: Pexels

Em um e-mail [PDF], Fedorov pediu a Goran Marby, CEO da ICANN, que imponha sanções à Rússia, argumentando que o regime de Putin usou a infraestrutura da Internet para propagar seu esforço de guerra. Especificamente, ele pediu a revogação dos domínios “.ru”, “.”, “.su” e outros usados ​​pela Federação Russa, desligando os servidores raiz DNS que atendem à Federação Russa e contribuindo para a revogação dos certificados de segurança [TLD/SSL] emitidos para esses domínios.

“Todas essas medidas ajudarão os usuários a buscar informações confiáveis ​​em zonas de domínio alternativas, evitando propaganda e desinformação”, diz o e-mail de Fedorov. “Líderes, governos e organizações de todo o mundo são a favor da introdução de sanções contra a Federação Russa, uma vez que visam pôr fim à agressão contra a Ucrânia e outros países. Ajude a salvar a vida das pessoas em nosso país.”

Fazer isso bloquearia cerca de cinco milhões de domínios da internet global e afetaria significativamente a capacidade da Rússia de se comunicar online.

Em resposta a Prykhodko, Erich Schweighofer, professor da Universidade de Viena e participante da comunidade da ICANN, escreveu: “Nós sabemos e estamos atentos à situação muito difícil e perigosa. [A] União Européia irá apoiá-lo. No entanto, remover a Rússia da Internet não ajuda a sociedade civil desse país em sua luta para uma mudança democrática. A ICANN é uma plataforma neutra, não tomando uma posição neste conflito, mas permitindo que os Estados ajam de acordo – por exemplo, bloqueando o tráfego a um determinado estado.”

Antony Van Couvering, CEO da Top Level Domain Holdings, expressou apoio à ideia: “A neutralidade como resposta ao assassinato não é neutra. De que adianta uma ‘organização da sociedade civil’, se ela se recusa a proteger a mesma sociedade civil, muito menos fazer algo a respeito? Até os políticos acordaram. Até o governo alemão acordou. Até o governo suíço acordou! Enquanto isso, algumas pessoas na ICANN se contentam em repetir frases vazias sobre não se envolver porque isso não ajuda a sociedade civil em seu país. Isso é que é o tal de ‘um mundo, uma internet'”.

A reportagem do Register acrescenta que o registrador de domínio Namecheap* “aconselhou os clientes na Rússia a levar seus negócios para outro lugar, citando crimes de guerra”. No entanto, o CEO da Namecheap, Richard Kirkendall, esclareceu mais tarde que os domínios não foram bloqueados. Em vez disso, eles estão apenas “pedindo às pessoas que voluntariamente se mudem”.

Com tantos se unindo ao lado da Ucrânia (mesmo aqueles que tradicionalmente permanecem neutros em assuntos internacionais), pedir à ICANN que tome medidas contra a Rússia parece ser uma proposta razoável dadas as circunstâncias. Como um bônus, a provável diminuição no spam seria um alívio bem-vindo.

(*) Vox Leone também é cliente do Namecheap, e ficamos contentes com a decisão de R. Kirkendall

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