Todo analista deveria fazer uma temporada em consultoria

Por Forrest Brazeal

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Não estou falando sobre me tornar um daqueles terceirizados que são chamados de “consultores” por suas empresas, mas que na realidade são apenas “contratados em série”. Refiro-me a uma verdadeira função de consultor, onde você seja pago para trazer experiência, dar conselhos e promover mudanças técnicas.

Imagem: iStock

Penso que existem várias maneiras diferentes de conseguir uma função como essa:

  • Abrir o próprio negócio, como consultor independente. Mas administrar seu próprio negócio envolve um conjunto de outras habilidades, como vendas e networking. Este post é focado principalmente em como a consultoria ajuda você a se tornar um melhor engenheiro de software, então não vou me fixar por muito tempo nesta opção.
  • Trabalhar para uma empresa de consultoria em uma função sênior. Dependendo do sua experiência específica, você pode achar mais fácil atingir esse objetivo em uma empresa gigante como a Deloitte ou Accenture, uma ‘boutique’ de especialistas como a Trek10, ou em algum lugar nesse espectro. Em qualquer caso, a opção “consultor de equipe” dá a você a experiência de consultoria em engenharia, mas elimina o desafio de gerenciar seu próprio esquema de vendas.
  • Trabalhar para uma empresa de tecnologia em uma função técnica voltada para o cliente: digamos, como engenheiro de pós-vendas ou arquiteto de soluções. Essa opção pode oferecer mais continuidade nos bastidores do que as outras duas, mas usa, fundamentalmente, o mesmo conjunto de habilidades.

Seja qual for a sua escolha, acredito que todo analista deve passar uma parte de sua carreira fazendo uma dessas três coisas. Trabalhar como consultor desbloqueia os ganhos de carreira que seriam difíceis, senão impossíveis, de obter como analista interno ou líder de engenharia.

Os Superpoderes do Consultor

  • Uma visão panorâmica da indústria

Depois de trabalhar com alguns clientes, você vai perceber que a maioria deles não é tão única e especial quanto eles pensam que são. Eles estão enfrentando um certo desconforto organizacional e tentando resgatar a sua dívida técnica, como todos os outros também estão. Você rapidamente começará a se tornar um “combinador de padrões” profissional, aplicando coisas que funcionaram na empresa X ao problema que você vê na empresa Y. É nesse caldo de cultura que nascem as “melhores práticas” em tecnologia.

Alguém já se referiu a esse processo de melhores práticas emergentes da consultoria como “lavagem de pensamento”, o que parece horrível, mas pode ser algo muito interessante. Com o tempo, você tem a oportunidade de construir um manual para o sucesso em sua disciplina que vai funcionar em 80% dos casos. A maioria das pessoas provavelmente não vai acreditar totalmente em suas ideias, mas você saberá que elas funcionam e exatamente o que está fazendo. Ninguém poderá tirar isso de você.

  • Trabalhar em projetos de alto impacto

Você não traz um consultor para dentro da sua empresa para ajudá-lo a manter as coisas como estão. Você o traz para ajudá-lo a impulsionar a mudança. Como consultor, seu trabalho não será manter um antigo servidor ActiveDirectory. Você terá que descobrir como migrar 2.000 pessoas para o Google Cloud.

Um bom trabalho de consultoria é um fluxo constante dos projetos mais interessantes do mercado, uma miscelânea de maneiras saborosas de aprimorar suas habilidades.

  • Realmente fazendo as coisas

Conheço o estereótipo de que consultores são charlatães que deixam as coisas em uma bagunça pior do que a que encontraram. Por outro lado, isso descreve muitas pessoas que trabalham internamente em qualquer empresa.

A diferença é que os consultores são contratados especificamente porque não têm lealdade a ninguém além do executivo que os contratou. Eles têm o poder de pular a política e apenas apontar o que precisa ser feito, mesmo que seja óbvio. Especialmente se for óbvio. Acontece que muitas das mudanças que as empresas precisam fazer – sejam técnicas ou de negócios – não exigem obscuros momentos eureka ou meses de descoberta. As pessoas inteligentes dentro da empresa provavelmente já estão cientes dos elefantes nas salas. O problema é que eles estão muito emaranhados na burocracia e nos processos falidos e não têm uma visão clara de para onde ir.

Se você tiver a oportunidade de trabalhar com uma consultoria que envolva o nível executivo, vai descobrir que consegue fazer mais em poucas semanas do que seus colegas internos poderiam fazer por conta da política da empresa.

  • Empatia com as necessidades do cliente

Quando você faz consultoria, não há filtros entre você e a eficácia de seu trabalho. Consultores que não cumprem o prometido não duram muito. Assim, você fica ‘expert’ em ouvir, documentar e mostrar o valor do seu trabalho. Você aprende a resolver problemas reais, não imaginários – porque é para isso que você é pago agora.

  • Melhoria do “tempo médio para competência” em novas habilidades

Você não está recebendo honorários de consultoria para aprender no trabalho; seu tempo de adaptação para qualquer nova tecnologia que você encontrar será extremamente rápido. Aprender como aprender se torna uma ferramenta mais importante do que qualquer linguagem ou estrutura. Com o tempo, isso significa que você se surpreenderá com a rapidez com que assimilará novas informações.

Eu disse uma temporada, não necessariamente uma carreira inteira

A consultoria tem desvantagens e elas se multiplicam quanto mais você permanece no campo. Mesmo assumindo a situação ideal, com uma equipe honesta e clientes legais, você começará a lidar com coisas como:

  • A rotatividade constante de projetos é fatigante

Quer dizer, novos projetos são empolgantes, mas em algum momento você simplesmente começa a querer trabalhar em algo familiar para variar um pouco.

  • Sem pele no jogo

Como consultor você será avaliado em um curto horizonte de tempo. Você entregará seus resultados, será pago e seguirá para o próximo show. Isso limita o escopo dos projetos de mudança com os quais você pode se envolver de forma significativa. Também o separa dos resultados comerciais de longo prazo de seu trabalho. A menos que você tenha relacionamentos excepcionalmente épicos com seus clientes, um dia você pode querer ser mais jogador do que treinador.

  • Ser um “especialista” profissional é perigoso para o seu crescimento

Policiais, políticos e consultores têm esta maldição em comum: eles são profissionalmente incentivados a evitar admitir que podem estar errados.

Quando você entra para trabalhar na estrutura digital de um cliente, não está lá para aprender, bagunçar, cometer erros e tentar novamente. Você está lá para saber mais do que o cliente, acertar na primeira vez e fazer o diretor parecer inteligente ao contratá-lo.

Sempre achei esse arranjo estressante e não particularmente honesto. Sou uma pessoa disciplinada, com formação e experiência; um cara que lê a documentação. Contudo, não gosto de ter que projetar um ar de competência que nem sempre sinto. Principalmente porque tenho medo de acabar me convencendo de que realmente sou um especialista e acabar me acomodando para sempre no ponto mais baixo da curva Dunning-Kruger.

Então, por que dar consultoria?

Para resumir tudo isso de forma simples: embora a consultoria seja estressante e tenha incentivos estranhos, também é um atalho para se tornar sênior muito rapidamente. É como comprimir dez anos de experiência em um quarto do tempo. Você vai começar a pensar sobre tecnologia em um contexto de negócios. Você vai construir sua rede. E quando você voltar para casa, você será o engenheiro viajado que todos procurarão para obter informações.

Tradução: Bravo Marques

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